Cristas tem outra ideia: que seja a escola pública impedida de abrir novas turmas

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Enquanto milhares de pessoas levavam o seu protesto a Lisboa em defesa da manutenção dos contratos de associação para as escolas privadas, a presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, voltou a entrar nesta luta para defender que seja antes a escola pública a ser sacrificada e impedida de “abrir mais uma turma”.

(actualizada às 21:01 com peça video com reacções políticas)

“Refletir e ver qual é o melhor modelo, estamos de acordo. Simplesmente fechar ideologicamente, dogmaticamente, entendendo que tudo se deve resumir à escola estatal, (...) nunca terá o acordo do CDS”, declarava a líder do CDS-PP em Macedo de Cavaleiros, no distrito de Bragança.
“Não é evidente que a turma que deve ser fechada é a turma que tem um contrato com o Estado, embora não sendo uma escola estatal”.
A ideia mais revolucionária da líder popular é no entanto outra: que nalguns casos possa ser a escola pública a sacrificada, em vez de apenas os colégios privados, que Assunção Cristas vê serem objecto de questões ideológicas.

“Faz sentido olhar para estes critérios e decidir se, nalguns casos, não deve ser a escola privada ou do setor cooperativo a ser sacrificada, mas deve ser a escola pública que, claramente, não [deve] abrir mais uma turma”, propugnou Cristas, no que é a defesa mais radical à contestação dos privados contra as alterações aos contratos de associação.


A líder popular explica: “Não é evidente que uma escola que presta um bom serviço, que tem bons resultados, que é a preferida pelos pais e que não custa mais para o Estado, deva ser sacrificada só porque ao lado há uma escola pública estatal que deve sempre mantida”, propondo uma avaliação para “perceber quais são os custos para o Estado, qual é a opção das famílias e quais são os resultados das escolas”.

“Aquilo que está em causa e se deve discutir, neste momento, é se queremos um caminho em que, com menos crianças, fecha-se a contratualização para garantir que as escolas públicas continuam, mesmo se forem piores e com mais custos equivalentes para o erário público [ou se precisamos de um] modelo mais perfeito”, defendeu Assunção Cristas, rejeitando “dogmatismos” que considera em nada beneficiarem o país.

“Mais uma vez é a uma agenda da esquerda radical, ideológica”, acusou.
Luta prosseguiu com protesto na capital
Entretanto, durante a tarde deste domingo, Lisboa recebeu o protesto de cerca de 40 mil pessoas que se deslocaram à capital para manifestar o seu descordo face á vontade do Governo de alterar os contratos de associação com os colégios privados e cooperativos.

Milhares de manifestantes concentraram-se frente ao Parlamento com cartazes a dizer que “A escola do Estado sai-nos cara” ou “Onde não há escolha não há liberdade”.

Foi uma gigantesca onda amarela, a cor escolhida pelo movimento que tem feito as suas aparições nas últimas semanas.

O “Movimento em Defesa da Escola Ponto” estimava que 36 mil pessoas estivessem com o protesto na capital, oriundas de todo o país.


c/ Lusa

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