Prioridade em Ourém é restabelecimento de energia elétrica e apoio a desalojados e deslocados
A prioridade para o presidente da Câmara de Ourém é o total restabelecimento de energia elétrica no concelho e o apoio aos 40 desalojados e aos vários deslocados que continuam sem condições de segurança para regressar a casa.
Luís Albuquerque afirmou à agência Lusa que 23% da população ainda não tem eletricidade, sendo que o abastecimento de água está praticamente restabelecido, "com 99,5% do concelho coberto".
"Onde não há são as pessoas que não têm rede pública, ou têm furos, não há eletricidade nesses locais, ou algumas casas podem ainda ter alguns problemas, o que está a afetar o reabastecimento", explicou o presidente da Câmara de Ourém, no distrito de Santarém.
Para o autarca, a principal prioridade é "retomar a eletricidade nestes 23%".
"A segunda prioridade é o restabelecimento das cerca de 10 mil casas que estão destelhadas. Aí é preciso mão de obra, materiais e disponibilização de equipamentos, nomeadamente de elevação, para que as pessoas possam ir acima dos telhados", observou.
Em Ourém existem, neste momento, 40 desalojados, revelou o presidente, ao referir que estão a ser acompanhadas em instalações, onde lhes é também fornecida alimentação.
"Depois há muitos deslocados que ficaram sem casa, mas que conseguiram encontrar abrigo em casa de familiares. São muitos, portanto. As nossas prioridades também passam por fazer regressar essas pessoas às suas casas que ficaram sem condições de habitabilidade o mais rápido possível".
Luís Albuquerque assegurou ainda que estão no terreno várias equipas de ação social, divididas por setores ao longo do concelho, para identificar as situações mais complicadas.
Segundo o autarca, a Be Water, empresa responsável pelo abastecimento de água em Ourém, irá "isentar a taxa da tarifa fixa das pessoas que estiveram alguns dias sem água", permitir pagamento a prestações e o adiamento de faturas nestes meses, "e a cobrança ser feita de acordo com o primeiro escalão, porque está a haver muitas roturas".
Para Luís Albuquerque, o "pior ainda está para vir", que é "reconstruir tudo".
"Isto foi uma tragédia sem precedentes e de dimensão inimaginável, só quem anda no terreno é que percebe a dimensão. Foi terrível. Mas agora temos o trabalho pela frente de reerguer e de reconstruir e é isso que estamos a trabalhar para que rapidamente todos em conjunto o possamos fazer", disse.
Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 08 para 68 concelhos, voltando a ser prolongada até 15 de fevereiro.