Reportagem

Debate na generalidade da proposta de Orçamento do Estado para 2024

O Parlamento deu início esta segunda-feira a dois dias de debate na generalidade da proposta de Orçamento do Estado para 2024, cuja aprovação estará garantida pela maioria absoluta do PS. Reveja aqui os principais momentos da sessão desta segunda-feira na Assembleia da República.

Joana Raposo Santos, Rachel Mestre Mesquita, Inês Moreira Santos, Cristina Sambado, Carlos Santos Neves - RTP /

Emissão da RTP3


Pedro A. Pina - RTP

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Costa garante que máximo de aumento do IUC será 25€

Numa nova intervenção no Parlamento, António Costa garantiu que "aquilo que as pessoas vão pagar no próximo ano, e em cada um dos próximos anos, é um máximo de mais 25 euros" no Imposto Único de Circulação (IUC).

“Mais tarde ou mais cedo a verdade vem sempre ao de cima”, frisou o chefe de Governo, referindo-se à “mentira” que circulou sobre o aumento do IUC ser de 1000 por cento.

Após críticas, o primeiro-ministro perguntou aos deputados se querem discutir esses 25 euros “ou o aumento de 840 no salário mínimo nacional”, ou “o aumento de 728 euros para cada funcionário na Administração Pública”, ou ainda “o aumento de 264 euros por cada criança que recebe abono de família”.

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Livre defende que "milionários devem ter sobretaxa do IMT"

Rui Tavares, do Livre, defendeu uma tributação extraordinária para investimento estrangeiro feito na habitação, para mitigar os impactos negativos de "atividades que não sendo ilícitas são danosas para o todo nacional" e que, segundo o qual, contribuíram para o fenómeno das pessoas sem-abrigo, da gentrificação das cidades e do abandono dos centros das cidades.

"Portugal é um dos países mais procurados por milionários globais que procuram casa, na União Europeia é mesmo o mais procurado, isto tem inflacionado o mercado imobiliário, casas que dantes eram acessíveis às famílias portuguesas, hoje em dia custam um milhão de euros ou mais" afirmou o líder do Livre.

Para Rui Tavares "é necessário que quando essas casas são compradas por não residentes e não contribuintes, que haja uma forma de aqueles que, independentemente da nacionalidade, contribuem para criar a crise ajudem a resolver a crise, isso significa que através de uma sobretaxa do IMT ou de outra forma fazer com que na transação de bens de luxo".

O líder do Livre questionou o primeiro-ministro e o Governo se estariam dispostos a resolver o problema da habitação através de uma política fiscal decisiva "a sua resposta é também ela decisiva para podermos abrir uma fase de especialidade para também aqui na política fiscal e na habitação (...) o Livre pôs em cima da mesa ideias que são inovadoras e decisivas e que têm de continuar a ser, sem essa resposta não podemos abrir uma fase de especialidade que será ela construtiva e a bem do país também”.
"Não contará connosco"Em resposta à questão do deputado do Livre, António Costa explicou que “a política fiscal tem uma função justa de riqueza, mas tem obviamente também uma função de procurar alinhar os incentivos com o que são políticas corretas” acrescentando que “é o que tem sido feito” e está previsto no Orçamento do Estado para 2024.

“Nós neste Orçamento e no Programa Mais Habitação demos dois passos importantes em matéria de justiça fiscal: acabar com o regime dos vistos gold e uma redução muito significativa dos residentes não-habituais”, afirmou o primeiro-ministro.

O líder socialista admitiu que “houve uma fase em que foram importantes, designadamente para apoiar o investimento no reabilitação das cidades, que hoje estão a ter um efeito contraproducente creio que é consensual”, no entanto recusou aumentar a tributação fiscal para estrangeiros.

“Passar à fase da perseguição fiscal dos estrangeiros, isso aí não contará connosco”, concluiu.
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Montenegro defende que proposta do IRS não foi "amor de verão" e acusa Costa de "retórica da treta"

O presidente do PSD, Luís Montenegro, defendeu que a proposta do partido para a descida do IRS "não foi um amor de verão", acusando o primeiro-ministro de "retórica da treta".

"Não. Nem foi um amor de verão nem está enterrada a nossa proposta fiscal. Isso é retórica da treta! Já António Costa e a obsessão de bater recordes a cobrar impostos 'é um amor para a vida toda'", escreveu o presidente dos sociais-democratas na rede social X (antigo Twitter).

A reação de Luís Montenegro surgiu após o primeiro-ministro ter acusado o PSD de ter apresentado em agosto uma proposta de descida do IRS e de rapidamente a ter esquecido, "como a juventude com amores de verão", enterrando-a na areia.

c/ Lusa

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PAN pede a Governo que mude destinatário da fatura fiscal

O PAN pediu ao Governo que mude o destinatário da fatura fiscal, dizendo que as famílias e as PME "estão cansadas" de que esta lhes "bata sempre à porta".

"Vai escolher onerar as famílias e as pequenas e médias empresas, ou quem mais polui e lucra, está nas suas mãos. Vai dizer a quem, afinal, quis estender a mão?", questionou Inês Sousa Real.

