Política
Costa aplica travão à investida contra Seguro pela "unidade no PS"
Ao cabo de sete horas de uma reunião tensa, marcada por palavras como “deslealdade” e “irresponsabilidade”, António Costa deixou na última madrugada os trabalhos da Comissão Política dos socialistas, no Rato, sem avançar com o anúncio de uma candidatura à liderança do maior partido da Oposição, algo que chegou a ser dado como certo. O autarca de Lisboa travou. Mas não desligou por completo os motores. Se, por um lado, prometeu trabalhar com António José Seguro para “fortalecer a unidade no PS”, preservou, ao mesmo tempo, o seu espaço de manobra. “É bom que isso possa acontecer. Vamos ver nos próximos dias”, sinalizou.
Ao longo da reunião na sede nacional dos socialistas, multiplicaram-se as pistas de que seria já inevitável o anúncio de uma candidatura de António Costa ao cargo de secretário-geral do PS. Uma fonte próxima do presidente da Câmara Municipal de Lisboa indicou, em declarações à agência Lusa, que a investida contra António José Seguro, tendo em vista o próximo Congresso, chegou a ser justificada nos trabalhos da Comissão Política com a impossibilidade de “um entendimento”.
Segundo elementos da corrente do autarca da capital, igualmente citados pela agência noticiosa, o atual líder do PS terá mesmo ouvido um ultimato: “António Costa disse que, ou António José Seguro consegue unir o partido, ou então candidata-se à liderança do PS, porque está em melhores condições de o fazer”.
“Isto é tudo uma coisa nunca vista. O partido estava a preparar a sua proposta política, estava a mobilizar-se para as eleições autárquicas e foi confrontado com uma deslealdade nunca vista no partido. Isto é, aliás, um episódio que surgia muito no PSD, mas não há registo histórico no PS de uma deslealdade desta natureza”, declarou à entrada para a Comissão Política João Ribeiro, porta-voz da direção Seguro.
“Considera que é capaz de unir o partido, ou vai fazer um congresso a falar de deslealdade, sem assumir a história do partido e sem se preocupar com a unidade do PS? Quer dividir ou quer unir o PS?”. Terão sido estas as perguntas que Costa endereçou a Seguro, de acordo com as fontes ouvidas pela Lusa.
Depois de formalizar a recandidatura, contra um “regresso ao passado”, o secretário-geral do PS queixar-se-ia, por sua vez, de “deslealdade” e até de “irresponsabilidade” por parte de algumas vozes do partido.
Pelo meio, o deputado Pedro Silva Pereira, braço-direito de José Sócrates na anterior governação socialista, rebateu as acusações de “deslealdade”, classificando-as como “uma tentativa de condicionamento da liberdade de opinião no interior do PS”.
Apesar de toda a acrimónia, Costa refreou o passo nos últimos instantes da reunião. Que acabou com um abraço entre os dois protagonistas da noite. Oficial é só mesmo a recandidatura à presidência da Câmara de Lisboa. A candidatura à liderança do partido fica por concretizar. Pelo menos para já. À saída do quartel-general socialista, o autarca prometeu trabalhar em prol da unidade. Para evitar uma “confrontação que neste momento, a todos os títulos, era indesejável”.
“Vamos ver nos próximos dias”
“O secretário-geral do PS foi recetivo à proposta que apresentei e acho que vamos poder todos trabalhar nos próximos dias para tentar construir uma alternativa forte do Partido Socialista, que fortaleça o Partido Socialista nas candidaturas autárquicas e que permita unir o partido, evitando uma confrontação que neste momento, a todos os títulos, não era desejável”, afirmou António Costa aos jornalistas, à saída da reunião.
Adiante, indiciou que vai manter vivo o escrutínio à atual liderança, mesmo que a “unidade” seja por agora a palavra de ordem: “É bom que isso possa acontecer. Vamos ver nos próximos dias”.
Questionado sobre a aproximação a António José Seguro no final dos trabalhos da Comissão Política, Costa começou por sustentar que “a vida no PS não é um jogo de fulanização”. “Trata-se de ideias e de estratégias políticas, de programas. Temos de fazer um trabalho para ver se conseguimos fortalecer a unidade no PS”, continuou.“Lisboa está em boas mãos”
Reafirmando, sem mais esclarecimentos, que o secretário-geral socialista “correspondeu muito positivamente” à proposta que lhe foi apresentada, António Costa insistiu na ideia de que “foram criadas condições para fortalecer a unidade do PS e para haver uma alternativa forte ao atual Governo”. E quando confrontado com o facto de estar a protelar pela segunda vez uma candidatura à liderança redarguiu que “a vida política não é um concurso de vaidades, mas um sentido de serviço em torno de ideias políticas”.
“O debate travado na reunião da Comissão Política foi bom para o PS. A forma como o secretário-geral do PS correspondeu à proposta de apresentei é um bom caminho”, repetiu.

Já Seguro deixou a reunião a expressar “satisfação pelo anúncio que António Costa fez na Comissão Política Nacional do PS de recandidatura à Câmara de Lisboa”. “Tive a oportunidade de dizer no sábado que Lisboa está em boas mãos e vai continuar de certeza absoluta em boas mãos”, sublinhou o secretário-geral socialista.
