País
Violência no Porto. Manifestantes garantem que não provocaram, PSP fala em resistência
O Movimento pela Habitação garantiu esta quinta-feira que não houve "qualquer tipo de provocação" física ou verbal contra as autoridades que justificassem a investida da polícia na última madrugada na Praça D. João I, no Porto, causando dezenas de feridos. A PSP veio, porém, assegurar que houve "comportamentos de resistência" e que um agente com ferimentos recebeu assistência hospitalar.
Em entrevista à RTP esta manhã, o porta-voz do Movimento pela Habitação explicou que “a partir da meia-noite tínhamos já tido um constrangimento com um carro de limpeza que veio fazer a limpeza da praça entre a uma e as duas da manhã”.
“Fizemos um cordão humano totalmente pacífico. Os nossos representantes jurídicos legais até foram falar com a polícia municipal e eles disseram que não nos iriam incomodar, mesmo com as tendas” que estavam montadas, contou Pedro Manuel.
“Eles disseram que não iam fazer nada. Entretanto, a partir das 3h00 chegaram a PSP e a polícia de intervenção. Estávamos já a descansar”.
Segundo o porta-voz, foi então montado um novo cordão humano “pacificamente em frente às tendas”, não havendo “qualquer tipo de provocação, seja física ou verbal”, às polícias. “Estávamos simplesmente a cantar”, assegurou.
“No momento em que estávamos a cantar 'Grândola, Vila Morena', eles carregam e destacámos uma unidade para desmontar as tendas e atender a ordem. Quando todas as tendas estavam quase desmontadas, eles começam com a violência”.
Pedro Manuel fala num “abuso indescritível, uma força desmedida, criminosa” que “feriu muitos dos nossos”, a maioria jovens, mas também “idosos, mulheres, crianças, todos atacados cobardemente”.
O movimento referiu 37 feridos, dos quais dois “reportaram estar em estado grave” e foram encaminhados para o Hospital de Santo António, apresentando “feridas mais profundas, hematomas, lesões ou cortes profundos”.
Questionado sobre se os manifestantes tencionam regressar ao local, respondeu afirmativamente. “Vamos voltar porque é preciso ensinar ao presidente [da Câmara], que não parece conhecer os problemas da cidade, (…) porque é que a cidade é conhecida como a ‘invicta’”.
“Fizemos um cordão humano totalmente pacífico. Os nossos representantes jurídicos legais até foram falar com a polícia municipal e eles disseram que não nos iriam incomodar, mesmo com as tendas” que estavam montadas, contou Pedro Manuel.
“Eles disseram que não iam fazer nada. Entretanto, a partir das 3h00 chegaram a PSP e a polícia de intervenção. Estávamos já a descansar”.
Segundo o porta-voz, foi então montado um novo cordão humano “pacificamente em frente às tendas”, não havendo “qualquer tipo de provocação, seja física ou verbal”, às polícias. “Estávamos simplesmente a cantar”, assegurou.
“No momento em que estávamos a cantar 'Grândola, Vila Morena', eles carregam e destacámos uma unidade para desmontar as tendas e atender a ordem. Quando todas as tendas estavam quase desmontadas, eles começam com a violência”.
Pedro Manuel fala num “abuso indescritível, uma força desmedida, criminosa” que “feriu muitos dos nossos”, a maioria jovens, mas também “idosos, mulheres, crianças, todos atacados cobardemente”.
O movimento referiu 37 feridos, dos quais dois “reportaram estar em estado grave” e foram encaminhados para o Hospital de Santo António, apresentando “feridas mais profundas, hematomas, lesões ou cortes profundos”.
Questionado sobre se os manifestantes tencionam regressar ao local, respondeu afirmativamente. “Vamos voltar porque é preciso ensinar ao presidente [da Câmara], que não parece conhecer os problemas da cidade, (…) porque é que a cidade é conhecida como a ‘invicta’”.
“Voltaremos e permaneceremos hoje (quinta-feira) às 19h00”, assegurou.
Movimento acusa autarca de “brutalizar mulheres, crianças, idosos”
Em comunicado, a organização tinha já esclarecido que não houve “qualquer tipo de provocação” por parte dos manifestantes “para além daquela que fazemos com este protesto aos interesses económicos que a Câmara quer proteger ao instrumentalizar as forças policiais”.
“Os agentes de intervenção brutalizaram os manifestantes pacíficos”, refere o comunicado, estimando mais de 35 feridos para além das duas pessoas que “foram encaminhadas para o Hospital Santo António em estado grave”.
“Os nossos materiais, como mesas e cadeiras, e a comida, foram partidos, atirados e arrastados, bem como pessoas foram arrastadas pelo chão e outras relatadas terem sido agredidas com partes dos mesmos materiais pelas forças, enquanto outros relatos acusam os agentes de rirem-se ao praticar este ato hostil”, declaram.
O movimento acusa ainda o presidente da Câmara, Pedro Duarte, de ser “absolutamente implacável”, não em acabar com os protestos, mas “em brutalizar mulheres, crianças, idosos, deficientes físicos, estudantes, trabalhadores - a população portuense”.