Na sua intervenção, a deputada do PAN disse esperar que, na fase de discussão na especialidade, seja possível fazer alterações ao nível da atualização dos escalões do IRS, manter o IVA zero num conjunto de produtos alimentares ou suspender a execução da morada de família.

Em matéria de mobilidade e descarbonização, Inês Sousa Real desafiou o Governo a estender a gratuitidade do passe a todos os que têm até 23 anos (e não apenas a estudantes) e a descer o IVA da alimentação para os animais de companhia, dizendo que até o primeiro-ministro iria beneficiar da medida, já que tem dois.

Da bancada, Costa corrigiu que "já eram três", e, na sua resposta, esclareceu que até decidiu aumentar "a biodiversidade das espécies em sua casa", não detalhando que animal se juntou aos dois cães que já tinha.

"Agradeço a sua predisposição para podermos discutir na fase da especialidade, deixarei para essa fase as questões que colocou", afirmou o primeiro-ministro.

c/ Lusa

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Lusa /

Sem garantia do `hub` de Lisboa e da função estratégica não há privatização, diz Costa

Em resposta ao PCP no debate orçamental na generalidade, António Costa sublinhou que o Governo já definiu "muito bem quais são os critérios relativamente à privatização da TAP", sendo que o "último critério é mesmo o preço" e primeiro é a "preservação da importância estratégica" da empresa para a economia nacional e do `hub` de Lisboa.

"Por isso, tenho tranquilidade para lhe dizer: se, nessa hipótese que coloca, de o `hub` de Lisboa não estar garantido e não estar garantida a função estratégica, nesse caso não haverá privatização", afirmou.

O chefe do executivo garantiu que a "privatização ocorrerá no estrito respeito pela vocação estratégica da TAP".

"Foi por isso que adquirimos a parte necessária do capital em 2015, foi para isso que fizemos o aumento de capital em 2020 e não é agora que, na privatização, vamos alienar aquilo que se conseguiu", disse.

António Costa ressalvou, contudo, que, "para alcançar esse objetivo, não é necessário ter 100% do capital ou sequer 51% do capital, depende de quem seja o sócio e depende de qual seja o pacto social entre os sócios".

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Costa responde ao BE que excedente "não é à custa do SNS"

Mariana Mortágua iniciou a sua intervenção dizendo que "o senhor primeiro-ministro sabe que a renda é para todos, o apoio é só para alguns". "E o que o Governo decidiu foi sujeitar todos ao maior aumento da renda dos últimos 30 anos", frisou.

Na saúde, a deputada bloquista criticou que as negociações se arrastem há mais de dois anos e que “a única coisa garantida” seja a “inconsistência do Governo nessas negociações”.

A coordenadora do BE afirmou ainda que "quando o SNS não tiver cura" não será o "fundo soberano" que vai conseguir resolver o problema, levando o primeiro-ministro a assegurar que o excedente que existe "não é à custa do SNS".

"Vai chegar a um acordo com os profissionais de saúde que respeite o seu tempo de trabalho e a sua capacidade de conciliar o trabalho com a vida pessoal e familiar ou vai insistir nesta ideia que o excedente não pode ser gasto a salvar o SNS", perguntou Mariana Mortágua a António Costa.

A coordenadora do Bloco afirmou avisou que "quando o SNS não tiver cura" não será o "fundo soberano que vai conseguir resgatar esse enorme problema democrático com que Portugal vai ficar".

Na resposta, António Costa escusou-se a entrar em detalhes sobre as negociações entre sindicados e Governo, porque se deve "respeitar a autonomia sindical", mas garantiu que o executivo respeita todos os profissionais e a sua função primeira é "assegurar que os portugueses têm a cada dia melhor acesso aos cuidados de saúde".

"Não é mesmo uma questão orçamental, senhora deputada, porque se fosse não tínhamos reforçado como reforçámos o número de profissionais. O excedente existe não é à custa do SNS", assegurou.

Para o primeiro-ministro, pode-se "dizer muita coisa" sobre a atuação do Governo, mas recusa a acusação de que tem "regateado no financiamento ao SNS".

c/ Lusa
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"Aumento de salários é emergência nacional" defendeu PCP

A líder parlamentar do Partido Comunista Português (PCP), Paula Santos, teceu diversas críticas ao Orçamento do Estado para 2024 por considerar que este não responde às necessidades dos portugueses e contribui para o aumento de injustiças e desigualdades no país e para o agravamento da degradação dos serviços públicos, nomeadamente de saúde e ensino.

“Não só não constam as respostas para os problemas prementes dos baixos salários e pensões, o aumento dos preços, a deterioração dos serviços públicos, como ainda contribuiu para o seu agravamento”, criticou Paula Santos.

A líder comunista acusou o Governo de uma “enorme operação de propaganda, para procurar eludir as pessoas sobre o que Orçamento não é esconder o que verdadeiramente é”, mas a seu ver ineficiente porque “não consegue esconder a opção do Governo por um Orçamento que limita o aumento dos salários e das pensões, não promove o investimento público (...)  nem aposta na produção nacional essencial para criar riqueza, empregos com direitos e dependência externa”.

