Catarina Martins promoveu debate sobre habitação e ouviu desabafos dos portuenses

A candidata presidencial Catarina Martins promoveu hoje um debate sobre habitação no Porto e ouviu os desabafos de vários portuenses que assistiram ao Laboratório da Felicidade com queixas sobre o preço das casas e a gentrificação da cidade.

Lusa /

Valores das rendas incomportáveis, uma cidade cada vez mais reservada às elites ou falta de habitação pública. Estas foram algumas das queixas ouvidas por Catarina Martins durante o Laboratório da Felicidade, que promoveu na Associação de Moradores da Bouça, no Porto.

Por "felicidade", a candidata pretendia debater a qualidade de vida nas cidades e como a atual crise na habitação e as medidas promovidas pelo Governo - que já tinha criticado durante a manhã - contribuem também para uma crise da comunidade e do regime democrático.

"É mesmo o momento em que o Presidente da República tem de atuar", sublinhou a candidata, que defendeu a necessidade de "políticas a sério para baixar o preço da habitação" e insistiu que, se eleita, será "um travão de emergência".

Ao lado da socióloga Lígia Ferro e dos arquitetos Bernardo Amaral e Frederico Moura e Sá, Catarina Martins pediu sugestões de como travar essa luta e melhorar a vida nas cidades, não só no que respeita à habitação, mas também ao espaço público.

"As cidades já não são de todos e temos de pensar em modos de superar esse território em disputa que constituem hoje em dia", lamentou Lígia Ferro, que defendeu o visão de "urbanismo para o quotidiano" que coloque a vida das pessoas no centro, processos coletivos de decisão, a mobilização de conhecimento no âmbito das ciências sociais e humanas, e um olhar mais atento para a cultura e as artes, a mobilidade e a segurança.

Já Bernardo Amaral foi insistente na defesa de que a resposta para os problemas da habitação passam pelas corporativas, que defendeu ser o modelo de produção de habitação não especulativo.

"É importante que haja a capacidade de ver a habitação não como um problema a resolver, mas ter uma política de habitação continuada e estruturada", continuou, sublinhando também a importância de as cidades serem organizadas pelas comunidades e para as comunidades, precisamente através de associações e cooperativas.

Frederico Moura e Sá, por seu turno, considerou que "os espaços públicos hoje são carros", um reflexo do comportamento social dominante.

"Faltam árvores, passeios, faltam crianças no espaço público", lamentou o arquiteto, que defendeu uma ideia de rua como espaço de interação social e de encontro como "o caminho para uma sociedade mais justa e mais empática".

No final de perto de duas horas de debate, Catarina Martins rejeitou narrativas de que "não há soluções para as crises da nossa vida".

"Elas existem e se conseguimos aqui ter soluções e gente que as tem testadas para crises do nosso tempo, imaginem uma Presidente da República que se esforce" por ouvir esses contributos, concluiu, prometendo ser essa chefe de Estado se for eleita no dia 18 de janeiro.

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