Trânsito restabelecido na A25 ao fim de dez horas

A circulação na Auto-estrada 25, palco de duas colisões em cadeia que causaram seis mortos e mais de sete dezenas de feridos, foi reposta pelas autoridades na madrugada desta terça-feira. Os acidentes terão sido potenciados pela chuva e pelo nevoeiro que se faziam sentir no local. As causas, indicou o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, estão agora a ser investigadas “pelos competentes órgãos de polícia criminal”.

RTP /
Doze dos mais de 50 veículos envolvidos no desastre, incluindo dois camiões, ficaram calcinados pelas chamas Paulo Novais, Lusa

As autoridades precisaram de dez horas para desimpedir as faixas de rodagem da A25 perto do nó de Talhadas, em Sever do Vouga. Duas colisões em cadeia, ocorridas pouco depois das 16h00 de segunda-feira, envolveram mais de 50 viaturas. Uma dúzia de veículos, incluindo dois camiões, ficou calcinada pelas chamas. O primeiro choque deu-se no sentido Aveiro-Viseu. Com um intervalo de poucos minutos e a uma distância de algumas centenas de metros, ocorria uma segunda colisão no sentido contrário. Situação dos feridos

Hospital de Santa Maria: uma fonte da unidade hospitalar de Lisboa, citada pela agência Lusa, adianta que uma mulher de cerca de 30 anos ferida numa das colisões em cadeia na A25 "tem 25 por cento do corpo queimado" e "está ventilada".

Hospital Pediátrico de Coimbra: três crianças permaneciam, esta manhã, internadas na unidade pediátrica; uma delas mantinha-se no Serviço de Cuidados Intensivos, apesar de estar livre de perigo.

Hospitais da Universidade de Coimbra: na manhã de terça-feira, sete dos 13 feridos nos acidentes da A25 transportados para Coimbra tinham recebido alta; dois dos doentes internados, indicava às 9h30 a directora do Serviço de Urgência, Isabel Fonseca, permaneciam na Unidade de Cuidados Intensivos com quadros de "risco, embora estáveis".

Hospital de São Teotónio: segundo fonte hospitalar de Viseu, 25 dos 27 feridos transportados para aquela unidade já tiveram alta.

Hospital Distrital de Águeda: quatro dos cinco feridos levados para a unidade de Águeda tiveram alta; uma das vítimas foi transferida para o Hospital de São João, no Porto, por se tratar da unidade da respectiva área de residência.

Hospital Infante D. Pedro: ouvido pela Lusa, o diretor do Serviço de Urgência do Hospital de Aveiro, Carlos Mesquita, adiantou que, dos 23 feridos que ali deram entrada, somente uma mulher continua internada e a aguardar transferência para a unidade da sua área de residência.

O trânsito foi restabelecido nos dois sentidos, sem quaisquer condicionamentos, cerca das 2h00 desta terça-feira, segundo uma fonte do Comando Geral da GNR, citada pela agência Lusa. 

Os primeiros elementos das equipas de socorro a chegarem ao local descreveram um cenário de terror. Em pânico, algumas das vítimas deixaram os automóveis acidentados com as roupas em chamas. A amálgama de carros comprimidos pela violência dos sucessivos embates dificultou o trabalho dos bombeiros e dos profissionais do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

"Condições atmosféricas adversas"

Ao início da noite de segunda-feira, o major Nelson Couto, responsável pelo Comando Territorial da GNR de Aveiro, avançava com uma primeira explicação para os choques em cadeia: "Condições atmosféricas adversas".

A combinação de chuva, nevoeiro e uma reduzida visibilidade foi igualmente apontada como causa provável dos acidentes pelo ministro das Obras Públicas, António Mendonça, que se deslocou ao teatro de operações com o titular da pasta da Administração Interna, Rui Pereira.

"Para o local foram accionados diversos meios, duas viaturas de intervenção em catástrofe, que permitem a montagem de dois postos de emergência médica, a triagem e a evacuação das vítimas para os hospitais e cinco viaturas médicas de emergência e reanimação", adiantava ontem, a meio dos trabalhos de resgate, a directora de comunicação do INEM. Ouvida pela Antena 1, Raquel Leal explicava que as operações estavam a ser dificultadas pelos obstáculos do clima à utilização de helicópteros.

As colisões fizeram seis vítimas mortais, incluindo duas crianças, e 72 feridos, 48 dos quais em estado grave. As próximas horas vão ser decisivas para os acidentados. Aqueles que inspiravam mais cuidados foram transportados para o Hospital de Aveiro e para os Hospitais da Universidade de Coimbra.

"Terrível acidente de viação"

Ainda no local, o ministro da Administração Interna evitou adiantar possíveis causas para as colisões, referindo-se aos acontecimentos da tarde como um "terrível acidente de viação". Rui Pereira confiou as investigações aos "competentes órgãos de polícia criminal": "Será feito o correspondente inquérito e os órgãos de polícia e as autoridades judiciárias determinarão, a seu tempo, através de uma análise serena, quais foram as causas do acidente".

"Decidi vir aqui para saber se, em termos de sistema de protecção e socorro, tudo está a funcionar pelo melhor. Tenho estado em contacto permanente, também, com a senhora ministra da Saúde e com o senhor ministro das Obras Públicas. Através da senhora ministra da Saúde, sei que a resposta do sistema de saúde tem sido pronta. Existem, como é sabido, vários sinistrados que estão internados em vários hospitais diferentes, em Coimbra, em Viseu e em Aveiro, inclusivamente uma pessoa em Santa Maria", afirmava esta noite Rui Pereira, em declarações aos jornalistas.

Depois de considerar que os meios de socorro e o dispositivo da GNR "funcionaram bem, dando o seu melhor para minimizar as consequências devastadoras do acidente", o governante apresentou "sentidas condolências" às famílias das vítimas mortais e desejou "um rápido e completo restabelecimento dos feridos".

 

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