“Faltam as respostas para uma efetiva valorização dos salários e das pensões, faltam respostas para fixar profissionais de saúde no SNS, faltam respostas para resolver de forma estrutural a falta de professores, faltam respostas para garantir o direito à habitação e para proteger a casa de família”.

Para a deputada do PCP “o que falta aos trabalhadores e ao povo está a ser transferido para os lucros dos grupos económicos” dos vários setores, nomeadamente bancário, energético, telecomunicações e na grande distribuição, que continuam a beneficiar de privilégios fiscais.

“É muito significativo que ao longo de uma hora e meia de debate ainda não se tenha colocado a questão da recusa do Governo em pôr travão e em fazer baixar as rendas e as prestações à banca?” afirmou a deputada do PCP.

A líder comunista terminou a sua intervenção questionando a Assembleia “porque não se rompe com o sistema de baixos salários que alguns querem eternizar no nosso país?”
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"Mau orçamento de um mau Governo", considera IL

O líder da Iniciativa Liberal declarou, na sua intervenção, que "este é um mau orçamento de um mau Governo e de um mau primeiro-ministro".

Rui Rocha começou por condenar “o aumento da carga fiscal” e “o aumento da despesa em percentagem do PIB (…) que vai condicionar, mais uma vez, o futuro e a liberdade dos portugueses”.

Além disso, disse que “o orçamento não tem nada para as empresas”.

“Com este orçamento, Portugal não cresce. Aliás, o senhor ministro Fernando Medina (…) já admitiu isso”, afirmou o deputado.

“E também é um mau orçamento porque é um orçamento que não põe o país a funcionar. Olhemos para a educação: há poucos dias saiu um estudo do IAVE (…) que diz que houve perdas de aprendizagens por causa da pandemia e das opções políticas tomadas então”, declarou.

Rui Rocha lembrou ainda as falhas “no acompanhamento das grávidas” e “a falta de médicos de família”.

Em resposta, o primeiro-ministro afirmou que se este orçamento é mau para a IL, então “é bom para Portugal e é bom para os portugueses”.
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Ventura acusa Costa de "faltar à verdade"

André Ventura começou o seu discurso no Parlamento por relembrar que o primeiro-ministro "chega a este Orçamento do Estado com um veto do senhor presidente da República".

“Tenha vergonha de nos pôr atrás de países que há uns anos nem linha de comboio tinham”, condenou ainda o líder do Chega.

Ventura aproveitou ainda para acusar Costa de mentir quando diz que não vai aumentar impostos. “Eu sei que no momento em que estamos o senhor primeiro-ministro não pode prometer muito, mas eu acho que não faltar à verdade não era mau”, declarou.

“Estamos num momento de crise no mundo inteiro. A nossa segurança está ameaçada porque os senhores permitiram que entrasse em Portugal toda a gente que queria entrar. E conseguimos até ter o bónus do tipo que matou duas pessoas na Bélgica ter estado na Guarda, na Covilhã, em Castelo Branco, a passear-se por Portugal. Ainda bem que temos um Governo que controla tão bem as fronteiras”, declarou Ventura, passando a criticar a descida no orçamento para a segurança interna.

Na sua reposta, o primeiro-ministro afirmou que “em matéria de comediante” não pretende competir com o deputado do Chega.

"Em matéria de comediante, nem pretendo competir com vossa excelência. Todos tivemos oportunidade de assistir à sua exibição agora e, quem não viu, teve oportunidade de ir ver ao Tik Tok o número que senhor fez onde, com a música da pantera cor-de-rosa, fingiu que me ia insultar, a mim e ao Grupo Parlamentar do PS, mas teve a cobardia de ficar a meio caminho e de pôr o papelinho no Grupo Parlamentar do PSD", afirmou o primeiro-ministro.

O primeiro-ministro disse também que não iria autoavaliar como chegou ao debate, mas considerou também que André Ventura "saiu muito mal".

Em causa está um vídeo partilhado na rede social Tik Tok, no qual André Ventura sai do seu gabinete na Assembleia da República e simula que cola um cartaz junto à porta da sala do Grupo Parlamentar do PS, mas afinal era a do PSD. O papel, em tons de vermelho, tinha uma caricatura do primeiro-ministro e uma mão e nele pode ler-se "A terceira mão do PS. Contra o IUC".

c/ Lusa
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Orçamento do Estado para 2024. "Resulta de uma boa estratégia" disse Brilhante Dias

O líder parlamentar socialista, Eurico Brilhante Dias, acusou o PSD de não perceber que “se pode governar com boas políticas e com bons resultados, sem (fazer) cortes" e defendeu que o Orçamento do Estado apresentado para 2024 "resulta da boa estratégia" do Governo socialista.

Após a intervenção de Miranda Sarmento, líder parlamentar do PSD, Brilhante Dias afirmou que os portugueses têm memória política da governação do PSD, que investiu numa estratégia de “duplo E – empobrecimento e emigração” para o país. 

