Três deslocados por risco de derrocada na Encosta do Castelo em Torres Vedras
"Estamos a tirar duas árvores de cima de duas casas e a retirar três pessoas da que estava habitada", afirmou Diogo Guia, que tem o pelouro da Proteção Civil na câmara de Torres Vedras.
Depois de sondagens realizadas hoje no local, "os técnicos confirmaram que há zonas bastante descalças, há fissuras graves no terreno, a muralha exterior do Castelo tem fissuras, temos drenagens por todo o lado e há um risco de deslizamento contínuo", explicou o autarca.
"Na rua já não dá para passar a pé, porque [o deslizamento] está a avançar", acrescentou.
Esta semana, ocorreram dois deslizamentos de terras na Encosta do Castelo provocados pelo mau tempo e o vereador avisou que "é muito perigoso passar ali".
"Temos ali um problema de massas a cair, porque existe água na encosta", explicou, acrescentando que, "de um lado da encosta as árvores estão a cair", evidenciando o risco existente.
Devido ao perigo de derrocada, foram interditadas por precaução uma rua de acesso ao Castelo e a sala de concertos Bang Venue.
Balanço da Liga. Temporais danificaram 17 corporações de bombeiros
O presidente da LBP, António Nunes, avançou à Lusa que os prejuízos estão estimados em milhões de euros, não existindo um valor exato uma vez que ainda têm que ser feitos vários estudos localmente, o que ainda não é possível porque os bombeiros estão preocupados com o socorro.
António Nunes indicou que são 17 os quartéis com problemas nos seus edifícios, existindo alguns com mais prejuízos do que outros.
Além dos quartéis de Leiria e de Pedrógão Grande, que apresentam problemas graves e provavelmente obrigarão à construção de novas instalações, há ainda outras corporações com prejuízos elevados nos edifícios como Vieira de Leiria, Marinha Grande, Ferreira do Zêzere, Penela e Montemor-o-Velho, segundo a LBP.
António Nunes disse que a LBP está a fazer um levantamento da situação para enviar para a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, que terá que criar uma linha financeira de apoio para a reconstrução destas infraestruturas.
A LBP indicou que estes 17 quartéis apresentam danos nas coberturas, no edificado, com destruição de salas e camaratas, danos nas antenas e também em muitas viaturas.
"No conjunto, estão em causa vários milhões de euros para obras na maior parte dos casos urgentes tendo em conta a necessidade de garantir as condições de operacionalidade dos bombeiros", considerou ainda a LBP.
Lusa
Pior já passou em Coimbra, diz Ana Abrunhosa
“Felizmente, o pior não aconteceu”, mas a autarquia mantem-se em alerta, com zonas alagadas perto do Açude-ponte de Coimbra.
A presidente da Câmara Municipal de Coimbra agradeceu à proteção civil e aos agentes municipais pela coordenação, avisando que irá ajudar a retirar água das casas com bombas e fazer uma avaliação dos danos na agricultura, habitação e infraestruturas
Recuperação das zonas afetadas pelas cheias será longa - Proteção Civil
"As situações de cheias mais rápidas, como por exemplo na zona de Alcácer do Sal, retomarão à normalidade, ou potencialmente retomarão a normalidade mais rapidamente. Mas estas zonas, quer no Tejo quer no Mondego levarão algum tempo até repormos a normalidade", disse comandante nacional de Proteção Civil, Mário Silvestre, na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) em Carnaxide, Oeiras.
O comandante disse que a precipitação irá manter-se até ao final do dia de hoje, sendo que para sábado e domingo existe a possibilidade da continuação de chuva forte.
Mário Silvestre referiu ainda que a manutenção dos caudais na bacia do Rio Mondego e na Barragem da Aguieira (Coimbra) dá uma perspetiva "muito positiva em relação à não inundação da zona baixa de Coimbra".
A presidente da Câmara de Coimbra afirmou esta tarde que o pior pode já ter passado na região, face ao risco de cheia, embora se continue a manter a vigilância do caudal do Mondego.
"A nossa expectativa é mesmo de que o pior pode estar a passar", disse Ana Abrunhosa, numa conferência de imprensa no Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil de Coimbra, com a presença do primeiro-ministro, da ministra do Ambiente e de autarcas da região.
Lusa
Mação estima prejuízos de milhões após tempestades e cheias do Tejo
"Foi trágico, uma calamidade. Ainda não tínhamos saído da tempestade Kristin e já o Tejo nos estava a criar problemas. A zona norte do concelho ficou muito destruída e as mazelas permanecem", afirmou à Lusa o presidente do município, José Fernando Martins.
Segundo o autarca, duas semanas depois da passagem da tempestade Kristin, o concelho de Mação, no distrito de Santarém, continua a sentir os efeitos da chuva persistente e das cheias, com agravamento de derrocadas, muros e habitações em risco de ruína.
"Estamos a fazer um levantamento muito exaustivo dos prejuízos, tanto das pessoas, como dos equipamentos municipais. A ordem de grandeza é de milhões de euros", sublinhou José Fernando Martins.
No sul do concelho, na freguesia de Ortiga, a subida do Tejo provocou novos danos, nomeadamente a destruição de parte dos passadiços ribeirinhos.
No total, 52 pessoas ficaram sem condições para permanecer nas suas casas, correspondendo a 41 habitações sem condições mínimas de habitabilidade.
Atualmente, nove pessoas continuam em instituições ou junto de familiares e o número de munícipes a necessitar de acompanhamento psicológico aumentou de três para seis.
Foram ainda registados danos significativos em edifícios municipais, empresas e habitações particulares, incluindo pavilhões industriais, bem como nas praias fluviais de Carvoeiro e Cardigos, afetadas por quedas de árvores, pela força das águas e detritos arrastados pelas ribeiras.
A Escola de Cardigos sofreu danos estruturais, entretanto estabilizados, e vários cemitérios do concelho foram atingidos por quedas de árvores, mantendo-se alguns encerrados.
Até hoje, a Câmara já recebeu 580 formulários de registo de danos, 53 de empresas e associações e 527 de particulares.
A eletricidade e o abastecimento de água estão já repostos, mas persistem falhas nas comunicações em várias freguesias, uma situação que o presidente da Câmara considera "inaceitável", alertando para as dificuldades acrescidas na submissão de candidaturas a apoios públicos.
José Fernando Martins alertou também para os impactos na floresta e na agricultura, bem como para os atrasos nos trabalhos de prevenção de incêndios, num concelho historicamente fustigado pelos fogos rurais.
Igreja de São Martinho do Arco de Baúlhe (Cabeceiras de Basto) encerrada aos fiéis
Em declarações hoje à agência Lusa, o padre da paróquia deu conta de que a situação do muro "é muito preocupante e que está em risco de queda iminente", acrescentando que se isso acontecer, há a forte probabilidade de a igreja, que está numa zona alta, sofrer danos estruturais significativos, pois a distância da igreja até ao muro é de cerca de cinco metros.
O padre Rui Araújo explicou que a situação se agravou nos últimos dias, fruto das sucessivas tempestades, provocando também "infiltrações profundas" na igreja que, há cerca de quatro anos, sofreu obras de requalificação na ordem dos 400 mil euros.
"Até estarem reunidas todas as condições de segurança a igreja vai estar encerrada aos fiéis. Neste momento não conseguimos prever quando é que isso possa acontecer. Os técnicos já estiveram a verificar o muro do adro e a igreja e a situação é muito complicada", lamentou o pároco.
Numa publicação nas redes sociais, a paróquia de São Martinho do Arco de Baúlhe pede à população para que não se aproxime do muro e evite a zona envolvente.
"Apelamos à máxima prudência e colaboração de todos. Protejam-se, a vossa segurança é prioritária", lê-se no alerta.
Lusa
Ferreira do Zêzere estima prejuízos superiores a 200 ME
"Diria que 200 milhões de euros não será suficiente para conseguir compensar todos os estragos que o concelho tem", afirmou Bruno Gomes (PS), referindo que Ferreira do Zêzere, no distrito de Santarém, tem "85% das habitações com estragos", além de danos em empresas e infraestruturas públicas, como escolas, centros de saúde e centros culturais.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere disse que, passados 17 dias desde a depressão Kristin, que ocorreu a 28 de janeiro, ainda há "cerca de 25%" da população do concelho que continua sem energia elétrica, num universo total de perto de 8.000 habitantes, sendo que, nos primeiros dias, a totalidade da comunidade ficou sem luz.
"Dezassete dias sem energia, sem televisão, sem frigorífico, sem arca leva a que as pessoas tenham também aqui um desespero emocional e mental muito, muito grande", realçou o autarca, sublinhando que o abastecimento de energia elétrica "é algo obrigatório para ter condições de habitabilidade dignas".
Referindo que esta situação de desespero provoca traumas, bem como "um sentimento de injustiça muito, muito grande", Bruno Gomes destacou a necessidade de apoio psicológico às populações afetadas.
O autarca do PS considerou que há um sentimento de "abandono" do território de Ferreira do Zêzere relativamente à resolução dos problemas provocados pelas recentes intempéries e, ressalvando que compreende as limitações e a dimensão dos danos, afirmou que é preciso "mais equipas".
"Não tenho sentido esse reforço, não tenho sentido essa capacidade maior para resolver estas situações", expôs, referindo que "a E-Redes e as operadoras, particularmente a Meo, não estão a conseguir corresponder àquilo que são as expectativas da comunidade".
Sem dispor de uma previsão de quando é que o problema no abastecimento de energia elétrica e nas comunicações estará resolvido, o presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere defendeu que há um conjunto de entidades e valências que não podem sair da esfera do Estado "ou então tem de haver obrigatoriedade para que as empresas que agora são privadas tenham uma capacidade de resposta maior".
"Tenho postes, já tinha anteriormente, de fibra a caírem por estarem podres", denunciou, manifestando-se "muito descontente" com a operadora Meo, por considerar que, desde que foi vendida à Altice, perdeu a qualidade de serviço.
"Se cometesse um conjunto de erros que foram cometidos ao longo destes 17 dias, era muito provável que não ganhasse nas próximas eleições. E esta exigência que a comunidade tem para com os autarcas tem de existir também para com as entidades e para com o Governo central. E espero bem que tenhamos a capacidade para fazer essa avaliação, essa ponderação e essa constatação, porque se não vamos andar, anos após anos, a chorar todos os dias, sem termos efetivas melhorias", afirmou, reforçando que o concelho de Ferreira do Zêzere precisa de mais equipas empenhadas na resposta aos problemas causados pelo mau tempo.
Sobre a existência de "85% das habitações com estragos", o autarca indicou que a maior parte das intervenções realizadas até ao momento são de reparação temporária e revelou que já foram submetidas 157 candidaturas de apoio à reconstrução, que somam "um montante de mais de 1 milhão de euros".
"Chegaremos aos 10 milhões, aos 15 milhões, se pensarmos que teremos 5.500 habitações" a necessitar de obras, perspetivou Bruno Gomes, ressalvando que nem todas as casas têm seguros ou o seguro não paga a totalidade dos prejuízos.
Quantos à estimativa de prejuízos globais no concelho, o autarca disse que não tem ainda uma real e específica noção dos montantes, mas adiantou que "nunca ficarão abaixo dos 200 milhões de euros, 150 milhões de euros".
Sobre os estragos nas empresas, nomeadamente na produção de ovos, sendo que Ferreira do Zêzere é considerada a capital do ovo em Portugal, o município estima que na perda produtiva haja "mais de 100 milhões de euros de prejuízo", além dos danos em pavilhões de galinhas.
O autarca destacou ainda estragos em infraestruturas públicas, nomeadamente escolas, cineteatro, centros de saúde e centros culturais, em que se estima "vários milhões de euros" em danos, assim como em "muitas vias" rodoviárias que tiveram "graves prejuízos" por queda de taludes ou árvores.
Lusa
Granja de Ulmeiro é a situação mais preocupante em Soure
"Tenho água em locais onde não tinha tido", disse Rui Fernandes, referindo-se à situação na Granja do Ulmeiro, que considerou como a "mais preocupante" no concelho.
"Parece que, aparentemente, a [barragem da] Aguieira já está a reter e, porventura, o pior terá passado", acrescentou.
No centro da vila de Soure continuam a registar-se inundações e "em nível bastante alto".
"Estamos na cota mais alta que esteve nestes dias", indicou.
Rui Fernandes afirmou ainda estar "otimista" para a próxima noite face às previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
"Se o pior é entre as 17:00 e as 19:00, e se a seguir alivia, espero que seja a primeira noite normal de várias", referiu.
Lusa
Regresso da água ao rio dá "esperança de que susto passou" em Alcácer do Sal
A água do Sado em Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal, já deixou a marginal e a Avenida dos Aviadores e voltou ao leito do rio, dando à população "alguma esperança de que o susto passou".
"Olhamos para o rio e temos quase um metro abaixo daquilo que estava ontem [quinta-feira], então, podemos ter alguma esperança de que o susto passou", afirma à agência Lusa a presidente da câmara municipal, Clarisse Campos.
A meio da tarde, decorrem em bom ritmo os trabalhos de limpeza de cafés e lojas situados na marginal da cidade, com o envolvimento de proprietários, militares e voluntários. Uns com vassouras e outros com máquinas de pressão, lavam o que sobrou das inundações das últimas semanas.
Nessa zona, onde ainda há sacos de areia que temtaram impedir a passagem da água, acumula-se mobiliário danificado, canas e troncos trazidos pela água, que, a pouco e pouco, são levados em carrinhas de caixa aberta da câmara.
Apesar dos sinais de esperança, a presidente da câmara avisa que ainda não é tempo de `levantar a guarda`, pois, é fevereiro e "a época das chuvas prolonga-se até abril".
"Esperamos por dias com o tempo melhor para que as barragens possam continuar a libertar a água de maneira a que fiquem com algum encaixe para, em caso de aumento da precipitação, não tenhamos que voltar a retirar tudo dos estabelecimentos", refere.
Mais de duas semanas depois da primeira inundação, o que agora mais preocupa a autarca é a forma como se vai reerguer quem perdeu tudo nas cheias e a falta de mão-de-obra para as reparações.
"As pessoas vão precisar de equipar os seus estabelecimentos e de financiamento para o fazer e aquilo foi anunciado não serve para estas pessoas", salienta, propondo a atribuição de um apoio financeiro a fundo perdido aos comerciantes.
Alertando que a economia local "já era muito débil", Clarisse Campos lembra que grande parte dos pequenos negócios situava-se em toda a zona da marginal: "Se não os ajudarmos rapidamente, de forma a que estejam prontos a funcionar na época alta, não vamos conseguir reaver estes estabelecimentos comerciais".
