PAN defende neutralidade carbónica europeia até 2040

por RTP

Foto: José Sena Goulão - Lusa

Em entrevistas à RTP, o candidato do partido Pessoas-Animais-Natureza, Pedro Fidalgo Marques, afirmou querer a "neutralidade carbónica até 2040" e combater os entraves e retrocessos no combate às alterações climáticas.

No dia em que apresentou o programa do partido para o escrutínio de nove de junho, Pedro Fidalgo Marques considerou que há muito a fazer por parte da União Europeia na redução das emissões carbónicas.

"Temos de ser mais ambiciosos", afirmou, lembrando que tem de haver aceleração das medidas para cumprir metas já estabelecidas.

"Temos de antecipar a meta de neutralidade carbónica para 2040", defendeu, algo que disse ser "fundamental para atingir os nossos objetivos em termos de biodiversidade e de sustentabilidade".

O candidato do PAN pensa também que este objetivo será "benéfico para a Economia", sustentando que, "se passarmos para as energias 100 por cento renováveis vamos criar 1.2 milhões de empregos. Por cada euro que investirmos em energias renováveis estaremos a ter dois euros de retorno para a Economia", contribuindo para melhorar a produtividade europeia, explicou.

Confrontado com dados de 2021 que indicam que a União Europeia produz 7, 8 por cento das emissões carbónicas mundiais, um valor em queda e inferior aos 12,8 por cento, emitidos pelos Estados Unidos da América (também em queda) e os 25,7 por cento da China, com tendência para subir, e questionado quanto ao esforço europeu para mitigar as emissões carbónicas, Pedro Fidalgo Marques considerou ser necessário que a Europa lidere "pelo exemplo", mesmo que este não seja seguido por Pequim.

"Os testes do stress climático do Banco Central Europeu dizem até que, quanto mais atrasarmos esta transição, mais custos vamos ter para as empresas, para as famílias e para os bancos", afirmou.

O candidato do PAN sugeriu também que as exigências da UE face a importações devam ser as mesmas que impõe aos seus produtores, especificamente em termos de respeito ambiental. "Algo de que já se falou para a agricultura e que já existiu para os brinquedos", quanto a regras de segurança, lembrou.

Além da descarbonização, é necessário ainda falar das emissões de metano cujos efeitos na atmosfera são cerca de 80 por cento mais nocivos do que o dióxido de carbono. Pedro Fidalgo Marques sublinhou que neste tema, o PAN propõe medidas como "reconverter a pecuária" e investir em proteína vegetal, como leguminosas.

Uma área vantajosa para Portugal, que "tem terrenos férteis e só precisaríamos investir dois por cento com uma rentabilidade muito maior para os agricultores", referiu.

"Devemos ter um comissário europeu para o bem-estar animal", acrescentou, lembrando que essa é uma das bandeiras da campanha, "para definir políticas" como o fim do transporte de animais vivos.
O programa do PAN para a Europa foi explicado por Pedro Fidalgo Marques em maior detalhe, em entrevista no 360.
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