“A direita portuguesa tem de recuperar do trauma do corte”, afirmou o deputado.

Na sua intervenção, o líder parlamentar do PS explicou que o orçamento em discussão é “resulta da boa estratégia” atual Governo socialista e que é “um orçamento dos portugueses”, que aposta na valorização da oferta portuguesa no mundo, que aumenta salários, pensões e prestações sociais e diminui impostos, nomeadamente o IRS e IRC, para beneficiar quem inova e quem investe.

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Costa destaca redução do IRS para as famílias

Em resposta a Joaquim Miranda Sarmento, António Costa negou que o Governo tenha cortado nas pensões e que estas foram, pelo contrário, aumentadas este ano.

“Números são números, e são muito simples: em matéria de IRS, entre 2015 e 2022 nós libertámos as famílias portuguesas de dois mil milhões de pagamento de IRS; em 2023, as famílias portuguesas pagaram menos mil milhões de euros de IRS; e, se o Orçamento do Estado para 2024 foi aprovado, as famílias portuguesas pagarão no próximo ano menos 1500 milhões de euros de IRS”, afirmou o primeiro-ministro.
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Costa acusa o PSD de ter feito da descida do IRS um amor de verão já enterrado na areia

O primeiro-ministro acusou ainda o PSD de ter apresentado em agosto uma proposta de descida do IRS para 2024 e de rapidamente a ter esquecido, "como a juventude com amores de verão", enterrando-a na areia.

António Costa fez estas críticas à linha de política fiscal dos sociais-democratas na sua intervenção de abertura do debate parlamentar na generalidade da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2024.

"Depois de na campanha eleitoral o PPD/PSD ter assumido como sua prioridade a descida imediata do IRC -- e ter remetido lá para 2025 ou 2026 uma eventual descida de IRS, se as condições o permitissem - lembraram-se a meio do verão que, afinal, queriam descer o IRS, O PPD/PSD assumiu essa proposta como se assumem os amores de verão: enterram-se na areia", declarou o líder do executivo.

Referindo-se a esse amor de verão do PSD pela descida do IRS, António Costa considerou que "foi tão fugaz este interesse que, rapidamente, se tornou em desinteresse".

"E hoje já nem falam do IRS. Pior, quando foram surpreendidos com a proposta do Governo de redução do IRS, disseram que era eleitoralista. Ao contrário dos amores de verão, o nosso compromisso com a política fiscal de valorização dos rendimentos não é um estado de ânimo. É uma política consistente e coerente, que prosseguimos desde 2016 e a que daremos continuidade até ao final da legislatura" contrapôs.

Segundo o primeiro-ministro, depois de os seus governos terem "acabado com a sobretaxa em 2016, desdobrado escalões em 2018 e 2022, reduzido taxas de imposto em 2018, 2022 e 2023 e aumentado o mínimo de existência de forma muito substancial nos últimos anos, apresenta agora, para 2024, mais uma redução das taxas de IRS até ao quinto escalão, assim beneficiando todos os agregados familiares".

"Alguém que receba um salário médio de 1300 euros por mês tem uma redução de IRS de 334 euros por ano. Um casal com dois filhos, cujo rendimento conjunto seja 3000 euros por mês, tem uma redução de IRS de 874 euros por ano. E voltamos a reforçar o IRS Jovem: isentando de tributação o primeiro ano de trabalho e reforçando as taxas de isenção nos anos seguintes.

Outra parte do discurso do primeiro-ministro foi dedicada à questão do investimento público, defendendo que cresce para "máximos da década: 9200 milhões de euros, com prioridade à habitação, à educação, à saúde, ao combate às alterações climáticas".

"O esforço nacional no investimento é já quase o dobro do período pré-pandemia. E o reforço do investimento é acompanhado por melhores condições para a sua execução. Com efeito, eliminamos as cativações do Ministério das Finanças, damos autonomia na execução de projetos financiados por fundos europeus, delegamos competências na Infraestruturas de Portugal, de forma muito alargada, para a execução dos investimentos na ferrovia e dos investimentos previstos no Plano Nacional de Investimentos", indicou.

A seguir, António Costa realçou que já foram transferidos em anteriores orçamentos mais de 1600 milhões de euros decorrentes da diversificação das fontes de financiamento da segurança social".

"Vamos este ano reforçar o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social em mais 3900 milhões de euros, cuidando das pensões em pagamento e protegendo as pensões em formação. Face a 2015, reforçámos a sustentabilidade do nosso sistema de pensões em, pelo menos, 40 anos", advogou.

Já no que respeita à questão dos excedentes orçamentais este ano e no próximo, o líder do executivo advertiu que diminuir a dívida "é importante para as gerações futuras, porque reduzir a dívida é reduzir encargos futuros".

"Mas é também importante para as gerações presentes porque, ao reduzirmos esses encargos, conseguimos libertar mais verbas para as canalizar na resolução de problemas atuais e estarmos preparados para responder às eventualidades destes tempos de tanta incerteza externa. É desta capacidade que conquistámos, de ter maior margem para responder aos problemas do país, que não devemos abdicar", acrescentou.

