"Estado ganha zero euros com a subida do preço dos combustíveis", garante Luís Montenegro

Reportagem

"Estado ganha zero euros com a subida do preço dos combustíveis", garante Luís Montenegro

Luís Montenegro anunciou esta quinta-feira, após a uma reunião do Conselho de Ministros, várias medidas extraordinárias para a economia. Além da descida do IRS e do suplemento para pensionistas, foram também aprovados apoios para setores mais penalizados pela subida dos preços dos combustíveis. Acompanhamos aqui as declarações do primeiro-ministro.

Andreia Martins, Joana Raposo Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa

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Andreia Martins - RTP / Adicionar como fonte informativa

Preços dos combustíveis. Montenegro anuncia medidas de apoio mas rejeita "reeditar tragédia"

O primeiro-ministro anunciou esta quinta-feira várias medidas já anunciadas e defendeu as escolhas do Governo, sem "voluntarismos excessivos". Para além do suplemento aos pensionistas e da redução do IRS até ao 6º escalão, foi também anunciado o alargamento do passe ferroviário verde e mais apoios a setores mais expostos ao aumento de combustíveis.

Foto: Tiago Petinga - Lusa

Em vez do habitual briefing após o Conselho de Ministros, coube ao chefe de Governo fazer o anúncio oficial das novas medidas de apoio numa declaração ao país, a partir de São Bento. 

Neste anúncio, com um total de 12 minutos e sem direito a perguntas, Luís Montenegro elencou várias medidas que eram já conhecidas, mas fez questão também de explicar que pretende "equilibrar sensibilidade social com responsabilidade financeira". 

Sem deixar de dar algum apoio aos portugueses, o primeiro-ministro assume as escolhas do Governo. “Não trocamos este rumo por nenhum outro”, vincou, reconhecendo que outros países da União Europeia estão a optar por caminhos diferentes.

“Não troco a nossa política fiscal e financeira por a de outros países. Não é uma questão de criticar o que lá se faz. É uma questão de acreditar no que se faz aqui”, explicou. 

E vai mais longe, afirmando que não pretende “reeditar” a “tragédia” vivida aquando do resgate da “troika”, recordando que houve subida de salários na função pública e uma redução do IVA em 2009, poucos anos antes da crise. 

Afirmou, por outro lado, que não pretende regressar a opções do passado, mais recentes, como o IVA Zero nos bens alimentares essenciais. 

“Não trocamos este caminho pelo dos Governo que no passado obrigaram os portugueses a subidas de impostos ou cativações de investimentos”, vincou.
Suplemento das pensões

Em relação às medidas concretas, o primeiro-ministro mencionou desde logo as que já tinham sido anunciadas durante o debate da moção de censura, na última semana, a começar pelo bónus nas pensões. 

O suplemento extraordinário aos pensionistas será de 200 euros para quem recebe uma pensão até 537,13 euros, de 150 euros até pensões de 1074,26 euros e 100 euros para pensões até 1611,39 euros.

Este suplemento será pago com a pensão de dezembro e vai abranger mais de dois milhões de pensionistas, acrescentou Luís Montenegro.
Redução do IRS até ao 6º escalão

Foi também anunciada a redução do IRS até ao 6º escalão, "a quinta descida deste Governo" segundo o chefe de Governo.

O desagravamento fiscal será refletido no salário de novembro e o subsídio de natal. As taxas vão baixar entre 0,3 e 0,5 pontos. À mesma hora que Montenegro explicava as novas medidas, o Governo divulgou as taxas previstas por esta iniciativa e que pode consultar aqui

A medida, explicou, é "dirigida especialmente aos agregados familiares da classe média". 

Segundo um comunicado do Governo, "deverá abranger mais de 2,9 milhões de agregados familiares". No entanto, apesar de não haver uma redução das taxas dos 7.º, 8.º e 9.º escalões, estes contribuintes também vão beneficiar, uma vez que o IRS é calculado de forma progressiva.
Alargamento do passe ferroviário verde

A terceira medida anunciada é a de alargamento do passe ferroviário verde aos serviços de transporte urbano de Lisboa e do Porto, incluindo a Fertagus. 

"Por apenas 20 euros mensais pode-se viajar todas as linhas do país com exceção do Alfa Pendular", afirmou. 
38 milhões para setores mais afetados

O primeiro-ministro anunciou ainda o prolongamento, até ao final do ano, do apoio de 10 cêntimos por litro ao gasóleo profissional. Para além disso, explicou também que serão reeditados os apoios a setores "mais expostos ao aumento dos combustíveis", nomeadamente táxis, bombeiros e setor social.

Para este efeito, serão mobilizados 38 milhões de euros. São assim retomados os apoios extraordinários que vigoraram entre abril e junho. 
"O Estado ganha zero euros"

Na comunicação aos portugueses, o primeiro-ministro mostrou-se solidário perante o aumento do custo de vida, devido "sobretudo" à subida do preço dos combustíveis.

A situação, apontou, é provocada por "guerras que não controlamos". E admitiu que a situação "pode prolongar-se" e mesmo "agravar na próxima semana".

No entanto, o chefe de Governo quis veicular uma mensagem de responsabilidade e contas certas, mesmo perante a adversidade, contra "voluntarismos excessivos ou facilitismos no presente significam problemas no futuro". 