Em comunicado, a organização tinha já esclarecido que não houve “qualquer tipo de provocação” por parte dos manifestantes “para além daquela que fazemos com este protesto aos interesses económicos que a Câmara quer proteger ao instrumentalizar as forças policiais”.
“Os agentes de intervenção brutalizaram os manifestantes pacíficos”, refere o comunicado, estimando mais de 35 feridos para além das duas pessoas que “foram encaminhadas para o Hospital Santo António em estado grave”.
“Os nossos materiais, como mesas e cadeiras, e a comida, foram partidos, atirados e arrastados, bem como pessoas foram arrastadas pelo chão e outras relatadas terem sido agredidas com partes dos mesmos materiais pelas forças, enquanto outros relatos acusam os agentes de rirem-se ao praticar este ato hostil”, declaram.
O movimento acusa ainda o presidente da Câmara, Pedro Duarte, de ser “absolutamente implacável”, não em acabar com os protestos, mas “em brutalizar mulheres, crianças, idosos, deficientes físicos, estudantes, trabalhadores - a população portuense”.
PSP fala em “comportamentos de resistência”
A Polícia de Segurança Pública apresentou, entretanto, a sua versão dos acontecimentos, começando por explicar que “solicitou, por diversas vezes, a remoção das tendas, sem que tal tenha sido acatado”.
“Nos termos do Decreto-Lei n.º 406/74 de 29 de Agosto, as reuniões e manifestações em lugares públicos não podem prolongar-se para além da 00h30”, justificou em comunicado.
Por esse motivo, pelas 3h00 desta quinta-feira “a PSP desencadeou uma operação policial, tendo solicitado aos manifestantes que cessassem o ruído e recolhessem as tendas, o que continuaram a não fazer”.
“Durante a intervenção, alguns participantes adotaram comportamentos de resistência à atuação policial, procurando impedir o exercício das funções dos polícias no local”, assegurou a PSP. A polícia garante ainda que será remetido ao Ministério Público o auto de notícia, acompanhado de “registo videográfico dos incidentes”.
O comunicado refere ainda que “no decurso dos incidentes, um polícia ficou ferido e foi transportado a uma unidade hospitalar”.
“A PSP tem igualmente conhecimento de feridos entre os manifestantes, não sendo ainda possível indicar o seu número”, acrescenta.
A PSP “reafirma o respeito pelo direito de reunião e de manifestação, consagrado na Constituição e na Lei, e recorda que o seu exercício deve decorrer dentro dos limites legais, designadamente quanto à comunicação prévia, ao horário e à utilização do espaço público”, refere.
A Polícia de Segurança Pública apresentou, entretanto, a sua versão dos acontecimentos, começando por explicar que “solicitou, por diversas vezes, a remoção das tendas, sem que tal tenha sido acatado”.
“Nos termos do Decreto-Lei n.º 406/74 de 29 de Agosto, as reuniões e manifestações em lugares públicos não podem prolongar-se para além da 00h30”, justificou em comunicado.
Por esse motivo, pelas 3h00 desta quinta-feira “a PSP desencadeou uma operação policial, tendo solicitado aos manifestantes que cessassem o ruído e recolhessem as tendas, o que continuaram a não fazer”.
“Durante a intervenção, alguns participantes adotaram comportamentos de resistência à atuação policial, procurando impedir o exercício das funções dos polícias no local”, assegurou a PSP. A polícia garante ainda que será remetido ao Ministério Público o auto de notícia, acompanhado de “registo videográfico dos incidentes”.
O comunicado refere ainda que “no decurso dos incidentes, um polícia ficou ferido e foi transportado a uma unidade hospitalar”.
“A PSP tem igualmente conhecimento de feridos entre os manifestantes, não sendo ainda possível indicar o seu número”, acrescenta.
A PSP “reafirma o respeito pelo direito de reunião e de manifestação, consagrado na Constituição e na Lei, e recorda que o seu exercício deve decorrer dentro dos limites legais, designadamente quanto à comunicação prévia, ao horário e à utilização do espaço público”, refere.
Manifestantes vão avançar com queixa contra a PSP
Tiago Machado, advogado do movimento, foi chamado pelos manifestantes durante a madrugada após a intervenção da polícia. “Quando aqui cheguei estava um cenário quase dantesco. Já não havia tendas, a polícia estava à volta a fazer uma espécie de quadrado e começou a empurrar as pessoas de um lado e do outro”, disse aos jornalistas.
Quanto ao comunicado da PSP, o advogado garantiu ser falso que tenha havido resistência por parte dos manifestantes. “E aquilo que mais me incomoda é a desvalorização dos feridos”, afirmou, dizendo que duas pessoas “estão bastante mal” e que vai ser avançada uma queixa.
Tiago Machado, advogado do movimento, foi chamado pelos manifestantes durante a madrugada após a intervenção da polícia. “Quando aqui cheguei estava um cenário quase dantesco. Já não havia tendas, a polícia estava à volta a fazer uma espécie de quadrado e começou a empurrar as pessoas de um lado e do outro”, disse aos jornalistas.
Quanto ao comunicado da PSP, o advogado garantiu ser falso que tenha havido resistência por parte dos manifestantes. “E aquilo que mais me incomoda é a desvalorização dos feridos”, afirmou, dizendo que duas pessoas “estão bastante mal” e que vai ser avançada uma queixa.