Eleições Europeias. BE quer BCE na dependência do Parlamento Europeu

por RTP

Foto: Paulo Santos - RTP

O Bloco de Esquerda quer acabar com a independência do Banco Central Europeu. Em entrevista ao Telejornal, na RTP, a candidata dos bloquistas às eleições europeias, Catarina Martins, argumentou que "quando a política teve a coragem de se impor em nome dos povos, conseguiu responder às crises".

Catarina Martins considera que a independência dos bancos centrais foi "uma inovação que surgiu nos anos 80 e marca uma transição" de um período de crescimento económico para um período de estagnação económica.

Questionada sobre exemplos de casos de sucesso a longo prazo de modelos em que os políticos interferem nas decisões técnicas dos bancos centrais, a antiga coordenadora do Bloco de Esquerda apontou "todo o período desde o pós-guerra até aos anos 80", afirmando que esse "foi o período em que houve o maior crescimento na Europa".

Catarina Martins lembrou também o período da pandemia da covid-19, "quando a política obrigou a política monetária a mudar".

"Quando na altura do covid se decidiu mutualizar pelo menos parcialmente parte da dívida ou quando o BCE foi obrigado a segurar as dívidas públicas, foi aí que conseguimos algumas respostas às crises", afirmou.

"Quando a política teve a coragem de se impor em nome dos povos, conseguiu responder às crises. Quando não teve coragem, tivemos troikas ou temos prestações das casas a aumentar quando os salários encolhem", concluiu.
Palestina. Catarina Martins considera declarações do PR “absolutamente lamentáveis”
Em entrevista no 360, da RTP, Catarina Martins considerou as declarações do presidente da República sobre o reconhecimento do Estado palestiniano “absolutamente lamentáveis”.


A cabeça de lista do BE para as europeias recordou que em 1995, Mário Soares, enquanto presidente da República, foi a Gaza. “Portugal afirmava-se como um mediador que acreditava na solução de dois Estados. Passado este tempo, Portugal nem sequer reconhecer a Palestina, é absolutamente lamentável”, afirmou.

Catarina Martins defende que reconhecer o Estado palestiniano neste momento “é uma forma de demarcação de Netanyahu e da sua política assassina”.

A ex-coordenadora do BE criticou também o Governo alemão por estar a enviar armas para Israel. “Isto é gravíssimo e precisava de uma denúncia forte que não estamos a ver”, defendeu. “Não podemos aceitar que a União Europeia tenha esta posição cínica de achar que está tudo bem com Gaza e não impor sanções a Israel”, asseverou.

“É preciso denunciar muito claramente os governos que têm esta posição e que são cúmplices do massacre que está a acontecer”, reiterou.

Relativamente à guerra entre a Ucrânia e a Rússia, a antiga coordenadora dos bloquistas defende que a União Europeia deve ser mais independente dos Estados Unidos e ser mediadora do conflito.

“A UE pode fazer mais e pode querer falar de si própria como mediadora em vez de ficar sempre à espera dos EUA”, disse. “Ficar subserviente aos EUA é um erro absoluto”, argumentou.
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