A presidente da câmara diz que, após estas cheias e concluída a limpeza, a cidade vai "entrar numa nova fase" e será precisa "mão-de-obra de carpinteiros, canalizadores, eletricistas, dos pedreiros".
"Era importante que existissem também voluntários nestas áreas", reforça Clarisse Campos, sugerindo aos interessados que "apadrinhem um destes estabelecimentos para ajudarem na sua recuperação".
O comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Alentejo Litoral, Tiago Bugio, também mantém a cautela, apesar de ter havido, desde a última madrugada, "uma diminuição significativa do caudal do Rio Sado".
"Quando atingimos a maré alta, esta madrugada à 01:00, começámos a perceber esta inversão da maré, com o rio a fazer um bom escoamento deste caudal. Neste momento, a maré não está a influenciar muito" o nível da água, observa.
Tiago Bugio indica que as descargas de sete barragens para o Rio Sado é que influenciam o caudal e diz que o possível início de descargas no Monte da Rocha, no concelho de Ourique, leva a "uma obrigação de acompanhamento" da situação em Alcácer do Sal.
"Esta barragem tem uma área superior a 200 hectares de espelho de água e a precipitação que caia lá ou nas ribeiras que convergem para a albufeira" sai pelo descarregador de superfície e converge para o Sado e isso "é uma preocupação acrescida", afirma.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados, assim como prejuízos em casas, empresas e equipamentos, queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, inundações e cheias, entre outros danos.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até este domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Depositadas mais de 8.900 toneladas de pedra no local onde o dique cedeu
“Os trabalhos continuam a decorrer de forma contínua envolvendo mais de 70 pessoas. Estes trabalhos, previsivelmente, durarão algumas semanas”, adiantou a empresa.
O objetivo dos trabalhos nesta fase é “garantir a estabilização do aterro junto ao encontro norte do viaduto C do Mondego, na A1, tendo em vista suster a erosão e impedir novos danos nas duas faixas de rodagem”.
As obras estão a ser apoiadas por 33 camiões de transporte de material rochoso, um camião grua, um veículo porta máquinas, duas escavadoras giratórias, um bulldozer e duas minicarregadoras.
A brisa relembra que as vias alternativas para os utilizadores da A1 continuam a ser o corredor A8/A17/A25 ou o IC2.
Marcelo e Abrunhosa divergem sobre regionalização
“Nas horas de aflição quem está cá? Os autarcas”, lembrou Abrunhosa, tendo pedido "mais competências com mais meios" para as autarquias. Afirmou-se como uma "regionalista convicta". No entanto, admite que os próximos dois anos serão "muito complicados" para gerir o fim do PRR e o PT2030, algo que Marcelo concordou.
“Neste momento, se abrirmos debate [sobre aq regionalização] quebramos a frente única”avisa o presidente da República, referindo-se à importância de obter fundos europeus para a reconstrução das áreas afetadas.
Ana Abrunhosa admitiu que as catástrofes naturais por que Coimbra tem passado nos últimos dias, obrigam a "retirar grandes lições", como a criação de uma "cidade mais resiliente às alterações climáticas", não só em relação à obra hidrográfica do Mondego, mas também à estutura arbórea da cidade, com a plantação de "árvores adequadas ao clima que temos para estas intempéries".
A autarca também lembrou a afirmação da Região Metropolitana de Coimbra desde janeiro, e a necessidade de reconstrução das infraestruturas rodoviárias da região e a melhoria na mobilidade, "porque estamos atrasados 20 ou 30 anos".
PM "fez o que pode e o que não pode" diz Marcelo
"Eu achei que foi uma decisão muito inteligente e apoiei", elogia Marcelo, que admite que ´é "muito difícil ser-se primeiro-ministro e ministro da Administração Interna".
O presidente da República considerou que as "pessoas precisam de ter confiança nestas condições de aperto" e elogiou a atuação dos autarcas eo governo.
Marcelo de surpresa em Coimbra com críticas a "demora" das peritagens dos seguros
Marcelo admitiu que o primeiro-ministro poderá falar com o regulador dos seguros e com a associação representativa destas empresas, porque “não há razão para demorar tanto tempo”.
“Se não arrancam esses estabelecimentos nos próximos 30, 60 dias é um prejuízo irreversível”, afirmou, referindo-se aos apoios de que necessitam os comerciantes.
“Para mim é fácil decidir, porque se eu tenho os dados, se há uma grande probabilidade de uma cheia, então eu tomo uma decisão porque o objetivo da Proteção Civil […] é proteger agentes que me elegeram”.
“As coisas correram melhor do que o planeado”, reconheceu com um sorriso, sublinhando que o cidadão entende os apelos a retiradas.
Queda de pórtico na A8 em Loures faz um ferido ligeiro e condiciona trânsito
Em comunicado a empresa explica que a estrutura caiu na sequência de "fortes rajadas de vento" que se fizeram sentir, mantendo-se ainda o trânsito condicionado ao quilómetro 14.
"Neste momento, estão a ser desenvolvidos todos os esforços técnicos e operacionais para restabelecer a circulação total nas três vias do sentido Sul-Norte com a maior brevidade possível", indica a Auto-Estradas do Atlântico.
Segundo noticia o jornal Correio da Manhã, o ferido encontrava-se numa viatura que circulava naquela autoestrada.
A A8 ou Autoestrada do Oeste liga a cidade de Lisboa a Leiria.
Lusa
Desativado Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil em Monchique
A decisão foi tomada por unanimidade pela Comissão Municipal de Proteção Civil, tendo o plano sido desativado pelas 17:10, indicou o município em comunicado.
O Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil foi desativado "tendo em conta o desagravamento das condições meteorológicas e a diminuição de situações relevantes", lê-se na nota.
Segundo a autarquia, durante o período de vigência do plano, em 04 de fevereiro, os diversos agentes de Proteção Civil responderam a mais de 150 ocorrências, entre as quais quedas de árvores e deslizamentos de terra.
Em resultado dos episódios provocados pelo mau tempo, "houve necessidade de proceder ao corte de várias estradas municipais e nacionais", refere o município.
No entanto, adianta, mantêm-se ainda interditas à circulação algumas vias, nomeadamente: a Estrada Nacional 266, na zona do Pé da Cruz, na zona do Miradouro das Caldas e no sítio Gil Bordalo, todas no sentido Monchique Portimão.
A interdição estende-se também ao Caminho Municipal 1073-2 (Semedeiro - Covão Ceiceiro), Estrada Regional 266 (Fonte da Amoreira - Cantina), Caminho Municipal 1014 (Perna da Negra), estrada das Caldas de Monchique, estrada velha de ligação Pé da Cruz/Nave e ao Caminho Rural entre Ponte das Barreiras e Recanto.
Apesar da desativação do plano, a situação no concelho "mantém-se com algumas preocupações", pelo que a autarquia alerta a população para que se mantenha vigilante.
No mesmo sentido, recomenda que se evitem as deslocações desnecessárias e às zonas afetadas, o não atravessamento de zonas alagadas, a adoção de uma condução defensiva, com principal relevo nas vias afetadas, o cumprimento das indicações das autoridades e a adoção dos cuidados indicados pela Direção-Geral de Saúde quanto ao consumo de água que não seja a da rede pública.
Lusa
"Montemor não pode estar tranquilo, as preocupações são muitas"
“Estamos numa zona dois metros abaixo do leito do periférico direito” e “é este dique que está a assegurar estas águas”, explicou José Veríssimo. “Não estamos completamente salvos, continuamos com esse risco”.
“É muita água, é uma pressão muito forte”, disse ainda o autarca, apelando à população que se mantenha “muito atenta”.
Prejuízos elevados em praias de freguesias de Oliveira do Hospital
A presidente da União de Freguesias de Penalva de Alva e São Sebastião da Feira, em Oliveira do Hospital, fez hoje votos de que, no verão, as praias fluviais afetadas pelo mau tempo possam receber visitantes.
Apesar de não conseguir apontar números concretos, Madalena Mendes disse à agência Lusa que os prejuízos no território desta união de freguesias do distrito de Coimbra foram "muito elevados, sobretudo em infraestruturas viárias e nas praias fluviais".
Segundo Madalena Mendes, o mau tempo deixou um rasto de destruição nas praias fluviais de Penalva de Alva, Caldas de São Paulo, Santo António do Alva e São Sebastião da Feira, muito procuradas no verão por pessoas que "dão muita vida" às freguesias.
"Esperamos que no próximo verão já haja condições" para receber os visitantes.
No que respeita à rede viária, a autarca destacou o colapso da plataforma da Estrada Municipal (EM) 514, que ficou cortada nos dois sentidos na quarta-feira à noite.
"É outro grande constrangimento, até porque temos unidades hoteleiras e está a ser muito difícil", afirmou Madalena Mendes, garantindo que estão a ser feitos todos os esforços para que a EM 514 reabra o mais rapidamente possível.
O desabamento na EM 514 (também conhecida como estrada do Vale do Alva) ocorreu às 22:48 de quarta-feira, encerrando a via entre o cemitério de Penalva de Alva e o Lagar das Caldas de São Paulo.
"A estrada colapsou numa extensão de 100 metros. Grande parte da plataforma foi abaixo. Tem apenas uma parte residual que ainda não abateu, mas admitimos que nas próximas horas acabará por colapsar, o que põe em causa a mobilidade e um conjunto de serviços", disse o presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, na quinta-feira.
Segundo José Francisco Rolo, trata-se de "uma estrada estruturante para a zona Sul do concelho", que liga várias freguesias e dá acesso à escola da Ponte das Três Entradas.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal continental na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Empresas em municípios em calamidade responsáveis por 15,2% de exportações
As empresas sediadas nos 68 municípios onde foi declarada situação de calamidade foram responsáveis, no ano passado, pela exportação de 15,2% dos bens nacionais, segundo dados do INE.
Num destaque hoje publicado, sobre estes municípios, o Instituto Nacional de Estatística (INE) indicou que em 2025, as empresas sediadas nestes municípios foram responsáveis por 15,2% das exportações nacionais de bens e por 12.085,7 milhões de euros (dados preliminares).
Segundo o INE, no setor do alojamento turístico, estes municípios concentravam 14,9% dos estabelecimentos em atividade (1.263 unidades), 11,5% da capacidade instalada (58,3 mil camas) e 8,9% das dormidas registadas no país (7,3 milhões).
De acordo com a mesma informação, em 2024, nestes municípios estavam 15,8% das empresas não financeiras, 14% do pessoal ao serviço e 13,8% do volume de negócios.
Já em termos setoriais, destacaram-se a agricultura e pescas e a indústria e energia, com o maior peso relativo no pessoal ao serviço e no volume de negócios, bem como a indústria e energia e o comércio, com maior expressão no número de empresas.
Paralelamente, segundo o recenseamento agrícola de 2019, estes municípios concentravam 22% das explorações agrícolas, 20% do volume de trabalho agrícola e 14% da superfície agrícola utilizada.
Já na produção pecuária, "o peso relativo era particularmente expressivo", indicou o INE, com 60% do efetivo nacional de suínos e 52% das aves.
"Apesar de concentrarem uma menor proporção da superfície agrícola utilizada, estes municípios assumem um peso significativo na produção pecuária nacional", destacou.
De acordo com o INE, "em 2021, cerca de 1,8 milhões de pessoas (17,0% da população residente em Portugal) viviam nos 68 municípios onde foi declarada situação de calamidade, que concentravam também 19% dos alojamentos do país".
Pombal interdita acesso ao Castelo e áreas circundantes por risco de queda de árvores
Numa publicação na página do Facebook do Município de Pombal, a Câmara apela à população para que "respeite a sinalização colocada no local e que não ultrapasse as fitas de vedação, por se tratar de uma medida essencial para salvaguardar a segurança de todos".
Região do Oeste com menos ocorrências nas últimas 24 horas
O comando sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Oeste registou nas últimas 24 horas cerca de 80 ocorrências devido ao mau tempo, que fustigou especialmente os concelhos de Alcobaça e Torres Vedras.
"Nas últimas 24 horas tivemos cerca de 80 ocorrências, das quais 30 foram durante a noite", disse à agência Lusa o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Oeste, Carlos Silva.
"Felizmente, o impacto que se esperava no que diz respeito à chuva e ao vento não aumentou o número de ocorrências comparativamente ao que temos tido nos últimos dias", afirmou o responsável pelo território que abrange os 12 concelhos do Oeste.
Ainda assim, durante a noite, mais seis pessoas foram deslocadas no concelho de Sobral de Monte Agraço e outras duas na Lourinhã, devido a deslizamentos de terras e ao perigo de inundações.
Na região registaram-se ainda mais quatro desalojados, "que foram instalados numa unidade hoteleira", disse Carlos Silva.
Totalizam-se assim em toda a região 115 desalojados e 207 deslocados.
Os concelhos onde se registaram mais ocorrências foram os de Torres Vedras, no distrito de Lisboa, e o de Alcobaça, no distrito de Leiria, disse ainda o comandante, detalhando que se verificaram, além de inundações, quedas de árvores e de estruturas devido ao vento.
"Algumas estradas ficaram inundadas durante a noite no Bombarral, na Lourinhã e na Nazaré, mas durante o dia foram sendo reabertas", registando-se também "alguma melhoria ao nível dos acessos".
A perspetiva é de que "as condições comecem a melhorar a partir da meia-noite de hoje, no que respeita à chuva, e, relativamente ao vento, a partir das três horas da manhã", concluiu Carlos Silva.
O Sub-Comando de Emergência e Proteção Civil do Oeste abrange os concelhos de Alcobaça, Bombarral, Caldas da Rainha, Nazaré, Óbidos e Peniche, no distrito de Leiria, e de Alenquer, Arruda dos Vinhos, Lourinhã, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras, no distrito de Lisboa.
A passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta por Portugal -- e as inundações e cheias que as acompanharam -- causaram 16 mortos e muitas centenas de feridos e desalojados, a destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte e o corte de energia, água e comunicações.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Com a chegada da tempestade Oriana o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) colocou sob aviso amarelo de chuva os distritos de Aveiro, Braga, Castelo Branco, Coimbra, Évora, Guarda, Leiria, Lisboa, Portalegre, Porto, Santarém, Setúbal, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu.
Marcelo Rebelo de Sousa está em Coimbra
Câmara receia "derrocada catastrófica" na encosta do castelo de Torres Vedras
A terra já tem estado instável em redor do castelo da cidade, mas os deslizamentos aceleraram na última noite.
“Os solos estão muito saturados, temos um processo de escoamento de água que não está a ser suficiente”, descreve à Antena 1 o vice-presidente da câmara municipal, Diogo Guia.
