Esperada fraca participação nas eleições na aldeia mais a norte de Portugal
Na aldeia de Cristóval, na freguesia do concelho de Melgaço mais a norte de Portugal, tinham votado até às 12:25, 60 eleitores dos 516 inscritos nas eleições presidenciais e, até fecharam as urnas deverão votar cerca 160 pessoas.
A estimativa do presidente da Junta de Freguesia de Cristóval, David Barbeitos, é baseada na fraca participação em outros atos eleitorais.
"As pessoas não ligam muito, nem às [eleições] presidenciais e nem às europeias", afirmou à agência Lusa o presidente da Junta, junto ao edifício onde está instalada a mesa de voto.
A cumprir o último mandato autárquico, o socialista David Barbeitos explica a fraca participação com o envelhecimento da população.
"Era preciso andar porta a porta a explicar a importância do voto e, na televisão, mobilizarem mais as pessoas a virem votar", apontou.
"Costumam dizer que não vale a pena ir votar. Que já estão cansados. Quando é para as autárquicas, votam mais pessoas porque as vão buscar a casa", referiu.
Nas últimas autárquicas votaram 312 eleitores, nas legislativas 238, e nas europeias 180.
"Tem sido sempre assim", observou.
Contudo, nem o frio que se faz sentir, apesar do sol que vai aparecendo entre as nuvens, demoveu Arnaldo Abreu, de 93 anos, de cumprir com o seu dever cívico.
"Venho votar sempre. Nunca falhei. Só irei falhar quando morrer", desabafou o homem dos sete ofícios, que chegou a ser guarda-fiscal e a fazer contrabando.
"Andava com sacos às costas de 80 quilogramas. Ia [à Galiza] e vinha. Para lá ia café, entre outras coisas e, para cá, vinha amêndoa. Tanta coisa", contou.
António Pires também não perde uma eleição.
"Se vão votamos como vai ser?" questionou.
António Pires diz que Cristóval "só é bom para os reformados", tal como este ex-emigrante. Partiu jovem para França "porque no tempo de Salazar tinha de ir à tropa".
Hugo Afonso, de 25 anos, foi o eleitor mais jovem que falou à reportagem da Lusa. Vive no Porto, mas "de 15 em 15 dias vem visitar a terra", onde tem a sua residência fiscal.
"Voto em todas as eleições. Não falho nenhuma", afirmou Hugo Afonso que discorda da ideia dos jovens estarem afastados da política.
"Vejo pelo meu grupo de amigos, acho que os jovens estão bastante interessados. Querem mesmo exercer o seu direito de voto", frisou.
Cristóval está colada à Galiza, que de carro fica a cinco minutos de distância.
Do edifício da Junta, vislumbra-se, de um lado, a localidade galega de Pontevedra, separada de Cristóval pelo rio Minho e do outro, Ourense, pelo rio Trancoso.
A freguesia mais setentrional de Portugal, localizada no extremo norte do país, onde o rio Minho entra em Portugal deve o seu nome à Galiza.
Na aldeia, já não há mercearias e o único café que ainda trabalha está hoje fechado por motivos de doença.
A sede do concelho de Melgaço é onde a população se dirige para fazer compras ou, a Espanha.
Encontramos Manuel Rodrigues, conhecido por Manuel do trator, de 77 anos, a descer o monte. Disse que vai votar, mas logo mais à tarde. Primeiro vai a Espanha fazer umas compras.
Em 2021, dos 580 eleitores inscritos, menos 64 que nas presidenciais de hoje, votaram 134, cerca de 23,10%.
Mais de 11 milhões de eleitores são chamados a escolher o novo Presidente da República, que irá suceder a Marcelo Rebelo de Sousa, que atingiu o limite de mandatos, sendo 11 os candidatos aceites, um número recorde.
Se um dos candidatos obtiver mais de metade dos votos validamente expressos será eleito já hoje chefe de Estado. Caso contrário, haverá uma segunda volta, em 08 de fevereiro, com os dois mais votados no sufrágio.
Para o sufrágio de hoje estão inscritos 11.039.672 eleitores, mais 174.662 do que nas eleições presidenciais de 2021.