Protestos pela habitação. Milhares de manifestantes continuam em frente à Assembleia da República

pulse-iconDireto

Protestos pela habitação. Milhares de manifestantes continuam em frente à Assembleia da República

No dia em que se debate o Orçamento do Estado, milhares de pessoas estão concentradas em frente à Assembleia de República em mais uma manifestação pela habitação.

RTP / Adicionar como fonte informativa

Foto: Andreia Custódio - RTP

Mais atualizações Voltar ao topo
Momento-Chave
RTP /

Manifestantes em frente do parlamento fazem apelo a greve geral

Vários dos manifestantes chamados a discursar na manifestação hoje organizada em frente ao parlamento, em Lisboa, apelaram aos milhares presentes para a realização de uma greve geral pelo direito à habitação e o aumento do custo de vida.

No discurso de muitos ativistas foi feito o apelo às confederações sindicais para a organização de uma greve geral, recolhendo o apoio entusiástico dos presentes, no protesto promovido pela plataforma Casa Para Viver e pelo movimento que organizou a Acampada de Lisboa, no Rossio.

"Greve geral para já", podia ler-se numa das centenas de cartazes junto ao palco quando André Pestana, do Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (STOP), apelou às centrais sindicais para uma paralisação global do país.

"A greve geral já está marcada na Bélgica, Espanha ou França e Portugal também tem de ir", disse o dirigente.

A CGTP admitiu esta semana convocar uma nova greve geral contra o aumento do custo de vida e em defesa dos salários, pensões, educação, proteção social e habitação, mas salientou que a decisão não deve ser tomada "de forma precipitada".
PUB
Momento-Chave
RTP /

Manifestantes erguem tendas em frente à Assembleia da República

Milhares de pessoas participam na manifestação pelo direito a habitação frente a Assembleia da República.

Têm estado a chegar mais e mais manifestantes perante um forte dispositivo policial que também já foi reforçado.
PUB
Momento-Chave
RTP /

Carta aberta de advogados contesta intervenções policiais e defende a desobediência dos agentes da PSP

Numa carta assinada por 430 profissionais, os advogados advogam a defesa do direito de manifestação e insurgem-se contra o que chamam de atuação ilegal da Polícia de Segurança Pública. Consideram que os agentes que recebam ordens para desmobilizar a manifestação têm fundamento para se opor às ordens dos seus superiores e apelam a que façam uso "do seu direito fundamental" à desobediência.

“Esta carta foi elaborada e assinada por um conjunto de advogados que, em face da atuação da Polícia de Segurança Pública (PSP) junto dos manifestantes pelo direito à habitação, entende ter o dever de se posicionar em defesa do Estado de Direito e do direito fundamental à manifestação, ameaçados pela conduta das forças de segurança”, pode ler-se na carta enviada às redações.

Os advogados consideram que “numa manifestação em que o protesto versa sobre a falta de habitação, tanto o uso da tenda como o ato de pernoitar dentro da mesma desempenham um papel simbólico indispensável para a eficácia da mensagem objeto do direito de manifestação, uma vez que se relacionam diretamente com este. É por isso evidente que uma manifestação que se designa de «Acampada» não constitui, apesar do uso de tendas, um acampamento, não estando sujeita a autorização de uma entidade pública – o Município”, uma vez que tal interpretação contraria a Constituição.

Os advogados expõem as razões legais para considerarem que não há fundamentos para restringir o direito à manifestação e que o decreto de 1974 citado pelas autoridades não pode contestar a Constituição. “Baseando-se a atuação policial numa interpretação inconstitucional de uma norma, as ordens de desmobilização dirigidas aos manifestantes não têm cobertura legal e ofendem o seu direito fundamental à manifestação, permitindo-lhes opor-se a essas mesmas ordens com base no direito fundamental de resistência, previsto no artigo 21.º da Constituição da República Portuguesa”, refere a carta aberta.

“Pelo mesmo motivo, um manifestante que, colocado perante uma ordem de abandono do local da manifestação, decida incumpri-la, não comete o crime de desobediência, previsto no artigo 348.º do Código Penal, uma vez que a ordem não é legítima”, refere a carta.

Os próprios agentes da PSP que recebam ordens para desmobilizar a manifestação têm igualmente fundamento para se opor às ordens dos seus superiores, ao abrigo do artigo 271.º, n.º 3, da Constituição da República Portuguesa, sem que lhes possa ser assacada qualquer consequência.

Analisam as razões para a intervenção da polícia e concluem que “nos casos que temos vindo a observar, nenhum destes requisitos [para uso de meios coercivos] se verificou: os manifestantes permaneciam pacificamente, sentados e em pé, no espaço público, e a ordem de base era ilegal, pelo que não houve serviço legítimo a executar. Assim, em todas as situações de uso de força presenciadas ao longo da última semana, a utilização de meios coercivos ocorreu perante manifestantes que permaneciam de pé, sentados ou deitados, sem qualquer atitude de confronto com os agentes policiais”.