Perante a situação atual, avisa “há um perigo de derrocada catastrófica”.
Para aliviar o peso da encosta, foram retiradas cerca de 50 árvores de grande porte. Houve também, por precaução, evacuações junto à encosta nascente porque os deslizamentos provocaram “fissuras de grande extensão” em casas, explica o autarca, que tem a pasta da Proteção Civil.
Diogo Guia pede que as pessoas se afastem do castelo, embora realce que não há perigos nesta altura quanto às muralhas.
Quanto ao trânsito no concelho, já estão reabertas todas as estradas nacionais. O autarca diz que tem havido situação de reabrir e fechar estradas, dando como o exemplo mais recente a estrada municipal entre À-dos-Cunhados e Vimeiro.
O abastecimento de água continua a ser reposto gradualmente, havendo "alguns focos no Maxial e em São Pedro da Cadeira".
Alívio na Baixa de Coimbra com fim do risco de evacuação da Baixa
Mais de 200 estradas encerradas e Coimbra com maior número - GNR
Mais de 200 estradas estão hoje cortadas ao trânsito no país devido ao mau tempo, entre autoestradas, estradas nacionais, municipais e itinerários complementares, sendo Coimbra o distrito com mais vias interditas à circulação, segundo a GNR.
Informações enviadas à Lusa pela Guarda Nacional Republicana (GNR) indicam que estão encerradas ao trânsito 206 estradas, sete das quais autoestradas, 105 estradas nacionais (EN), 90 estradas municipais (EM), três itinerários complementares (IC) e um itinerário principal (IP).
As autoestradas cortadas são todas no distrito de Coimbra, designadamente a A14, que está interdita em cinco pontos junto às localidade de Maiorca e Feteira de Cima e no acesso à A1, a A17, ao quilómetro 54, e a A1, entre Coimbra Sul e Coimbra Norte.
Segundo a GNR, o IC 3 está cortado ao trânsito ao Km 13, junto a Penela, no distrito de Coimbra, e o IC9 está interdito junto a Alcobaça e em Tomar, entre os quilómetros 55 e 60.
O IP4 está cortado ao quilómetro 92 no distrito de Vila Real.
Os dados da GNR mostram também que Coimbra é o distrito com mais vias cortadas, com 54, seguido de Lisboa (27), Santarém (25), Vila Real (14), Portalegre (14), Leiria (12), Setúbal (13), Viseu (11), Castelo Branco (8), Évora (5), Aveiro, Faro, Guarda e Viana do Castelo (quatro em cada), Beja e Braga (3) e Bragança (1).
A GNR indica que os motivos para os cortes são inundações, desmoronamentos, risco de abatimento e deslizamento de terras, não existindo previsão para reabertura das 206 estradas.
A Guarda dá ainda conta de que estão duas ferrovias encerradas, a linha do Oeste e a linha do Douro, entre a Régua e o Pocinho.
Vila Nova da Barquinha com prejuízos de centenas de milhares de euros
O presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha estimou hoje que os prejuízos causados pela tempestade Kristin e pelas cheias do Tejo ascendam a "largas centenas de milhares de euros", classificando a situação como "uma autêntica tragédia".
"Temos um relatório preliminar com todos os prejuízos elencados, embora ainda não estejam quantificados em valor final. Sofremos aqui um `dois em um`: primeiro a tempestade, sobretudo a Kristin, e logo depois as cheias. Tornou-se um problema grave para o concelho", afirmou à Lusa Manuel Mourato, presidente daquele município do distrito de Santarém.
Segundo o autarca, os danos mais significativos registam-se na frente ribeirinha, com o cais da Hidráulica e o cais do Castelo de Almourol "arrastados pela corrente", enquanto o cais de Tancos ficou deslocado e com danos estruturais.
No parque ribeirinho em Vila Nova da Barquinha há equipamentos infantis destruídos, gradeamentos e mobiliário danificados, além de sucessivos taludes em risco de derrocada e muitas árvores derrubadas um pouco por todo o concelho.
Registam-se ainda prejuízos em equipamentos municipais e património religioso, com infiltrações e danos nos telhados da Igreja da Misericórdia, do Centro Cultural de Tancos e da Igreja Matriz de Atalaia.
Dezenas de habitações foram afetadas pelas cheias, muros privados ruíram e a sinalização rodoviária e turístico-cultural sofreu destruição significativa.
Ao nível das infraestruturas, verificaram-se quedas de postes elétricos, falhas na iluminação pública - entretanto praticamente reposta - e interrupções na Linha da Beira Baixa devido ao extravaso da ribeira do Cardal.
Manuel Mourato manifestou ainda "grande preocupação" com os movimentos de massa na Estrada Nacional 3 devido à chuva intensa e persistente dos últimos dias, onde os taludes instáveis se encontram junto à ferrovia.
Pelo efeito conjugado da tempestade, da chuva e das cheias, algumas pessoas foram retiradas preventivamente das suas habitações, devido a derrocadas ou risco estrutural, tendo sido realojadas em lares ou junto de familiares, existindo uma estrutura municipal de retaguarda preparada para responder a novas necessidades.
"Foi uma autêntica tragédia. Nunca vi nada assim no concelho. Vamos ter um trabalho hercúleo para reerguer Vila Nova da Barquinha", afirmou o autarca, sublinhando que a chuva persistente e a manutenção das cheias continuam a gerar preocupação.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal continental na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
O Plano Especial de Emergência para Cheias na bacia do Tejo, acionado no dia 05 de fevereiro, mantém-se em alerta vermelho.
Proteção Civil confirma à RTP. Ninguém vai ser retirado de casa em Coimbra
O caudal do rio Mondego tem estado a descer e o cenário está mais estável.
Durante a noite a Proteção Civil registou várias ocorrências relacionadas com a chuva e o vento forte em especial na região Centro.
Troço suburbano do `metrobus` na região de Coimbra pode reabrir na próxima semana
O presidente da Metro Mondego estimou hoje que a operação do Sistema de Mobilidade do Mondego seja retomada na próxima semana até à Lousã, mas até Serpins pode ainda demorar, pelo menos, cinco meses.
"Estamos convencidos de que iremos ultrapassar estes problemas durante a próxima semana e que voltaremos a operar de forma normal o `metrobus`", afirmou João Marrana.
As operações do `metrobus` no troço suburbano foram suspensas há cerca de uma semana por motivos de segurança e indicação da Proteção Civil, com a Metro Mondego a garantir serviços alternativos de transporte.
"Pedimos desculpa por todos os problemas que demos às pessoas", disse.
O presidente da Metro Mondego participou hoje na reunião de Câmara de Miranda do Corvo, no concelho de Coimbra, a convite do presidente da autarquia, José Miguel Ramos Ferreira, para dar explicações sobre os constrangimentos na circulação do `metrobus`.
Na reunião, Marrana reconheceu que a ligação entre a Lousã e Serpins pode demorar mais tempo a ser retomada, devido "à obra estrutural" que terá de ser feita entre o Casal de Espírito Santo e o Casal de Santo António.
"Esperamos fazer o contrato com total urgência de serviço na próxima semana, mas vai demorar cinco meses. É a nossa estimativa", explicou.
João Marrana reconheceu que a operação dos serviços alternativos ao `metrobus` começou "com muitas limitações", apontando dificuldades em encontrar operadores.
"Neste momento, temos em operação autocarros que são operados com motoristas que vieram de Aveiro e outros que vieram de Guimarães. Não é fácil encontrar operadores do pé para a mão. Não é nada fácil", explicou.
Sobre a oferta de serviços alternativos, "tudo indica que será suficiente", tendo como referência os dados da utilização no dia 21 de janeiro.
"Neste momento, estamos com 78 serviços em cada sentido. Quando eram os serviços alternativos, há uns meses, eram 83", detalhou, acrescentando que se for preciso mais serviços a Metro Mondego disponibilizará, "desde que se arranje quem os possa fazer".
Aos vereadores e residentes de Miranda do Corvo presentes na reunião, o responsável apontou ainda como condicionante para os serviços alternativos a "quantidade expressiva de estradas que estão cortadas".
Marrana disse ainda que o problema foi "existir a [depressão] Kristin com um conjunto extenso de tempestades seguintes".
IL quer Governo a clarificar se Arruda dos Vinhos vai ter apoios
Em visita a Arruda dos Vinhos, Mariana Leitão lamentou “a indefinição que estas pessoas sentem por conta de não de ter sido decretada ainda a situação de calamidade e haver muitas dúvidas sobre como obter os apoios que estão previstos”.
“É preciso que o Governo clarifique se estas pessoas vão ter apoios, em que condições é que vão ter apoios, e que haja um foco muito grande na reconstrução de Arruda, mas também do resto das zonas afetadas”, declarou aos jornalistas.
A presidente da IL defendeu ainda que esta “deve ser uma reconstrução rápida, mas com as garantias de salvaguarda e de segurança necessárias”.
Presidente da FPF promete apoio para recuperação de estragos da Kristin
Depois de ter visitado clubes em Leiria, o líder federativo deslocou-se hoje a Caxarias, na zona norte do distrito de Santarém, para conferir os danos e assumir, presencialmente, o apoio ao "futebol de base".
"Indubitavelmente, impunha-se vir a Santarém. Depois da criação do comité de emergência, este acompanhamento no terreno é fundamental. Sem o futebol de base não há, depois, a qualidade que conseguimos projetar. A FPF vai estar presente, vai ajudar, dentro das suas possibilidades, toda esta gente que faz um trabalho único. Já tínhamos estado em Leiria, estamos em Santarém e estaremos também em Coimbra", afirmou Pedro Proença.
Depois de ter percorrido o campo do clube ouriense, cuja bancada ficou sem cobertura, a iluminação se desfocou, o telhado desapareceu e quatro carrinhas ficaram danificadas, o antigo árbitro elogiou o "trabalho absolutamente extraordinário no futebol de base" do Caxarias, fundado em 1973.
"É uma responsabilidade. Tão importantes como os clubes grandes são estes clubes, de menor dimensão, porque fazem este trabalho anónimo e que tantas vezes não é reconhecido e é essa a nossa obrigação, estar junto da base, que é tão importante como o futebol de excelência", vincou.
Contrapondo a visita de hoje ao 'glamour' do congresso da UEFA e do sorteio da Liga das Nações, na véspera, em Bruxelas, e perante os presidentes da Câmara Municipal de Ourém, Luís Albuquerque, e da Associação de Futebol (AF) de Santarém, Joaquim Martinho, dirigiu-se ao líder do Centro de Cultura e Desporto de Caxarias, Joaquim José, prometeu: "Podem contar com a FPF para reerguer este clube".
Até ao fim de fevereiro, os clubes podem candidatar ao Fundo de Catástrofes, criado no passado dia 06, para suprirem "dificuldades operacionais significativas e danos relevantes nas suas infraestruturas", num montante global de 100 mil euros.
Após esta segunda visita, Pedro Proença excluiu a possibilidade de aumentar este valor.
"A FPF não se deve substituir ao Estado. É nossa obrigação estar presente. Obviamente, dentro das nossas limitações orçamentais, tudo faremos para ajudar quem precisa, de forma direta, com alocação de recursos, dando visibilidade às competições do distrito, de forma conjunta e articulada, para ultrapassarmos estas dificuldades", concluiu.
Em Santarém "a fase mais difícil já passou"
“Há muitos anos que não tínhamos esta experiência. Há muitos anos que não tínhamos esta vivência tão dramática”, lamentou.
No entanto, assegurou, todas as estruturas de Proteção Civil, os municípios e os dois subcomandos regionais conseguiram “encontrar as estratégias sobretudo de prevenção, de aviso às nossas populações”
“Julgo que a fase mais difícil já passou”, afirmou Manuel Jorge Valamatos.
O responsável disse ainda que a articulação com Espanha no sentido de realizar descargas nas barragens “permitiu mitigar uma situação que porventura noutros tempos seria muito mais dramática”.
Questionado sobre as maiores dificuldades logísticas, o presidente do comando distrital respondeu que “o que nós precisamos é que deixe de chover e que os rios voltem à sua normalidade para que as pessoas possam voltar à sua vida”.
“Porque não é normal o rio estar no meio das nossas povoações e a alagar as casas das nossas famílias”, acrescentou.
Casal Novo do Rio vive horas mais tranquilas
CAP fala em "catástrofe" e pede medidas únicas e apoios a fundo perdido
"O Governo fez bem em recorrer ao mecanismo de solidariedade e, sobretudo, ao mecanismo da reserva de crise agrícola (da União Europeia), que é mais importante para este caso, mas não tenhamos ilusões, (porque) isto não chega", afirmou à agência Lusa o presidente da CAP, Álvaro Mendonça e Moura.
Em Beja, no final do Conselho Consultivo da CAP dedicado ao Baixo Alentejo, o responsável disse que as consequências do mau tempo não permitem "pensar que é através de verbas do Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC) que isto se vai resolver para a agricultura".
Pois, frisou Álvaro Mendonça e Moura, "o PEPAC não previu, nem podia prever, uma catástrofe desta dimensão".
O presidente da CAP lembrou à Lusa que o ministério da Agricultura anunciou uma linha de apoio de 40 milhões de euros destinada à reposição do potencial agrícola para quem sofreu estragos provocados pelo mau tempo, mediante verbas do PEPAC.
Mas "a única forma" de relançar o setor" é "através de uma assunção da sociedade que foi afetada", afirmou, defendendo que é preciso encarar esta situação com outra postura.
É necessário "olhar para isto fora do quadro mental em que normalmente operamos, que é o quadro do PEPAC, de uma crise que acontece uma vez ou outra. Isto é uma coisa diferente, é uma catástrofe", vincou.
A solução, sugeriu, passa por "ter apoios a fundo perdido" do Governo, tal como no período da covid-19, e "corrigir" as medidas anunciadas "de forma a que ninguém fique de fora e todos possam recuperar".
"Julgo que esse é o caminho, ou seja, assumir que estamos perante uma situação única, uma situação de catástrofe, que exige também medidas únicas, ou seja, não podemos estar a pensar que isto se resolverá com as verbas que estavam orçamentadas", reforçou Álvaro Mendonça.
Além dos concelhos onde foi declarada a situação de calamidade, existem prejuízos noutros municípios, nos quais os agricultores também sofreram danos e necessitam de apoios, sustentou.
"Depois do dia 28 de janeiro, a catástrofe continuou e, portanto, não são só aqueles que foram afetados pela tempestade de Kristin, são os outros eventos climatéricos que aconteceram" e "há concelhos que não estão incluídos e que foram também devastados", sublinhou.
O concelho de Odemira, no distrito de Beja, no qual os produtores de pequenos frutos e outros agricultores se queixam de vários milhões de prejuízos, é um desses exemplos, que deve ter apoios do Governo, defendeu.
