Costa ficou “surpreendido” com a saída de Sócrates do PS

O secretário-geral do PS, António Costa, admite que ficou “surpreendido” com a saída de José Sócrates do Partido Socialista, mas afirma que “respeita a decisão” que considera “ser pessoal”.

RTP /
José Coelho - Lusa

“É uma decisão de José Sócrates que tenho obviamente de respeitar. Fico surpreendido, porque não há qualquer tipo de mudança da posição da direção do PS sobre aquilo que escrupulosamente temos dito desde o início. Separação entre aquilo que é justiça e aquilo que é política”, afirmou António Costa aos jornalistas em Toronto, antes de iniciar o terceiro de quatro dias de visita oficial ao Canadá.

O líder socialista acrescenta que “temos todos os motivos para confiar no nosso sistema de justiça, no nosso Estado de Direito, que tem uma dupla dimensão. A dimensão óbvia da independência total da investigação e a dimensão da presunção da inocência que também tem de ser respeitada. É nesta linha”.

“Eu tenho de respeitar a decisão pessoal do José Sócrates, obviamente o líder de um partido nunca pode ficar feliz quando qualquer militante deixa as nossas fileiras. Para mais alguém que foi líder do partido. Agora é uma decisão pessoal dele. E eu tenho de a respeitar”, realçou.

Em relação à acusação de José Sócrates de que durante os últimos anos houve violações graves do segredo de justiça no âmbito da “Operação Marquês” e que durante esse tempo o PS esteve em silêncio, Costa considera que “é sabido, desde há muito tempo, havia um entendimento divergente que o Partido Socialista entende que não tem que interferir no funcionamento do sistema de justiça”.

“O sistema de justiça tem os mecanismos próprios para funcionar, para poder investigar. Para quem goza da presunção de inocência puder exercer o seu direito de defesa. E tudo deve ser respeitado”, rematou.
PUB