Política
Baixa coesão territorial e dependência do turismo travam crescimento económico em Portugal
Estudo da Universidade de Economia do Porto analisa os fatores que explicam o fraco desempenho económico de Portugal nas últimas décadas.
A comparação internacional (especialmente com o Leste europeu) e a decomposição territorial e setorial são fundamentados pelo estudo, apresentado esta quarta-feira, para provar que o modelo de crescimento português é "frágil, territorialmente desequilibrado e incapaz de assegurar uma convergência sustentada”.
A economia portuguesa continua condicionada por “duas fragilidades profundas e persistentes” - a fraca coesão territorial e a especialização excessiva em atividades de baixo valor acrescentado, em particular no turismo e no imobiliário, que “limitam o crescimento económico” e impedem uma convergência sustentada com a União Europeia (UE). A conclusão consta de um estudo da Faculdade de Economia da Universidade do Porto.
De acordo com a análise, estas duas dimensões “não apenas coexistem, como se reforçam mutuamente”, dando origem a “um padrão de desenvolvimento desequilibrado, vulnerável e incapaz de assegurar uma convergência sustentada com a União Europeia”.
Entre 2000 e 2023, Portugal “perdeu posição relativa face à média europeia em termos de nível de vida”, passando de 85 por cento para 81 por cento da média da UE.
Esta evolução ocorreu num contexto em que a convergência interna entre regiões foi limitada e, sobretudo, assente num processo de “igualização por baixo”, em que as disparidades regionais diminuíram mais porque as regiões mais ricas cresceram menos do que porque as mais pobres deram um salto estrutural relevante.
O estudo sublinha a elevada concentração económica e demográfica na Área Metropolitana de Lisboa, que continua a ser o maior contributo individual para o crescimento do nível de vida nacional.
No entanto, esse contributo tem vindo a diminuir ao longo do tempo, refletindo sinais claros de rendimentos marginais decrescentes.
Entre os fatores apontados estão os custos crescentes de congestionamento, a pressão sobre infraestruturas, habitação e serviços públicos e a necessidade de elevados níveis de investimento público apenas para manter os atuais níveis de bem-estar.
Em contraste, regiões como o Norte - sobretudo fora da Área Metropolitana do Porto -, bem como vastas zonas do Centro e do Alentejo, apresentam produtividades marginais ainda crescentes, mas permanecem subaproveitadas.
A escassez de investimento produtivo, a perda de população e a ausência de centros de decisão económica são identificadas como fatores que travam o seu potencial contributo para o crescimento do país.
A decomposição do crescimento do nível de vida mostra que o Norte reforçou o seu contributo através da melhoria da produtividade, chegando mesmo a ultrapassar Lisboa nesse indicador.
Ainda assim, a perda de quota populacional impediu a região de assumir o papel de principal motor económico nacional, o que, segundo o estudo em análise, revela oportunidades de crescimento fora da capital que não estão a ser plenamente exploradas.
No plano institucional, Portugal é destacado como um dos “países mais centralizados da União Europeia”, com níveis particularmente baixos de despesa pública local e regional em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB).
A concentração excecional do mercado de trabalho e das funções de decisão na capital política aproxima Portugal de economias como a Grécia e a Hungria, associadas a desempenhos económicos mais fracos e a problemas estruturais persistentes.
A análise da estrutura produtiva reforça este diagnóstico. Entre 2000 e 2022, Portugal registou um dos crescimentos mais baixos do Valor Acrescentado Bruto nominal na UE, isto é, foi um dos países da União Europeia onde a economia menos aumentou em termos de riqueza criada, mesmo contando com a subida dos preços.
Os principais contributos para esse crescimento vieram de setores intensivos em trabalho e de baixa produtividade - como comércio, transportes, alojamento e restauração, atividades imobiliárias e setor público - fortemente ligados ao turismo.
Em sentido oposto, a indústria perdeu peso relativo e a construção registou uma quebra acentuada.
Segundo o estudo, este padrão de especialização explica não só o fraco crescimento da produtividade, como também a elevada vulnerabilidade da economia portuguesa a choques externos e a pressões sobre recursos escassos, como a habitação.
Em comparação, as economias da Europa de Leste conseguiram crescer mais rapidamente através de uma aposta persistente na indústria, nas tecnologias da informação e comunicação e numa maior integração em cadeias de valor internacionais.
Os autores concluem que ultrapassar estes constrangimentos exige uma mudança estrutural profunda no modelo de desenvolvimento do país. Essa transformação passa por uma descentralização efetiva da decisão e dos recursos, por uma reorientação estratégica do investimento público e privado e pela diversificação da base produtiva em direção a atividades transacionáveis de maior valor acrescentado.O estudo analisou dados regionais entre 2000 e 2023, com base em estatísticas oficiais do Eurostat e do Instituto Nacional de Estatística (INE), avaliando indicadores como o nível de vida, o Valor Acrescentado Bruto setorial e o investimento.