Quanto ao PTRR - Plano de Recuperação e Resiliência exclusivamente português anunciado, na quinta-feira, pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, em Alcácer do Sal, distrito de Setúbal, o presidente da CAP disse julgar que "esse é o caminho, assumir que estamos perante uma situação única, que exige medidas únicas".
PS enviou ao primeiro-ministro 70 propostas
“Verifiquei que o Governo tem anunciado uma ou outra medida que estavam também nessas propostas. Aquilo que gostaríamos é que várias dessas propostas viessem a integrar esse plano de recuperação para o conjunto do território nacional”, afirmou José Luís Carneiro.
O PS vai apresentar mais medidas durante a próxima semana, “particularmente voltadas para as famílias e para as empresas”, adiantou.
José Luís Carneiro realçou ainda a disponibilidade do Partido Socialista para “apoiar as medidas que o Governo leve ao Parlamento”.
Pico às 17h00, balanço às 19h00. Ministra diz que só ao fim do dia se poderá respirar de alívio
Maria da Graça Carvalho também está em Coimbra e sublinha que só ao fim do dia se poderá voltar a respirar de alívio. O pico de água na barragem da Aguieira está provisto para as 17h00 .
Ana Abrunhosa anuncia novo balanço às 19h00. E agradece especialmente à APA e à ministra do Ambiente
Deslizamento de terra obriga à retirada de 13 pessoas em Leiria
Um deslizamento de terra hoje de madrugada obrigou à retirada de 13 pessoas, em São Romão, no concelho de Leiria, disse à agência Lusa o vereador da Proteção Civil, que revelou que uma outra habitação está a ser monitorizada.
"Verificou-se um deslizamento de terras numa das encostas de São Romão. Retirámos, até so momento, 13 pessoas. E já estamos a proceder a vistorias para notificar os proprietários, que é uma parte privada, para também procedermos às reparações necessárias", explicou Luís Lopes.
Segundo o vereador, um dos objetivos é repor o acesso às habitações todas, porque "algumas ficaram muito condicionadas por parte de um caminho que foi também muito danificado".
As 13 pessoas retiradas viviam nas habitações por baixo de uma encosta, mas a Proteção Civil está a monitorizar uma outra habitação na parte superior do talude.
"Estamos a verificar a sua estabilidade, uma vez que uma parte das fundações ficou à mostra e temos de ter a certeza de que não há dano estrutural que possa colocar em causa os moradores", acrescentou.
Luís Lopes explicou que se tratou de "um movimento de massas considerável", que envolve "umas toneladas valentes de terras que se movimentaram", pelo que "ainda vai levar alguns dias até se conseguir repor".
O autarca salientou que "as condições meteorológicas não têm sido nada favoráveis e a acumulação de água nos solos tem contribuído para este tipo de situações".
Esperando que nos próximos dias a situação meteorológica melhore, Luís Lopes espera que seja possível realizar uma "intervenção para repor alguma normalidade e as pessoas poderem regressar o mais rápido possível às suas casas".
Dezasseis pessoas morreram em Portugal continental na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Habitantes de Pombal acreditam que invernos rigorosos e tempestades são "o novo normal"
No centro da cidade de Pombal, o café Nicola serve de ponto de encontro para se seguir com atenção, através das notícias que chegam pela televisão, o impacto que o mau tempo continua a ter em toda a região e que os populares veem como "o novo normal",
"Tenho 67 anos e nunca vi nada assim, não me lembro de um inverno com tanta chuva e vento. Penso que os invernos vão começar a ser assim, com chuva, vento, tempestades e cheias: é o novo normal", afirmou Carlos Duarte.
Natural de Pombal, recorda que, quando era garoto, passou por invernos muito rigorosos, "eram quatro meses de frio e chuva", mas é preciso recuar até ao ano de 1977 para encontrar um inverno mais severo, "com muita chuva, muito vento e muitos danos e prejuízos".
"Mesmo assim, apesar de ter sido mau, não tem comparação com o que se passou este ano em todo o nosso concelho, em toda esta região. O que tivemos este ano foi deveras assustador", lamentou.
Apesar de "só ter ficado um dia e pouco sem luz", ainda há algumas povoações do concelho que continuam sem fornecimento de energia elétrica.
"Nem sei como fazem, não pensei que isto, nos dias de hoje, voltasse a ser possível".
Com os olhos a desviarem-se constantemente para a televisão, para acompanhar a possibilidade de cheia na Baixa de Coimbra, Carlos Duarte foi partilhando que o que se vive tem dedo humano.
"Isto é tudo por causa das alterações climáticas, Deus não tem nada a ver com isto. O mundo não está podre, o ser humano é que o apodrece", afirmou.
Os estragos são grandes em casas, infraestruturas de vários tipos e "uma verdadeira calamidade para a agricultura".
"Não vai haver arroz no Baixo Mondego, vai faltar tanta coisa. Nesta altura, já tínhamos as primeiras batatas, ervilhas e favas. E agora não há nada", indicou.
Mas "o mal de uns é a sorte de outros", que aproveitam o momento para vender, por exemplo, geradores, que "há uns tempos quase não tinham saída".
"Até os minimercados aproveitam, fartam-se de vender garrafões de água para as pessoas se lavarem. Há muitas casas que continuam sem água", referiu.
Duas mesas ao lado, José Canelas, de 63 anos, também garante não ter memória de um inverno assim.
"Nem aqui, onde vivo há três anos, nem em Viseu, onde vivi algum tempo, nem em Alvaiázere, onde vivi quase a minha vida toda. Que me lembre, nem em lado nenhum no país todo", destacou.
Cerca de 50 anos depois de ter visto televisão pela primeira vez, devia ter uns dez anos quando os pais juntaram dinheiro para comprar o primeiro aparelho, não se imaginava a ficar sem energia elétrica para poder ligar a sua companhia de todos os dias.
"Foram três dias sem luz, até ter um gerador e felizmente só houve uns pequenos estragos no telhado da casa onde moro. Pareceu-me voltar ao antigamente, em que nos aquecíamos com a lareira e éramos iluminados por uma candeia", informou.
Os últimos dias foram diferentes, mas garante não ter medo de nada, porque "o homem tem uma grande capacidade de se adaptar aos novos desafios".
"Na minha vida já passei por muito, estive 30 dias em coma, sofri alguns AVC [Acidente Vascular Cerebral] e fiquei com algumas sequelas, mas tive de me adaptar: deixei de ser mecânico e passei a ser empresário no ramo do azeite. Também nos vamos ter de adaptar a esta nova realidade do mau tempo", sustentou.
Assíduo no café Nicola, é aqui que todos os dias tenta a sua sorte ao comprar algumas raspadinhas.
"Às vezes lá calha, outras vezes não... Mas, sorte mesmo, era que isto acalmasse", concluiu.
Almeirim contabiliza prejuízos superiores a 1 milhão de euros
O mau tempo dos últimos dias já provocou em Almeirim prejuízos "superiores a 1 milhão de euros" nas infraestruturas municipais, valor que deverá aumentar à medida que baixem as águas, disse hoje o presidente da Câmara, Joaquim Catalão.
"Estamos a fazer um levantamento dos prejuízos daquilo que é possível apurar porque há muitas zonas que estão submersas, nomeadamente estradas, e que não nos permitem ainda verificar qual é a situação. Nas infraestruturas do município já temos prejuízos superiores a 1 milhão de euros, naquilo que é visível", afirmou o autarca.
Segundo Joaquim Catalão, os danos em explorações agrícolas e propriedades privadas "são volumosos" e ainda não estão contabilizados.
Afirmando que "há telhados arrancados e outras situações nas zonas urbanas", o presidente da câmara disse que equipas municipais estão no terreno para registar ocorrências e preparar o dossiê a enviar ao Governo, com vista a apoios para a recuperação.
O autarca reconheceu ainda que o município não tem "capacidade financeira" para fazer face aos custos, precisando da ajuda do governo.
"Teremos de recorrer à ajuda do Governo. Estamos a aguardar uma resposta positiva", disse, lembrando que os 11 municípios da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Lezíria do Tejo subscreveram e enviaram ao executivo um memorando a solicitar a declaração de estado de calamidade para o território.
No plano operacional, Joaquim Catalão referiu que "os caudais estabilizaram e a tendência é para descer", mas o dispositivo mantém-se em alerta, com particular atenção ao lugar da Tapada, que está "rodeado de água" e com ligação garantida apenas pela cidade de Santarém, onde as chuvas intensas "alagaram estradas municipais", descreveu.
"Sabemos que, quando a precipitação cessa, as ligações reabrem rapidamente, mas estas inundações são sempre motivo de preocupação, até por risco de acidentes", acrescentou.
As cheias e cortes de via estão a afetar a mobilidade diária de residentes e empresas. A Nacional (EN) 114 encontra-se cortada no sentido Almeirim--Santarém, enquanto a EN118 está com circulação alternada junto à Quinta da Alorna, obrigando muitos automobilistas a demoradas voltas para aceder ao IC10 ou a recorrer à A13.
Nesse sentido, Joaquim Catalão frisou que "estes problemas de mobilidade têm impacto muito significativo e custos muito elevados não só para trabalhadores, mas também para o tecido empresarial".
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o encerramento de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Miranda do Corvo com prejuízos acima de seis milhões de euros
O presidente da Câmara de Miranda do Corvo estimou hoje que os prejuízos no concelho ultrapassem os seis milhões de euros devido ao mau tempo.
"Os danos não param de aumentar. Todos os dias estamos a ter danos cada vez mais graves", afirmou José Miguel Ramos Ferreira à agência Lusa, no final da reunião do executivo municipal.
O autarca notou que "há várias vias no município que, pura e simplesmente, desapareceram" e que eram "fundamentais para a ligação entre os lugares", sendo que, noutros locais, nas vias existentes, "há taludes a cair" à sua volta.
Mostrou-se, por isso, "muito preocupado" com o nível de prejuízos do concelho.
"Julgo que estaremos a ultrapassar os seis milhões de euros [em prejuízos]", salientou.
De acordo com José Miguel Ramos Ferreira, a tempestade Kristin afetou equipamentos e infraestruturas, como o pavilhão gimnodesportivo, a incubadora de empresas, pavilhões de coletividades e a Igreja, e criou "muita despesa" associada a sinalização vertical e "alguns problemas nas estradas".
"Depois da [depressão] Kristin, a chuva sucessiva em terrenos muito saturados está a multiplicar-se em danos muito maiores", disse, apontando os danos nos taludes e nas vias "com uma dimensão muito superior" aos que tinham inicialmente.
"Nós, no distrito de Coimbra, inicialmente, já fomos um dos cinco concelhos mais afetados pela Kristin. Estamos a ser duplamente fustigados e é um nível que é incomportável para o nosso orçamento municipal", concluiu.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal continental na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Circulação ferroviária na Linha do Alentejo já foi retomada entre Pegões e Bombel
A circulação ferroviária na Linha do Alentejo, que estava suspensa entre Pegões e Bombel, foi hoje retomada, informou a CP -- Comboios de Portugal, num ponto de situação pelas 15:00, indicando que se mantêm as perturbações na Linha do Norte.
"Está resolvido o constrangimento no troço entre Pegões e Bombel, pelo que já foi retomada a circulação ferroviária na Linha do Alentejo", referiu a CP, lembrando que a circulação na Linha do Sul também já foi retomada.
Quanto à Linha do Norte, que assegura a ligação ferroviária entre Lisboa e o Porto, a transportadora disse que se mantêm suspensos, "sem previsão de retoma", os comboios de longo curso, nomeadamente os serviços Alfa Pendular e Intercidades, "por razões de segurança, devido ao agravamento do estado do tempo, com risco de cheias na região de Coimbra".
Na Linha do Norte, apenas se realizam os serviços Regionais entre Entroncamento e Soure, Coimbra-Aveiro-Porto e entre Tomar e Lisboa, adiantou a CP.
Pelas 15:00 de hoje, continuam a registar-se constrangimentos também na Linha da Beira Baixa, em que a circulação se mantém suspensa, realizando-se apenas os comboios regionais entre Castelo Branco e Guarda e entre Entroncamento e Abrantes, e na Linha da Beira Alta, em que o serviço Intercidades entre Coimbra e Guarda se realiza com recurso a material circulante diferente do habitual.
Mantém-se ainda suspensa a circulação na Linha do Douro, em particular entre Régua e Pocinho, na Linha do Oeste e nos Urbanos de Coimbra, devido ao mau tempo, informou a empresa de comboios.
Na Linha de Cascais, os comboios circulam com alterações nos horários, sendo que, a partir de segunda-feira, 16 de fevereiro, haverá um reforço das circulações na hora de ponta, revelou a CP, recomendamos consulta de informação no `site` em www.cp.pt.
"Prevê-se a realização do Comboio Internacional Celta, podendo ser usado material circulante diferente do habitual e sendo que o percurso Valença-Vigo-Valença será feito com recurso a transbordo rodoviário", informou.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Comunicação completa do primeiro-ministro
Outros apoios à agricultura, empresas e perda de rendimentos
Em termos de agricultura, "temos já mais de 4.500 candidaturas a apoios", as quais correspondem "a todo o território nacional" e não apenas às áreas "que se encontram em estado de calamidade ou de contingência".
"Estamos a falar de escolas, estamos a falar de equipamentos de saúde, estamos a falar de equipamentos sociais, estamos a falar de equipamentos culturais, estamos a falar de equipamentos desportivos, estamos a falar de estradas, estamos a falar de ferrovia, estamos a falar de comunicações, estamos a falar de rede de abastecimento de energia elétrica, estamos a falar de rede de abastecimento de energia elétrica, estamos a falar de rede de abastecimento de água, estamos a falar, portanto, de um verdadeiro projeto de transformação nacional que será o alicerce do nosso futuro", frisou o primeiro-ministro.
Apoios à reconstrução de casas já somam 8.200 pedidos. Montenegro apela a agilidade dos autarcas
Acima desse valor até aos 10.000 haverá necessidade de vistoria, que o primeiro-ministro promete será "rápida" e "ágil por parte das Câmaras Municipais", eventualmente com o auxílio dos presidentes de Junta, a quem Luís Montenegro pede "um complemento de disponibilidade" além do esforço já dispendido nas últimas semanas.
As vistorias "são aquilo que falta para que o dinheiro entre nas contas das pessoas", refere, sublinhabdo que os apoios "já estão a chegar a algumas" pessoas.
Luís Montenegro refere "esforço" para abrir "janela de acalmia propícia à recuperação"
Agradece às autoridades espanholas, incluindo às autónomas, pela colaboração "muito intensa" na gestão dos caudais dos rios de ambos os países, e à ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, que tem coordenado esta cooperação ibérica.
