Quartel dos bombeiros de Pedrógão Grande com prejuízos de cerca de 720 mil euros
O quartel dos Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande, inoperacional desde a depressão Kristin, tem prejuízos de cerca de 720 mil euros, disse hoje o presidente da associação humanitária, que apela à ajuda monetária para a recuperação.
"Os danos são estruturais, paredes, telhado. Os bombeiros estão a dormir dentro de tendas cedidas pelo INEM [Instituto Nacional de Emergência Médica] dentro do quartel, que se encontra inoperacional", afirmou Luís David.
Segundo este dirigente, "só existe uma sala onde não chove e é onde está o comando local da Proteção Civil", alertando para que "dentro de quatro, cinco meses, começa a época dos incêndios".
Num texto enviado à agência Lusa e publicado nas redes sociais, a associação refere que a depressão Kristin "não foi apenas mais um episódio de mau tempo", mas "uma ferida aberta no coração de uma instituição que sempre se manteve de pé quando tudo à volta desabava".
"O quartel ficou gravemente destruído, espaços essenciais tornaram-se inutilizáveis e as condições de trabalho --- já duras --- tornaram-se indignas de quem dá tudo sem nunca pedir nada em troca", adianta.
A associação escreve que a recuperação do espaço é superior a meio milhão de euros, reconhecendo ser um valor elevado, para sublinhar, contudo, que o que "está verdadeiramente em causa não se mede em números".
"Mede-se em vidas humanas, em segundos ganhos, em futuros que não se perderam", assinala, recordando que "quando o fogo ameaça, quando a estrada se transforma em armadilha, quando o coração falha ou a água invade casas e memórias, ninguém pergunta quanto custa" e chama pelos bombeiros.
Agora, é a vez de os bombeiros pedirem ajuda, com a associação humanitária a sublinhar que "cada donativo, por mais pequeno que pareça, é um tijolo de esperança".
"Ajudar a recuperar o quartel é garantir que, no próximo dia difícil --- porque ele virá --- os nossos bombeiros estarão prontos, protegidos e operacionais", adianta.
Lembrando que "Pedrógão Grande sabe o que é perder", numa alusão aos incêndios de 2017, "mas sabe, acima de tudo, o que é resistir, reconstruir e honrar quem permanece na linha da frente", a associação acrescenta que ajudar a corporação não é caridade, mas gratidão, justiça e humanidade.
Os incêndios que deflagram em junho de 2017 em Pedrógão Grande e que alastraram a concelhos vizinhos provocaram a morte de 66 pessoas, além de ferimentos a 253 populares, sete dos quais graves.
Os fogos destruíram cerca de meio milhar de casas e 50 empresas.