País
Transbordo e "transtorno". Cais do Sodré sem Metro de Lisboa até 26 de agosto
Muitos passageiros têm de alterar rotinas até ao final do mês por causa do fecho temporário da estação do metro no Cais do Sodré, em Lisboa, uma das principais interfaces de transporte da cidade. É mais um passo nas obras da contestada linha circular.
Na correria da manhã, há uma enchente maior que o habitual a sair dos torniquetes da Linha de Cascais, no Cais do Sodré. Muitos passageiros, em vez de descerem logo pelas escadas para o metro, mantêm-se à superfície e seguem para a paragem de autocarros e elétricos, juntamente com a enchente que vem dos barcos da margem sul do Tejo.
As filas crescem e diminuem ao longo da hora de ponta, à medida que aparecem várias carreiras. Gisela Relvas não costuma estar nesta fila. “Vai transtornar o mês de agosto praticamente todo”, desabafa, procurando esta manhã alternativas. O novo percurso trará “20 a 30 minutos a mais” na chegada ao trabalho. Reportagem RTP Antena 1 | Placards afixados junto às entradas do metro sugerem alternativas
Enquanto Gisela sabia do fecho do metro, Junho Ramos não tinha em mente e chegará atrasado ao trabalho esta segunda-feira. “Vou ter de pesquisar linhas de autocarro, ainda não sei”, confessa. Há também quem tenha decidido ir a pé para a estação da Baixa-Chiado, por estes dias uma das estações terminais da linha verde.
Embora alguns autocarros estejam cheios, os transportes à superfície têm conseguido absorver as filas que se formam. A Carris tinha revelado à RTP Antena 1 que não ia reforçar horários no Cais do Sodré, considerando que a oferta é suficiente. "A oferta da CARRIS, constituindo-se como alternativa ao troço temporariamente interrompido do metro, dispõe de capacidade para acomodar os passageiros que, durante estas semanas de agosto, se dirigem para a zona da Estação do Cais do Sodré", afirmava a empresa municipal, admitindo "ajustamentos" se considerasse necessário.
Linha em laço posta de parte
O fecho temporário da estação do Cais do Sodré do Metro de Lisboa começou no último sábado e é mais um passo das obras da futura linha circula, desta vez para trabalhos de sinalização ferroviária.
Está previsto que a linha circular entre em funcionamento no primeiro trimestre de 2027. As obras que têm vindo a ser feitas, incluindo a construção das novas estações de Estrela e de Santos, levarão a que todas as estações entre o Campo Grande e o Rato integrem a futura linha circular verde, deixando de fazer parte da linha amarela - Telheiras também passa a integrar a linha amarela. Este modelo nunca reuniu consenso desde que foi anunciado pelo governo de António Costa: as câmaras de Lisboa e de Odivelas, e as juntas de freguesia de Santa Clara e do Lumiar, têm estado contra.
Este mês o Ministério das Infraestruturas e da Habitação descartou a hipótese de ter uma linha em laço, que tinha sido deixado em aberto pelo governo anterior, mesmo com a pressão das autarquias. "A operação no cenário circular será a adotada, como já anunciado, uma vez que, com esta opção, 90% dos utilizadores irão diminuir ou manter o número de transbordos e, na grande maioria dos casos, o tempo de viagem irá reduzir-se", dizia o gabinete de Miguel Pinto Luz ao jornal Público, no dia 1 de agosto. Sobre a outra opção: "quanto ao cenário em laço, embora se tenha revelado tecnicamente viável, supera o investimento executado, pressupondo a operação circular", referia, num custo que estima em cerca de dez milhões de euros.
Num comunicado enviado à RTP Antena 1 nesse dia, o presidente da Câmara de Odivelas, Hugo Martins, considerou a decisão "inaceitável", sublinhando que os dez milhões de euros é uma "parcela irrisória" e que havia um compromisso de manter a ligação de Odivelas ao centro de Lisboa pelo menos nas horas de ponta. Criticou também ter conhecido a decisão através da comunicação social.