"Com grande sentido de responsabilidade, os últimos dias foram geridos com um objetivo muito claro e central, de proteger e salvaguardar a vida das pessoas" e, num segundo plano, "o seu património", recorda ainda.
Uma atitude de prevenção seguida pelos autarcas das regiões do Baixo Mondego, "um esforço notável, um que continua e que requer compreensão recíproca" entre autoridades e munícipes, felicita o primeiro-ministro.
Artistas perdem meses de trabalho e galerias sofrem danos - associação
Obras de arte danificadas por inundações ou infiltrações nos ateliês de artistas e exposições retiradas de galerias são o resultado de semanas de mau tempo, segundo um primeiro balanço da presidente da Exhibitio - Associação Lusa de Galeristas, Vera Cortês.
"Tenho conhecimento de muitos artistas e ateliês que tiveram problemas graves de exposições inteiras [em preparação] que foram destruídas porque entrou água de tal maneira que as peças se estragaram", revelou a responsável contactada pela agência Lusa.
De acordo com a presidente da Exhibitio -- que representa 34 galerias do continente e ilhas -- "há várias galerias com problemas de infiltrações", dando o exemplo do seu próprio caso, a Galeria Vera Cortês, em Alvalade, a Miguel Nabinho, em Campo de Ourique, ambas em Lisboa, e da galeria Duarte Sequeira, em Braga.
Instalada num primeiro andar de um edifício na Rua João Saraiva, a Galeria Vera Cortês está com "dois buracos no teto, baldes a apanhar água da chuva, e desumidificadores nas instalações, mas, felizmente nada aconteceu às obras" de arte expostas.
"Houve várias galerias com problemas, mas somos empresas profissionais que cumprem as regras e estão atentas para que as situações do género não cheguem a tornar-se problemas graves. Há danos, mas nada de dramático, porque temos condições para poder operar que nos protegem", comentou a galerista.
Algumas galerias tiveram de encerrar temporariamente os seus espaços expositivos ou desmontar exposições, como foi o caso da galeria Duarte Sequeira, em Braga: "O espaço expositivo principal foi encerrado devido a infiltrações e ainda estamos a avaliar os danos. Felizmente as obras encontram-se a salvo", disse fonte da galeria contactada pela Lusa.
O maior problema, segundo a presidente da Exhibitio, é a situação de muitos artistas que trabalham em ateliês mais vulneráveis ou desprotegidos.
"Há artistas que estavam a trabalhar para preparar exposições e, de repente, caiu-lhes água em cima pelo teto ou o espaço foi inundado. Muitos perderam trabalho de meses", lamentou a presidente da Exhibitio, acrescentando que a associação está concentrada em apoiar estes casos "para que se minimizem os danos".
Num contexto de mau tempo que se prolonga há dois meses, "as galerias estão relativamente protegidas, mas os artistas não têm acesso às condições das empresas, com equipas, [que] conseguem minimizar a destruição".
"Mesmo assim, nada é comparável com o que está a acontecer em zonas do país como Pombal, Leiria ou Coimbra. É pior ainda quando se vê metade do país a sofrer desta forma", lamentou, acrescentando "também o mundo das artes não estava preparado para intempéries desta dimensão".
Mais de 120 museus e monumentos sofreram danos causados pelas tempestades nas duas últimas semanas, com cinco equipamentos da Rede Portuguesa de Museus e quatro do património classificado, como o Convento de Cristo, em Tomar, a apresentarem "danos graves", segundo o último balanço do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, divulgado na quinta-feira.
Equipamentos culturais como o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, o Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado do Vale do Tejo, em Mação, o Museu Municipal de Santarém - Casa-Museu Anselmo Braamcamp Freire, o m|i|mo - museu da imagem em movimento, em Leiria, e o Museu Municipal de Ourém sofreram "danos graves", segundo a mesma fonte.
Na área do património classificado, também apresentam "danos graves" a cerca do Convento de Cristo, em Tomar - monumento classificado como Património da Humanidade da UNESCO -, a Casa Museu Afonso Lopes Vieira, em São Pedro de Moel, para a qual a Câmara da Marinha Grande deu alerta de dorrocada, no início da semana, a Capela de Nossa Senhora da Encarnação, em Leiria, e a igreja matriz de Cernache do Bonjardim, na Sertã.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o encerramento de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Mais de 250 bibliotecas públicas com danos causados pelas tempestades
Mais de metade das 489 bibliotecas da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas (RNBP) foram afetadas pelo mau tempo, principalmente as de Alcácer do Sal, Santarém, Leiria, Caldas da Rainha, Pombal e Marinha Grande, que sofreram maior impacto.
"De acordo com a informação recolhida pela DGLAB [Direção-Geral do Arquivo dos Livros e das Bibliotecas] e que se mantém em atualização, 52% das bibliotecas da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, maioritariamente localizadas na região centro do país, indicaram ter sido afetadas pelo mau tempo das últimas semanas", disse à Lusa Bruno Eiras, subdiretor-geral daquele organismo.
O responsável adiantou que este é o balanço possível no momento, uma vez que os "contactos com as bibliotecas não estão a ser tão rápidos" como desejável, "não conseguindo manter a informação atualizada".
Além disso, "a continuidade do tempo de chuva tem criado novas situações", alertou.
De qualquer modo, os dados recolhidos indicam que das quase 255 bibliotecas atingidas pelas sucessivas tempestades que assolam o país desde 28 de janeiro, 80% dizem respeito a infiltrações e inundações de pequenas dimensões ou a situações externas às bibliotecas como falhas de eletricidade e comunicações.
As restantes informaram pequenos impactos, alguns relacionados com problemas preexistentes, e muitas relatam dificuldades por parte de alguns trabalhadores em chegar às bibliotecas.
Apesar dos danos verificados, 78% das bibliotecas indicaram ter conseguido manter-se em funcionamento, enquanto os restantes 22% tiveram de encerrar alguns espaços ou serviços, acrescentou Bruno Eiras, sem especificar quais as bibliotecas em causa.
No entanto, revelou que "os casos mais graves" de que teve conhecimento "ocorreram nas Bibliotecas Municipais de Alcácer do Sal, Santarém, Leiria, Caldas da Rainha, Pombal e Marinha Grande, onde os espaços ou mesmo as estruturas foram bastante afetadas".
No dia 04 deste mês, quando ainda só se faziam sentir os impactos da depressão Kristin, a diretora da Biblioteca Municipal de Pombal, Daniela Martins, revelou à Lusa que aquela estrutura sofrera "estragos significativos no piso superior e na parte de trás".
"Está com infiltrações e falta de coberturas. Uma janela ficou partida e outras duas janelas grandes foram projetadas, tendo destruído alguns computadores sobre os quais caíram", indicou na altura, especificando que ficaram também destruídas a parte interna do edifício e a oficina", mantendo-se em funcionamento apenas a parte da frente, servindo a população afetada.
Quanto à biblioteca da Marinha Grande, já naquela altura era uma das que tinham tido "mais estragos", tendo perdido a cobertura, que impedia a entrada da água, segundo a responsável, que disse ainda que as estantes e os livros estavam cobertos com plásticos, para tentar minimizar os danos.
Bruno Eiras destacou "o trabalho de apoio às comunidades que muitas bibliotecas têm dado desde os primeiros dias".
"As características das bibliotecas públicas e dos seus trabalhadores atribuem-lhes especial importância na ajuda às populações, como locais abertos a todos, gratuitos e seguros e onde os profissionais podem apoiar as populações na procura de informação relevante e na utilização dos equipamentos informáticos", realçou.
Em muitos municípios, as bibliotecas públicas foram os primeiros locais a disponibilizar-se para prestar serviços às populações para carregar telemóveis e computadores, aceder à Internet, ter um espaço para trabalhar, estudar, contactar familiares ou ainda, simplesmente, como um local confortável para estar face às tempestades, assegurou o responsável.
"Várias bibliotecas também adaptaram os seus horários de funcionamento para melhor responderem à procura e tentaram estar alinhadas com as estratégias municipais", acrescentou.
Esse foi o caso da Biblioteca Municipal de Pombal que devido à procura alargou o horário de funcionamento para o período das 09:00 às 20:00, sem interrupções, de segunda-feira a sábado, segundo a diretora.
Desde o início do ano que Portugal tem sido assolado por uma sequência de depressões, como parte do chamado comboio de tempestades, com ventos extremos e chuva forte, que causaram impactos severos em infraestruturas e comunidades, afetando sobretudo as regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, as mais violentas.
Os fortes temporais fizeram ainda dezasseis mortos e muitas centenas de feridos e desalojados.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Mais de 200 pedem adiamento de prazo de submissão a concursos de apoio a projetos
Mais de 200 artistas, agentes culturais e estruturas pediram hoje o adiamento do prazo para submissão das candidaturas aos concursos de Apoio a Projetos da Direção-Geral das Artes (DGArtes), "face à situação excecional que o país atravessa".
Numa carta aberta dirigida ao diretor-geral das Artes, Américo Rodrigues, e à qual a Lusa teve hoje acesso, os profissionais e estruturas alegam que, "atendendo à situação excecional que o país atravessa, com impactos significativos em vários territórios", estão "comprometidas as condições mínimas de trabalho necessárias à preparação e submissão de candidaturas aos concursos públicos de apoio à cultura".
Por isso, apelam ao adiamento do prazo limite de submissão das candidaturas ao Programa de Apoio a Projetos 2025, que abriram em 26 e 29 de janeiro deste ano, "para o final do mês de março de 2026, como medida excecional, de forma a assegurar condições mais justas, equitativas e adequadas para todo o setor cultural".
Os avisos de abertura dos concursos estabelecem 10 de março como data-limite para a entrega das candidaturas.
O pedido de alargamento do prazo de submissão "visa garantir equidade no acesso ao concurso", reforçam, "sem implicar atrasos ou alterações ao calendário previsto de concretização dos projetos".
Os subscritores recordam que "muitas estruturas culturais, artistas e equipas enfrentam dificuldades na reparação de danos, bem como no acesso a eletricidade, internet e mobilidade", na sequência da passagem de várias depressões meteorológicas por Portugal nas últimas semanas.
"A manutenção dos prazos de fecho dos concursos penaliza de forma particular estruturas de menor escala e entidades sediadas fora dos grandes centros urbanos", alertam.
Além disso, lembram que, além dos potenciais candidatos, a situação afeta também "municípios, entidades e estruturas parceiras fundamentais para a viabilização e boa execução das propostas".
"Importa sublinhar que, no atual contexto, muitos municípios encontram-se prioritariamente empenhados na resposta a situações de emergência, nomeadamente na reparação de danos e apoio às populações afetadas, vendo assim seriamente comprometida, de momento, a sua capacidade de acompanhamento, colaboração e compromisso institucional com os processos de candidatura em curso", referem.
A primeira subscritora da carta aberta é a coreógrafa Carlota Lagido, fundadora da associação cultural O Lugar do Meio, situada em Alfafar, no concelho de Penela.
A longa lista de nomes inclui, entre outros, as atrizes Joana Manuel, Carla Vasconcelos, Carla Bolito (cofundadora da estrutura Estado Zero), Luísa Cruz, Ana Brandão, os atores Afonso Lagarto e Jorge Corrula, a diretora da Associação Cultural Linha de Fuga, de Coimbra, Catarina Saraiva, os coreógrafos e bailarinos Francisco Camacho (fundador da Eira), Márcia Lança (fundadora da Vagar), Andresa Soares, Vera Mantero (fundadora da O Rumo do Fumo) e Filipa Francisco, as Fado Bicha, o artista visual António Jorge Gonçalves, a diretora artística da companhia Teatrão, de Coimbra, Isabel Craveiro, a pianista Joana Gama, o escritor Jacinto Lucas Pires, a diretora da Casa das Artes Bissaya Barreto, Maria Marques, e a violoncelista Helena Espvall.
A DGArtes abriu, no final de janeiro, os concursos do Programa de Apoio a Projetos 2025, nos domínios de Criação para Música e Ópera e para Artes de Rua, Circo, Dança e Teatro, de Criação e Programação para Cruzamento Disciplinar e Artes Visuais, de Edição, de Programação e de Internacionalização, bem como o Procedimento Simplificado.
O Programa de Apoio a Projetos 2025 tem uma dotação total de 13,35 milhões de euros, o mesmo valor de 2023 e 2024.
Os projetos que beneficiarem de apoio "devem ser executados até ao limite de 18 meses", entre 01 de setembro deste ano e 28 de fevereiro de 2028, sendo que "a atividade não pode ter estreia antes do período temporal", lê-se nos avisos de abertura dos concursos e do Procedimento Simplificado.
Os subscritores da carta aberta, reforçando que "o pedido de alargamento do prazo de submissão visa garantir equidade no acesso ao concurso", referem que tal aconteceria "sem implicar atrasos ou alterações ao calendário previsto de concretização dos projetos".
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
Encosta do Castelo de Torres Vedras em risco de desmoronamento
A encosta do Castelo de Torres Vedras encontra-se em risco de desmoronamento, disse hoje o vice-presidente da câmara, após a ocorrência de dois aluimentos de terras provocados pelo mau tempo.
"É muito perigoso passar ali, depois de ter ocorrido um segundo aluimento de terras, que estamos a tentar suster", afirmou Diogo Guia à agência Lusa.
"Temos ali um problema de massas a cair, porque existe água na encosta", explicou, acrescentando que, "de um lado da encosta as árvores estão a cair", evidenciando o risco existente.
Devido ao perigo de derrocada, foram interditados por precaução uma rua de acesso ao Castelo e a sala de concertos Bang Venue.
Uma equipa de peritos está hoje no local a fazer sondagens para melhor avaliar o risco e as eventuais obras a efetuar.
Municípios da Lezíria do Tejo pedem que apoios do Governo cheguem depressa
A Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo diz que é necessário garantir uma resposta justa a todos os municípios que sofreram danos causados pelas intempéries, com acesso aos mesmos instrumentos de apoio.
Foto: Câmara Municipal de Coruche
Fazem parte da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo (CIMLT) Almeirim, Alpiarça, Azambuja, Benavente, Cartaxo, Chamusca, Coruche, Salvaterra de Magos, Santarém, Golegã e Rio Maior .
A CIMLT descreve prejuízos "muito significativos" em diversas áreas, começando pelas estradas.
Setor da distribuição afasta problemas no abastecimento de produtos
A Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED) garantiu hoje não haver "nenhum constrangimento" no abastecimento de bens, apesar dos efeitos do mau tempo na produção e nos transportes, e rejeitou aumentos imediatos de preços devido à situação.