C/Lusa
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PSD acusa primeiro-ministro de executar "poucochinho"

Joaquim Miranda Sarmento, do PSD, começou por acusar o primeiro-ministro de há um ano ter cortado as pensões dos portugueses. Sobre impostos, o deputado social-democrata confirmou que "sim, o PSD quando chega ao Governo, infelizmente tem de aumentar impostos".

“E tem de aumentar impostos por causa da herança que os senhores deixam”, explicou, dirigindo-se aos socialistas.

Miranda Sarmento afirmou também sobre o OE2024 que “esta não é uma consolidação orçamental estrutural”. “Deixemo-nos de ilusionismos, deixemo-nos de enganar os portugueses”, apelou.

“Se compararmos com os países da coesão, Portugal em 2024 é dos que menos cresce”, apontou o deputado do PSD.

Para Joaquim Miranda Sarmento, “o segundo pecado capital é o do aumento da carga fiscal”. “Desde que o senhor é primeiro-ministro, a carga fiscal já subiu três pontos percentuais, e foi sobretudo no aumento de impostos. Os portugueses pagam cada vez mais impostos e têm cada vez piores serviços públicos”, acusou.

“O terceiro pecado capital tem a ver com o investimento público”, continuou. “Durante seis anos o seu investimento público foi inferior a 2015, e porquê? O senhor faz sempre um truque”, que é prometer sempre muito e executar “poucochinho”.

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OE2024 é o "Orçamento dos portugueses"

No discurso no Parlamento, o primeiro-ministro disse que o debate se ia centrar “no instrumento de boa política económica, para enfrentar tempos de incerteza, com o reforço do rendimento das famílias e o aumento do investimento e para proteger o futuro”.

“Este é mais do que o Orçamento do Estado. Este é o Orçamento dos portugueses”, continuou, referindo o aumento do salário mínimo, o aumento do salário base da administração pública.
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Críticas da oposição. Costa diz que "todos saberão quem falou verdade" daqui a um ano

Dando início ao debate, António Costa condenou as acusações da direita, no ano passado, e garantiu que os portugueses vão saber quem falou a verdade no futuro.

“Há um ano, neste debate orçamental, o grande tema da oposição era a acusação de que o Governo queria fazer um corte nas pensões”, começou por dizer o primeiro-ministro, acrescentando que o Governo “rebateu e garantiu que nunca estaria em cima da mesa qualquer corte de pensões”.

Contudo, António Costa diz que “a oposição insistiu na acusação ao Governo e até espalhou por todo o país vários cartazes”, dizendo que o corte de mil milhões seria “permanente”.

Mas um ano depois, continuou, “os pensionistas conhecem bem a verdade”.

“Não, não existiu nenhum corte nas suas pensões”, afirmou, recordando que o Governo prestou ainda “um apoio extraordinário correspondente a 25 por cento do valor anual da sua pensão”.

“Um ano depois, todos sabemos quem falou a verdade e quem só quis assustar os pensionistas”.

No debate orçamental deste ano, a oposição “quer de novo assustar os portugueses, (…) anunciando aumentos estratosféricos” do Imposto Único de Circulação, acusou ainda. Mas, “daqui a um ano todos saberão quem falou verdade”.

Segundo António Costa, os cidadãos só vão pagar “no máximo” mais 25 euros, ao longo do próximo ano.

“A oposição não quer discutir a valorização dos salários e das pensões, não quer discutir a redução do IRS, não quer discutir o aumento das prestações sociais, não quer discutir o reforço do investimento público e não quer discutir os bons resultados económicos e bons resultados orçamentais”, disse ainda.

Perante os deputados, o primeiro-ministro procurou destacar que, no próximo ano, o salário mínimo “cresce 840 euros, os trabalhadores da administração pública têm um aumento de pelo menos 728 euros e os jovens trabalhadores licenciados ou mestres começam a receber o prémio salarial de 679 ou 1500 euros,”.

“A pensão média aumenta 476 euros, cada criança recebe mais 264 euros de abono de família e, por todas estas razões, a oposição não quer falar sobre salários, pensões ou prestações sociais e prefere falar de um aumento máximo de 25 euros do IUC”, criticou.

Ainda dirigindo-se às bancadas dos partidos à direita do PS, António Costa declarou: “Por mais que inventem, por mais que queiram desconversar, a verdade é que este é mais um orçamento que aumenta os rendimentos dos trabalhadores, dos jovens, dos pensionistas, de todas as famílias portuguesas”.
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Arrancou o debate do Orçamento do Estado

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Orçamento chega ao debate na generalidade sob críticas da oposição

Começa a ser debatida na generalidade, esta segunda-feira, a proposta de Orçamento do Estado para 2024. Da direita à esquerda, todos os partidos apontam falhas à proposta do Governo e já anunciaram que vão votar contra.