Embora em Lisboa a linha circular possibilite intervalos de três minutos e 50 segundos entre comboios, são esperados aumentos no tempo de viagem para as populações servidas pela linha amarela, a norte de Lisboa (estações de Odivelas, Senhor Roubado, Ameixoeira, Lumiar e Quinta das Conchas). Isto além do transbordo que terá de ser feito no Campo Grande para entrar no centro da capital ou de um segundo transbordo para quem vá da linha amarela para as linhas azul e vermelha (que deixarão de ter uma estação em comum - Saldanha, linhas amarela e vermelha - e Marquês de Pombal, linhas amarela e azul).
As filas crescem e diminuem ao longo da hora de ponta, à medida que aparecem várias carreiras. Gisela Relvas não costuma estar nesta fila. “Vai transtornar o mês de agosto praticamente todo”, desabafa, procurando esta manhã alternativas. O novo percurso trará “20 a 30 minutos a mais” na chegada ao trabalho. Reportagem RTP Antena 1 | Placards afixados junto às entradas do metro sugerem alternativas
Enquanto Gisela sabia do fecho do metro, Junho Ramos não tinha em mente e chegará atrasado ao trabalho esta segunda-feira. “Vou ter de pesquisar linhas de autocarro, ainda não sei”, confessa. Há também quem tenha decidido ir a pé para a estação da Baixa-Chiado, por estes dias uma das estações terminais da linha verde.
Embora alguns autocarros estejam cheios, os transportes à superfície têm conseguido absorver as filas que se formam. A Carris tinha revelado à RTP Antena 1 que não ia reforçar horários no Cais do Sodré, considerando que a oferta é suficiente. "A oferta da CARRIS, constituindo-se como alternativa ao troço temporariamente interrompido do metro, dispõe de capacidade para acomodar os passageiros que, durante estas semanas de agosto, se dirigem para a zona da Estação do Cais do Sodré", afirmava a empresa municipal, admitindo "ajustamentos" se considerasse necessário.
Linha em laço posta de parte
O fecho temporário da estação do Cais do Sodré do Metro de Lisboa começou no último sábado e é mais um passo das obras da futura linha circula, desta vez para trabalhos de sinalização ferroviária.
Está previsto que a linha circular entre em funcionamento no primeiro trimestre de 2027. As obras que têm vindo a ser feitas, incluindo a construção das novas estações de Estrela e de Santos, levarão a que todas as estações entre o Campo Grande e o Rato integrem a futura linha circular verde, deixando de fazer parte da linha amarela - Telheiras também passa a integrar a linha amarela. Este modelo nunca reuniu consenso desde que foi anunciado pelo governo de António Costa: as câmaras de Lisboa e de Odivelas, e as juntas de freguesia de Santa Clara e do Lumiar, têm estado contra.
Este mês o Ministério das Infraestruturas e da Habitação descartou a hipótese de ter uma linha em laço, que tinha sido deixado em aberto pelo governo anterior, mesmo com a pressão das autarquias. "A operação no cenário circular será a adotada, como já anunciado, uma vez que, com esta opção, 90% dos utilizadores irão diminuir ou manter o número de transbordos e, na grande maioria dos casos, o tempo de viagem irá reduzir-se", dizia o gabinete de Miguel Pinto Luz ao jornal Público, no dia 1 de agosto. Sobre a outra opção: "quanto ao cenário em laço, embora se tenha revelado tecnicamente viável, supera o investimento executado, pressupondo a operação circular", referia, num custo que estima em cerca de dez milhões de euros.
Num comunicado enviado à RTP Antena 1 nesse dia, o presidente da Câmara de Odivelas, Hugo Martins, considerou a decisão "inaceitável", sublinhando que os dez milhões de euros é uma "parcela irrisória" e que havia um compromisso de manter a ligação de Odivelas ao centro de Lisboa pelo menos nas horas de ponta. Criticou também ter conhecido a decisão através da comunicação social.
Embora em Lisboa a linha circular possibilite intervalos de três minutos e 50 segundos entre comboios, são esperados aumentos no tempo de viagem para as populações servidas pela linha amarela, a norte de Lisboa (estações de Odivelas, Senhor Roubado, Ameixoeira, Lumiar e Quinta das Conchas). Isto além do transbordo que terá de ser feito no Campo Grande para entrar no centro da capital ou de um segundo transbordo para quem vá da linha amarela para as linhas azul e vermelha (que deixarão de ter uma estação em comum - Saldanha, linhas amarela e vermelha - e Marquês de Pombal, linhas amarela e azul).