Rui Rocha recusa viabilizar Governo do Chega e Ventura acusa IL de ser "andarilho do PSD"
Os líderes de Chega e Iniciativa Liberal estiveram na RTP para mais um frente a frente, naquela que tem sido uma série de debates que antecedem as legislativas antecipadas de 18 de maio.
Sobre a Segurança Social, Rui Rocha diz que “radical é que quem tem 30 anos vai ter uma reforma de 40% dos seus salários” e volta a falar da “geração dos entalados”.
O presidente da IL falou, depois, de Donald Trump para atacar Ventura: “As tarifas são impostos, que é o que André Ventura defende”.
Ventura, por sua vez, usou Javier Milei, da Argentina, para contra-atacar. “O André Ventura vai andar de motosserra na mão, mas é a cortar aquilo que os liberais não querem cortar”, respondeu o líder do Chega.
Questionado sobre se se combate Donald Trump com “trumpismo europeu”, Ventura respondeu: “Combate-se Donald Trump dizendo que a agricultura, indústria e trabalhadores europeus têm de ser protegidos”, afirmando que a IL quer “expor ainda mais empresas e trabalhadores aos custos do liberalismo selvagens, que não funcionou em lado nenhum no mundo”.
Sobre a questão da Argentina, Rui Rocha diz que o que levou a Argentina à ruína foi a aplicação de medidas como as que André Ventura defende.
“André Ventura, com estas tarifas que quer impor, quer competir com o Bangladesh. Eu quero competir com a Suécia, com a Irlanda, com os melhores. Ventura quer nivelar por baixo e eu quero nivelar por cima”, rematou o líder da IL.
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Ventura diz que IL quer "privatizações selvagens da economia"
Questionado sobre se as visões de André Ventura estão a influenciar o espetro da direita, Rui Rocha recusou a ideia.
“O que a Iniciativa Liberal fez foi propor uma solução para esse problema [no SNS] e por isso não votou ao lado do Chega. Votou e propôs outra questão. Nós temos que distinguir entre turismo de saúde, aquilo a que chamo oportunismo de saúde, e as pessoas que cá estão a trabalhar”.
Rui Rocha garante que se opõe a quem vem a Portugal usar o serviço nacional de saúde por oportunismo. O líder da IL falou também dos imigrantes ilegais, que trabalham e pagam impostos, e culpou o governo de ter falhado para com essas pessoas.
A resposta de André Ventura foi de que Rui Rocha desconhece por completo a questão da imigração. “Qualquer máfia do Bangladesh faz um contrato de trabalho”. E voltou a lembrar o caso das gémeas.
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André Ventura responde a Rocha na questão da imigração
O líder do Chega respondeu a Rui Rocha e à sua visão da imigração lembrando que IL sempre foi a favor de uma imigração de “portas abertas”.
“Tanto a Iniciativa Liberal não valoriza esta questão nem nunca quis nenhuma ligação entre a economia e a imigração que foi contra quotas na imigração. As quotas são para garantir que quem entra tem uma ligação à economia”, afirmou.
André Ventura diz acreditar que deve haver imigração mas com quotas e que a IL votou contra esta medida. O líder do Chega voltou a relacionar a pressão no SNS com a imigração e afirmou que a Iniciativa Liberal votou contra a regulação desta questão.
“Rui Rocha assim não há quem o entenda”.
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Ventura aponta o dedo ao Governo e aos imigrantes para crise no SNS. Rocha defende "subsistemas de Saúde"
No tema da Saúde, André Ventura negou que o Chega queira desistir do Sistema Nacional de Saúde.
“Pelo contrário, quem tem desistido do SNS é o Governo de Luís Montenegro”, acusou. “Prometeu um médico de família para todos e nós hoje temos mais de 1,5 milhões de portugueses sem médico de família”.
É “inconcebível”, sublinhou, “pagarmos os impostos que pagamos” e “não termos direito a cirurgias quando mais precisamos”.
