Política
MAI sob pressão. André Ventura promete avançar com moção de censura na terça-feira
"Temos de ter algum padrão ético se queremos que isto seja levado a sério", afirmou o líder do Chega, garantindo que "não pretende uma crise política" mas defendendo que o ministro da Administração Interna tem de se demitir até dia 1 de setembro.
André Ventura falava aos jornalistas à entrada de uma visitar ao Centro Social São João, em Coimbra.
"Se este padrão de ética deixar de existir", anunciou, "nós juntar-nos-emos ao apelo que o Presidente da República fez e apresentaremos uma moção de censura na terça-feira no dia 1 [de setembro], no Parlamento".
"Não podemos ter um ministro que seja uma espécie de Al Capone", apontou, referindo esperar “que não venha a haver uma moção de censura”, e que o primeiro-ministro responda ao seu apelo.
"Repito, o Chega não quer provocar nenhuma crise política. O Chega quer que haja o mínimo de ética nas instituições e quer que esta situação de lodo, de lamaçal, de suspeitas, de crime, de conluios, etc, seja resolvida", sustentou ainda Ventura. A manutenção de Luís Neves enquanto ministro da Administração Interna está a ser contestada há dois meses, devido à sua conduta em diversos casos sob investigação.
André Ventura sublinhou que não está a aproveitar-se do "discurso do Presidente da República", depois de lembrar que António José Seguro "estabeleceu terça-feira como o fim do prazo para toda a polémica em torno de Luís Neves ser resolvida, antes que a Comissão Parlamentar de Inquérito se inicie".
"Se um presidente da República dá um prazo a um ministro para se
demitir, é porque este ministro não tem condições nenhumas de
continuar", considerou fazendo referência a uma notícia do Nascer do Sol que cola o Presidente da República à exigência de demissão do MAI. "O ministro Luís Neves não pode continuar", afirmou André Ventura.
O líder do maior partido da oposição lembrou também que o Presidente da República pediu que o MAI, Luís Neves, "não estivesse com ele" nas visitas que tem programadas. "Nunca tivemos uma situação destas na nossa República", exclamou.
"Só isto devia ser suficiente para Luís Neves compreender que tem de sair", acrescentou.
"Só isto devia ser suficiente para Luís Neves compreender que tem de sair", acrescentou.
Quinta-feira, o primeiro-ministro Luís Montenegro reiterou o seu apoio ao MAI, levando o líder do Chega a avisar que o caso não será esquecido.
"Se o senhor primeiro-ministro quer continuar a fingir que isto não está a acontecer e que isto vai passar com outra crise ou outro problema qualquer, não vai: isto é um caso criminal, não é uma coisa só política", afirmou.
“Montenegro parece não perceber o que está em causa ou estar comprometido com o que está em causa. O primeiro-ministro deixou arrastar isto intoleravelmente. Temos um ministro sem autoridade que não pode continuar”, acusou Ventura.
"Ou resolvemos isto ou isto vai atirar as instituições todas para a lama", considerou também, depois de denunciar "um silêncio absolutamente ensurdecedor, incompreensível para a maioria dos cidadãos".
"Acho que chegámos ao limite, todos", afirmou.
À saída de um painel sobre habitação na Universidade de Verão do PSD, que decorre em Castelo de Vide (Portalegre), o porta-voz do PSD, Sebastião Bugalho rejeitou que a ameaça do Chega de apresentar uma moção de censura enfraqueça o Governo, afastando também a leitura de que se trate de um ultimato ao primeiro-ministro para demitir o ministro Luís Neves.