Sem essa mudança, alertam, Portugal continuará “preso a um modelo de crescimento frágil, territorialmente desequilibrado e incapaz de assegurar convergência económica, coesão social e sustentabilidade de longo prazo”.
A economia portuguesa continua condicionada por “duas fragilidades profundas e persistentes” - a fraca coesão territorial e a especialização excessiva em atividades de baixo valor acrescentado, em particular no turismo e no imobiliário, que “limitam o crescimento económico” e impedem uma convergência sustentada com a União Europeia (UE). A conclusão consta de um estudo da Faculdade de Economia da Universidade do Porto.
De acordo com a análise, estas duas dimensões “não apenas coexistem, como se reforçam mutuamente”, dando origem a “um padrão de desenvolvimento desequilibrado, vulnerável e incapaz de assegurar uma convergência sustentada com a União Europeia”.
Entre 2000 e 2023, Portugal “perdeu posição relativa face à média europeia em termos de nível de vida”, passando de 85 por cento para 81 por cento da média da UE.
Esta evolução ocorreu num contexto em que a convergência interna entre regiões foi limitada e, sobretudo, assente num processo de “igualização por baixo”, em que as disparidades regionais diminuíram mais porque as regiões mais ricas cresceram menos do que porque as mais pobres deram um salto estrutural relevante.
O estudo sublinha a elevada concentração económica e demográfica na Área Metropolitana de Lisboa, que continua a ser o maior contributo individual para o crescimento do nível de vida nacional.
No entanto, esse contributo tem vindo a diminuir ao longo do tempo, refletindo sinais claros de rendimentos marginais decrescentes.
Entre os fatores apontados estão os custos crescentes de congestionamento, a pressão sobre infraestruturas, habitação e serviços públicos e a necessidade de elevados níveis de investimento público apenas para manter os atuais níveis de bem-estar.
Em contraste, regiões como o Norte - sobretudo fora da Área Metropolitana do Porto -, bem como vastas zonas do Centro e do Alentejo, apresentam produtividades marginais ainda crescentes, mas permanecem subaproveitadas.
A escassez de investimento produtivo, a perda de população e a ausência de centros de decisão económica são identificadas como fatores que travam o seu potencial contributo para o crescimento do país.
A decomposição do crescimento do nível de vida mostra que o Norte reforçou o seu contributo através da melhoria da produtividade, chegando mesmo a ultrapassar Lisboa nesse indicador.
Ainda assim, a perda de quota populacional impediu a região de assumir o papel de principal motor económico nacional, o que, segundo o estudo em análise, revela oportunidades de crescimento fora da capital que não estão a ser plenamente exploradas.
No plano institucional, Portugal é destacado como um dos “países mais centralizados da União Europeia”, com níveis particularmente baixos de despesa pública local e regional em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB).
A concentração excecional do mercado de trabalho e das funções de decisão na capital política aproxima Portugal de economias como a Grécia e a Hungria, associadas a desempenhos económicos mais fracos e a problemas estruturais persistentes.
A análise da estrutura produtiva reforça este diagnóstico. Entre 2000 e 2022, Portugal registou um dos crescimentos mais baixos do Valor Acrescentado Bruto nominal na UE, isto é, foi um dos países da União Europeia onde a economia menos aumentou em termos de riqueza criada, mesmo contando com a subida dos preços.
Os principais contributos para esse crescimento vieram de setores intensivos em trabalho e de baixa produtividade - como comércio, transportes, alojamento e restauração, atividades imobiliárias e setor público - fortemente ligados ao turismo.
Em sentido oposto, a indústria perdeu peso relativo e a construção registou uma quebra acentuada.
Segundo o estudo, este padrão de especialização explica não só o fraco crescimento da produtividade, como também a elevada vulnerabilidade da economia portuguesa a choques externos e a pressões sobre recursos escassos, como a habitação.
Em comparação, as economias da Europa de Leste conseguiram crescer mais rapidamente através de uma aposta persistente na indústria, nas tecnologias da informação e comunicação e numa maior integração em cadeias de valor internacionais.
Os autores concluem que ultrapassar estes constrangimentos exige uma mudança estrutural profunda no modelo de desenvolvimento do país. Essa transformação passa por uma descentralização efetiva da decisão e dos recursos, por uma reorientação estratégica do investimento público e privado e pela diversificação da base produtiva em direção a atividades transacionáveis de maior valor acrescentado.O estudo analisou dados regionais entre 2000 e 2023, com base em estatísticas oficiais do Eurostat e do Instituto Nacional de Estatística (INE), avaliando indicadores como o nível de vida, o Valor Acrescentado Bruto setorial e o investimento.
Sem essa mudança, alertam, Portugal continuará “preso a um modelo de crescimento frágil, territorialmente desequilibrado e incapaz de assegurar convergência económica, coesão social e sustentabilidade de longo prazo”.