Crise na habitação marca debate dos candidatos à Câmara do Porto
É unânime, todos os candidatos concordaram que a falta de habitação, no Porto, é um dos maiores problemas da cidade. No debate, na terça-feira à noite na RTP, PS e PSD discordaram nas soluções para resolver a crise na habitação.
Foto: José Pinto Dias - RTP
Guilherme Alexandre Jorge (Volt) lembra a violência doméstica e a violência na noite
Aponta aqui a necessidade de proporcionar às vítimas todas as condições para poderem denunciar estes crimes.
Em relação à noite, defende uma sensibilização para o respeito e proteção das pessoas do género feminino, por exemplo.
Frederico Duarte Carvalho (ADN) diz que o que há são "picos de insegurança"
Maria Costa aponta polícias sinaleiros como uma solução para reduzir criminalidade
“Os polícias poderão estar mais presentes na rua e verificar situações pontuais que possam ocorrer no âmbito da criminalidade”, explicou.
"Descentralização e municipalização" são a resposta diz Luís Tinoco Azevedo
Livre propõe mais aulas de cidadania para combater crimes de ódio e violência de género
Nuno Cardoso quer transformar zona industrial numa zona empresarial e residencial no parque de Ramalde
Sérgio Aires (BE) diz que "as pessoas estão assustadas, mas não é a realidade"
"Precisamos de policias na rua, de patrulhamento", afirma Miguel Corte Real (Chega)
CDU defende policiamento de proximidade
Considera que a criação de superesquadras e desaparecimento de polícia de proximidade contribuem para o sentimento de insegurança na cidade.
Diana Ferreira sublinha a importância de garantir condições de trabalho e valorizar os profissionais de segurança, sublinhando que é necessário mais policiamento de proximidade mas também "ruas limpas e iluminadas”.
Filipe Araújo deixa críticas a Manuel Pizarro e Pedro Duarte
A última intervenção fica também marcadas pelas críticas aos ex-ministros que se candidatam à Câmara do Porto, considerando que os Governos têm falhado ao longo dos últimos anos a nível de segurança. Têm sido "ineficientes e ineficazes", vincou.
Por fim, ao nível da ajuda aos toxicodependentes, critica os atrasos do Ministério da Saúde pelo atraso para a primeira consulta.
Manuel Pizarro (PS) e as vantagens do policiamento de proximidade
Esta solução deverá ser apoiada com maior videovigilância, refere o candidato socialista, assinalando a necessidade de um programa social robusto para enfrentar aquele que refere como o maior problema de segurança do Porto (trafico e consumo de droga).
Pedro Duarte (PSD/CDS/IL) critica inércia face à “falta de segurança”
Diz, nesse sentido, que há uma atitude que tem de mudar em relação a este tema da segurança, “uma inércia generalizada que tem de ser alterada” em relação a “consumo de droga na via pública” e outra atitude para com os sem-abrigo.
Luís Tinoco Azevedo (PLS) e a cidade dos 15 minutos
Lembrando o conceito da cidade dos 15 minutos, em que nesse espaço de tempo as pessoas têm as suas necessidades atendidas, Luís Tinoco Azevedo assinala que não estamos longe dessa realidade, mas “longe de ter vontade de o fazer”.
Maria Costa (PTP) quer polícias sinaleiros de volta
“Queria também criar os transportes da STCP gratuitos na cidade do Porto e criar mais linhas regulares” que sirvam as necessidades das pessoas, o que, acresdita, fará fluir melhor o trânsito da cidade.
Frederico Duarte Carvalho (ADN) exige voz comum no que chama de Grande Porto
Frederico Duarte Carvalho ironizava assim com o que diz ser a escassa experiência deste novo gestor para o Metro.
Ainda sobre a mobilidade na cidade, critica o facto de não haver uma voz comum no Grande Porto.
Soluções do Volt para a mobilidade passam por mais faixas para autocarros e bicicletas elétricas
Livre quer reduzir faixas de rodagem e lugares de estacionamento
Nuno Cardoso considera "absurdo" haver duas empresas rodoviárias na área metropolitana do Porto
CDU quer reforçar o transporte público
A candidata propõe também eliminar todas as portagens do distrito do Porto.
