Tâmega e Sousa receia desvio de doentes para Porto para tirar valências a Penafiel
Penafiel, 15 abr (Lusa) - Os autarcas do Tâmega e Sousa temem que a tutela da saúde, "na secretaria", desvie utentes para os hospitais do Porto para justificar a retirada de valências ao centro hospitalar da região.
Em declarações à Lusa, o presidente da comunidade intermunicipal, Gonçalo Rocha, explicou hoje que aquela eventual situação, que o "Tâmega e Sousa não pode aceitar", ajudaria a manter alguns serviços de saúde no Grande Porto, que, observou, têm vindo a perder doentes.
"Esta região não pode servir para colmatar essas situações no Grande Porto. É um receio evidente porque, se a portaria, num dos seus artigos, define que serão depois as administrações regionais de saúde que irão organizar o território e a distribuição dos utentes pelos vários centros hospitalares, corre-se efetivamente esse risco", frisou o autarca de Castelo de Paiva.
O representante da CIM e o presidente da Câmara de Penafiel, Antonino Sousa, reuniram-se hoje, naquela cidade, com a administração do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS). No encontro, foi reafirmado que os hospitais daquele centro hospitalar (Penafiel e Amarante) servem cerca de 553.000 habitantes. Por isso, alertou Gonçalo Rocha, não se compreende a razão pela qual o centro hospitalar foi considerado de nível 1 (hospitais até 500.000 utentes) na recente portaria do Ministério da Saúde que reclassifica os hospitais.
"Se a portaria nos coloca com menos de meio milhão de pessoas a ser servidas neste centro hospitalar, quando todos sabemos que temos cerca de 550.000, algo está aqui mal explicado", declarou.
Gonçalo Rocha recordou que a portaria atribui às administrações regionais de saúde a possibilidade de organizarem a distribuição dos doentes.
"Quando existe essa premissa, nós temos que estar atentos a isso, sobretudo percebendo também o número de utentes que são servidos pelos hospitais o Grande Porto, que têm sofrido reduções constantes, enquanto que aqui, no CHTS, registamos o aumento do número de consultas e de tratamentos", reafirmou.
O autarca insistiu que o Tâmega e Sousa não pode perder "na secretaria um conjunto de valências e especialidades que são fundamentais para vida das pessoas", incluindo a maternidade, que é a segunda maior do norte, com mais de 2.350 partos em 2013.
"Perder a maternidade seria impensável para esta região. Se é a segunda maior da região norte e a quarta maior do país, como é possível perdermos esse serviço aqui, quem é que nos explica isso", exclamou.
À Lusa, o autarca vincou que "a população não perdoaria se os autarcas não tivessem uma postura de reivindicação e de contestação veemente relativamente àquilo que vem inscrito nesta portaria".
Questionado pela Lusa sobre se os autarcas admitem mobilizar a população para contestar a retirada de valências ao CHTS, o presidente da CIM frisou que, neste momento, deve-se "trabalhar o assunto ao nível das instituições".
"Vamos levar o assunto patamar a patamar até ver os nossos argumentos acolhidos. Eu acredito que, em função dos números que vamos apresentar, que os nossos argumentos vão prevalecer, porque os números dão-nos razão", acrescentou.
A CIM do Tâmega e Sousa pediu uma reunião de urgência com a Administração Regional de Saúde do Norte.
Se a reclassificação do hospital se mantiver, o CHTS poderá perder várias valências, como cirurgia cardiovascular, urologia e obstetrícia, entre outras.
"De forma alguma abdicaremos de ter na nossa região este centro hospitalar a funcionar como até agora, com a qualidade e excelência dos serviços", concluiu o autarca.