"Não há, neste momento, nenhum constrangimento no país no abastecimento da cadeia de valor dos produtos", assegurou o diretor geral da APED, Gonçalo Lobo Xavier, em declarações à agência Lusa.
Apesar de "alguns atrasos em chegadas às lojas", face à necessidade de alterar rotas de transporte devido às várias estradas cortadas, em particular a autoestrada A1, a associação salientou que as empresas envolvidas, quer ao nível da distribuição, quer do transporte, assim como as autoridades, como a Proteção Civil, "têm sido inexcedíveis a encontrar rotas alternativas".
"Portanto, a verdade é que, mesmo com estes constrangimentos, há alternativas e não há nenhum problema logístico de abastecimento de lojas", reiterou.
Relativamente à disponibilidade de produtos, o dirigente da APED referiu que "não há peixe fresco" da costa portuguesa nas lojas "porque os pescadores não têm saído" devido à agitação do mar, mas salientou que não é por isso que "se deixa de ter peixe nas bancas".
"O que estamos é a ir buscá-lo a outras geografias, temos peixe congelado e temos peixe de viveiro de várias origens", explicou, avançando que se está "a ir buscar bastante peixe ao norte da África", por exemplo, mas tal "não vai ter impacto nenhum nos preços, porque já eram rotas de fornecedores habituais".
No que diz respeito a produtos agrícolas, sobretudo hortofrutícolas, Gonçalo Lobo Xavier manifestou "preocupação com os fornecedores" das regiões mais afetadas pelo mau tempo, "que viram as suas produções dizimadas e que é preciso ajudar para que recuperem rapidamente".
Já quanto à eventual escassez destes produtos nas lojas, lembrou que "Portugal não é autossuficiente, de maneira nenhuma, em produtos agrícolas, portanto cada retalhista já tem os seus fornecedores habituais de outras geografias", podendo reforçar as encomendas do exterior em caso de necessidade.
"O mercado está a funcionar, é preciso ter alguma serenidade", enfatizou o dirigente associativo, garantindo ainda que "não há razão imediata para achar que os preços vão aumentar".
Explicando que "há muitas dinâmicas que estão a acontecer", o diretor-geral da APED admitiu que "o mercado tem vindo, realmente, a pressionar alguns produtos, mas não é por causa destas situações" relacionadas com o mau tempo.
Como exemplos, avançou o cacau e a carne, notando que esta última "tem vindo a aumentar consecutivamente de preço nos últimos tempos, ou por via de processos regulatórios ou de obrigações de legislação que obrigam a outro tipo de investimento ou porque as rações têm vindo a aumentar sucessivamente".
Marinha Grande ajuda a preencher formulários no fim de semana e Carnaval
Situado no rés do chão do Núcleo de Arte Contemporânea, no edifício da Resinagem, na Marinha Grande, o espaço tem como objetivo "reforçar a proximidade à população e ao tecido económico local, num momento particularmente exigente, na sequência dos danos provocados pela tempestade Kristin", refere a Câmara Municipal daquela cidade, num comunicado.
O espaço funciona todos os dias, das 09:00 às 17:00, incluindo o próximo fim de semana e dia de Carnaval, "garantindo uma resposta contínua às necessidades da população".
Segundo a autarquia, o gabinete irá ajudar os cidadãos no "preenchimento dos formulários de reporte e inventariação de prejuízo à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), prestar esclarecimentos, fazer o encaminhamento de situações urgentes ou específicas, bem como assegurar o acesso a apoio psicossocial sempre que necessário".
O espaço tem um posto de atendimento assegurado pela Associação Comercial e Industrial da Marinha Grande (ACIMG), para apoio a comerciantes e pequenos empresários.
O funcionamento do Espaço de Apoio à População está a ser assegurado por trabalhadores do Município, com o apoio da Junta de Freguesia de Benfica.
A Câmara da Marinha Grande (distrito de Leiria) informa que para o preenchimento do formulário da CCDRC, os munícipes devem estar na posse de nome e morada completo, documento de identificação, número de identificação fiscal (NIF), acesso ativo ao Portal das Finanças e à Segurança Social Direta, telemóvel com capacidade para receber SMS, comprovativo de IBAN titulado pelo beneficiário, orçamentos necessários à instrução do pedido e registo fotográfico atualizado dos danos verificáveis.
Serão ainda necessários a caderneta predial, a certidão de registo predial atualizada e um endereço de email válido.
Se o imóvel tiver cobertura por contrato de seguro que inclua despesas ou projetos elegíveis, é obrigatório apresentar a cópia da apólice de seguro e comprovativo de participação do sinistro à seguradora.
Unidade de secagem e armazenamento de milho da Cooperativa de Coimbra inundada e sem acesso
Aquela unidade serve para recolher, secar e armazenar o milho dos agricultores da região do vale do Mondego, na ordem das 14 mil toneladas por ano.
Trata-se de um complexo com cerca de três mil metros de área coberta, com escritórios, armazém agrícola, silos de armazenagem de milho e três secadores.
Segundo o presidente da Cooperativa Agrícola de Coimbra, o armazém estava completamente vazio, embora com muitas ferramentas e maquinaria no seu interior.
Os silos teriam armazenados entre 1.500 a 2.000 toneladas de milho.
"Ainda não conseguimos avaliar os estragos e os prejuízos, porque ainda não conseguimos aceder ao local", frisou Pedro Pimenta.
No entanto, o maior prejuízo, segundo o dirigente, é a destruição do canal de rega, essencial para os agricultores poderem prosseguir a sua atividade.
"É fundamental e imperioso que a Agência Portuguesa do Ambiente arregace as mangas para recuperar o canal, para não acontecer como nas cheias de 2019, quando um canal demorou seis meses a ser reparado", sublinhou.
Casas devolutas ruíram em Lamego
Em Lamego, algumas casas devolutas já ruíram. Em Almada, 400 pessoas já saíram de casa.
Águas do Sado voltam a fazer estragos em Alcácer do Sal
O Sado voltou a subir e destruiu cafés e restaurantes da baixa de Alcácer do Sal.
Comboios de longo curso entre Porto e Lisboa estão parados
Estão suspensos os comboios de longo curso entre as duas maiores cidades do país.
Foto: Miguel A. Lopes - Lusa
Montemor-o-Velho vive dias difíceis
Há mais uma povoação isolada - Poço da Cal. Todas as escolas do concelho estão encerradas.
Bruxelas debate com Portugal revisão de PRR mas desconhece plano português
A Comissão Europeia disse hoje estar a debater com Portugal uma revisão do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) devido às consequências do mau tempo, mas indicou desconhecer uma iniciativa com nome idêntico apenas com fundos portugueses.
"Estamos a debater com Portugal uma possível alteração ao seu PRR. Não posso revelar quaisquer detalhes. Ainda está em discussão e, assim que esta alteração for apresentada, poderemos fornecer mais informações", disse o porta-voz do executivo comunitário para a área das reformas, Maciej Berestecki.
Já questionado sobre a criação de um Plano de Recuperação e Resiliência exclusivamente com verbas portuguesas, na conferência de imprensa diária da Comissão Europeia em Bruxelas, Maciej Berestecki referiu não ter "conhecimento desta iniciativa".
"Se Portugal pode ou não usar este nome. Bem, veremos. Não creio que haja qualquer problema em Portugal usar um nome semelhante para o seu próprio projeto, mas, repito, não tenho mais informações", adiantou, em resposta à Lusa.
O Governo já anunciou que vai rever o PRR para responder às consequências das tempestades que têm vindo a afetar o país, bem como criar um Programa português de Recuperação e Resiliência (PTRR), só com verbas nacionais, para enfrentar tais problemas.
Ligação fluvial entre Seixal e Cais do Sodré foi restabelecida
Capacidade da Barragem da Aguieira está em 90,6%
Falar de cheias em Coimbra obriga sempre a perceber como está a Barragem da Aguieira.
Foto: Paulo Novais - Lusa
Ou seja, há alguma margem para receber mais água do que aquela que é libertada.
ULS de Coimbra ativa Plano de Emergência Interno e Gabinete de Crise
A Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra ativou hoje o Plano de Emergência Interno (PEI) e acionou o Gabinete de Crise para acompanhar a situação do mau tempo na região de Coimbra.
Em comunicado enviado à agência Lusa, aquela estrutura adiantou que subiu o nível do Plano de Emergência Externo (PEE) para Nível 2, para reforçar a capacidade de resposta em caso de "um evento extremo na região".
"O Nível 2 do PEE pressupõe a mobilização progressiva de recursos internos adicionais, incluindo reforço de equipas, adequação de espaços assistenciais e ativação de mecanismos de coordenação institucional, garantindo a manutenção da resposta assistencial e a segurança de utentes e profissionais", explicou.
A nota refere que a ULS de Coimbra tem mantido uma articulação permanente com as entidades da Proteção Civil e de emergência, assegurando uma resposta integrada, proporcional e alinhada com os princípios nacionais de coordenação e unidade de comando.
"Temos tido reuniões regulares com a Proteção Civil, tanto com o Serviço Municipal de Proteção Civil, como com o Comando Sub-regional da Autoridade Nacional da Emergência e Proteção Civil, para acompanhamento da situação a nível do Concelho e do Distrito, respetivamente, e estamos preparados para ativar o Nível 3 do PEE, caso se justifique".
A ULS salientou ainda que, apesar do impacto que as intempéries tiveram na vida pessoal de alguns dos trabalhadores (com estradas cortadas, escolas fechadas, danos nas suas habitações), os seus profissionais "têm sido incansáveis no apoio e na prestação de cuidados".
"É graças a eles que a ULS de Coimbra tem estado na linha da frente do apoio às comunidades mais afetadas pelas tempestades, dando resposta às necessidades das pessoas", lê-se no comunicado.
Cidade e região de Coimbra em sobressalto
As próximas horas são críticas.
Foto: Rita Soares - Antena 1
Câmara de Almada ultima pedido ao Governo para decretar situação de calamidade
A Câmara de Almada está a ultimar o pedido para enviar ao Governo para que decrete situação de calamidade no concelho, anunciou hoje a presidente da autarquia que pede um "plano alargado" para a arriba da Costa de Caparica.
Inês de Medeiros falava aos jornalistas, acompanhada pelo líder do PS, José Luís Carneiro, durante uma visita à zona de Porto Brandão, que foi evacuada na quarta-feira devido ao deslizamento de terras da arriba provocado pelo mau tempo e onde hoje as pessoas retiravam as suas coisas de casas, que estão em risco de ruir.
"Tem que ser a [situação de] calamidade. Nós temos todo o comércio lá em baixo do Porto Brandão que está absolutamente interditado, temos famílias aqui que provavelmente nunca mais vão poder voltar para aqui, portanto, precisamos de uma calamidade, mas sobretudo alargada no tempo", disse.
Segundo a presidente da Câmara de Almada "isto não é uma resposta de um dia para o outro" e é preciso um plano mais alargado para a toda a arriba fóssil da Costa de Caparica, tendo em conta também a necessidade de acolher as pessoas.
Inês de Medeiros adiantou que os serviços já estão a preparar o pedido e que, assim que seja possível tendo em conta a magnitude da resposta que estão a dar no terreno, o vão formalizar junto do Governo com "o maior número de dados possíveis".
Questionada sobre algumas queixas de moradores de apoio insuficiente da autarquia nestas operações na zona de Porto Brandão, a socialista assegurou que tem havido "imenso apoio da câmara" e que a "junta tem sido incansável".
"Agora as pessoas estão, de facto, numa situação de desespero, numa situação de uma dor profunda porque é toda uma vida que aqui está e, portanto, é natural. Não vamos entrar agora nessas querelas. Há muita coisa que provavelmente, ao longo de décadas, não deveria ter acontecido, aconteceu e agora é enfrentar o presente e garantir o futuro destas pessoas", disse.
Coimbra. "Risco mantém-se até ao final do dia"
"Não estamos a dizer que não vamos ter problema. Estamos a dizer que neste momento e com base no que aconteceu durante a noite temos aqui uma situação mais estável, menos gravosa. Mas o risco de podermos ter que vir a evacuar a zona baixa de Coimbra mantém-se até ao final do dia de hoje", ressalvou o responsável.
"Isto é um alerta a todas as pessoas que nos ouvem para manterem os seus comportamentos de uma forma segura e anteciparem os seus problemas", acrescentou, para deixar em seguida um agradecimento à população pela forma como tem respondido aos avisos da Proteção Civil.
O comandante nacional da Proteção Civil recorda ainda que a bacia do rio Tejo “é muito maior” e que a água “chegará mais tarde aos pontos de armazenamento. Vamos manter a vigilância”.
Já o Sorraia e o Sado “mantêm-se com risco significativo de inundações”.
Com risco não significativo de inundação estão os rios Minho, Cora, Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Sousa, Vouga, Águeda, Liz, Nabão e o Guadiana.
Segundo Mário Silvestre, “a situação ainda não passou, ainda estamos a alguma distância de podermos dizer que vamos regressar à normalidade relativamente a estas situações hidrológicas”.
O papel dos militares no apoio à população e às autoridades civis
Coimbra pode vir a enfrentar pico de cheia a partir das 15h00
- Coimbra permanece em alerta máximo por causa de cheias que podem inundar a baixa da cidade. A presidente da Câmara Municipal, Ana Abrunhosa, alertara na quinta-feira para o risco de uma "cheia centenária". A vigilância mantém-se por causa do caudal do Rio Mondego. Pode ainda ocorrer um pico de cheia às 15h00;
- Durante a noite, a Proteção Civil registou várias ocorrências relacionadas com a chuva e o vento forte na Região Centro. A Câmara de Coimbra preparou-se mesmo para a necessidade de ter de retirar mais nove mil pessoas. Todavia, para já, esse cenário não se coloca;
- Todas as escolas do concelho de Coimbra estão encerradas e também não há aulas na Universidade e no Politécnico;
- A autarca Ana Abrunhosa apelou às empresas para que, se possível, adotem um sistema de teletrabalho. A ideia é evitar deslocações, situações de risco e garantir que os meios de emergência possam atuar com eficácia;
- No centro da cidade de Lamego, vários edifícios antigos estão em perigo de ruir e os trabalhos de remoção já estão a decorrer. Vários prédios na Rua de Seara estão devolutos há vários anos;
- Os comboios de longo curso entre Lisboa e Porto estão suspensos por motivos de segurança e, em Coimbra, a circulação continua suspensa nos coimboios urbanos. Apenas os serviços Regionais entre Entroncamento e Soure, Coimbra-Aveiro-Porto e entre Tomar e Lisboa estão a circular;
- Na Linha da Beira Baixa só circulam os comboios regionais entre Castelo Branco e Guarda e entre Entroncamento e Abrantes. Há ainda cortes e condicionamentos nas linhas do Norte, Douro, Oeste, Cascais e Sintra. Na Linha do Alentejo, a circulação está suspensa entre Pegões e Bombel;
- Há também problemas nas ligações fluviais da Transtejo. Está suspensa a ligação entre o Cais do Sodré, em Lisboa, e o Seixal. A ligação com o Montijo está com constrangimentos operacionais. A empresa avisa que não é possível garantir a realização de todas as carreiras previstas e sublinha que não é possível prever quando será retomado o serviço regular;
- A Rede Expressos está a assegurar todas as ligações. As viagens estão a ser feitas pelos percursos alternativos, através da A8, A17, A25 ou IC2. A empresa de transportes rodoviários alerta, contudo, para a existência de alguns atrasos;
- A autarquia de Almada já retirou de casa cerca de 400 pessoas. Depois de várias derrocadas na Costa da Caparica, os moradores de Porto Brandão, São João e Azinhaga dos Formozinhos foram retirados;
- Os trabalhadores em regime de lay-off só vão receber dois terços do salário, quando o Governo havia anunciado que os profissionais afetados pelas intempéries receberiam 100 por cento do vencimento bruto. A Segurança Social só vai pagar 80 por cento desta despesa nos primeiros 60 dias e, a partir daqui, o valor baixa para os por cento.
