País
Vídeo de autocarro com porta partida em Sintra. Regulador quer explicações urgentes da Carris Metropolitana
Um vídeo de uma entrada desordeira de passageiros num autocarro na Portela de Sintra chamou a atenção da AMT, que pede esclarecimentos. A polícia passou a estar no local para gerir filas.
Foi uma gravação que se tornou viral nas redes sociais, com miilhares de visualizações. Duas fontes conhecedoras das operações dão contexto: foi no dia 15 de abril, por volta das 6h50 na carreira 1623, que liga o terminal sul da Portela de Sintra a Cascais.
Com o motorista a gravar o início da viagem que ia realizar, assim que é aberta a porta, vários passageiros tentam entrar ao mesmo tempo.
Uma mulher fica com a mala presa, mas isso não trava as entradas: empurram-na e passam por ela como se fosse uma porta giratória.
Já com o autocarro sobrelotado, ainda com pessoas à entrada, o motorista tenta por mais do que uma vez fechar portas, mas a da frente acabaria por partir. Vídeo editado, retirado a partir das redes sociais
Com o motorista a gravar o início da viagem que ia realizar, assim que é aberta a porta, vários passageiros tentam entrar ao mesmo tempo.
Uma mulher fica com a mala presa, mas isso não trava as entradas: empurram-na e passam por ela como se fosse uma porta giratória.
Já com o autocarro sobrelotado, ainda com pessoas à entrada, o motorista tenta por mais do que uma vez fechar portas, mas a da frente acabaria por partir. Vídeo editado, retirado a partir das redes sociais
“A porta já foi à vida”, comenta o motorista, que contava ao telefone o que estava a acontecer: “isto na Portela está aqui confusão, nem consigo arrancar com o autocarro”.
O vídeo foi tornado público, e foi dessa forma e através de reclamações que a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) soube o que aconteceu.
“Nessa sequência, foi solicitado à TML – Transportes Metropolitanos de Lisboa, no passado dia 16 de abril, a prestação de esclarecimentos com caráter de urgência”, esclarece à Antena 1, havendo seis reclamações sobre esta linha desde julho de 2024, todas de “excesso de lotação” feitas pelo mesmo reclamante.
Perante o vídeo, a AMT pediu à TML, que gere a Carris Metropolitana, um diagnóstico sobre o serviço onde opera, na Área Metropolitana de Lisboa (tirando Lisboa, Cascais e Barreiro).
“Em concreto, foi solicitada informação sobre linhas congestionadas e medidas de mitigação, sobre acidentes ou incidentes ocorridos com passageiros e sobre quais as medidas de informação prestada aos passageiros”, afirma, querendo saber também os "horários mais preocupantes no acesso a autocarros e locais mais sobrelotados" na linha 1623.
A TML confirma à Antena 1 que recebeu o pedido e que está a preparar resposta.
A rádio pública apurou que o motorista já não faz esta rota. A TML não quis comentar “por motivos de privacidade e segurança”, apenas recorda que os condutores não fazem sempre os mesmos percursos.
O vídeo foi tornado público, e foi dessa forma e através de reclamações que a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) soube o que aconteceu.
“Nessa sequência, foi solicitado à TML – Transportes Metropolitanos de Lisboa, no passado dia 16 de abril, a prestação de esclarecimentos com caráter de urgência”, esclarece à Antena 1, havendo seis reclamações sobre esta linha desde julho de 2024, todas de “excesso de lotação” feitas pelo mesmo reclamante.
Perante o vídeo, a AMT pediu à TML, que gere a Carris Metropolitana, um diagnóstico sobre o serviço onde opera, na Área Metropolitana de Lisboa (tirando Lisboa, Cascais e Barreiro).
“Em concreto, foi solicitada informação sobre linhas congestionadas e medidas de mitigação, sobre acidentes ou incidentes ocorridos com passageiros e sobre quais as medidas de informação prestada aos passageiros”, afirma, querendo saber também os "horários mais preocupantes no acesso a autocarros e locais mais sobrelotados" na linha 1623.
A TML confirma à Antena 1 que recebeu o pedido e que está a preparar resposta.
A rádio pública apurou que o motorista já não faz esta rota. A TML não quis comentar “por motivos de privacidade e segurança”, apenas recorda que os condutores não fazem sempre os mesmos percursos.
