Auditoria à PJ. Partidos criticam "silêncio" do primeiro-ministro

Auditoria à PJ. Partidos criticam "silêncio" do primeiro-ministro

Com a auditoria autorizada pelo ministério da Justiça à Polícia Judiciária (PJ) a aumentar a pressão sobre o ministro da Administração Interna, a oposição sobe o tom das críticas. Da esquerda à direita parlamentar, os partidos questionam cada vez mais a continuidade de Luís Neves no Governo e criticam o silêncio do primeiro-ministro sobre o caso.

Teresa Borges com João Alexandre - RTP Antena 1 / Adicionar como fonte informativa
Foto: Pedro A. Pina - RTP

“Luís Montenegro perdeu a mão do Governo. Perdeu o controlo da situação, porque está em silêncio”, defende o líder parlamentar do Chega em declarações à RTP Antena 1, apontando “falta de bom senso” ao primeiro-ministro. “Luís Neves não é um ministro qualquer, tutela as forças de segurança. Se temos um ministro que ele próprio não cumpre a lei… está tudo ao contrário, está tudo errado”, refere Pedro Pinto, acrescentando que “é importante que o primeiro-ministro venha falar ao país”.



O dirigente do Chega volta a insistir na demissão de Luís Neves, considerando que o ministro “está a prazo” e que “já devia ter saído pelo próprio pé”. “Se Luís Montenegro não tem coragem para o demitir, devia ser Luís Neves a demitir-se”, reforça.

Também a Iniciativa Liberal (IL) não vê outro cenário. “Aquilo que a ministra da Justiça faz agora apenas confirma os nossos piores receios. O caso é grave, não afeta só Luís Neves e já estar a pôr em causa a própria Polícia Judiciária”, lamenta Mário Amorim Lopes, ouvido pela rádio pública. O líder parlamentar dos liberais considera que não há volta a dar e que Luís Neves e Luís Montenegro devem concluir que o MAI já não tem “autoridade política”.



“Isto só está a degradar ainda mais as instituições. Está na hora de colocar o país e as instituições à frente deles próprios e tomarem a única decisão que neste momento é possível de tomar: dar lugar a outro”, afirma o deputado da IL.

Livre pede “assumir de responsabilidades”, BE quer ouvir PR

Também o Livre não compreende o silêncio do primeiro-ministro sobre a auditoria à PJ autorizada pela ministra da Justiça. “Não é razoável que o senhor primeiro-ministro continue em silêncio”, lamenta Jorge Pinto, recorrendo ao caso da empresa familiar de Luís Montenegro. “Estamos preocupados com aquilo que foi a mensagem que saiu do caso Spinumviva. Não queremos que isso defina uma nova bitola de estar na política. E não é sustentável que o senhor primeiro-ministro continue sem se pronunciar”, aponta o co-porta voz do Livre.



Jorge Pinto não quer falar para já em pedido de demissão, mas insiste na necessidade de o chefe do Governo “assumir as suas responsabilidades”. “O silêncio não pode ser nunca uma opção quando se é primeiro-ministro do país”, conclui.

O coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, fala mesmo num “silêncio absolutamente ruidoso do primeiro-ministro” e pede a intervenção do Presidente da República.



“Exige-se que o Presidente da República não fique olimpicamente em silêncio. Exige-se que tenha agora uma palavra forte, uma palavra de definição de campos. Esperamos que António José Seguro, mais cedo do que tarde, tome essa palavra.”, sublinha o dirigente bloquista.

Para o PCP a decisão da Ministra da Justiça de pedir à Inspeção-Geral dos Serviços de Justiça uma auditoria à Polícia Judiciária é sinal de "incómodo" no Governo. O partido considera que é Luís Montenegro que se deve pronunciar sobre o caso.



“A auditoria é um elemento que não pode deixar de não causar incómodo entre membros do mesmo Governo. Compete ao primeiro-ministro avaliar a situação e as condições de compatibilização desse novo elemento”, afirma Rui Fernandes, membro da Comissão Política do Comité Central do PCP, em declarações à RTP Antena 1.

O PS já veio também defender que a situação do ministro da Administração Interna “atingiu o limite do admissível no quadro do normal funcionamento das instituições”. Em declarações à agência Lusa, o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, exortou o primeiro-ministro a “pôr ordem no Governo” e a “tomar decisões difíceis”.
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