Costa "magoado" afirma que voltaria a demitir-se perante parágrafo da PGR

por RTP
"Ninguém ao fim de uma vida inteira gosta de ser colocado nesta posição" Miguel A. Lopes - Lusa

O primeiro-ministro confessou-se esta segunda-feira "magoado" face ao modo como se viu envolvido numa investigação judicial. Em declarações à CNN Portugal, antes de participar no debate parlamentar que antecede o próximo Conselho Europeu, António Costa quis mostrar-se convicto de que sairá ilibado.

Segundo o primeiro-ministro cessante, a inclusão de um parágrafo no comunicado do gabinete de imprensa da Procuradora Geral da República, a indicar que o primeiro-ministro estava a ser alvo de inquérito no Supremo Tribunal de Justiça, "foi determinante" para o pedido de demissão, a 7 de novembro.

"Quem exerce as funções de primeiro-ministro não pode estar sob uma suspeita oficial. Já muitas vezes me perguntam: então e se não tivesse havido esse parágrafo? Bom, eu estava a ponderar. Eu tinha pedido ao senhor presidente da República, já nessa manhã, uma reunião às 9h30 da manhã, iria ponderar", recordou Costa.

Na ausência do parágrafo, admitiu o governante, "provavelmente aguardaria pela conclusão da avaliação pelo juiz de instrução dos indícios que existiam".
"Agora, perante um comunicado onde uma pessoa, que não é uma pessoa qualquer, é a procuradora-geral da República, entende comunicar oficialmente ao país e ao mundo que, além de tudo mais, foi aberto um processo contra o primeiro-ministro, tenho um dever que transcende a minha dimensão pessoal. Há uma dimensão institucional na função de primeiro-ministro", reforçou.António Costa carregou na ideia de que teria hoje optado pela demissão, em circunstâncias semelhantes. Propôs, todavia, que a mesma pergunta fosse colocada à procuradora-geral da República, Lucília Gago, e ao presidente Marcelo Rebelo de Sousa.

"O que se pode é perguntar a quem fez o comunicado, a quem tomou a decisão posterior de dissolver a Assembleia da República, se fariam o mesmo perante aquilo que sabem hoje", sugeriu o primeiro-ministro.

Questionado sobre a forma como encarou o seu envolvimento na investigação do processo Influencer, António Costa admitiu: "Se me perguntam se estou magoado, estou".

"Quem não se sente não é filho de boa gente. Nunca ninguém pôs em causa a minha integridade, a minha honestidade. Ninguém ao fim de uma vida inteira gosta de ser colocado nesta posição", enfatizou, para reivindicar, em seguida, "uma vantagem grande".

"Se há convicção muito firme que tenho é no sistema de justiça, que é muito original, que não tem paralelo, mas onde os cidadãos podem ter a garantia e uma confiança: é que ninguém está acima da lei. Se me perguntam se eu acho normal que seja publicitada, sem que sejam praticados atos idoneidade de uma pessoa, é algo que a justiça deve refletir. Não tenho dúvidas qual é o final da história. Sei que não tive nenhum benefício, nenhum benefício indevido, para além do salário que me é pago", rematou.

c/ Lusa
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