Chega propõe transferir mercado abastecedor para Gondomar
Sérgio Aires quer regulamentação mais forte para TVDE
O candidato pede também regulamentação mais forte para os TVDE.
Filipe Araújo diz que "a justiça social não é dar tudo a todos"
Pedro Duarte propõe aumento da taxa turística
Mobilidade. Manuel Pizarro aposta na melhoria e gratuitidade dos transportes públicos
Maria Costa (PTP) quer ver terrenos camarários aproveitados
Maria costa lembra a possibilidade de “criar uma empresa autárquica para poder financiar esses imóveis”.
Sobre as casas devolutas pertencentes a privados, a deputada do PTP alerta contra as tentações de expropriação.
Luís Tinoco Azevedo (PLS) quer boa rede de transportes públicos
Luís Tinoco Azevedo aponta ainda a necessidade de uma boa rede de transportes públicos, que ajudarão quem trabalha no Porto mas não terá obrigatoriamente de viver na cidade.
Guilherme Alexandre Jorge (Volt) lembra os sem-abrigo
“Portanto, a voz do Volt e o vosso voto no Volt fazem a diferença” e “a nossa aposta é na habitação pública e cooperativa com utilização dos terrenos municipais para resolver os problemas dos sem-abrigo”.
Guilherme Alexandre Teixeira sublinhou o apelo a “uma solução para tirar essas pessoas da miséria”.
Frederico Duarte Carvalho (ADN) relaciona problemas na habitação com imigração
Frederico Duarte Carvalho defende, nesse sentido, “uma maior fiscalização” que “impeça que as casas possam ser utilizadas para a imigração ilegal ou tráfico humano”.
Para solucionar o problema, propõe coordenação com o Governo, “é com Pinto Luz que temos de falar”, apoio a cooperativas e investimento municipal com parceiros privados, recuperação de património abandonado, rendas acessíveis e, por fim, a fiscalização”.
Nuno Cardoso (NC/PPM) defende regresso das cooperativas de habitação
“As últimas mil casas públicas que se fizeram no Porto, em 2000/2001 (..) foi tudo minha iniciativa”.
Considerando que “o problema da habitação é muito sério”, Nuno Cardoso diz que “é preciso mobilizar a sociedade toda e a grande aposta é no cooperativismo (…) O país precisa de lançar as cooperativas de habitação”.
Trata-se de uma fórmula que considera mais eficaz do que as parcerias público-privadas.
Livre quer atingir meta de 30% de habitação pública e cooperativa
“Queremos bairros saudáveis e combater a pobreza energética”, acrescentou.
Pessoas em situação de sem-abrigo são "emergência crucial" para o BE
Na opinião do candidato, esta meta é “exequível”.
No entanto, o candidato destaca que as pessoas em situação de sem-abrigo são “a emergência crucial em termos de habitação”.
Miguel Corte-Real diz estar focado em "soluções imediatas" para a habitação
“Não é agora por milagre que se vai resolver tudo. Preferimos estar concentrados em soluções imediatas”, acrescentou.
Filipe Araújo acusa PS de "despesismo"
“Ninguém acredita que em quatro anos vai construir cinco mil casas”, disse.
O candidato independente quer criar uma task-force para a habitação.
CDU quer habitações públicas para as 3000 famílias em situação de emergência
Manuel Pizarro acusa Governo de "viver fora da realidade"
“Chamar de custo moderado a uma renda de 2300 euros é de quem vive fora a realidade”, disse.
Manuel Pizarro apresenta uma “alternativa inovadora e inspiradora” que consiste na meta de construir 5000 casas em quatro anos.
Pedro Duarte considera medidas do Governo para a habitação "muito úteis"
“Não serão suficientes mas serão uma boa ajuda”, disse.