Foto: João Relvas - Lusa

No entanto, o documento tem aprovação garantida com os votos a favor da bancada socialista, que tem a maioria no Parlamento.
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As explicações de Brilhante Dias e de Miranda Sarmento

Questionado pela RTP se não houve um "enorme aumento de impostos indiretos", Eurico Brilhante Dias começou por dizer que "estamos perante um enorme aumento de rendimentos". 

"Este é um Orçamento que é, talvez, dos orçamentos mais fáceis de o Partido Socialista defender, ao longo destes últimos anos", respondeu o líder parlamentar do PS, acrescentando que o OE2024 é o Orçamento "que a bancada parlamentar acolhe com mais tranquilidade". 

De acordo com o socialista, o OE2024 "aumenta salários", "há um aumento dos funcionários públicos", com o "acordo tripartido". Além disso, este Orçamento reduz a tributação das empresas e dos "mais jovens", portanto tem "um efeito combinado, entre a redução de IRS" e de IRC, ao mesmo tempo que aumenta os salários. 

Quanto aos impostos indiretos, há alguns que "aumentam de forma estrutural" e devido aos aumentos das taxas, explicou ainda Brilhante Dias. 

Há ainda "medidas que eram transitórias" e serão agora repostas, como por exemplo o IVA Zero. Perante esta incerteza, continuou o deputado, "o país apresenta o primeiro Orçamento do Estado que antevê um saldo positivo e uma redução em valor do PIB muito substantiva da dívida pública".

Sobre o excedente orçamental, Brilhante Dias referiu que se trata de "um saldo positivo (…) que é crucial para garantirmos a flexibilidade necessária para acorrer em momentos de grande dificuldade e da incerteza que vemos espalhada pelo mundo deve levar-nos a ser cautelosos".

Na época da pandemia, recordou o deputado, "tínhamos tido o primeiro saldo positivo", mas a situação externa ao país pode ter "impacto nas nossas vida em 2024".
PSD exige que Governo defenda "equilíbrio orçamental"

Já Joaquim Miranda Sarmento considera que o PSD “tem de analisar como é que chegamos ao equilíbrio orçamental” que o Governo anuncia.

“O equilíbrio orçamental é positivo e só podemos saudar que o Partido Socialista defenda o equilíbrio orçamental, porque no passado não o defendeu e deixou o país em duas situações muito difíceis, em 2002 e 2011”, afirmou o deputado social-democrata.

Segundo Miranda Sarmento, o país chegou ao equilíbrio orçamental com “os impostos no máximo”, com o Governo a cobrar mais 9 mil milhões de euros em impostos do que tinha estimado cobrar para o OE2023, com “o investimento público no mínimo” e com os “serviços públicos em eminente colapso”.

Para o PSD, esta é uma “forma totalmente errada” de atingir o equilíbrio orçamental.

Para o PSD, esta é uma “forma totalmente errada” de atingir o equilíbrio orçamental.

“Este Orçamento não é a única estratégia possível”, continuou, frisando que “não tem medidas para o crescimento económico, não tem medidas para as empresas (…), não tem uma visão de reformas estruturais para aumentar a produtividade e a competitividade e colocar a economia a crescer, que é aquilo que permite pagar melhores salários e ter mais recursos para os serviços públicos”.


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PCP e Chega já anunciaram voto contra
RTP /

Pedro Alves e Pedro Pinto explicam os motivos

Os deputados Pedro Alves do PCP e Pedro Pinto do Chega explicaram os motivos que leva os dois partidos a votarem contra o Orçamento do Estado para 2023.


Pedro Alves explicou as palavras do secretário-geral do partido que acusou o orçamento de ser uma propaganda ardilosa. “Apresenta-se como um orçamento de prudência e responsabilidade, mas aquilo que na prática se vê é que é o contrário da prudência”.

“Quando se deixam investimentos por fazer, como aconteceu ao longo dos últimos anos, se deixou investimento público por executar. Isso significa menores condições nas escolas, no Serviço Nacional de Saúde. Isso significa que no futuro se vai pagar caro todos esses investimentos que não foram feitos no momento certo”, esclareceu.

Para o deputado comunista é um orçamento “que é forte com os fracos e fraco com os fortes” e dá como exemplo o caso da habitação “em que o governo não tem nenhuma medida que coloque a banca a suportar os custos do aumento dos lucros e que agora anunciou que vai por fim ao travão do aumento das rendas. Medida que aliás teve o apoio do PSD, do Chega e da Iniciativa Liberal, que concordaram com esta medida que vai aumentar as rendas de forma muito significativa”.

Pedro Alves acusa ainda o governo de “não ter em conta as principais preocupações da população”.

O deputado considerou ainda que a preocupação do governo com a incerteza internacional “não pode ser justificação para as medidas que foram anunciadas”.
Orçamento "não serve interesses do país"
Questionado pela RTP se o Chega considera o Orçamento do Estado “propaganda ardilosa”, Pedro Pinto afirmou que o OE2024 “claramente não serve os interesses do país, não responde ao interesse dos portugueses, não tem nenhuma matéria para o futuro de Portugal”.

