André Pestana critica ação dos EUA na Venezuela e "atitude ambígua" do Governo

O candidato presidencial André Pestana criticou hoje a ação dos Estados Unidos (EUA) na Venezuela, classificando-a de ingerência internacional baseada na "lei do mais forte", e apontou a "atitude ambígua" do Governo português.

Lusa /
Marcos Borga - Lusa

"Tem de se falar claro e de uma forma inequívoca: "nós não estamos ao lado do ditador A ou B que, eventualmente, pode estar a gerir um país, mas estamos, claramente, contra que seja uma suposta potência que vai libertar [o país]", afirmou André Pestana em declarações aos jornalistas à margem de uma ação de campanha para eleições presidenciais, em Lisboa.

O candidato, que se tornou conhecido enquanto dirigente do Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (S.TO.P.) criticou a "atitude ambígua" do Governo português relativamente à ação dos EUA na Venezuela, bem como à guerra em Gaza, na Palestina.

"Acho que não pode haver ambiguidades perante genocídios e perante ingerências internacionais como esta", vincou.

André Pestana salientou ainda que nunca defendeu Nicolás Maduro, lembrando um encontro do antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho com o Presidente venezuelano deposto em 2016, para apontar a André Ventura: "agora está todo assanhado a favor de Trump e que diz que tinha que se derrubar a ditadura, mas o seu ídolo, Passos Coelho, esteve até ao lado do ditador Maduro".

"Não estive, nunca estarei, a apoiar um regime com considerado ditatorial, outra coisa é apoiar e estar em silêncio perante uma ingerência internacional da maior potência mundial a nível militar que existe neste momento que, como já disse, hoje foi a Venezuela, amanhã pode ser a Gronelândia", realçou André Pestana.

Para o candidato presidencial, está-se a assistir a uma nova ordem mundial baseada na "lei do mais forte" e na "lei da bala" e é preciso "coragem para enfrentar os poderosos".

Os Estados Unidos lançaram no sábado um ataque contra a Venezuela para capturar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.

Sobre este ataque, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, afirmou que "Portugal respeita sempre e acha que se deve respeitar a legalidade e a Carta das Nações Unidas", considerando que há "aspetos benignos" da intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, desde logo "a queda de Maduro".

André Pestana esteve hoje a entregar panfletos de campanha e a contactar com trabalhadores à porta da sede do Banco Santander, em Lisboa, juntamente com cerca de uma dezena de apoiantes, pela defesa de "uma justa distribuição dos super lucros" da banca.

"Escolhemos o Banco Santander porque acho que é um ótimo exemplo, é um banco que tem tido muitos lucros, o lucro vai todo para fora do país, ou seja, não fica cá, e está a fechar balcões, está a aumentar a carga horária dos trabalhadores", apontou, lembrando que em 2008 os contribuintes foram chamados a socializar os prejuízos dos bancos.

Sobre o debate de hoje à noite, o único na televisão com os 11 candidatos, André Pestana criticou o "avanço" que levam os sete candidatos apoiados por partidos e Henrique Gouveia e Melo, os "oito preferidos pelo sistema", por terem já participado em vários debates, ao contrário dos restantes três (André Pestana, Humberto Correia e Manuel João Vieira).

"Isto é um desrespeito à democracia, é um desrespeito aos mais de 30 mil cidadãos portugueses que subscreveram a minha candidatura e os outros dois candidatos e que devem ser igualmente respeitados e não foram, manifestamente, respeitados", lamentou.

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