Maria Costa crê que o Partido Trabalhista Português "vai fazer a diferença"
Partido Liberal Social quer trazer "ideias novas"
"O trabalho das sondagens foi feito há duas semanas" lembra Frederico Duarte Carvalho
Para o Volt as sondagens revelam que as pessoas "não conhecem" o partido
Nuno Cardoso diz que a sua coligação "também tem sondagens"
Sérgio Aires diz que o Bloco de Esquerda lamenta "cacofonia dos debates"
Diana Ferreira. A CDU "tem os motivos para estar confiantes"
Livre. "Somos a chave de um entendimento à esquerda", diz Hélder Sousa
O independente Filipe Araújo desvaloriza as sondagens
Miguel Corte Real destaca a "oportunidade de debater a cidade"
Pedro Duarte sente um "sentido de dever de estar à altura das responsabilidades"
Manuel Pizarro. "Não embandeirei em arco com a sondagem"
Retrato do Porto. População e rendimento a crescer, habitação é o principal problema
Apesar de uma subida nos rendimentos, os custos na habitação também cresceram ao longo dos últimos anos. Em dia de debate entre os candidatos, fazemos o retrato da cidade Invicta.
Sondagem Católica. Pedro Duarte e Manuel Pizarro empatados na corrida à Câmara do Porto
A doze dias das eleições autárquicas, tudo está em aberto na corrida à Câmara do Porto. Uma sondagem da Universidade Católica para a RTP, Antena 1 e Público mostra Pedro Duarte, da coligação que junta o PSD, CDS e Iniciativa Liberal, e Manuel Pizarro, do PS, separados por uma margem muito curta. Em terceiro lugar surge o Chega.
A diferença é muito estreita e está dentro da margem de erro, o que impossibilita dizer neste momento quem está à frente nesta corrida. O Chega, por sua vez, parece ter assegurado o terceiro lugar, com dez por cento das intenções de voto.
O Livre e o candidato independente Filipe Araújo conseguem, cada um deles, seis por cento, e a CDU cinco por cento.
O antigo autarca da cidade, Nuno Cardoso, não vai além dos quatro por cento e o Bloco de Esquerda surge de seguida com três por cento, o que significa que pode perder o único vereador que elegeu há quatro anos.
O ADN, o Partido Liberal Social (PLS), o Volt e o PTP ficam aquém do um por cento das intenções de voto.
A percentagem de quem ainda tem a escolha em aberto é significativa (14 por cento), e sem distribuição destes indecisos, a intenção direta de voto revela um evidente empate técnico. Pedro Duarte e Manuel Pizarro surgem separados por apenas um ponto percentual, com vantagem para o candidato do PSD, CDS e Iniciativa Liberal, com 24 por cento das intenções de voto.
Maioria absoluta pouco provável
Os resultados desta sondagem – que foi feita a duas semanas das eleições – apontam para uma corrida renhida à Câmara do Porto. Há 13 vereadores para eleger e não há perspetivas de uma maioria absoluta.
Apesar de todas estas incertezas, a maioria dos inquiridos aponta o candidato do PS como provável vencedor (34 por cento). Em segundo lugar surge Pedro Duarte (26 por cento) e apenas cinco por cento acreditam que será o Chega a vencer as eleições no Porto.
A sondagem também questionou os portuenses sobre quais os principais problemas da cidade. Sem surpresas, dois terços dos entrevistados indicam que a habitação é o principal problema do Porto.
Este inquérito foi realizado pelo CESOP–Universidade Católica Portuguesa para a RTP, Antena 1 e Público nos dias 27 e 28 de setembro de 2025. O universo alvo é composto pelos eleitores residentes e recenseados no concelho do Porto. Foram selecionadas cinco freguesias do concelho de modo a que as médias dos resultados eleitorais das eleições autárquicas de 2013, 2017 e 2021 nesse conjunto de freguesias (ponderado o número de inquéritos a realizar em cada uma) estivessem a menos de 1 ponto percentual dos resultados ao nível do concelho de cada uma das cinco listas mais votadas. Os domicílios em cada freguesia foram selecionados por caminho aleatório e foi inquirido em cada domicílio o próximo aniversariante recenseado eleitoralmente no concelho. Os inquiridos foram informados do objetivo do estudo e demonstraram vontade de participar. Foram obtidos 1163 inquéritos válidos, sendo 58% dos inquiridos mulheres. Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição da população por sexo, escalões etários, freguesia e voto nas legislativas 2025. A taxa de resposta foi de 43%. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 1163 inquiridos é de 2,8%, com um nível de confiança de 95%.