“Têm sido sempre Orçamentos hábeis”, critica o deputado do Chega, referindo-se aos Orçamentos do Estados dos anos anteriores, inclusive os das legislaturas em que o PCP no Parlamento o Governo.

O objetivo deste Orçamento, reforçou Pedro Pinto, “é enganar a população” e que, o que importar dizer, é que “os impostos vão aumentar, o custo de vida vai aumentar”.

“Era isto que gostaríamos que o Governo assumisse: este Orçamento vai prejudicar a vida dos portugueses. Esta é a realidade”, acrescentou. “Este Governo quer ter os cofres cheios e o povo na miséria e prova disso é que há quase quatro milhões de pessoas no limiar da pobreza”.

Sobre o contexto internacional, o deputado do Chega disse que “são desculpas”.

“Têm sido Orçamentos de desculpas”, mencionando as situações sociais e económicas derivadas da pandemia da covid-19 e a guerra na Ucrânia.

“Há sempre uma desculpa para não baixar os impostos aos portugueses”, apontou.

Questionado se o Chega irá apresentar propostas na especialidade, Pedro Pinto garantiu que o partido “vai fazer o seu trabalho” e dizer que “este é um mau Orçamento” e apresentar “muitas propostas”.

Sem detalhar quantas propostas de alteração ao OE2024 o Chega vai apresentar, o deputado referiu questões como o IUC e o IMI.

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PAN e Livre abstiveram-se no OE2023
RTP /

As explicações de Inês Sousa Real e Rui Tavares

O PAN e o Livre ainda não anunciaram o sentido de voto do Orçamento do Estado.

Inês Sousa Real, deputada única do PAN, afirmou à RTP que “a seu tempo” o partido vai anunciar o sentido de voto.

“Neste momento a nossa grande preocupação, é que este orçamento não saia da Assembleia como entrou. E que o governo tenha a possibilidade de mudar a morada para a qual vai enviar a fatura da carga fiscal que analisamos neste orçamento”.

O PAN ainda está em negociações com o governo para decidir o sentido de voto.

Inês Sousa Real revelou ainda que só amanhã é que o partido anuncia se vota a favor, contra, ou se se abstém na votação na generalidade.

“A nossa grande prioridade é aliviar as famílias e as empresas. Queremos que medidas como o IVA zero continuem para o próximo ano. Queremos uma redução da carga fiscal, rever os escalões do IRS, que o IVA da alimentação animal também possa ser reduzido”.
  Rui Tavares, deputado único do Livre, recorda que o seu partido e o PAN foram os únicos partidos que não anunciaram o sentido de voto antes de conhecer o documento e por esse motivo “deviam ter mais tempo na televisão”.

O Livre defende que “há uma grande diferença entre este Orçamento e os anteriores que deveria interessar para o debate.

“Este é o primeiro orçamento em que o governo diz que vai ter um excedente e que o normal é ter excedentes. Até agora o que discutíamos era como diminuir o défice. Num orçamento que tem excedente, fruto do sacrifício de todos nós. Tem de haver um debate muito profundo sobre a forma como vai ser usado esse excedente”.

Rui Tavares afirma que as negociações com o governo vão acontecer depois do documento ser aprovado na generalidade e até à votação final global.
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BE e IL anunciaram voto contra
RTP /

João Cotrim de Figueiredo e Pedro Filipe Soares justificam voto contra

João Cotrim de Figueiredo, da Iniciativa Liberal, recorda que este é o “nono” Orçamento do Estado “dos governos de António Costa” e que tem “algumas coisas que infelizmente são iguais às do passado” e “outras que são novas, mas também não são coisas boas”.A RTP está a auscultar os deputados na antecâmara do debate em plenário.

E dá como exemplo “as coisas que são iguais é que continua a não por o país a crescer e os serviços públicos a funcionar”.

Cotrim de Figueiredo realça ainda que não “há nenhuma reforma estrutural, na saúde, educação, justiça, segurança social e habitação. Nada!”

Quando questionado se o seu partido usaria o excedente orçamental para reduzir a carga fiscal, Cotrim de Figueiredo frisa que “há uma necessidade absoluta de reduzir a carga fiscal. Hoje em dias todos estão de acordo que é necessário que, sobretudo, os impostos sobre o trabalho são um travão”.

“Outra coisa é como é que esse dinheiro está a ser gasto. Temos receitas fiscais brutais (…) desde que António Costa é primeiro-ministro, já aumentaram mais de 50 por cento e ninguém vê uma aplicação justa e eficaz, nomeadamente no funcionamento dos serviços públicos desse dinheiro”.
Já Pedro Filipe Soares, líder parlamentar do Bloco de Esquerda, explicou por que razão afirmou que o excedente orçamental era uma traição à esquerda.

“No momento em que os serviços públicos estão tão depauperados. Nós vemos que o governo não resolve os problemas da saúde, da escola pública, da justiça, o que coloca em causa o desenvolvimento do país e a qualidade da vida das pessoas, e o retorno dos impostos que são pagos”, explicou o deputado bloquista.

Pedro Filipe Soares frisa que o Governo, “não pode dizer que não há dinheiro”.