Capitania do Funchal emite aviso de agitação marítima forte para a Madeira
A capitania do Porto do Funchal emitiu hoje um aviso de mau tempo para a orla marítima do arquipélago da Madeira, que estará em vigor até às 06h00 de sábado.
A autoridade marítima regional aponta que, na costa norte, as ondas vão ser entre os 3 e os 4 metros, sendo entre 1,5 e 2 metros na parte sul da ilha, podendo atingir 3 metros na zona mais oeste.
O vento, acrescenta, vai ser de noroeste "fresco a muito fresco (31 a 50 quilómetros por hora)" e a visibilidade no mar "boa, por vezes moderada".
"Recomenda-se a toda a comunidade marítima e à população em geral para os cuidados a ter, tanto na preparação de uma ida para o mar, como quando estão no mar ou em zonas costeiras", acrescenta a capitania.
Prédios em risco de ruir no centro de Lamego
No centro da cidade de Lamego vários edifícios antigos estão em perigo de ruir e os trabalhos de remoção já estão a decorrer.
Distrito de Aveiro com 49 estradas interditas ou condicionadas
O distrito de Aveiro tem 49 vias interditas ou condicionadas, menos nove do que na quinta-feira, devido a inundação, desmoronamento e abatimento do piso, informou a GNR.
Em Águeda, a GNR dá hoje conta da interdição devido a inundação da Rua da Pateira (Fermentelos), da Estrada do Campo (na zona de Espinhel e Recardães), da Rua do Campo (Segadães), da Rua Ponte da Barca (Serém), da Rua Manuel Marques (Macinhata do Vouga), da Rua Parque Fluvial (Macinhata do Vouga), e da EM577 (Fontinha).
Ainda neste concelho estão interditas a Rua do Covão (Aguiar da Beira) e a Rua do Vale do Grou (Aguada de Cima), devido a desmoronamento, mantendo-se condicionado o IC2, ao quilómetro 239, em Lamas do Vouga.
Em Sever do Vouga, a circulação automóvel está interrompida na EN16 (Pessegueiro do Vouga), devido a desmoronamento.
Em Albergaria-a-Velha, segundo a GNR, estão cortadas a EN230-2 (Angeja e Frossos) e a Estrada da Cambeia (Angeja), devido a inundação, mantendo-se condicionada a M553 (Ribeira de Fráguas) devido ao abatimento do piso da estrada.
Em Oliveira de Azeméis, a GNR indica que estão interditas a Rua de São Paio (Pinheiro da Bemposta) e a Rua do Cercal (Santiago Ruba-Ul), devido a inundação, e a Rua do Mosteiro (Cucujães), devido a desmoronamento. A Rua do Sobral (Ul) está condicionada devido a desmoronamento.
Em Ovar, também há várias estradas intransitáveis devido a inundação, nomeadamente a Rua de Baixo (Maceda), a Rua Estrada Nova (Maceda), a Rua Rio (Cortegaça), a Rua do Bussaquinho (Esmoriz) e a Rua da Aldeia (Cortegaça). Também não se pode circular na Avenida da Praia (Maceda), devido a desmoronamento.
Em Estarreja, estão cortadas a Rua da Estação (Canelas), a Rua do Vale (Fermelã), a Estrada paralela à linha férrea -- BIORIA (Canelas), a Rua Manuel Marques Figueira (Antuã) e a Rua do Mato, (Salreu), estando condicionada a Rua de Santo Bárbara (Beduído) devido a inundação.
Na Murtosa, mantêm-se cortadas ao trânsito duas estradas no Bunheiro, nomeadamente a Rua Caminho das Remolhas e a Rua Patronato São José.
Em Aveiro, estão cortadas a Rua Direita (Requeixo), a Rua da Pateira (Requeixo), a Rua da Valsa (Eixo), a Rua Marquês de Pombal (Cacia), a Estrada da CEE (Cacia) e a Rua do Padrão (Cacia) e, em Ílhavo, está cortada a Rua do Sul (Gafanha de Aquém), devido a inundação.
Mais a sul, em Anadia, estão interditas a EN235 (Vila Nova de Monsarros), a Rua São Simão (São Lourenço do Bairro), a Rua Ponte do Casal (Avelãs de Caminho), a Avenida das Laranjeiras (Alféolas) e a Avenida dos Áceres (Curia), devido a inundação e, em Oliveira do Bairro, não é possível circular na Rua do Ortigal.
Três pessoas deslocadas devido a deslizamento de terras em Ponte de Lima
Contactado pela agência Lusa, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Lima, Carlos Lima, explicou que o deslizamento de terras de um campo agrícola colocou em risco mais seis habitações onde residem cerca de 10 pessoas que, aconselhadas a sair, decidiram permanecer nas habitações.
O responsável adiantou que as habitações não sofreram danos, necessitando apenas de limpeza por terem sido afetadas pela água e lama que escorreram do deslizamento.
Centro para receção de resíduos operacional em Vila de Rei
O Centro de Receção e Transferência de Resíduos de Vila de Rei está operacional e disponível para receber os resíduos resultantes das operações de limpeza após a passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta pelo concelho, informou o município.
A autarquia apela aos munícipes que façam a deposição dos resíduos no centro, que está situado no estaleiro municipal de Vila de Rei.
"Num momento em que muitos proprietários procedem à reparação de infraestruturas e à remoção de detritos, o município reforça que a entrega de resíduos no centro é totalmente gratuita para os residentes do concelho, de segunda a sexta-feira, entre as 08:00 e as 16:00, garantindo o tratamento ambientalmente correto dos materiais".
Além da operacionalização do Centro de Receção e Transferência de Resíduos, os munícipes podem também depositar os resíduos gerados na Zona Industrial do Souto (após o lagar), Milreu (junto ao campo de futebol), Silveira (junto ao cemitério), Zevão (berma da ER348) e São João do Peso (junto à antiga escola primária).
O município de Vila de Rei alerta que a deposição correta de resíduos evita a poluição dos solos e das linhas de água, contribuindo diretamente para a qualidade de vida de todos os habitantes.
Alpiarça atenta ao caudal do Tejo
45 mil clientes da E-Redes sem energia às 8h00
Inundações na zona de Santa Clara
Circulação de comboios condicionada em alguns troços
O mau tempo obrigou ao cancelamento de muitas ligações ferroviárias no país, refere a Comboios de Portugal.
- Ligação regional entre Entroncamento e Soure;
- Ligação Coimbra, Aveiro e Porto;
- Ligação entre Tomar e Lisboa.
A circulação ferroviária continua com constrangimentos nestes serviços/linhas:
- Linha do Alentejo- circulação suspensa entre Pegões e Bombel;
- Linha da Beira Baixa- continua suspensa, realizando-se apenas os comboios regionais entre Castelo Branco e Guarda e entre Entroncamento e Abrantes;
- Linha da Beira Alta - serviço Intercidades entre Coimbra e Guarda realiza-se com recurso a material circulante diferente do habitual;
- Linha de Cascais - comboios circulam com alterações nos horários, pelo que se recomenda consulta em cp.pt;
- Linha do Douro - circulação suspensa entre Régua e Pocinho;
- Linha do Oeste -circulação suspensa;
- Urbanos de Coimbra - circulação suspensa.
Acesso de Vila Franca à A1 foi reaberto
O acesso de Vila Franca de Xira à Autoestrada 1 (A1) para quem segue em direção ao Porto, que estava cortado por causa do perigo de queda de um placar informativo, foi reaberto pelas 9h00, informou a Brisa.
A empresa esclareceu que a informação dada anteriormente pela GNR de corte da A1 (Lisboa-Porto) junto às portagens de Vila Franca de Xira apenas abrangia quem seguia desta localidade para o Porto, obrigando os automobilistas a apanharem a Estrada Nacional 10 (que liga Cacilhas a Sacavém) para aceder à A1 nas portagens de Alhandra.
Este corte do trânsito deveu-se ao perigo de queda de um placar informativo.
A mau tempo tem provocado diversos condicionamentos de estradas no país. Na quinta-feira, o acesso da Ponte 25 de Abril para a Autoestrada 5 (A5), que liga Lisboa a Cascais, foi cortado ao trânsito por causa do deslizamento de terras que tinha ocorrido na quarta-feira.
Segundo a GNR, pelas 07:30, na zona do deslizamento o trânsito estava cortado apenas na via mais à direita, para que possam decorrer os trabalhos de retirada da terra da via de circulação.
O mau tempo também provocou o rompimento de um dos diques do Montego junto a Coimbra e, na sequência disso, o piso da Autoestrada 1 (A1) abateu e as autoridades cortaram os dois sentidos de circulação na terça-feira.
O trânsito na Autoestrada 1 (A1) mantêm-se cortado entre o nó de Coimbra Norte e Coimbra Sul, em ambos os sentidos.
Devido ao agravamento do estado do tempo, hoje de manhã os comboios de longo curso na Linha ferroviária do Norte entre o Porto e Lisboa foram suspensos por razões de segurança.
Na quinta-feira, às 20:00, a CP tinha informado que previa retomar parcialmente hoje oito comboios de longo curso, quatro por sentido, entre Porto e Lisboa, com recurso a material circulante diferente do habitual e a transbordo rodoviário entre Coimbra B e Pombal.
A Câmara de Coimbra está a preparar-se para ter de retirar mais nove mil pessoas, sobretudo na zona urbana, caso se confirme hoje o cenário de cheia centenária.
Na sequência do mau tempo em Portugal, designadamente da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, dezasseis pessoas morreram e centenas de outras ficaram feridas ou foram desalojadas.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, deslizamentos de terras, fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Proteção Civil descreve noite mais calma
A Proteção Civil deu conta, esta manhã, de que a noite e a madrugada acabaram por ser mais calmas do que o previsto. Ainda assim houve 90 pedidos de ajuda, sobretudo na Região Centro do país, explicou à Antena 1 o comandante Rui Oliveira.
Rio mantém caudais estabilizados em alta e prevê-se dia semelhante a quinta-feira
O caudal do rio Tejo manteve-se estabilizado em valores elevados durante a noite no ponto de medição em Almourol, devendo hoje registar oscilações ao longo do dia, num cenário semelhante ao de quinta-feira, e mantém-se o alerta vermelho na bacia.
"A noite foi muito chuvosa e exigente, com várias quedas de árvores e alguns movimentos de massa, mas os caudais mantiveram-se ao nível do dia de ontem. Não baixaram, mas também não aumentaram. Temos, portanto, uma estabilização em valores elevados", afirmou esta manhã à Lusa o comandante sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo, no distrito de Santarém.
Segundo David Lobato, às 07:00 eram registados 5.286 metros cúbicos por segundo (m3/s) em Almourol, valor que se manteve ao longo da noite dentro da faixa dos 5.000 a 6.000 m3/s, com as barragens sempre em descarga.
Face às 07:00 de quinta-feira, quando eram medidos 6.114 m3/s, verifica-se uma descida de cerca de 830 m3/s nas últimas 24 horas.
Ainda assim, ao longo do dia de quinta-feira o caudal oscilou entre os 6.000 e os 7.000 m3/s, chegando a ultrapassar pontualmente essa marca antes de descer ao final da tarde.
De acordo com os dados do Centro de Produção Tejo-Mondego (CPPE), as descargas atuais nas barragens a montante totalizam 5.085 m3/s - 826 m3/s na Barragem de Castelo do Bode, 247 m3/s na Barragem de Pracana e 4.012 m3/s na Barragem do Fratel.
David Lobato admitiu que a chuva intensa da noite poderá ainda refletir-se ao longo do dia nos caudais do Tejo e dos seus afluentes, também com influência das descargas provenientes de Espanha.
"É expectável que não haja um aumento significativo, mas poderá haver uma ligeira subida. Não perspetivamos valores na ordem dos oito mil metros cúbicos por segundo. Houve uma boa articulação entre as barragens e estamos a acompanhar permanentemente a situação", afirmou.
A expectativa das autoridades é de um dia semelhante ao de quinta-feira, com possibilidade de nova aproximação à fasquia dos 6.000 a 7.000 m3/s.
O pico desta cheia foi registado em 05 de fevereiro, quando o caudal atingiu cerca de 8.600 m3/s em Almourol, estação de medição que reflete o conjunto total de descargas a montante e dos caudais acumulados de afluentes do Tejo.
O Plano Especial de Emergência para Cheias na bacia do Tejo, acionado no dia 05 de fevereiro, mantém-se em alerta vermelho.
A Proteção Civil reforça os avisos preventivos, apelando à população para que não atravesse estradas submersas ou devidamente sinalizadas, numa altura em que os solos continuam saturados e persistem quedas de árvores, derrocadas e submersão de vias em vários pontos da região.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
O mau tempo tem provocado a destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Ana Abrunhosa: "A noite correu melhor do que o esperado"
A presidente da Câmara de Coimbra diz que a "noite correu ligeiramente melhor do que o esperado" e que não foi preciso retirar as pessoas de casa, como tinha anunciado na quinta-feira.