Autárquicas no Porto. Propostas para habitação dividem candidatos
Há 12 candidatos à Presidência da Câmara do Porto nestas eleições autárquicas. <br />
A Habitação é um dos temas que marcam a campanha eleitoral a norte.
Autárquicas 2025. Porto
Na corrida para as eleições autárquicas de 12 de outubro de 2025, conheça os candidatos, os números do concelho e os resultados das últimas eleições autárquicas, que se realizaram em 2021.
Na área da habitação, Pedro Duarte compromete-se a aproveitar os imóveis devolutos do Estado e da Câmara Municipal para gerar nova oferta habitacional, pública e mais acessível, com especial enfoque nos jovens e nas famílias. Pedro Duarte quer também que todos os residentes da cidade do Porto utilizem os transportes de forma gratuita e coloca também a segurança
Na área da saúde, o social-democrata quer “criar um novo serviço municipal, focado na saúde de proximidade, com base em parcerias com instituições do setor social, instituições de ensino e de investigação e hospitais”.
Outra das prioridades de Pedro Duarte é a segurança. O candidato propõe a colocação de mais 100 polícias municipais na rua e o envio de mais 100 agentes da PSP. Para além disso, Pedro Duarte promete ser “implacável com a imigração ilegal”. Para isso propõe criar equipas municipais de fiscalização e coordenar uma resposta com outras autoridades competentes, para identificar e combater redes ilegais.
Manuel Pizarro – PS
Foi membro da Junta de Freguesia de Ramalde entre 1998 e 2001 e entre 2002 e 2005 foi membro da Assembleia Municipal do Porto. Foi também vereador da Câmara Municipal do Porto entre 2005 e 2008.
Em 2005 foi eleito deputado à Assembleia da República. Entre 2008 e 2011 assumiu o cargo de secretário de Estado da Saúde e desempenhou a função de ministro da Saúde entre setembro de 2022 e abril de 2024. Foi ainda eurodeputado entre 2019 e 2022.
No discurso de apresentação da candidatura à liderança do executivo municipal da Invicta, o antigo ministro socialista deixou igualmente claras as suas ideias para o setor da mobilidade. Comprometeu-se a tornar gratuito o passe “Andante” para os maiores de 65 anos já em 2026 e a apostar na expansão do metro do Porto.
No que respeita à segurança, Manuel Pizarro assegurou que “haverá maior visibilidade, maior proximidade e maior presença na rua das forças de segurança”, para as quais prometeu disponibilizar “viaturas adequadas”.
O antigo ministro socialista assinalou a coesão social como “um pilar da segurança”, mostrando estar igualmente pronto e preparado para “liderar um verdadeiro programa de coesão”, oferecendo “apoio social e de saúde aos consumidores de estupefacientes”, visando “promover a sua reinserção”.
Diana Ferreira – CDU
O partido quer também construir mais seis mil habitações públicas com ajuda do Governo e propõe travar o licenciamento de mais alojamento local.
A candidata defende “uma rede de transportes públicos devidamente articulada, coerente, de qualidade, com horários que sirvam às necessidades de deslocação” e mobilidade gratuita para pessoas em situação de fragilidade social.
Diana Ferreira quer evitar a dependência do turismo no Porto e, por isso, defende uma economia “diversificada”, não dominada pelo turismo e pelas atividades conexas.
Sérgio Aires – BE
Integrou o gabinete de investigação da EAPN Portugal / Rede Europeia Anti-Pobreza, entidade na qual viria a assumir a função de coordenador nacional entre 1998 e 2006 e desde esse ano trabalha como consultor independente nas áreas do combate à pobreza e da economia social.
Entre as centenas de propostas do BE para o Porto, destaca-se a criação de um Programa Municipal de Construção Pública de Habitação, que pretende aumentar o parque público de cerca de 10% para 15% do total de fogos no concelho até 2030, propondo ainda, nessa área e a reabilitação de fogos devolutos para arrendamento público a preços controlados.
