André Ventura: "Chega sente-se desobrigado" de apoiar o Governo

por Andreia Martins - RTP
Foto: Miguel A. Lopes - Lusa

O líder do Chega acusou Luís Montenegro de "amadorismo" e afirmou que o novo primeiro-ministro se arrisca a ter um dos governos "mais curtos" da história do país.

Na reação ao discurso de Luís Montenegro na tomada de posse, na terça-feira, mas também à conferência de imprensa do secretário-geral do PS, André Ventura sublinhou que o Chega não está obrigado a viabilizar qualquer Orçamento.

O presidente do PSD apelou a Luís Montenegro para que avance com o Orçamento Retificativo, com destaque para o combate à corrupção, a recuperação do tempo de serviço dos professores ou a questão das forças de segurança, entre outros temas.
No entanto, apesar desse consenso imediato no Orçamento Retificativo, André Ventura vincou que o partido se sente "desobrigado" a viabilizar medidas do Governo, assinalando que Luís Montenegro voltou a referir que "Não é Não" e que "optou por dialogar com o PS".

Uma vez que também o Partido Socialista se "desreponsabiliza" de qualquer viabilização orçamental ou a prazo, existe "uma enorme confusão sobre estratégia, amadorismo e interlocutores".

André Ventura acusou a aliança que PSD e CDS formaram para estas eleições de "amadorismo", ao pensar que poderia contar com o PS.

"Luís Montenegro acha que, inspirado em Cavaco Silva, pode repetir o cenário de 1985 ou de 1983. (...) O país mudou. Este não é o país dos anos 80", acrescentou.

O líder do Chega assinalou que caberia ao líder da Aliança Democrática "criar uma maioria como noutros países europeus", lembrando as várias ocasiões em que se disponibilizou a dialogar com a coligação vencedora. No entanto, optaram por não criar uma maioria parlamentar e "levar uma minoria avante", acusou.

"Ao contrário do que pediu o presidente da República, [Luís Montenegro] não construiu nenhuma maioria e insiste em não construir nenhuma maioria", afirmou.

André Ventura fala mesmo em "pântano" político em que também Marcelo Rebelo de Sousa tem responsabilidades. "Não promoveu políticas de entendimentos que eram fundamentais e que qualquer presidente da República promoveria em circunstâncias idênticas", resumiu.

Por tudo isto, o líder do Chega adiantou que não se pode comprometer em relação ao Orçamento do Estado, uma vez que o Governo "insistiu em não ter nenhum acordo".

"Arriscamo-nos a ter um dos governos mais curtos da história da nossa democracia", assinalou ainda.
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