O dirigente partidário estimou também que “a Comissão Política do Partido Socialista esteve à altura das suas responsabilidades, colocando em primeiro lugar os interesses de Portugal e os interesses dos portugueses”.
Seguro adiantou, por último, que vai propor à Comissão Nacional - cuja reunião está marcada para 10 de fevereiro - “a marcação do Congresso o mais breve possível”. “Será um Congresso de reforço da unidade do PS e de reforço da alternativa política ao atual Governo”, vincou. As eleições diretas para a liderança do partido poderão realizar-se em abril.
Segundo elementos da corrente do autarca da capital, igualmente citados pela agência noticiosa, o atual líder do PS terá mesmo ouvido um ultimato: “António Costa disse que, ou António José Seguro consegue unir o partido, ou então candidata-se à liderança do PS, porque está em melhores condições de o fazer”.
“Isto é tudo uma coisa nunca vista. O partido estava a preparar a sua proposta política, estava a mobilizar-se para as eleições autárquicas e foi confrontado com uma deslealdade nunca vista no partido. Isto é, aliás, um episódio que surgia muito no PSD, mas não há registo histórico no PS de uma deslealdade desta natureza”, declarou à entrada para a Comissão Política João Ribeiro, porta-voz da direção Seguro.
“Considera que é capaz de unir o partido, ou vai fazer um congresso a falar de deslealdade, sem assumir a história do partido e sem se preocupar com a unidade do PS? Quer dividir ou quer unir o PS?”. Terão sido estas as perguntas que Costa endereçou a Seguro, de acordo com as fontes ouvidas pela Lusa.
Depois de formalizar a recandidatura, contra um “regresso ao passado”, o secretário-geral do PS queixar-se-ia, por sua vez, de “deslealdade” e até de “irresponsabilidade” por parte de algumas vozes do partido.
Pelo meio, o deputado Pedro Silva Pereira, braço-direito de José Sócrates na anterior governação socialista, rebateu as acusações de “deslealdade”, classificando-as como “uma tentativa de condicionamento da liberdade de opinião no interior do PS”.
Apesar de toda a acrimónia, Costa refreou o passo nos últimos instantes da reunião. Que acabou com um abraço entre os dois protagonistas da noite. Oficial é só mesmo a recandidatura à presidência da Câmara de Lisboa. A candidatura à liderança do partido fica por concretizar. Pelo menos para já. À saída do quartel-general socialista, o autarca prometeu trabalhar em prol da unidade. Para evitar uma “confrontação que neste momento, a todos os títulos, era indesejável”.
“Vamos ver nos próximos dias”
“O secretário-geral do PS foi recetivo à proposta que apresentei e acho que vamos poder todos trabalhar nos próximos dias para tentar construir uma alternativa forte do Partido Socialista, que fortaleça o Partido Socialista nas candidaturas autárquicas e que permita unir o partido, evitando uma confrontação que neste momento, a todos os títulos, não era desejável”, afirmou António Costa aos jornalistas, à saída da reunião.
Adiante, indiciou que vai manter vivo o escrutínio à atual liderança, mesmo que a “unidade” seja por agora a palavra de ordem: “É bom que isso possa acontecer. Vamos ver nos próximos dias”.
Questionado sobre a aproximação a António José Seguro no final dos trabalhos da Comissão Política, Costa começou por sustentar que “a vida no PS não é um jogo de fulanização”. “Trata-se de ideias e de estratégias políticas, de programas. Temos de fazer um trabalho para ver se conseguimos fortalecer a unidade no PS”, continuou.“Lisboa está em boas mãos”
Reafirmando, sem mais esclarecimentos, que o secretário-geral socialista “correspondeu muito positivamente” à proposta que lhe foi apresentada, António Costa insistiu na ideia de que “foram criadas condições para fortalecer a unidade do PS e para haver uma alternativa forte ao atual Governo”. E quando confrontado com o facto de estar a protelar pela segunda vez uma candidatura à liderança redarguiu que “a vida política não é um concurso de vaidades, mas um sentido de serviço em torno de ideias políticas”.
“O debate travado na reunião da Comissão Política foi bom para o PS. A forma como o secretário-geral do PS correspondeu à proposta de apresentei é um bom caminho”, repetiu.
Já Seguro deixou a reunião a expressar “satisfação pelo anúncio que António Costa fez na Comissão Política Nacional do PS de recandidatura à Câmara de Lisboa”. “Tive a oportunidade de dizer no sábado que Lisboa está em boas mãos e vai continuar de certeza absoluta em boas mãos”, sublinhou o secretário-geral socialista.
O dirigente partidário estimou também que “a Comissão Política do Partido Socialista esteve à altura das suas responsabilidades, colocando em primeiro lugar os interesses de Portugal e os interesses dos portugueses”.
Seguro adiantou, por último, que vai propor à Comissão Nacional - cuja reunião está marcada para 10 de fevereiro - “a marcação do Congresso o mais breve possível”. “Será um Congresso de reforço da unidade do PS e de reforço da alternativa política ao atual Governo”, vincou. As eleições diretas para a liderança do partido poderão realizar-se em abril.