Na mobilidade e ambiente, o BE aponta ao alargamento da gratuitidade dos transportes públicos, mais faixas BUS para a STCP, o metrobus 100% em canal dedicado, o estudo para a promoção do elétrico e a implementação de parques de estacionamento dissuasores nas entradas da cidade.
Na área da cultura, os bloquistas propõem a criação de uma Carta Municipal de Cultura até final de 2026, com metas, indicadores e financiamento plurianual, bem como a criação de um Passaporte Cultural Municipal.
Já para a área da educação, Sérgio Aires defende a "construção e requalificação de creches municipais e acordos com a Segurança Social", o apoio financeiro a cuidadores informais e reforço de recursos humanos, ou a criação de Gabinetes de Inclusão Escolar.
Hélder Sousa – Livre
Membro do Livre desde 2022, do Grupo de Coordenação Local do Núcleo Territorial do Porto e da Assembleia do Livre, Hélder Sousa foi candidato às eleições legislativas de 2024 e 2025 pelo círculo eleitoral do Porto.
O partido quer também garantir habitação de emergência para pessoas em situação de sem-abrigo, vítimas de violência doméstica e de género e refugiados e implementar um programa “3C Municipal”, com o objetivo de “combater os níveis elevados de pobreza energética e de habitações indignas na cidade, melhorando o desempenho energético dos edifícios, reduzindo as emissões de gases com efeito de estufa e dando maior qualidade de vida àqueles que moram no Porto”.
Na educação, o Livre quer garantir creches gratuitas desde os quatro meses de idade, expandir a rede pública municipal e aumentar as parcerias com IPSS. Uma das medidas consiste também em transformar as escolas públicas da cidade em Escolas Solares, “comunidades de energia renovável e centros para a comunidade abertos a todas as pessoas, com projetos intergeracionais, atividades de apoio e de integração às comunidades de alunos imigrantes, promovendo bairros saudáveis e circuitos de cuidado mútuo”.
O programa inclui também medidas para as diferentes comunidades no Porto, nomeadamente a criação de um conselho municipal das migrações e um gabinete municipal de apoio ao imigrante.
O partido pretende também lançar um programa-piloto da semana laboral de quatro dias e combater a precariedade laboral.
Miguel Corte-Real – Chega
Corte-Real, de 39 anos, iniciou o seu percurso político na Juventude Social-Democrata (JSD), tendo depois passado para o PSD, onde exerceu várias funções, nomeadamente como a vice-presidência da concelhia do PSD-Porto e a liderança do Núcleo Ocidental do Porto (NOP) do PSD. Integrou também o Conselho Nacional do Partido.
Sobre a crise da habitação, Miguel Corte-Real considera que a habitação pública existente na cidade do Porto é suficiente e propõe retirar habitação municipal a quem trafica droga.
Ainda neste tópico, o candidato defende que em vez de um leilão de construção de mais habitação pública, e necessário um alargamento da renda apoiada à classe média do Porto.
Na educação, o candidato do Chega propõe pagar as propinas aos estudantes residentes no Porto que estudem nas universidades da cidade e atribuir bolsa de mérito aos estudantes residentes que estudem fora do Porto e tenham um bom aproveitamento escolar.
No capítulo da Cultura, o gestor defende a canalização dos dez milhões de euros “gastos anualmente nos 72 funcionários da empresa Ágora” para o setor.
Nuno Cardoso – Nós Cidadãos! e Partido Popular Monárquico (NC/PPM)
Natural de Peso da Régua, é licenciado em Engenharia Civil (Opção de Planeamento Regional e Urbano) pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.
Em 1990, assumiu as funções de Assessor do presidente da Câmara Municipal do Porto e ficou responsável pelo desenvolvimento de uma estratégia de transportes da cidade e de um esquema de circulação rodoviária.
Em 1998 foi designado vice-presidente da Câmara com o pelouro do urbanismo e em outubro de 1999 assumiu funções enquanto presidente da Câmara Municipal do Porto, em substituição do socialista Fernando Gomes, que na altura foi convidado a integrar o Governo de António Guterres.
