Porta a Porta considera declarações de Montenegro "anedóticas"
Em entrevista à RTP Notícias, Raquel Ferreira, do movimento Porta a Porta, afirmou que as declarações do primeiro-ministro sobre as ameaças, por parte de um manifestante, captadas em vídeo visaram "generalizar".
"Mas também consideramos anedótico que, perante a situação que vivemos no nosso país e tendo o primeiro-ministro, como sabemos e é público, 55 imóveis, esteja preocupado com uma declaração em que um manifestante apela a que se arremesse um tijolo a uma casa. Nós questionamos: qual delas", prosseguiu Raquel Ferreira.
"Hoje vamos voltar a sair à rua, sendo que é uma manifestação organizada pela CGTP e na qual vamos participar, mas temos também outras ações convocadas e que culminarão no dia 14 de novembro com manifestações por todo o país organizadas pela plataforma Casa para Viver".
"Já foi visto que a pressão que é feita nas ruas funciona e não pode ser menosprezada, como querem dar a entender. O grande exemplo disso foi o chumbo do pacote laboral", fez notar.
Porto, Coimbra e Lisboa. Cidades na rota de manifestação nacional
- Estão convocadas concentrações e marchas, durante a manhã, no Porto e em Coimbra. O protesto estende-se a várias cidades e à tarde concentra-se em Lisboa;
- No Porto, o protesto tem início na Praça da Batalha e segue até à Praça D. João I, onde há já uma semana decorrem protestos pelo direito à habitação. Na última madrugada, os manifestantes decidiram não passar a noite no local, alegando falta de condições, mas regressam este sábado;
- Sob o mote "Mais salário, melhores pensões e serviços públicos | Contra o aumento do custo de vida | Novo rumo para Portugal!", foram então convocadas pela CGTP manifestações, a partir das 10h30, para o Porto e em Coimbra. Em Lisboa, a Intersindical promove uma manifestação à tarde, a partir das 14h30, com início no Cais do Sodré e término no Rossio;
- Ouvido pela agência Lusa, o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, afirmou que as manifestações visam que cada pessoa que "sente as dificuldades do dia-a-dia", perante o "brutal aumento" dos preços da habitação, dos combustíveis e do cabaz alimentar, e que "sente os serviços públicos a desagradarem-se", se faça "ouvir" e tenha "a oportunidade de lutar contra a política em curso";
- Em Lisboa são esperadas milhares de pessoas. O presidente da Câmara da capital, Carlos Moedas, fala de uma causa justa, mas deixa avisa que os protestos devem decorrer dentro da lei;
- O primeiro-ministro, Luís Montenegro, negou na sexta-feira ter acusado os manifestantes do Porto de egoísmo e queixou-se de ameaças, referindo-se a um vídeo onde se apela a um ataque à sua casa. O Movimento pela Habitação veio já distanciar-se das ameaças, apelando à serenidade e a que os protestos sejam levados a cabo de forma pacífica;
- A Inspeção-Geral da Administração Interna abriu entretanto um processo de averiguações sobre a carga policial da última semana na Praça D. joão I, no Porto. A RTP apurou que a PSP identificou sete pessoas;
- O líder do Chega, André Ventura, defendeu a atuação da polícia, afirmando que haveria presumíveis inflitrações extremistas na manifestação do Porto. Por sua vez, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, apelou aos manifestantes para que expressem a insatisfação com respeito pelas regras democráticas;
- Em entrevista à RTP Notícias, a presidente da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, exigiu o apuramento de responsabilidades pela carga policial no Porto. Voltou ainda a associar PCP e Bloco de Esquerda à crise na habitação e alertou para o risco de as manifestações se agravarem, como aconteceu em França ou na Albânia.
Montenegro preocupado após ameaças de um manifestante contra a sua casa
O primeiro-ministro nega ter usado a palavra egoismo para acusar os manifestantes do Porto que reclamam o direito a habitação. Luís Montenegro diz que estava a dirigir-se aos partidos, movimentos associativos e organizações. Garante que ficou ainda mais preocupado depois de ter visto intervenções nos protestos com manifestantes a ameaçar explicitamente a sua própria casa.
Em conferência de imprensa no final da cimeira do Conselho Europeu, em Bruxelas, Luís Montenegro releu as declarações que fez na quinta-feira de manhã para concluir que, "em momento algum, disse que havia egoísmo dos manifestantes".
"Eu dirigi-me a partidos políticos, a movimentos associativos e organizações no desenvolvimento da sua ação, dessas organizações. Para que fique muito claro, para que se não confunda a opinião pública", afirmou.