E confrontam a atual postura com outros momentos semelhantes no passado em que não houve qualquer intervenção: em setembro de 2018, um protesto de estudantes na Praça dos Leões, no Porto; em outubro de 2020, um acampamento da JSD à porta do Ministério da Ciência Tecnologia e Ensino Superior; em abril de 2023, um acampamento de professores com tendas no Rossio e no Largo de Camões.

Na carta aberta, os advogados consideram “preocupante a atuação de agentes da PSP de cara tapada envolvidos nas agressões, dificultando a sua identificação e o apuramento das respectivas responsabilidades, bem como o «varrimento» de diversas artérias fora das zonas de manifestação, alargando a intervenção policial a espaços sem ligação imediata ao protesto. A dispersão indiscriminada de pessoas nessas ruas, incluindo de quem nelas apenas circulava, põe em causa também o direito à livre circulação e exige uma justificação concreta quanto à necessidade e proporcionalidade da intervenção. A manutenção da ordem pública não pode servir de pretexto para intimidar a população ou impedir, de forma arbitrária, a utilização do espaço público".

Os advogados expõem as razões legais que os levam a dizer que não há fundamento para restringir o direito à manifestação no caso dos protestos pelo direito à habitação. Dizem que, mesmo que existisse, “essa restrição sempre teria que respeitar o disposto no artigo 5.º do invocado Decreto-Lei, segundo o qual as autoridades apenas podem interromper manifestações se estas envolverem a prática de atos contrários à lei ou à moral que perturbem de forma grave e efetiva a ordem e a tranquilidade públicas”, o que não tem acontecido, dizem os signatários, argumentando que até mesmo a PSP tem admitido que as manifestações têm decorrido de “forma pacífica e ordeira, sem impedir a circulação de veículos ou pessoas, interferir com o comércio local, ou bloquear o acesso a praças e edifícios públicos ou privados”.

Em conclusão, os advogados signatários desta carta vêm pedir a “todos os responsáveis políticos e todos os agentes da autoridade a respeitar escrupulosamente os direitos fundamentais à manifestação e resistência, fazendo cessar todas as intervenções policiais que os coloquem em causa”, “apelam a todos os agentes de autoridade que, perante ordens ilegítimas e que incentivem ao uso desproporcional da força, façam uso do seu direito fundamental de desobediência”, solicitam a “todos os magistrados que assegurem a defesa dos direitos e interesses legalmente protegidos dos cidadãos, reprimindo a violação da legalidade democrática” e “incentivam todos os cidadãos a adotar uma posição intransigente na defesa dos direitos fundamentais e da Constituição da República Portuguesa, mobilizando-se pacificamente e sem receios na defesa do direito à habitação”.

PUB
Momento-Chave
RTP /

Protesto continua a decorrer pacificamente junto à Assembleia da República

Milhares de manifestantes continuam junto ao Parlamento após o primeiro dia de discussão do OE2027. Até ao momento, os protestos decorrem sem violência.
PUB
Momento-Chave
RTP /

Debate no Parlamento encerrado por hoje

À saída do plenário, o primeiro-ministro não quis responder aos jornalistas e afirmou que já disse no Parlamento, durante o debate do OE2027, tudo o que tinha a dizer aos manifestantes que protestam pelo direito à habitação. Também o ministro das Finanças não quis falar aos jornalistas.
PUB
Momento-Chave
RTP /

"Demissão", o grito de ordem dos manifestantes

Os milhares de manifestantes gritam "demissão", numa altura em que ainda decorre o início da discussão do Orçamento do Estado para 2027 no Parlamento.

"O povo unido jamais será vencido", entoam ainda no protesto. 
PUB
Momento-Chave
RTP /

Polícia posiciona-se na escadaria da Assembleia da República

A cada movimento da polícia, os manifestantes mostram-se muito ruidosos. São milhares os manifestantes que acorreram à rua de São Bento, à frente do Parlamento.
PUB
RTP /

Marisa Liz atua em frente ao Parlamento

A cantora Marisa Liz juntou-se ao movimento e está nesta altura a atuar em frente ao Parlamento, onde se concentram milhares de manifestantes.
PUB
RTP /

Trânsito cortado na rua de São Bento

O trânsito já está cortado na rua de São Bento, à medida que cada vez mais pessoas se juntam ao protesto no exterior do Parlamento.
PUB
RTP /

Manifestantes cantam "Grândola, vila morena"

No exterior da Assembleia da República, os manifestantes cantam "Grândola, vila morena". São já centenas de pessoas que se juntam para a ação de protesto com início às 18h30.
PUB
Momento-Chave
RTP /

Lojas junto à Assembleia receberam ordem para encerrar às 18h00

Está marcada para as 18h30 desta terça-feira uma ação de protesto diante da Assembleia da República.

Por este motivo, a polícia municipal ordenou o encerramento até às 18h00 das lojas junto ao Parlamento.

Numa altura em que se debate a proposta do Orçamento do Estado dentro do Parlamento, no exterior está mobilizado um forte dispositivo policial.

O protesto foi convocado pelo movimento “Casa para viver”, ao qual se juntou a “acampada” de Lisboa.
PUB