Na área da habitação, Nuno Cardoso considera que a cidade do Porto “tornou-se inabitável” para quem lá nasceu e trabalha. Para tentar combater esse problema, o candidato propõe recuperar as cerca de 20 mil casas devolutas que continuam fora do mercado e colocá-las no mercado a preços justos e acessíveis.
Nuno Cardoso defende também a requalificação de edifícios em ruínas, o apoio a cooperativas habitacionais e o combate à especulação imobiliária, regulando e controlando as transações “que distorcem o mercado”.
Na área da educação, o candidato propõe medidas como a eliminação do controlo de presença biométrico, encerrando o que é considerado uma “prisão digital” e reforçando a confiança na autonomia das escolas; a valorização dos assistentes técnicos e assistentes operacionais; a valorização do desporto nas escolas; a criação de creches públicas e a renovação e modernização de edifícios escolares.
Na área da mobilidade, Nuno Cardoso quer que os autocarros da STCP tenham uma frequência de cinco minutos em todas as linhas durante todo o dia. O candidato tece duras críticas ao MetroBus e propõe um debate público e alternativas como o “MetroBike”.
No capítulo da segurança, o candidato defende que não se trata apenas de policiamento, “mas de políticas públicas que cuidem das pessoas e devolvam a tranquilidade à cidade”. Nuno Cardoso quer melhorar a segurança no meio urbano, quer em termos da presença policial quer em termos de sensação de segurança, e construir uma nova sede para a polícia municipal.
Filipe Araújo – Independente
Licenciado em Engenharia Eletrotécnica pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, foi deputado da Assembleia Municipal do Porto entre 2005 e 2009 e vereador do Pelouro da Inovação e Ambiente, na Câmara Municipal do Porto, de 2013 a 2021.
O candidato independente propõe ainda diversificar as tipologias, nomeadamente incentivar a habitação partilhada entre idosos e jovens, e estimular o setor cooperativo.
Filipe Araújo promete também um agravamento fiscal dos imóveis devolutos e um IMI mais baixo para as famílias com habitação própria permanente.
Na área da mobilidade, o candidato quer transformar a via de circulação rápida em avenida urbana integrada, com menos tráfego pesado, mais espaços verdes e uso mais humano do território, e reforçar o transporte público com zero emissões.
Uma das prioridades do candidato é aumentar os espaços verdes na cidade. Nesse âmbito, o candidato compromete-se a reabilitar o Silo Auto e a transformar o seu último piso numa “praça aberta à cidade” através da instalação de empresas, “espaços abertos e salas de convívio”.
Na área da saúde, o atual vice-presidente da autarquia prometeu a criação de um plano estratégico, o lançamento do Gabinete Local de Saúde Pública e ainda a implementação da Rede Municipal de Cuidadores.
No capítulo da segurança, o candidato pretende aumentar o contingente de agentes da Polícia Municipal de cerca de 200 para 400 e formar mais agentes da PSP. O atual vice-presidente exige também um combate “forte, musculado e eficaz” ao tráfico de droga e um patrulhamento mais presente nas ruas por parte da PSP.
Guilherme Chaves – VoltQuem é?
No Porto, o candidato foi vice-presidente da Sociedade de Debates da Universidade (SdDUP), coordenador do Jornal Tribuna e consultor da ShARE-UP sendo, atualmente, membro do núcleo local dos Global Shapers, uma iniciativa do Fórum Económico Mundial.
O Volt defende arrendamento acessível “deverá ser realmente acessível a quem trabalha, e não apenas uma versão descontada dos atuais preços exorbitantes oferecidos pelo mercado” e “regular, taxar e limitar ativamente o Alojamento Local, especialmente nas freguesias onde já existe mais pressão habitacional”.
Na mobilidade, o partido quer garantir que o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável “se concretiza de forma ambiciosa e conforme os padrões dos melhores exemplos de cidades europeias”.
O Volt quer “encomendar novos veículos para a rede de transportes públicos, acompanhada da criação de mais linhas e um aumento significativo da frequência das existentes” e criar uma rede de bicicletas elétricas públicas, inspirada no exemplo de Leiria ou Hamburgo.
Entre as prioridades do partido está também a reabilitação de edifícios devolutos municipais para alojamento digno de pessoas em situação de sem-abrigo e a criação de um Plano Municipal para a Igualdade de Género e Interseccionalidade.