"Durante a noite as coisas correram muito melhor, um bocadinho melhor do que o esperado. De qualquer modo os valores, quer na Barragem da Agueira, quer no Açude-Ponte, estão no seu limite. Mantemos o estado de alerta, estamos tranquilos. Agora haverá uma reunião técnica, daqui a um bocadinho. Depois dessa reunião técnica, vamos reavaliar a situação. Para já a indicação que tenho é que não iremos, por enquanto nas próximas horas pedir às pessoas para evacuarem porque os valores, como volto a dizer, apesar de estarem nos valores limite, dão-nos alguma tranquilidade, mas muito alerta e pedimos às pessoas para seguirem todas as indicações das autoridades", explica.Às 14h00 vai haver uma nova avaliação com a presença da ministra do Ambiente. As autoridades dizem que o período da tarde pode ser mais difícil, por isso o alerta mantém-se.
"Nós estimamos que o período da tarde seja muito mais complexo, mas não há como avaliar com os técnicos para depois também podermos voltar a comunicar as orientações. Estamos também neste momento numa reunião da Proteção Civil, a seguir vamos para a APA para fazer esta reunião técnica e portanto o que eu quero transmitir às pessoas é que o alerta mantém-se", avançou a presidente da autarquia.
Na quinta-feira, Coimbra estava a preparar-se para retirar cerca de nove mil pessoas de casa, das zonas ribeirinhas. Para já não foi preciso, mas as pessoas estão prontas e em alerta.
Termina um dos períodos mais críticos do risco de cheia na Baixa
O período entre as 8h00 e as 9h00 fora descrito como um dos mais críticos em matéria de risco de inundações.
Subida das águas do Mondego faz estragos em Casal Novo do Rio
Várias estradas condicionadas
Ainda segundo a autarquia, na zona de Lavariz para a Carapinheira há corte de estrada, tal como entre Tentúgal e o limite do concelho.
"A subida das águas está a provocar vários constrangimentos à circulação rodoviária no concelho de Montemor-o-Velho, em particular nas zonas mais baixas quer da margem esquerda, quer da direita do Mondego", explica a Câmara.
As escolas estão igualmente encerradas neste concelho do distrito de Coimbra.
Rio está estável e deverá encaixar mais água
O dia de hoje será de "encaixe de água" no Douro, rio que tem mantido caudais estáveis com "episódios sem muito significado", mas a exigir "máxima atenção pelo menos até domingo", disse o comandante adjunto da capitania do Douro.
"Foi uma noite tranquila com caldais baixos. A cota do rio apenas foi até aos 4,5 metros [no Porto]. Mesmo na Albufeira do Carrapatelo, na cidade do Peso da Régua, a cota andou abaixo dos 8 metros, portanto, com bastante menos água do que ontem [quinta-feira]. Esta menor quantidade de água servirá para algum encaixe para o dia de hoje. A chuva que vai cair durante o dia de hoje, quer em Portugal, quer em Espanha, vai transportar alguma água para o rio e a perspetiva é que os caudais fiquem altos", referiu o comandante adjunto da capitania do Douro.
Alertando que "a água não escoa de repente", Pedro Cervaens falou em "atenção máxima até domingo".
"Havendo previsões mais favoráveis para a próxima semana, acredito que, gradualmente, as medidas venham a ser mais flexibilizadas, mas neste momento não", disse.
O rio Douro permanece em alerta vermelho para risco de cheias e o Plano Distrital de Emergência e Proteção Civil da Área Metropolitana do Porto está ativo até domingo.
Esta ativação decorreu da declaração de contingência decretada pelo Governo.
Na sequência do mau tempo em Portugal, designadamente da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, dezasseis pessoas morreram e centenas de outras ficaram feridas ou foram desalojadas.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, deslizamentos de terras, fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Retomada circulação ferroviária na Linha do Sul
"Por razões de segurança, devido ao agravamento do estado do tempo, com risco de cheias na região de Coimbra, foram suspensos, sem previsão de retoma, os serviços de longo curso - Alfa Pendular e Intercidades - na Linha do Norte, no eixo Porto - Lisboa", indica a empresa.
"Apenas se realizam os serviços Regionais entre Entroncamento e Soure, Coimbra-Aveiro-Porto e entre Tomar e Lisboa".
"Prevê-se a realização do Comboio Internacional Celta, podendo ser usado material circulante diferente do habitual e sendo que o percurso Valença - Vigo - Valença será feito com recurso a transbordo rodoviário", indica ainda a CP.
Linhas com constrangimentos
- Linha do Alentejo: circulação suspensa entre Pegões e Bombel;
- Linha da Beira Baixa: continua suspensa, realizando-se apenas os comboios regionais entre Castelo Branco e Guarda e entre Entroncamento e Abrantes;
- Linha da Beira Alta: serviço Intercidades entre Coimbra e Guarda realiza-se com recurso a material circulante diferente do habitual;
- Linha de Cascais: comboios circulam com alterações nos horários;
- Linha do Douro: circulação suspensa entre Régua e Pocinho;
- Linha do Oeste: circulação suspensa;
- Urbanos de Coimbra: circulação suspensa.
Trânsito cortado na A1 em Vila Franca de Xira por risco de queda de "placar"
O trânsito na Autoestrada do Norte está cortado desde as 5h40 junto às portagens de Vila Franca de Xira, Lisboa, no sentido Sul-Norte, por causa do perigo de queda de um "placar" informativo, disse fonte da GNR.
A mesma fonte adiantou à agência Lusa que este corte da A1 implica que os automobilistas tenham de sair para a Estrada Nacional 10, que liga Cacilhas e Sacavém.
A mesma fonte acrescentou que o corte do trânsito foi decidido por precaução e, pelas 7h30, não havia ainda estimativa sobre o tempo que demorará para resolver a situação.
Comboios entre Lisboa e Porto e barcos entre Seixal e Cais do Sodré suspensos
A CP informa que os comboios de longo curso entre Lisboa e Porto estão suspensos, sem previsões de retoma, devido ao mau tempo e por razões de segurança. Também as ligações fluviais entre o Seixal e Cais do Sodré estão suspensas sem previsão de normalização deste serviço.
Dez pessoas retiradas em Sobral de Monte Agraço
Na região de Sobral Monte Abraço, deslizamentos de terras obrigaram à retirada de quatro pessoas de casa, residentes na aldeia de Pé do Monte. Uma situação que já estava identificada, de acordo com o comandante sub-regional do Oeste, Carlos Silva.
"Rotina normal". O retrato da baixa da cidade às 7h00
Espera-se que, entre as 8h00 e as 9h00, se viva o período mais crítico.
Situação cada vez mais crítica em Coimbra
- Acentuou-se o risco de grandes cheias na baixa de Coimbra. O pico pode ocorrer entre as 8h00 e as 9h00 ou às 15h00. Durante a noite, o município começou a retirar das zonas de risco pessoas acamadas e sem-abrigo. Contudo, se a situação se agravar, poderão ter de ser retiradas da zona urbana nove mil pessoas;
- A presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, admitiu na quinta-feira um risco acrescido de "cheia centenária", ou seja, com uma em 100 hipóteses de acontecer num ano. A autarca anunciou ainda que as escolas do concelho vão manter-se fechadas esta sexta-feira;
- Também a Universidade de Coimbra está encerrada. O reitor justifica a decisão com a necessidade de garantir a segurança;
- A reparação do troço da A1 que que ruiu em Coimbra vai demorar várias semanas. A Brisa explica que a rutura aconteceu devido a um débito excecional de mais de 2.100 metros cúbicos de água por segundo. A empresa revela que está a ser feita uma análise técnica;
- Em alternativa à A1 na região de Coimbra, os automobilistas podem optar pela A8, A17, A25 ou IC2;
- O abatimento da via aconteceu cerca de três horas depois do corte total da A1, feito de forma preventiva, no sublanço de Coimbra Norte e Coimbra Sul, pelo que o colapso do viaduto não representou perigo, segundo a Brisa;
- O risco na bacia do Mondego deve-se à barragem da Aguieira. O depósito está acima dos 99 por cento, perto do limite de segurança da própria infraestrutura. O volume de armazenamento tem vindo a subir e atingiu quase 125 metros, perto do valor máximo de 126;
- A Proteção Civil registou, na quinta-feira, 678 ocorrências decorrentes do estado do tempo em Portugal continental, a maioria inundações, queda de árvores e deslizamentos de terra, que afetaram em particular a região de Coimbra;
- A circulação ferroviária continua interrompida em várias zonas. Na Linha do Sul está suspensa a ligação entre Luzianes e Amoreiras. Na linha da Beira Baixa só circulam os comboios regionais entre Castelo Branco e Guarda e entre Entroncamento e Abrantes. Em Coimbra, a circulação permanece suspensa nos coimboios urbanos. Verificam-se ainda cortes e condicionamentos nas linhas do Norte, Douro, Oeste, Cascais e Sintra. Os comboios de longo curso na Linha do Norte, entre Porto e Lisboa, foram suspensos por razões de segurança;
- A ligação fluvial da Transtejo entre as estações do Seixal e do Cais do Sodré estava, pouco antes das 6h00, interrompida;
- A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil alerta que há igualmente maior risco de cheias em Lisboa, Setúbal e na Região Oeste;
- No distrito de Vila Real ocorreram centenas as derrocadas nos últimos dias;
- Em Albergaria-a-Velha, 20 pessoas tiveram de ser retiradas de casa. Neste concelho, há estradas cortadas, casas isoladas e o receio de que a ponte de Valmaior não resista ao ímpeto da água;
- Em Alcácer do Sal, a zona ribeirinha voltou a ficar inundada. Alguns comerciantes descrevem espaços em que só sobram as paredes;
- O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, avisa que é agora o momento de começar a fazer contas ao futuro e que a resposta às zonas afetadas vai marcar os próximos anos de governação.
"Cheia centenária" em Coimbra poderá obrigar à retirada de nove mil pessoas
Coimbra pode viver esta sexta-feira uma "cheia centenária" por causa do aumento do caudal do Rio Mondego.
O alerta é da presidente da Câmara local. Ana Abrunhosa pede às pessoas que evitem deslocações, suspendeu as aulas e recomendou mais evacuações.
Meteorologia prevê alívio na intempérie a partir de sábado
Prevê-se chuva intensa até ao início da tarde desta sexta-feira.
Derrocadas na Caparica. Cerca de 400 pessoas retiradas de casa
Depois de várias derrocadas na Costa da Caparica, os moradores de Porto Brandão, São João e Azinhaga dos Formozinhos foram retirados de casa. A autarquia de Almada retirou já de casa cerca de 400 pessoas.
Colapso da A1. Reparação de troço entre Coimbra Norte e Coimbra Sul ainda sem data de conclusão
Quando a A1 colapsou, a principal estrada do país já estava cortada preventivamente entre Coimbra Norte e Coimbra sul.
Foto: Miguel A. Lopes - Lusa
Resposta à calamidade. PR avisa que é preciso fazer "contas ao futuro"
O Presidente da República considera que é muito difícil governar numa calamidade, mas que é altura de começar a fazer "contas ao futuro".
Foto: Paulo Novais - Lusa
Recorda no entanto que será preciso mais dinheiro e tempo do que se pensava para a reconstrução.
"PTRR". Montenegro anuncia Plano de Recuperação e Resiliência exclusivamente português
O anúncio foi feito por Luís Montenegro durante uma visita às zonas afetadas pelas cheias em Alcácer do Sal, distrito de Setúbal.
O primeiro-ministro anunciou esta quinta-feira a intenção de implementar um Plano de Recuperação e Resiliência exclusivamente português, a que chamou PTRR, para que o país possa recuperar economicamente das consequências do mau tempo e atuar nas infraestruturas mais críticas.
“Ninguém vai ser esquecido. Nós vamos ter uma resposta nacional para um problema que afetou todo o território, evidentemente com particularidades em alguns desses espaços territoriais”, afirmou.
“Nós teremos um PTRR, um Programa de Recuperação e Resiliência exclusivamente português para podermos sair desta sucessão de intempéries mais fortes, mais resilientes, recuperados socialmente, recuperados do ponto de vista da dinâmica económica”, explicou Luís Montenegro.
Segundo o chefe de Governo, "ainda não é o dia para poder anunciar ao país exatamente o plano que temos em mente para os próximos anos em Portugal”.
“Mas eu posso já avançar que hoje tivemos uma reflexão já muito aprofundada no Conselho de Ministros e dei orientações a todos os ministérios para projetarmos um grande programa de recuperação e resiliência para Portugal, para podermos chegar a todo o território", assegurou.
O objetivo deste programa será também fazer "uma atuação que é absolutamente imprescindível sobre as infraestruturas mais críticas", adiantou o primeiro-ministro.
"Infraestruturas básicas, infraestruturas rodoviárias, ferroviárias, de abastecimento de energia elétrica, de abastecimento de água, de serviços públicos. Nós temos pela frente um desafio enorme nos próximos anos de podermos recuperar e também de nos tornarmos mais resistentes para uma eventual repetição deste ou de outros fenómenos com igual gravidade", vincou. Montenegro não quis responder se haverá uma remodelação cirúrgica no Governo, garantindo apenas que o Executivo “está todo mobilizado para podermos apresentar ao país o nosso PTRR – Portugal Recuperação e Resiliência – e para podermos também ter depois todos os departamentos do Estado e a sociedade civil mobilizada”.
Aos jornalistas, Montenegro disse ainda entender os apelos feitos para colocar "determinados territórios no âmbito da situação de calamidade, no âmbito da situação de contingência", e assegurou que "ninguém vai ser esquecido".
Além disso, o primeiro-ministro realçou que “temos que ajudar a reposição da situação quer das famílias, quer das pessoas, quer das empresas", mas "o Estado não pode nem deve substituir-se aos seguros", que "também têm de assumir a sua responsabilidade”.Mais de 4.600 milhões de euros em prejuízos
Respondendo ainda sobre o anunciado PTRR, o primeiro-ministro reiterou que “nós não temos ainda o desenho, estamos a fazê-lo”.
“Temos de integrar nesse programa muitas das perspetivas de investimento que já estão em curso e outras que se vêm agora juntar em termos de recuperação”, elucidou.
O chefe de Governo realçou ainda que “agora que vamos recuperar o país, nós temos de ganhar ainda mais capacidade para podermos enfrentar fenómenos meteorológicos extremos como os que enfrentámos agora”.
Quanto aos danos na A1 em Coimbra, Luís Montenegro afirmou que “tudo aquilo que puder ser feito do ponto de vista técnico para poder repor a situação será feito” mas, “neste momento, com o caudal que o rio Mondego tem ainda, sabemos que essas operações estão prejudicadas e portanto tem de se aguardar por condições que permitam, em segurança, fazer esse restabelecimento”, que “é a prioridade máxima”.
O primeiro-ministro referiu ainda que a última estimativa relativa aos prejuízos causados pelo mau tempo em todo o país nas últimas semanas, realizada há 48 horas, apontava para mais de 4.600 milhões de euros.
c/ Lusa