Recuperação do tempo professores. "Se se puder ir mais longe tanto melhor"

por RTP

Foto: João Marques - RTP

Em entrevista no 360 da RTP3, o ministro da Educação assegura que nada mudou na sua forma de pensar a questão da recuperação do tempo de serviço dos professores.

O ministro da Educação esteve na RTP3 para responder pelos resultados do último relatório Pisa, mas também falou sobre a recuperação do tempo de serviço que os professores exigem. 

O ministro da Educação, que já se declarou apoiante da candidatura de Pedro Nuno Santos à liderança do PS, assinalou que foi feito já um descongelamento de carreiras e uma vinculação de docentes durante esta legislatura.

“Lendo a moção estratégica de Pedro Nuno Santos, aquilo que eu disse é que se houver condições e se se puder ir mais longe tanto melhor”, vincou, rejeitando a ideia que foi noticiada de que estaria disposto a uma cedência face às reivindicações dos professores para a total restituição do tempo de serviço que perderam durante a troika.

No que respeita às greves, sobre uma eventual influência nestes resultados, o ministro da Educação desvaloriza essas paralisações em termos de impacto na sala de aula. Tirando as regionais ou nacionais, as greves que foram acontecendo ao longo do ano "tiveram uma adesão de 1%", sustentou.

Sobre os resultados do relatório Pisa, que esta terça-feira revelou uma queda nos resultados dos alunos portugueses no ano passado, em particular a Matemática e a Leitura, defendeu que "muitos chamam de Pisa da pandemia, Portugal acompanha uma queda generalizada de todos os países". Nesse sentido, esse resultado "faz com que continuemos em convergência com a OCDE".

Questionado sobre a queda nos resultados de Matemática, que baixaram, João Costa refere que se mantêm na média da OCDE, admitindo contudo que não é de ficar contente sendo esses resultados piores. O ministro da Educação sublinha contudo a questão da pandemia, que terá tido forte influência na evolução descendente das médias.

"O sucesso na educação passa pelas desigualdades socio-económicas, e passa também por ter políticas de intervenção, primeiro de carácter geral, depois por maior autonomia nas escolas para chegar a realidades específicas, e precisamos agora de medidas aluno a aluno", avançou João Costa, que admite "preocupação com os resultados de Portugal a cair".

"Interessa-me agora olhar para os resultados de Portugal e olhar para as tendências. A pandemia é o que temos em comum com estes países, a pandemia não explica tudo, mas explica uma queda sem precedentes em todos os países da OCDE", admite o responsável máximo da Educação.

"Ninguém tem chaves mágicas na educação", sublinhou, dizendo esperar que os académicos e responsáveis do sector olhem para o estudo e ajudem este ou outro governo a melhorar as suas políticas educativas: "O Pisa faz recomendações (...) pôr os melhores professores nas escolas com mais dificuldades", exemplificou João Costa.
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