Mas apontou um outro problema, arrastando as culpas também para o IL: “a entrada massiva de novos imigrantes” que trouxeram “uma pressão adicional para o Serviço Nacional de Saúde”. A solução, no entender de Ventura, é a “articulação entre o privado e o público”.
Ao Chega não “interessa se a Saúde é pública ou privada”, desde que os portugueses tenham acesso à Saúde, “seja ela pública ou privada”.
“Nisso acho que estamos de acordo”, terminou, dirigindo-se ao opositor do IL.
O candidato liberal, por sua vez, acredita que o seguro de saúde privado que o partido propõe não é “um modelo de seguro”, mas “passa por ter subsistemas de saúde”.
“Deve haver subsistemas – uns privados, outros públicos, outros sociais – e que diz às pessoas, muito claramente, que o SNS falhe. As pessoas é que escolhem a que subsistema querem pertencer, de acordo com a escolha e a oferta que têm nas diferentes regiões”, explicou Rui Rocha. “Utente no centro do sistema de saúde e não como acontece hoje, que é o SNS que está no centro mas depois não serve as pessoas”.
Em resposta às críticas de André Ventura, sobre o tema da imigração, Rui Rocha afirmou que o IL defende “imigração com regras e com dignidade”.
“Quem tem trabalho entra, quem cumpre a lei fica. Há uma adequação direta entre as necessidades da Economia e a entrada das pessoas”, argumentou, acrescentando que “se isso não for feito, temos o descontrolo de fronteiras, temos situações de indignidade – porque as pessoas ficam sem situação de habitação e de saúde e educação – e ficamos completamente sem norte nesta matéria”.
Há ainda outra questão que o IL considera relevante: a nacionalidade.
“Pressupõe uma ligação direta, uma avaliação e uma adesão direta, aos princípios e aos valores da comunidade. Não só queremos que entrem e fiquem de forma legal, como queremos que adquiram a nacionalidade ao fim de um período mais prolongado do que hoje em dia”.
Neste ponto Rui Rocha reconheceu “uma divergência” com o Chega, que “é contra” e “não tem nenhuma proposta sobre a nacionalidade e sobre a atribuição depois de um conjunto de anos passado que tem de ser superior aos cinco anos, na avaliação da Iniciativa Liberal”.
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Caso de Pedro Nuno Santos. Chega critica "hipocrisia" da esquerda, IL quer soluções para problemas do país
Sobre a averiguação preventiva à compra de casas por parte do líder socialista, André Ventura considera que o “caso é diferente” do de Luís Montenegro. Contudo, o líder do Chega reconhece que “não deixa de gerar uma certa apreensão que as pessoas vejam os políticos a comprar património desta forma”.
“Podemos ter políticos ricos”, comentou. “Não podemos é ter políticos que compram imóveis de forma estranha, num país da OCDE onde é mais difícil aceder à Habitação”.
Para Ventura, os políticos podem ter património e até vida profissional. Não podem “é enriquecer quando estão no exercício de funções públicas, porque isso não é possível”. E o problema maior, na sua opinião, é que parece que os políticos “são todos iguais”.
O presidente do Chega acrescentou ainda que assistiu a um “zig-zag da esquerda” que, segundo André Ventura, parece achar que o caso de Pedro Nuno Santos “não é assim tão grave” comparando com o do primeiro-ministro.
“Se queremos ser levados a sério, onde há fundos suspeitos tem de ser até ao fim. Seja de esquerda, de direita, liberal, do Chega. Tem de ser até ao fim”, rematou, acusando a esquerda de “hipocrisia”.
Já o Iniciativa Liberal acredita que Pedro Nuno Santos deve “ter um critério de exigência consigo próprio” semelhante ao que pôs noutras questões. Mas Rui Rocha acha que é mais importante “focar nos problemas do país”, independentemente destas circunstâncias.
“Pedro Nuno Santos deve prestar esclarecimentos”, aponta o líder liberal, acrescentando que “os problemas ainda aí estão”.
“A saúde, a educação, a habitação, o poder de compra dos portugueses é o mesmo com esses casos ou sem esses casos. Devemos preocupar-nos com as soluções”.