Audição de Arlindo de Carvalho segue “nos próximos dias”

Arlindo de Carvalho esteve a prestar depoimento no Tribunal de Instrução Criminal como arguido na investigação BPN. O interrogatório deverá "continuar nos próximos dias", disse o advogado do ex-ministro da Saúde, segundo quem o cliente não praticou qualquer acto penalmente censurável e está disponível para colaborar com a justiça.

Raquel Ramalho Lopes, RTP /
Arlindo de Carvalho foi ministro da Saúde do Executivo liderado por Cavaco Silva, no XII Governo Constitucional, período em que Dias Loureiro tutelava a pasta da Administração Interna Miguel A. Lopes, Lusa

Arlindo de Carvalho esteve a ser ouvido durante entre as 14 e as 17h de segunda-feira, pelo juiz Carlos Alexandre, no Tribunal Central de Investigação Criminal de Lisboa. O interrogatório foi interrompido por "uma questão de agenda do juiz, devendo continuar nos próximos dias", esclareceu o seu advogado.

O defensor legal do ministro da Saúde de Cavaco Silva garante que o cliente "nunca praticou nenhum acto criminalmente censurável" e que está disponível para colaborar com as autoridades judiciais. "Obviamente que quem não deve não teme", acrescentou João Nabais.

O advogado recusou divulgar que acusações impendem sobre Arlindo de Carvalho, mas referiu que o seu cliente reagiu com naturalidade à constituição como arguido. O ex-ministro terá ligações à sociedade de gestão e exploração imobiliária "Pousa Flores". Dois administradores da empresa foram também constituídos arguidos.

A sociedade Pousa Flores terá adquirido activos ao grupo Ricardo Oliveira com recurso a crédito do BPN. O valor dos negócios, efectuados entre 2005 e 2007, ascendeu a 75 milhões de euros. A operação terá acarretado prejuízos financeiros para o BPN, que assumiu a compra dos activos.

O antigo ministro foi notificado para prestar esclarecimentos na quinta-feira, dia em que foram realizadas buscas às habitações e escritórios de Arlindo de Carvalho e do também ex-ministro Dias Loureiro. Segundo João Nabais, ainda não foi aplicada qualquer medida de coacção.

A audição prosseguiu com o segundo arguido do caso BPN ligado à sociedade "Pousa Flores", o administrador José Neto, igualmente representado por João Nabais.

O inquérito ao caso BPN tem, de momento, cinco arguidos, entre os quais Dias Loureiro. A investigação visa apurar actos de gestão danosa e compra de empresas, terrenos e acções sobrevalorizados através de crédito concedido pelo BPN.

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