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Programa escolar quer pôr crianças a falar sobre emoções

Programa escolar quer pôr crianças a falar sobre emoções

A Antena 1 foi assistir a uma sessão do programa "Por Ti" da Z Zurich Foundation e EPIS - Empresários pela Inclusão Social. Duas turmas do sétimo e oitavo ano foram desafiadas a falar sobre emoções e sobre o papel da escola no bem-estar mental.

Camila Vidal - Antena 1 /
Foto: Nuno Patrício - RTP

Aprender a gerir emoções na escola, onde, dizem os alunos, nem sempre é fácil ter um dia bom. Samuel, do sétimo ano, explica que "às vezes podes não estar bem na escola, podes ir para a escola triste e a escola talvez não te resolva a tristeza", Tomás acrescenta que também o bullying pode transformar um dia bom em mau, Sofia não tem dúvidas de que há "muito racismo nas escolas". São os motivos destes alunos do sétimo ano para dizerem que nem sempre a escola promove o bem-estar mental.

A diretora da EB+ S Mestre Domingos Saraiva, Fátima Morais, reconhece que é crescente o mal-estar na escola, a violência aumentou e a diretora aponta como causa "aquele período de confinamento veio aqui de alguma forma destabilizar as relações humanas", refere que essa "indisciplina também se vê a nível dos pais", que estão "um bocadinho inquietos, estão até com alguma agressividade no discurso". 

A solução, acredita, não aparece "num abrir e fechar de olhos", mas cabe às escolas tentar ajudar, com esta e outras iniciativas, a reverter "a maleita dos tempos modernos" de que fala Fátima Morais: os problemas de saúde mental.
O programa Por Ti, da Z Zurich Foundation e Empresários pela Inclusão Social, está em várias escolas do país, ensinar os mais novos a gerir emoções. Nas sessões iniciais, como aquela a que Antena 1 assistiu, fazem-se afirmações mais ou menos consensuais sobre o que é bem-estar mental. 

O método é simples: "se eu concordo, para mim é verdade, para mim é um sim, braço no ar. Se eu não concordo, se para mim é confuso, se para mim é um não, eu nem sequer preciso fazer nada". É a psicóloga Cláudia Carvalho quem lança as ideias, mas nem sempre obtém como resposta sinceridade, porque os alunos "preferem estar recolhidos muitas vezes neles próprios" e "antes de levantarem o braço, analisam a sala toda."

Assistimos a isso mesmo no pequeno auditório desta escola básica em Sintra. "Havia por ali um braço no ar, mas escondeu-se", diz a psicóloga, que não insiste para participarem e garante aos estudantes que não precisam de partilhar nada que os deixe desconfortáveis. Até que aparece a afirmação "É facil ter bem-estar mental na escola" e os alunos reagem quase em uníssono. "Mentira", ouve-se a ecoar na sala. 

No fim da sessão, os alunos do sétimo e oitavo ano ouvidos pela Antena 1 faziam o diagnóstico do problema: bullying, racismo, violência... e falta de espaço para falar sobre o que se está a sentir.
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