Esta quinta-feira de manhã, Luís Montenegro tinha dito que esperava que "os partidos políticos, movimentos associativos, organizações portuguesas, não caiam na tentação, por razões meramente egoísticas da sua própria ação, de importarem para Portugal climas de instabilidade, de contestação, que não tenham de facto respaldo na sociedade portuguesa".
"E a manifestação que está a falar é elucidativa sobre isso", tinha acrescentado na altura.
Hoje, perante os jornalistas, Montenegro disse ainda ter visto um filme, que considerou preocupante, "de uma das passagens das intervenções feitas nessas manifestações", onde "se faz um apelo direto à violência, à importação de conflitualidade (...) que tem ocorrido noutros países".
"Onde até se ameaça diretamente a casa de habitação do primeiro-ministro e da sua família", afirmou.
Pouco depois, o gabinete do primeiro-ministro divulgou à imprensa o vídeo a que se referia Luís Montenegro, no qual se vê uma pessoa a afirmar numa manifestação, perante dezenas de pessoas, que é "preciso descobrir o endereço da casa do primeiro-ministro e jogar um tijolo".
"Acabou essa porra de ser pacífico. É para queimar alguma coisa, sim", afirma esse manifestante.
Ventura e Carneiro em rota de colisão após protestos no Porto
O protesto contra a crise na habitação e a carga policial sobre os manifestantes, no Porto, divide opiniões entre as forças políticas. André Ventura defende a atuação das autoridades e José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, apelou à livre expressão da população, com respeito pelas regras democráticas.
Mariana Leitão diz que PCP e BE são responsáveis pela degradação do mercado de habitação
Depois de ter acusado o PCP e o BE de instigaram a escalada dos protestos pela habitação no Porto, Mariana Leitão afirma que os mesmos partidos são "responsáveis por vários anos de políticas que acabaram por contribuir para uma degradação do mercado de habitação".
A presidente da Iniciativa Liberal entende que a manifestação é legítima e pede conclusões rápidas da investigação sobre a atuação da polícia na manifestação, defendendo que a atuação das autoridades deve respeitar o princípio da proporcionalidade.
Mariana Leitão defende que “é preciso começar a falar de soluções” e apresenta algumas propostas, desde logo uma parceria entre Estado e privados de forma a haver arrendamento acessível.
Para além disso, a presidente da IL defende que “é preciso construir mais” habitações, afirmando que a oferta não é suficiente para a procura.
Mariana Leitão sugere ainda que sejam dados incentivos para a construção e implementados mecanismos “para restituir confiança no mercado de arrendamento”, dando o exemplo do descongelamento das rendas.
Questionada sobre as recentes declarações de Pedro Passos Coelho, que defende um acordo entre o PSD, o Chega e a IL, Mariana Leitão diz que o partido de André Ventura “não é um partido confiável” e entende que “a única solução política é a IL”.
Manifestações no Porto. Oposição critica resposta da polícia e do Governo
O Governo diz que não vai ceder aos gritos nas ruas e que o problema da habitação não se resolve com bandeiras da Palestina. Palavras do ministro dos Assuntos Parlamentares, num debate sobre o aumento do custo de vida, onde a esquerda condenou a resposta à manifestação no Porto.
O debate era sobre o agravamento do custo de vida, a pedido do PCP. Passou pela resposta à manifestação no Porto, do primeiro-ministro e da polícia.
Manifestação pelo direito à habitação. Carlos Moedas pede cumprimento da lei
Lisboa está este sábado na rota dos protestos pelo direito à habitação e contra o agravamento do custo de vida.
Foto: José Sena Goulão - Lusa
Autarca do Porto saúda inquérito da IGAI e apela a manifestantes para que cumpram regras
Pedro Duarte recusou explicar que tipo de material foi recolhido pelos funcionários municipais e remeteu explicações para a PSP.
O autarca defendeu ainda que o Porto deve preservar a sua tradição de tolerância e liberdade, evitando "escalar uma conflitualidade que é muito artificial".
Nova manifestação no sábado
Também um dos responsáveis pela manifestação nacional pelo direito à habitação, promovida pela plataforma Casa Para Viver, anunciou a convocação de uma nova manifestação que vai acontecer este sábado, às 10h30, na Praça de D. João I, no Porto.
Confrontos no Porto. Organização fala de infiltração de extrema-direita
A Inspeção Geral da Administração Interna abriu um processo à intervenção policial de quinta-feira no Porto. A RTP apurou, entretanto, que sete pessoas foram identificadas pela PSP já esta madrugada após novos confrontos e que houve suspeitas de infiltração de elementos da extrema-direita na manifestação.