Debate na RTP. BE quer "desprivatizar" e CDS fala em "overdose de nacionalizações"

por RTP
Pedro A. Pina - RTP

O Bloco de Esquerda e CDS estão em polos opostos relativamente às empresas. Catarina Martins defende uma política focada em "desprivatizar" e Francisco Rodrigues dos Santos diz que o BE "vai matar a economia com uma overdose de nacionalizações".

O tema das privatizações marcou o debate entre Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda, e Francisco Rodrigues dos Santos, líder do CDS.

Catarina Martins defende uma “desprivatização” das empresas, considerando que Portugal “é um dos países que mais privatizou os seus setores estratégicos”. Dando o exemplo da EDP, a coordenadora do BE diz que é “inaceitável que no setor da energia não mande o Estado português, mas sim o chinês”.

A líder bloquista defende que é preciso “recuperar a EDP” e adianta que para voltarmos a ter o controlo da empresa energética seria preciso gastar metade do que se injetou no BES, ou seja, quatro milhões de euros.

No total, Catarina Martins afirma que o plano de “desprivatizações” do seu partido custaria 20 mil milhões de euros.
Francisco Rodrigues dos Santos diz, por sua vez, que o programa do BE é “radical” e “vai matar a economia portuguesa com uma overdose de nacionalizações”.

O líder do CDS defende antes uma privatização dos transportes, argumentando que é preciso “definir uma visão diferente do papel do Estado na nossa economia”. “Eu vejo o Estado num papel supletivo, subsidiário. Isto é, sempre que os empresários realizarem um trabalho que custa menos dinheiro aos contribuintes e por outro lado prestam um serviço mais eficiente às populações, então o Estado tem de sair de cima, porque o seu papel não é gerir empresas”, explica Francisco Rodrigues dos Santos.
"Há uma certa direita que acredita um pouco no Pai Natal"
Catarina Martins relembrou que durante a campanha para a presidência da Câmara de Lisboa, a direita defendia a gratuitidade dos transportes coletivos para mais camadas da população e explicou que “esse anúncio só é possível ser feito porque nós parámos as privatizações da Carris e Metropolitano de Lisboa e temos agora empresas públicas que permitiram baixar os preços dos passes”.

“Se as empresas tivessem sido privatizadas, isso não ia acontecer”, rematou a bloquista.

“Há uma certa direita que acredita um pouco no Pai Natal, que vem capital de fora do país para cumprir o interesse público português”, diz Catarina Martins, que acusa a direita “retirar ao nosso país capacidade de soberania e capacidade de investimento”.

Relativamente à TAP, Francisco Rodrigues dos Santos considera que foi “um negócio ruinoso” e que quem está a pagar “são todos os contribuintes portugueses através do aumento da dívida e o agravamento dos seus impostos”. “Três mil milhões fazem falta à economia”, argumenta o líder do CDS.

Já Catarina Martins defende que “o pior que podia acontecer era colocar três mil milhões de euros na TAP e depois entregá-la a interesses estrangeiros”.
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