CGTP sai à rua contra pacote laboral. Governo critica mas promete "ouvir"

A ministra do Trabalho volta a acusar a CGTP de se "auto-afastar" das negociações em torno do pacote laboral, "ao contrário da UGT".

Carlos Santos Neves - RTP /
António Antunes - RTP

A CGTP organiza esta terça-feira uma manifestação em Lisboa contra o pacote laboral do Governo de Luís Montenegro, ação que vai terminar com a entrega de um abaixo-assinado na residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento. A Intersindical espera uma “grande concentração” para reivindicar um completo recuo do Executivo.

O início da ação de protesto está marcado para as 14h30 na Praça Luís de Camões, em Lisboa. A manifestação da CGTP dirige-se, em seguida, para a Assembleia da República. O abaixo-assinado pela revogação do anteprojeto de revisão da legislação do trabalho, afiança a Intersindical, reúne “dezenas de milhares de assinaturas”.

O secretário-geral da CGTP afirmou, em declarações à agência Lusa, contar com uma “grande concentração” contra o pacote designado “Trabalho XXI”.

“Não podemos deixar que aquilo que trouxe os trabalhadores para a rua e a força que os trabalhadores deram fique sem resposta por parte do Governo”, vincou Tiago Oliveira, referindo-se à greve geral do passado dia 11 de dezembro, realizada em conjunto com a UGT.A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, tem acusado a CGTP de se posicionar à margem das negociações em torno do pacote laboral. A central sindical contrapõe que foi o Governo que “bloqueou” o diálogo e garante que quer estar à mesa da Concertação Social e dar “voz aos trabalhadores”.


Face à posição que receber na reunião com o primeiro-ministro ou na próxima reunião plenária de Concertação Social, ainda sem data prevista, “a CGTP irá apresentar aos trabalhadores a proposta que entender necessária para dar continuidade à luta”. Sem excluir nova greve geral.

Adiada pela segunda vez, a reunião entre o primeiro-ministro e a CGTP está agora agendada para 20 de janeiro, de acordo com a Intersindical.
CGTP "auto-afastou-se das negociações"

A ministra do Trabalho voltou entretanto à carga com a ideia de que a CGTP se "auto-afastou" das negociações relativas ao pacote laboral, "ao contrário da UGT".

"O direito de manifestação é um direito fundamental e, portanto, qualquer entidade pode exercer, a CGTP também", reagiu Palma Ramalho, em declarações aos jornalistas à margem de uma conferência em Lisboa.

A governante disse querer perceber "o que é que a CGTP quer", uma vez que, até ao momento, na sua leitura, "não quis nada, auto-afastou-se das negociações da reforma Trabalho XXI, ao contrário da UGT".O Governo, ressalvou a titular da pasta do Trabalho, "estará aqui para ouvir".

Ainda segundo Maria do Rosário Palma Ramalho, a reunião da Concertação Social será marcada "proximamente".

Questionada sobre se o adiamento da reunião de 14 de janeiro decorre da proximidade das presidenciais, a ministra admitiu que "fazer reuniões destas numa altura em que as atenções das pessoas estão viradas para outras matérias, que evidentemente é o que acontece, é contraproducente".

Por outro lado, "foi adiada também a pedido de vários parceiros", face a reuniões bilaterais que ainda decorrem.
Candidatos apoiados por PCP e BE na manifestação

A manifestação da CGTP tem lugar ao 10.º dia da campanha para as eleições presidenciais do próximo domingo. Catarina Martins, candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda, e António Filipe, apoiado pelo PCP, vão estar presentes nesta ação.A RTP divulga esta terça-feira, às 20h00, uma sondagem da Universidade Católica sobre as intenções de voto nas eleições presidenciais, que deverá aclarar quem tem mais possibilidades de passar a uma segunda volta a 8 de fevereiro – cenário cada vez mais provável.

António José Seguro tem, por sua vez, contactos previstos com a população na Baía do Seixal, no centro de Azeitão e em Setúbal. A agenda do candidato apoiado pelos socialistas culmina com uma sessão no Auditório da Escola Superior de Tecnologia do Barreiro.

Henrique Gouveia e Melo passa pelo Mercado do Livramento, em Setúbal, e visita os Bombeiros Voluntários da Moita, antes de almoçar com apoiantes no Barreiro. À noite terá um jantar na Terrugem, em Sintra.

Em Loures, estará Manuel João Vieira, o músico que inaugura o Monumento à Floresta Portuguesa no Parque Papa Francisco.

Em Coimbra vão estar o sindicalista André Pestana e João Cotrim Figueiredo, apoiado pela Iniciativa Liberal.

Luís Marques Mendes escolheu o distrito de Leiria, onde terá um almoço com empresários. O candidato apoiado por PSD e CDS-PP termina o dia com uma sessão em Ansião.

Por sua vez, o líder do Chega, André Ventura, encontra-se no Minho, tendo prevista uma arruada em Braga e um comício nas imediações do Castelo de Guimarães.

Jorge Pinto, apoiado pelo Livre, visita a Casa da Cultura de Elvas e o futuro Museu da Banda Desenhada de Beja. Em Mértola, estará no CARES - Centro de Agroecologia Regeneração para o Semiárido.

c/ Lusa
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