Política
Albuquerque troca aviso de cortes por consenso sobre pensões da Segurança Social
Ainda falta ao Governo definir medidas para a sustentabilidade da Segurança Social e quaisquer mudanças impõem “um amplo consenso” com o PS, em sede de Concertação Social e sem ignorar o Tribunal Constitucional. Quem assim fala é a ministra das Finanças, dois dias depois de ter agitado as águas com o cenário de cortes nas atuais pensões. O caminho, emenda Maria Luís Albuquerque, é o de “uma discussão aberta”.
“Não há nenhuma solução desenhada, nenhuma solução definida”. É esta a fórmula adotada pela titular da pasta das Finanças ao cabo de 48 horas de controvérsia política sobre a sustentabilidade da Segurança Social.
No sábado, chamada a Ovar para um evento da Juventude Social-Democrata, Maria Luís Albuquerque considerava “honesto dizer aos portugueses” que seria “preciso fazer alguma coisa sobre as pensões para garantir a sustentabilidade da Segurança Social”.
“Queremos um amplo consenso sobre essa matéria com o PS, na Concertação Social, seguindo as linhas indicadas pelo Tribunal Constitucional”, afirmou a ministra das Finanças.
“E essa alguma coisa pode passar, se for essa a opção, por alguma redução, mesmo nos atuais pensionistas. Se isso for uma distribuição mais equilibrada e razoável do esforço que tem de ser distribuído entre todos, atuais pensionistas, futuros pensionistas, jovens a chegar ao mercado de trabalho, se essa for a solução que garante um melhor equilíbrio na distribuição desse esforço, é aí que nos devemos focar”, arguia então a governante.
Depois de uma barragem de críticas da oposição – e de declarações do ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, o democrata-cristão Pedro Mota Soares, a negar a existência de planos para um corte sobre os pensionistas -, Albuquerque saiu na noite de segunda-feira a público para extirpar ao seu discurso o substantivo “redução”. A palavra de ordem passa a ser o “consenso”.
“O que temos vindo a dizer é que temos um problema de sustentabilidade na Segurança Social, o que é também reconhecido da parte do Partido Socialista”, advogou a ministra durante um encontro como militantes laranjas em Rio Maior.
“Quanto mais não seja, depois das eleições”
O Governo, garantiu também a ministra das Finanças, não pretende “criar limitações”. Sem concretizar em que qualidade – no Governo ou na oposição - Maria Luís Albuquerque expandiu mesmo o horizonte de discussão da Segurança Social para o pós-eleições legislativas.“Governo quer cortar num ano o mesmo que cortou nos últimos quatro” é o título que faz a manchete da edição desta terça-feira do Diário de Notícias. O jornal sublinha que o Governo reduziu a despesa com pensões em 762 milhões de euros até abril deste ano e “quer cortar mais 600 milhões”.
“Estamos disponíveis a qualquer momento, quanto mais não seja, depois das eleições, para discutirmos essas soluções em comum e conseguirmos chegar a um acordo. Partimos de espírito completamente aberto para essa negociação, sabendo que temos um problema e que temos um conjunto de restrições para resolver, nomeadamente aquelas que foram já enunciadas pelo Tribunal Constitucional”, insistiu.
“Se queremos uma discussão para um consenso, não podemos à partida dizer que vai ser de uma forma ou de outra. Queremos uma discussão aberta, em consenso, para resolver um problema que está identificado e reconhecido por todos e manifestamos abertura para essa discussão há muito tempo”, apelou a ministra. No domingo, à entrada para a reunião da Comissão Nacional do PS, António Costa fechou a porta a uma linha de cortes: “Felizmente para os portugueses, hoje a escolha é muito clara: com a continuação da coligação de direita, podem ter por certo novos cortes e o prolongar da sua incerteza no dia-a-dia”.
