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Quase todas as habitações do concelho com danos

Quase todas as habitações do concelho com danos

A quase totalidade das casas de primeira habitação no concelho de Alvaiázere, no distrito de Leiria, sofreu danos devido à depressão Kristin, afirmou hoje à agência Lusa o presidente município.

Lusa /

"O nosso parque habitacional, em termos de casas de primeira habitação, são cerca de 3.500. De uma forma ou de outra, eu diria que 3.499 tiveram algum tipo de dano. Eu ainda não vi nenhuma que não tivesse sofrido um dano mais ligeiro ou mais grave", afirmou João Paulo Guerreiro.

O autarca admitiu que possa existir "alguma habitação que não tenha sofrido danos", mas confessou não ter ainda encontrado.

Segundo João Paulo Guerreiro, o levantamento da destruição está a ser feito via terrestre com uma equipa dos bombeiros, enquanto outra da Guarda Nacional Republicana fez "o varrimento aéreo do concelho através de drones".

"Em princípio, [talvez] a partir da amanhã [domingo], se consiga ter estes dois instrumentos muito importantes de avaliação", declarou.

Num ponto de situação sobre o estado do concelho 11 dias após ter sido gravemente afetado pelo mau tempo, o autarca salientou, além do "muito prejuízo material", o emocional, assumindo que a autarquia ainda não conseguiu dar resposta a todas as situações, mas, nesta fase, já acudiu aos munícipes em situação de maior vulnerabilidade.

"Tivemos uma devastação de mais de 95% das nossas infraestruturas, sejam habitações, sejam empresas, sejam edifícios públicos", assinalou.

Elencando o trabalho já desenvolvido no âmbito da proteção das casas danificadas, com destaque para as pessoas em situação de fragilidade, o autarca adiantou que continua o trabalho de distribuição de alimentos para as que "sofreram mais devastação".

Quanto à energia elétrica, falta a reposição numa das cinco freguesias, esclareceu, esperando que tal ocorra a curto prazo através de geradores.

"Esperamos, ansiosamente, que, rapidamente, sejam disponibilizados os geradores que faltam. São cerca de 20 para conseguirmos dar resposta a quase toda a população", explicou.

Também segundo o presidente do Município de Alvaiázere, a E-Redes, apesar dos apelos, "não colocou ainda equipas da baixa tensão a fazerem o trabalho de ligação das habitações à rede de energia que já está com carga" e, no âmbito das comunicações, "houve uma ligeira melhoria", mas subsistem "muitos problemas".

Onze dias volvidos após a depressão, o concelho já devia estar melhor, considerou o autarca, para sublinhar que, pelo menos, se consegue falar com os operadores de telecomunicações.

"A boa notícia é que conseguimos que a rede de abastecimento de água não colapsasse e, neste momento, está totalmente restabelecida e a funcionar normalmente", adiantou o presidente da câmara.

Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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