Sócrates na chegada ao DCIAP: "Nunca recebi dinheiro de ninguém"

À chegada ao DCIAP para ser novamente interrogado, o antigo primeiro-ministro, arguido na Operação Marquês, denunciou um processo em que "qualquer diligência é transformada num espetáculo". Sobre as notícias recentes que o ligam a Ricardo Salgado e ao BES, José Sócrates foi perentório: "Nunca recebi dinheiro de ninguém".

RTP /
Nuno Fox - Lusa

À entrada para o interrogatório desta segunda-feira no DCIAP, José Sócrates prometeu responder “a todas as perguntas” do Ministério Público. Mas segundo o ex-primeiro-ministro é o acusador quem lhe deve explicações sobre uma campanha “maldosa e difamatória” nos jornais, num inquérito onde todas as diligências são transformadas “num espetáculo”.

“Só utiliza estes métodos quem está inseguro e quem não está confiante. Porque quem está seguro ou confiante, ou acusa ou cala-se. Estes métodos ferem a credibilidade de quem quer atuar com decência”, sublinhou o antigo governante.
"Reescrever a história"
Numa declaração aos jornalistas, José Sócrates falou de uma “campanha recente de suspeitas” com insinuações “delirantes”.

“Pretendem apresentar-me como se eu fosse próximo do doutor Ricardo Salgado, como se tivesse alguma coisa a ver com os seus interesses, com o interesse do BES ou com a administração da PT”, referiu o ex-primeiro-ministro.

Sócrates sublinha que a única intervenção levada a cabo pelo seu executivo foi impedir a venda da Vivo, a fim de “evitar que fossem distribuídos dividendos aos seus acionistas”. Uma intervenção "contra os interesses do doutor Ricardo Salgado, do BES, da administração da PT”, acrescenta.

Segundo o ex-primeiro-ministro, há uma reinterpretação dos factos. "Querem agora reescrever a história. Nunca recebi dinheiro de ninguém, isso é completamente falso, é absurdo".

O novo interrogatório, no âmbito da Operação Marquês, acontece a apenas quatro dias do fim do prazo para dedução de acusação pelo Ministério Público.
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