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Universidades para 3ª idade são anti-depressivos para idosos algarvios

Aprender a enviar um e-mail aos 86 anos ou descobrir a vocação de actriz aos 79 pode parecer missão impossível, mas os alunos das universidades da terceira idade teimam em lutar contra a inactividade e preferem aprender até morrer.

Agência LUSA /

Só no Algarve, há oito universidades para a terceira idade, um sexto das 48 existentes a nível nacional, o que faz da região uma das que, proporcionalmente, tem maior número destes estabelecimentos de ensino, disse à Lusa o presidente da Universidade para a Terceira Idade de Faro, Juliate Canau.

De acordo com aqueles dados, enquanto no todo nacional (10 milhões de pessoas) há uma escola para cada 208 mil alunos, no Algarve (com um total de 400 mil habitantes) há uma para cada 50 mil alunos.

Esperança Matos, 79 anos, ex-funcionária da Portugal Telecom é uma das estudantes.

Reformada há 11 anos, descobriu na Universidade Sénior de Loulé uma nova vocação que lhe dá mais força e alegria para continuar a viver: o teatro e a adrenalina de subir aos palcos.

"Em primeiro lugar, vim para não esquecer o inglês que aprendi na Berlitz School e em segundo lugar pela camaradagem e pelo ambiente", diz Esperança Matos à Agência Lusa.

Depois, a motivação aumentou e Esperança descobriu na disciplina de Teatro a vocação de actriz.

Agora gosta de sentir o nervoso miudinho de ser personagem principal em muitas das peças ali encenadas.

Um outro aluno conhecido em toda a Universidade Sénior de Loulé é José Costa, por ser o discípulo com mais idade daquela academia.

Tem 86 anos e inscreveu-se em Arqueologia, Informática, História do Algarve e História do Património Cultural.

"Vim por curiosidade e para fugir à inactividade.

Hoje já consigo enviar mensagens por e-mail ao meu filho em França", conta a aluno, antigo comerciante, jurando que só deixará de frequentar as aulas quando deixar de ter forças para subir as escadas da escola.

Uma das principais razões para o crescimento do número de estudantes seniores nos bancos de escola é o aumento da esperança média de vida, que ronda os 80 anos, explica a psicóloga Margarida Lima, especialista em gerontologia (estudo do idoso).

Uma outra razão fundamental para explicar a grande adesão ao ensino sénior prende-se com o facto de as pessoas manterem até mais tarde as aptidões saudáveis, acrescenta a professora da Universidade de Coimbra.

Se aos vinte anos se é interessado e curioso, aos 80 o mesmo adulto manterá essas características e continuará motivado para aprender, garante a psicóloga, salientando que é um erro pensar que os mais velhos não têm tanta capacidade de aprendizagem.

Ajudar a prevenir as depressões é uma das grandes vantagens das academias seniores, frisou Margarida Lima.

"Quanto mais activo se mantiver o nosso cérebro, menos declinamos em matéria de patologias e de memória", concretizou a docente, reforçando a ideia de que andar na escola pode ser um óptimo anti-depressivo natural.

Na região algarvia existem oito destas escolas, algumas delas frequentadas por alunos de outras zonas do País e até do estrangeiro, que passam temporadas no Algarve, constata o presidente da Universidade Sénior de Loulé, Castro e Brito.

Para frequentar as aulas nas universidades seniores, a população estudantil paga uma propina anual que pode variar entre os 50 e os 60 euros.

Depois de pagar a propina, o estudante pode frequentar as mais diversas disciplinas, leccionadas por professores voluntários, reformados ou que trabalham noutras escolas.

As "cadeiras" mais concorridas nas universidades seniores do Algarve são as de Informática, Teatro, História do Algarve e do Património Cultural, Saúde Pública, Relações Internacionais, Pintura e Psicologia.

Mas as opções estendem-se à aprendizagem do Inglês, Alemão, Francês, Literatura Portuguesa, Danças de Salão, Educação Física, Artes Decorativas, Rendas e Bordados, Tapeçaria, Filosofia ou Noções Gerais de Direito e Iniciação Musical, entre outras.

O objectivo dos alunos não é passar nos exames nem obter diplomas, explica a psicóloga Margarida Lima, argumentando que a filosofia do ensino como preparação para uma profissão "é uma ideia ultrapassada".

"A filosofia da educação contemporânea é ser permanente, nomeadamente para desenvolver a cidadania voluntária e activa ou a educação democrática", considera a especialista.

E conclui: "nenhuma idade é má para aprender".

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