No combate à pobreza, o partido defende a reabilitação de edifícios devolutos municipais para alojamento digno de pessoas em situação de sem-abrigo e o “reforço da cooperação entre instituições públicas, privadas e da sociedade civil para dar respostas céleres e eficazes a situações de vulnerabilidade”.
Frederico Duarte Carvalho – ADN
Natural da cidade do Porto, Frederico Carvalho, 52 anos, iniciou a carreira no jornal “O Primeiro de Janeiro” e trabalhar agora em regime freelance.
No que diz respeito à segurança, o ADN propõe o reforço em 20% do efetivo da PSP e Polícia Municipal nas zonas com maior criminalidade e criar uma task-force municipal com PSP, e Polícia Municipal para coordenar estratégias, reduzindo redundâncias e otimizando recursos.
O candidato pede também mais videovigilância em terminais de transporte e zonas de risco, a implementação do programa “Polícia na Comunidade” para maior proximidade com cidadãos e cursos gratuitos de autodefesa e uso de armas não letais.
O ADN apresenta também como objetivo “fortalecer a família natural como pilar da comunidade, incentivando a natalidade como alternativa à imigração massiva”. Para isso, o partido propõe a implementação de creches municipais gratuitas ou a custos reduzidos.
No âmbito dos transportes, o ADN quer acabar com todas as ciclovias no centro da cidade e anulação de sistemas dissuasores de trânsito. “As ciclovias em excesso com o existem atualmente dificultam a livre circulação dos transportes públicos e não estimulam a prática desportiva, representando, na sua maioria vias de aproveitamento pedonal”, lê-se no programa do partido, enviado à RTP.
Luís Tinoco Azevedo – Partido Liberal Social (PLS)
O candidato é formado em Economia pela Universidade do Minho. Trabalhou em diversas empresas multinacionais em Portugal, Espanha e nos Países Baixos, nas áreas de trading, logística e gestão de operações.
Com a descentralização e municipalização, o partido quer dar “mais poder aos municípios, mais eficiência aos serviços e mais voz aos munícipes”. Para isso, o PLS propõe aumentar a despesa local para 30% do Orçamento do Estado, transferir competências de saúde e educação para os municípios e realizar concursos públicos internacionais para cargos técnicos.
Na área da mobilidade, o partido propõe uma visão de “cidade de 15 minutos”, que assenta no princípio de que cada cidadão deve poder aceder, em menos de um quarto de hora, aos serviços e funções essenciais do dia-a-dia.
O PLS quer também aumentar o orçamento da Câmara Municipal do Porto para a mobilidade suave pedonal dos atuais 0.1% para 1%, construir uma rede efetiva de ciclovias na cidade segregadas e seguras, implementar corredores de autocarro contínuos nas linhas de maior tráfego e fazer uma auditoria externa ao MetroBus da Boavista, para avaliar custo-benefício e repor ciclovias.
Na habitação, o partido considera que o acesso “só pode ser resolvido com uma estratégia de diversificação da oferta”. “É necessário aumentar o número de casas disponíveis através de várias vias: promoção do arrendamento, estímulo à construção privada e pública, incentivo à reabilitação de edifícios devolutos, apoio a projetos cooperativos e criação de soluções de habitação intergeracional”, lê-se no programa.
Para além disso, o partido considera que é preciso regular a procura e defende que se passe a incluir hotéis no limite municipal a Alojamento Local por freguesia de 15% e que se reveja a taxa turística e atualize o sistema de monitorização da pressão turística.
Para melhorar a segurança do Porto, o partido propõe uma maior colaboração entre a Polícia Municipal no Porto e Polícia de Segurança Pública (PSP); aumentar as rondas a pé; desenvolver um Relatório Anual de Segurança Interna Municipal; melhorar a iluminação nos locais de maior criminalidade e desenvolver uma estratégia de combate à toxicodependência.
Maria Costa – Partido Trabalhista Português (PTP)
Na área do emprego, a candidata coloca a meta de criação de 40 mil postos de trabalho (indústria automóvel, siderúrgica, cimenteira, agricultura, energia, recursos humanos) e defende a criação de emprego público nas diversas áreas de intervenção da autarquia.
