Dom Afonso Henriques algarvio. Humberto Correia quer conquistar Portugal e resolver a crise da Habitação

Conhecido como o "candidato do amor" no Algarve, Humberto Correia é agora o candidato surpresa nas Eleições Presidenciais, visto não se enquadrar nos partidos políticos tradicionais e por ter um percurso distinto dos opositores. O pintor e autor, que viveu em França e trabalhou em diversos setores, prometeu percorrer o país vestido de Dom Afonso Henriques e resolver o "maior problema" do país: a crise na Habitação. Anunciou a candidatura a presidente da República por acreditar ser uma alternativa porque conhece o sofrimento e a pobreza em que vivem muitos portugueses.

A política não é a carreira principal, mas Humberto Correia não é um novato no que toca a eleições. Em 2017, foi candidato à Câmara Municipal de Faro, tendo como slogan de campanha “Com Amor, Faro será vencedor” – o que lhe valeu a alcunha de “candidato do amor”. Já na época, focava-se no urbanismo da autarquia e queria apostar na construção de casas sociais.

Quase oito anos depois, as preocupações do algarvio são ainda as pessoas e as condições em que vivem e trabalham. Humberto Correia decidiu avançar para a corrida a Belém para combater a “pobreza”, defendendo que o Estado deve investir em habitação para os jovens.

“O que me leva a esta candidatura é a pobreza de muitos portugueses, essa é a razão principal, e a minha proposta principal é sobre a habitação, é sobre o artigo 65 da Constituição, porque o maior problema do povo português está na habitação", avançou o candidato conhecido por pintar na Baixa de Faro, no dia em que formalizou a candidatura.

É candidato independente, sem filiação partidária ou quaisquer apoios, e disse ter recolhido sozinho as assinaturas necessárias para entregar no Tribunal Constitucional, durante quatro meses, tendo enviado mais de três mil cartas para todo o país, incluindo Madeira e Açores.
Conquistar Portugal
Humberto Correia está a percorrer o país de norte a sul desde dia 20 de dezembro. Assumindo-se diferente, até na campanha se tenta distanciar dos outros 10 candidatos à Presidência da República, entregando panfletos na rua, com contacto cara-a-cara e vestido de Dom Afonso Henriques. Começou em Viana do Castelo e a ideia é ir atravessando o território continental até ao Algarve, tal como o primeiro rei português pela conquista de Portugal.

A indumentária é “para dar impacto” e para compensar o facto de não ter apoio mediático ou de não entrar nos grandes debates com outros candidatos associados ou apoiados por partidos com assento parlamentar.

O candidato, também escritor e autor de um livro que retrata a vida de uma criança pobre, tem afirmado publicamente que foi a “pobreza de muitos portugueses” que o levou a candidatar-se a Belém.

“A diferença que eu posso fazer é que eu conheço talvez melhor os problemas do povo português”, considerou, durante um debate na Antena 1. “Porque eu estou na rua e estou em contacto com eles há mais de 20 anos”.

Para este candidato, de 64 anos, “o presidente tem de estar ao lado dos portugueses e, sobretudo, ao lado de quem trabalha”.

“A melhor forma de combater a pobreza é incentivar os ricos a criar emprego”, mas “tem de haver um equilíbrio”, defendeu, acrescentando que a maioria dos portugueses não tem condições económicas para poder ir de férias ou investir em cultura.

O principal tema desta candidatura é a crise da habitação, que Humberto Correia considera ser "o maior problema do povo português". O presidente da República deve, na sua ótica, "utilizar a magistratura de influência" e fazer pressão sobre o Governo para o resolver.

“Comunico com as pessoas todos os dias, e o maior problema do povo português é a habitação. A minha missão é resolver o problema da habitação”.

O único caminho é, para este candidato, aumentar a habitação social. “O Estado tem de construir e alugar a preço acessível”, explicou, passando a defender que as rendas sejam proporcionais aos metros quadrados das casas.
Da Baixa de Faro ao Palácio de Belém
Foi ainda nas eleições autárquicas de 2017 que Humberto Correia pensou que podia começar a preparar a candidatura às Presidenciais de 2026.

“Fui candidato independente a Faro e fiz um bom resultado, 1,8 por cento, que para o início é muito bom. E depois dessas eleições, eu pensei: as próximas é à República. Mas tive de esperar quatro anos para me preparar para isso”, afirmou ao jornal Sul Informação.

E no dia 7 de maio de 2021 começou a recolher assinaturas para concorrer a Belém, principalmente na Baixa de Faro – local onde há mais de 20 anos pinta e vende quadros. Ao fim de 51 meses, Humberto Correia conseguiu mais de 10 mil assinaturas e em dezembro passado entregou no Tribunal Constitucional 9.490 assinaturas “agrafadas com certidão de eleitor”.

Nascido em 1961 no concelho de Olhão, distrito de Faro, onde reside, Humberto Correia é pai de dois filhos e esteve emigrado em França, onde trabalhou cerca de 10 anos em várias fábricas e 15 anos na construção civil.

Regressou a Portugal em 2003 e dedicou-se a pintar quadros na rua, na baixa de Faro, durante 20 anos. Apesar de não estar filiado ou ter apoio partidários, já se identificou como centro-direita em entrevistas e revelou que chegou a votar na Iniciativa Liberal em eleições legislativas anteriores.

Considerando a experiência de vida e os anos que esteve em França, defende políticas alinhadas com modelos de educação gratuita e de qualidade. E acredita na necessidade de imigração para Portugal, defendendo equilíbrio e controlo de fronteiras, afirmando que o país precisa tanto de trabalhadores como de gestão eficaz dos fluxos migratórios.

"A França tirou milhões de portugueses da miséria. E eu faço parte dessa gente. E Portugal não pode viver sem imigração. Não é possível. Mas, ao mesmo tempo, o povo português não pode ser absorvido pela imigração. Tem que haver um equilíbrio, e mais controlo nas fronteiras", defendeu numa entrevista à Lusa.

Em 2017 foi candidato à Câmara Municipal de Faro e é também autor do livro "As Pulgas da Minha Infância", sobre um menino que cresce no seio de uma família pobre da sociedade portuguesa nos anos 60 e 70 do século XX.

Caso seja eleito sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa, Correia promete ser "o presidente de todos os portugueses e o garante da Constituição" e não dissolver o Parlamento antes das eleições legislativas de 2029.