“O PS trabalha com muito rigor na construção de uma alternativa de confiança que recusa liminarmente qualquer corte nas pensões em pagamento e que visa garantir a sustentabilidade futura da Segurança Social diversificando as fontes de financiamento”, rematava então o secretário-geral socialista. Helena Cruz Lopes, Paulo Lourenço, Manuel Oliveira - RTP (24 de maio)
No encontro com militantes social-democratas em Rio Maior, a ministra das Finanças foi ainda questionada sobre o recorrente tema da revisão constitucional. Albuquerque estimou que a Constituição da República “é muito detalhada”. E que “uma Constituição que tem muitos detalhes fica mais facilmente desfasada da evolução da sociedade”. Pelo que “é bom que possa ser atualizada”.
“Queremos um amplo consenso sobre essa matéria com o PS, na Concertação Social, seguindo as linhas indicadas pelo Tribunal Constitucional”, afirmou a ministra das Finanças.
“E essa alguma coisa pode passar, se for essa a opção, por alguma redução, mesmo nos atuais pensionistas. Se isso for uma distribuição mais equilibrada e razoável do esforço que tem de ser distribuído entre todos, atuais pensionistas, futuros pensionistas, jovens a chegar ao mercado de trabalho, se essa for a solução que garante um melhor equilíbrio na distribuição desse esforço, é aí que nos devemos focar”, arguia então a governante.
Depois de uma barragem de críticas da oposição – e de declarações do ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, o democrata-cristão Pedro Mota Soares, a negar a existência de planos para um corte sobre os pensionistas -, Albuquerque saiu na noite de segunda-feira a público para extirpar ao seu discurso o substantivo “redução”. A palavra de ordem passa a ser o “consenso”.
“O que temos vindo a dizer é que temos um problema de sustentabilidade na Segurança Social, o que é também reconhecido da parte do Partido Socialista”, advogou a ministra durante um encontro como militantes laranjas em Rio Maior.
“Quanto mais não seja, depois das eleições”
O Governo, garantiu também a ministra das Finanças, não pretende “criar limitações”. Sem concretizar em que qualidade – no Governo ou na oposição - Maria Luís Albuquerque expandiu mesmo o horizonte de discussão da Segurança Social para o pós-eleições legislativas.“Governo quer cortar num ano o mesmo que cortou nos últimos quatro” é o título que faz a manchete da edição desta terça-feira do Diário de Notícias. O jornal sublinha que o Governo reduziu a despesa com pensões em 762 milhões de euros até abril deste ano e “quer cortar mais 600 milhões”.
“Estamos disponíveis a qualquer momento, quanto mais não seja, depois das eleições, para discutirmos essas soluções em comum e conseguirmos chegar a um acordo. Partimos de espírito completamente aberto para essa negociação, sabendo que temos um problema e que temos um conjunto de restrições para resolver, nomeadamente aquelas que foram já enunciadas pelo Tribunal Constitucional”, insistiu.
“Se queremos uma discussão para um consenso, não podemos à partida dizer que vai ser de uma forma ou de outra. Queremos uma discussão aberta, em consenso, para resolver um problema que está identificado e reconhecido por todos e manifestamos abertura para essa discussão há muito tempo”, apelou a ministra. No domingo, à entrada para a reunião da Comissão Nacional do PS, António Costa fechou a porta a uma linha de cortes: “Felizmente para os portugueses, hoje a escolha é muito clara: com a continuação da coligação de direita, podem ter por certo novos cortes e o prolongar da sua incerteza no dia-a-dia”.
“O PS trabalha com muito rigor na construção de uma alternativa de confiança que recusa liminarmente qualquer corte nas pensões em pagamento e que visa garantir a sustentabilidade futura da Segurança Social diversificando as fontes de financiamento”, rematava então o secretário-geral socialista. Helena Cruz Lopes, Paulo Lourenço, Manuel Oliveira - RTP (24 de maio)
No encontro com militantes social-democratas em Rio Maior, a ministra das Finanças foi ainda questionada sobre o recorrente tema da revisão constitucional. Albuquerque estimou que a Constituição da República “é muito detalhada”. E que “uma Constituição que tem muitos detalhes fica mais facilmente desfasada da evolução da sociedade”. Pelo que “é bom que possa ser atualizada”.