"Nem sei como entro, acho que vou a voar"
Reportagem na Antena 1
A cada comboio que chega após as 6 horas, ouve-se uma marcha pesada, talvez mais rápida que as locomotivas a ganhar balanço para deixar a estação da Portela de Sintra. Quem corre quer seguir nas carreiras para Cascais e passam por Ana Ferreira e Laura Conceição, que vão para Ranholas, sentadas no único banco da zona sul da estação.
Por aqui passa "bastante gente" e existem "várias confusões", diz Ana, com as duas a recordarem quedas de passageiros à entrada para os autocarros.
Sem que outros ajudem a levantar, Laura critica: "não sei o que se passa, não sei o que têm na cabeça".
"Já caí duas vezes, empurraram-me e não me consegui segurar", recorda Mariana Esteves, na frente da fila do 1623, 1626, 1629 e 1630.
A fila principal acusa nervosismo. "Vão chegar as pessoas que não respeitam a fila", diz um homem enquanto aponta para a saída da estação de comboios. Há novo passo apressado, para alguns com toque de corrida, porque são quase 6h50: o serviço expresso do 1623 da Carris Metropolitana aproxima-se.
Acabados de chegar, dois agentes da Polícia Municipal de Sintra apressam-se a evitar segundas filas: "quem chegou tem de ir para a fila, ou então entra no fim", diz um junto à entrada, enquanto o outro está no fim da fila.
Os agentes foram embora às 7h27, e as entradas decorreram de forma ordeira, embora com algumas trocas de insultos.
"Agora foram embora e já há segunda fila", diz Ana Bruno, que lidera a fila depois de esperar desde a outra ponta da estação.
Descreve um cenário diário de empurrões ao entrar: "às vezes entro no autocarro e nem sei como consigo entrar, eu acho que vou a voar".
Preferindo pagar 40 euros pelo passe em vez do "caro" combustível, Ana tem ainda assim de antecipar em quase quatro horas a sua rotina até chegar ao Estoril.
Porquê esta antecedência, entre sair de casa às 6h15 e chegar ao trabalho às 10 horas? "Devido à acumulação de gente nas paragens", pelo que Ana Bruno deixa passar quatro autocarros até conseguir apanhar um.
"Isto tem sido uma selvageria", até mesmo com episódios de violência, descreve Ana, "e não há agora porque finalmente rodou esse tal vídeo e a polícia municipal agora tem estado aqui todos os dias".
Numa longa resposta às questões da Antena 1, a TML garante que a carreira filmada no vídeo viral está longe de ser das mais procuradas. Fala antes de uma sobrelotação pontual, com duas agravantes.
Por um lado, argumenta que "basta que se juntem por questões de minutos 2 comboios para que o número de pessoas que procuram uma determinada linha esteja para além do dimensionado".
Por outro, num terminal já de "grande afluência", a TML aponta uma "procura crescente" e "limitações infraestruturais" no terminal da Portela de Sintra, onde pode estar apenas um autocarro na zona das carreiras para Cascais.
"Em março deste ano, a linha 1623 nem sequer figurava no top 200 das linhas com maior número de passageiros por serviço, circulação ou horário, segundo os dados da Carris Metropolitana", pelo que diz ser uma "conclusão excessiva" considerar esta linha "congestionada".
Questionada sobre se conhece alguma carreira em que os títulos de transportes não sejam validados de forma frequente (são esses dados que permitem avaliar a utilização de uma carreira), a TML diz desconhecer.
A empresa destaca o período entre as 6h40 e as 7h20 como sendo dos períodos mais intenso, mas recorda que tem vindo a reforçar a oferta da linha 1623: foram oito reforços de fevereiro para março, 17 reforços se contadas outras carreiras que vão para Cascais.
A Carris Metropolitana diz que reforçou ainda o serviço nos dias seguintes à divulgação do vídeo, para "garantir que eventuais repetições do comportamento observado não ocorressem por insuficiência de oferta".
Embora afirme que "a informação sobre os reforços foi prontamente divulgada através dos nossos canais oficiais e afixada nas respetivas paragens de autocarro", os horários da 1623 ainda não estão atualizados no poste da paragem, conforme a Antena 1 verificou no local.
A Câmara Municipal de Sintra confirma à rádio pública a presença da polícia municipal após o vídeo e a TML afirma que já tinha sido solicitada a sua presença "em horários e linhas específicas quando se tenham verificado questões comportamentais por parte dos passageiros".
A autarquia fala no entanto de um "episódio isolado", sem registo de situações semelhantes no resto do concelho de Sintra.