É falso que "inquérito da Intrapolls" coloque André Ventura na liderança da corrida presidencial

André Ventura e apoiantes estão a partilhar um "inquérito da Intrapolls" que o colocam "à frente de Marques Mendes" na corrida presidencial, mas dados dão empate e resultam de um modelo baseado em IA, não de um inquérito.

Lusa /

Alegação: "André Ventura lidera presidenciais à frente de Marques Mendes" num "inquérito da Intrapolls"

O candidato André Ventura partilhou hoje um alegado "inquérito da Intrapolls" que alegadamente o coloca na liderança da corrida para as eleições presidenciais de 18 de janeiro, com 21,1% das intenções de voto, à frente de Marques Mendes, com 20,8%, Gouveia e Melo, com 17,5% e António José Seguro, com 16,4%: https://archive.ph/rWCxr e https://archive.ph/7qFac (exemplos).

+++ Factos: a Intrapolls não realizou qualquer inquérito, fez uma previsão com base num modelo +++

As publicações e a infografia partilhada pelo candidato e por vários dirigentes do Chega em várias redes sociais não incluem a ligação para a origem daqueles números, mas a consulta das contas da Intrapolls/Intralistas nas redes sociais permite identificar a divulgação daqueles números no domingo, 4 de janeiro: https://archive.ph/pFhMe e https://archive.ph/1UC2n.

No entanto, aqueles resultados destacam que "Ventura e Mendes [estão] empatados na liderança da 1.ª volta" e são apresentados como uma "previsão eleitoral" relativa a 1 de janeiro, gerada a partir de um "modelo baseado num algoritmo de previsão eleitoral que utiliza diversas ferramentas de análise, onde se inclui AI" (Inteligência Artificial), não existindo qualquer referência à realização de inquéritos de opinião.

+++ Contraditório +++

Questionado pela Lusa Verifica, o fundador da Intrapolls/Intralistas confirma que aqueles dados "não são resultantes de inquérito", mas sim previsões geradas por um modelo "desenvolvido para funcionar essencialmente como um agregador de sondagens de imprensa."

Segundo Tiago Santos, "para garantir a fiabilidade, o modelo utiliza `scripts` especializados e inteligência artificial para analisar o histórico e as fichas técnicas das empresas do setor", o que permite ter "um sistema extremamente robusto" de previsão eleitoral.

"90% dos meus resultados baseiam-se nesses dados estatísticos, que foram validados através de rigorosos testes de retrocesso (`backtesting`) com sondagens antigas, alcançando uma elevada precisão. Os restantes 10% provêm de uma componente de leitura de notícias que ainda mantenho em caráter experimental, com uma influência mínima nos resultados finais", explica.

Esta componente de análise já tinha sido anunciada no início de dezembro (https://archive.ph/yxNYA), mas o peso dos resultados finais foi "calibrado" entretanto. "Valia muito mais, depois calibrei porque achei que a parte "experimental" devido à sua natureza era arriscada e então diminui o seu peso", conta Tiago Santos.

O modelo atual, diz, tem "ligeira semelhança" com o `Radar` do jornal Observador (https://archive.ph/upgWL), "mas a forma como os dados são processados é totalmente diferente". No modelo da Intrapolls, "a AI avalia as empresas pelo seu rigor histórico, dando pontuações diferentes a cada uma. Uma empresa melhor vai puxar os resultados para cima de forma significativa numa subida verificada, uma empresa pior vai fazer o oposto ou ter quase efeito nulo".

Para estas previsões "foram analisadas todas as sondagens desde 2019, em legislativas, autárquicas (2 maiores cidades), presidenciais e europeias", mas não foram promovidos inquéritos voluntários como os realizados em setembro, data em que o Chega divulgou outra análise da Intrapolls como sendo uma sondagem, uma deturpação também verificada pela Lusa Verifica: https://archive.ph/UU4zJ.

Por seu lado, o gabinete de comunicação do Chega indica como fonte uma publicação da Intrapolls no Instagram, de 1 de janeiro (https://archive.ph/OrkiE) e explica que "o candidato baseou-se nos resultados de um inquérito gerado por algoritmo, divulgado numa plataforma dedicada à recolha e análise de sondagens políticas".

Essa publicação destaca que "Marques Mendes lidera corrida para próximo presidente" - dado que o candidato André Ventura não incluiu na infografia -, enquanto "Ventura lidera a 1ª volta", "Seguro ascende ao terceiro lugar" e "5 candidatos lutam pelo apuramento", numa "previsão eleitoral" que "não é uma previsão do futuro no dia 18 de Janeiro, mas uma previsão do que seria o voto exercido pelos portugueses" no Ano Novo.

+++ Avaliação Lusa Verifica: Falso +++

É falso que "um inquérito da Intrapolls" coloque André Ventura na liderança da corrida às próximas eleições presidenciais, como divulgado pelo candidato. O projeto Intrapolls não está a realizar inquéritos voluntários de opinião e as "previsões" que publica são geradas por um modelo baseado num algoritmo de previsão eleitoral que utiliza diversas ferramentas de análise onde se inclui IA.

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