Para além disso, Maria Costa quer captar investimento privado para o Porto e estabelecer articulação com escolas, universidades e empresas do Porto para fomentar emprego.
Para a habitação, a candidata do PTP defende a disponibilização de casas sociais ajustadas às necessidades; criação de mais áreas de habitação para particulares; aumento da habitação e a simplificação e maior celeridade nos procedimentos urbanísticos.
A candidata quer também rever o Programa Diretor Municipal (PDM) para aumentar a habitação e criar uma zona empresarial e realizar obras públicas para resolver os problemas de trânsito na cidade.
No capítulo da mobilidade, a candidata do Partido Trabalhista defende a gratuitidade dos transportes públicos da STCP para todas as idades dentro da cidade do Porto. Maria Costa quer também rever o projeto do metro, eliminar os parquímetros dentro da cidade e eliminar os semáforos no centro da cidade, substituindo-os por polícias sinaleiros.
Para a ação social, a candidata defende o apoio a crianças, jovens e idosos carenciados; o apoio às famílias “para maior felicidade e sustentabilidade” e apoio à natalidade.
- N.º de eleitores: 202.046
- Rendimento médio mensal: 1.761€
- Habitação por m²: 2.580€ (+24,4% em relação a 2021)
- Ramo de atividade com mais trabalhadores:
- Consultoria, científica, técnica e similares
- Administrativa e dos serviços de apoio
- Restauração e similares
- Pequenas: 51.941
- Médias: 340
- Grandes: 74
- Vitórias eleitorais em Autárquicas: PSD - 6 / PS - 4 / IND - 3
Ao nível da população, [consideram-se] as estimativas provisórias de população residente – pós-censitárias – revistas em junho de 2024, com variação percentual em relação aos Censos de 2021. O número de eleitores diz respeito a 15 de junho de 2025, conforme consta no Diário da República n.º 115/2025, Série II de 2025-06-17.
Relativamente ao rendimento médio mensal, contabiliza-se o valor bruto, em euros, auferido pelos trabalhadores por conta de outrem de cada concelho em 2023. Para efeitos de comparação, a média nacional situava-se em 1.460,8 €, mas apenas seis dos concelhos analisados estão acima deste valor ou com valores aproximados.
Quanto aos ramos de atividade com maior número de trabalhadores, são apresentados os três setores com mais pessoal empregado. Os dados referem-se a 2023, mas refletem a tendência dos últimos anos.
No que respeita às empresas de cada concelho, as pequenas têm até 50 trabalhadores e um volume de negócios até 10 milhões de euros; as médias têm menos de 250 trabalhadores e até 50 milhões de euros; e as grandes contam com mais de 250 trabalhadores e um volume de negócios superior a 50 milhões de euros (dados de 2023).
Incluem-se ainda os dados do desemprego no continente, nomeadamente a percentagem de pessoas inscritas nos centros de emprego (à procura do primeiro emprego ou desempregadas), calculada a partir do valor médio mensal de inscritos em 2024. Nas regiões autónomas, foi apenas possível obter os dados relativos à taxa de desemprego (NUTS II – 2024) no 2.º trimestre de 2025. Para comparação, a percentagem nacional foi de 5,9 %.
Sobre a habitação, os dados apresentam o valor mediano da avaliação bancária por metro quadrado registado em 2024, com a respetiva variação percentual face a 2021, ano das anteriores eleições autárquicas. A referência nacional situa-se em 1.662 €/m² e a variação nacional foi de um aumento de 35 %.
Por fim, são também apresentados os resultados das anteriores eleições autárquicas, realizadas em 26 de setembro de 2021.
Fontes: PORDATA; INE; Secretaria-Geral da Administração Interna; Diário da República; CNE
Autárquicas. Há doze candidatos à Câmara Municipal do Porto
A cidade do Porto tem 12 candidatos nestas autárquicas é um número recorde. A dispersão de votos deve obrigar por isso o vencedor a fazer acordos para tentar governar a Câmara.
Foto: Pedro A. Pina - RTP