“Há dinheiro, o governo não quer é gastar nas urgências, que para nós são as urgências do país, para a maioria da população são as urgências do país”.

Em relação aos reforços anunciados para a saúde e prestações sociais no próximo Orçamento do Estado, o deputado acusa o “governo de investir mais no SNS, para colocar o SNS a pagar mais aos privados”

“É para ser um interposto de pagamentos a privados, desse ponto de vista, os números do Governo são mentirosos. Porque quando dizemos que é preciso mais investimento na saúde, vemos que no orçamento não está previsto esse investimento”, acrescentou.

O deputado do BE acusa ainda o executivo de promover “perda salarial. Os salários valem menos. Um governo de esquerda ataca os serviços públicos desta forma, que ataca o salário desta forma, é um governo que na verdade está a trair a esquerda”.
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Momento-Chave
Início do debate marcado para as 15h00
RTP /

PSD, Chega, Iniciativa Liberal, PCP e BE vão votar contra a proposta de Orçamento para o próximo ano

A votação na generalidade da proposta de Orçamento do Estado para 2024 está prevista para terça-feira. O debate inicia-se esta tarde, a partir das 15h00. A primeira intervenção deverá caber ao primeiro-ministro, António Costa.Em matéria de quadro macroeconómico, a proposta do Governo revê em alta o crescimento do Produto Interno Bruto em 2023, de 1,8 para 2,2 por cento, e em baixa de dois por cento, para 1,5 por cento, no próximo ano.

A taxa de desemprego é revista em alta para o próximo ano, prevendo agora 6,7 por cento em 2024, contra os anteriores 6,4.

Relativamente à inflação, o Executivo estima que a taxa recue de 8,1 por cento em 2022 para 5,3 em 2023 e 3,3 por cento em 2024.

A proposta de lei prevê ainda o melhor saldo orçamental do país em democracia: 0,8 por cento do PIB em 2023 e 0,2 em 2024.

No sábado, diante da Comissão Nacional do PS, António Costa defendeu, referindo-se à opção pelos excedentes orçamentais, que seria irresponsável o país gastar agora tudo o que tem, apontando que a redução da dívida deverá permitir uma poupança, em juros, de 2,6 mil milhões de euros em juros.

Outros argumentos que o primeiro-ministro deverá levar à liça no Parlamento são “a atualização referencial de cinco por cento” dos salários da Função Pública”, a atualização das pensões em 6,2 por cento, a partir de janeiro, o reforço das prestações sociais e uma descida do IRS na ordem dos 1.500 milhões de euros no próximo ano.

Face à proposta de Orçamento, o líder dos social-democratas, Luís Montenegro, anunciou o voto contra na generalidade, sustentanto que o “reverso da medalha” da baixa do IRS e o conjunto de subidas previstas nas receitas de IVA, dos impostos sobre os combustíveis ou do IUC. “Andamos aqui a ser enganados, o país está a ser enganado. No que são impostos diretos, as alterações são pouco significativas e limitadas; no que são indiretos e atinge todos, o Governo vai cobrar muito mais em 2024 do que já cobrou em 2023 e 2022”, acusou.

A Iniciativa Liberal foi o primeiro partido a anunciar o voto contra, logo no dia em que a propota de Orçamento foi apresentada, a 10 de outubro. O presidente dos liberais, Rui Rocha, instou o primeiro-ministro a recuar no IUC.

Por sua vez, o líder do Chega, André Ventura, classificou a proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano como a "maior vigarice" e a "maior burla".

À esquerda do PS, a coordenadora do BE, Mariana Mortágua, anunciou cinco propostas orçamentais em relação ao Serviço Nacional de Saúde, nomeadamente um aumento de 15 por cento de todos os salários dos profissionais, um suplemento de risco e penosidade e um regime de exclusividade.

O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, acusou o Governo de protagonizar uma “falácia nos impostos” com o objetivo de “iludir o aumento dos salários e ampliar os benefícios fiscais ao grande capital”.

Até esta segunda-feira, os deputados únicos do PAN e Livre, Inês Sousa Real e Rui Tavares, respetivamente, ainda não tinham revelado se repetem a abstenção que reservaram à proposta de Orçamento do Estado para 2023.

c/ Lusa
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Momento-Chave
RTP /

Orçamento do Estado. Governo prevê receitas fiscais históricas

A carga dos impostos deverá atingir os 38 por cento, um valor nunca visto no país.

Foto: Pedro A. Pina - RTP

O alívio no IRS deverá ser anulado pelos outros impostos, especialmente o IVA e o Imposto Único de Circulação, que implicam uma cobrança de mais de 2.700 milhões de euros.
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Momento-Chave
RTP /

Atualização do IUC. Garantido travão anual de 25 euros de aumento

O Ministério das Finanças anunciou um travão anual de 25 euros ao aumento do IUC mesmo depois de 2024. Ainda assim, muitos donos de automóveis com matrícula anterior a 2007 não estão convencidos e há quem pondere vender o carro.

Foto: João Marques - RTP

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