Luís Montenegro explicou que a redução do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) que vigora desde março permite "devolver a todos o valor cobrado a mais em IVA devido ao aumento dos preços".

"Os descontos totais que estão hoje em vigor representam cerca de 23 cêntimos por cada litro de combustível e provavelmente subirá para 25 centimos na próxima semana", afirmou Montenegro. Se não fosse a redução do ISP, o preço da gasolina seria, neste momento, de 2,30 euros e o do gasóleo de 2,40 euros o litro, vincou. 

Em causa está o regime de redução do ISP quando o aumento do preço dos combustíveis ultrapassa os 10 cêntimos por litro face aos valores registados entre 2 e 6 de março, a primeira semana após o início do conflito no Irão. Este regime temporário deverá ser prorrogado até ao final do ano. 

Montenegro argumentou que a aplicação deste desconto até ao final do ano significa uma redução de impostos de cerca de 1.300 milhões de euros. Se juntarmos a este valor todas as outras decisões, a intervenção do Governo devolve 2.300 milhões de euros aos contribuintes", afirmou o primeiro-ministro. 

"O Estado ganha zero euros com a subida do preço dos combustíveis. Quem diz o contrário está a faltar à verdade", acusou. 

Perante as dificuldades, o Governo recusa-se, no entanto, a dar mais descontos neste âmbito. "Não troco mais cêntimos de desconto do ISP por mais impostos, por mais défice, por mais dívida que teríamos de pagar no futuro", sublinhou.

"Sabemos que as dificuldades são muitas e são reais. Mas não vamos deitar fora o esforço de tantos e tantos milhões de portugueses. O sentido de responsabilidade está intimamente ligado ao vosso esforço", disse. 

Argumentando que "governar é fazer escolhas", o primeiro-ministro defendeu que as medidas anunciadas "seguem uma linha de rumo coerente e sustentável". 

"Um leilão de medidas avulsas e descoordenadas é abrir a porta a um tempo que não vamos deixar voltar", acrescentou ainda o primeiro-ministro. 
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Taxas do IRS descem 0,3 e 0,5 pontos até ao 6.º escalão

O primeiro-ministro confirmou hoje, numa declaração ao país, que o Conselho de Ministros aprovou a proposta de lei para baixar as taxas de IRS do 1.º ao 6.º escalão, que irão baixar entre 0,3 e 0,5 pontos. 

À mesma hora em que Luís Montenegro começou a fazer uma declaração ao país na residência oficial, em São Bento (Lisboa), o Governo divulgou no seu site quais são as novas taxas previstas na iniciativa a entregar na Assembleia da República. 

A taxa do 1.º escalão desce 0,3 pontos percentuais e, do 2.º ao 5.º, baixam 0,5 pontos percentuais, enquanto no 6.º escalão há uma redução de 0,3 pontos percentuais.

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"Equilibrar sensibilidade social com responsabilidade financeira"

O primeiro-ministro falou esta quinta-feira das medidas aprovadas pelo Conselho de Ministros. Desde logo, inclui-se neste leque as medidas já conhecidas, como o suplemento extraordinário dos pensionistas e a redução do IRS até ao 6º escalão.
Luís Montenegro anunciou, por outro lado, o alargamento do passe ferroviário verde aos serviços de transporte urbano de Lisboa e do Porto, incluindo Fertagus.

Anunciou também novos apoios a setores mais expostos ao aumento de combustíveis, incluindo o transporte de mercadorias e passageiros, táxis e instituições de solidariedade social.

O primeiro-ministro assinalou que o Estado está a ganhar "zero euros" com a subida dos preços dos combustíveis e assinalou que se recusa a "reeditar tragédias" do passado, em referência à crise de 2009.

Segundo Luís Montenegro, trata-se de "equilibrar sensibilidade social com responsabilidade financeira".
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Declaração do primeiro-ministro marcada para as 20h00

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, fará uma declaração a partir da residência oficial, em São Bento, às 20h00, horas após a realização do Conselho de Ministros. 

Na semana passada, durante o debate da moção de censura do Chega ao Governo, Luís Montenegro anunciou que o Conselho de Ministros aprovaria, esta semana, a atribuição de um novo suplemento extraordinário para os pensionistas que recebem até 1.611 euros, a ser pago em dezembro, e também um alívio fiscal até ao sexto escalão do IRS.

O chefe de Governo estimou que estas duas medidas teriam um custo total de 800 milhões de euros.

No Conselho de Ministros da semana passada, que se realizou em Bragança, o Governo aprovou o prolongamento dos apoios de dez cêntimos por litro ao gasóleo agrícola até final do ano, numa despesa estimada em 15 milhões de euros, bem como ajudas ao setor da pesca.

Nessa altura, o primeiro-ministro adiantou que seriam tomadas decisões relativamente a outros setores, como o dos transportes, táxis, associações humanitárias de bombeiros e instituições de solidariedade social. 

Deverão por isso apresentadas novas medidas para fazer face à subida do preço dos combustíveis que se agudizou nas últimas semanas. 
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Declaração do primeiro-ministro com hora incerta

A conferência de imprensa que estava prevista para o final do Conselho de Ministros será, afinal, uma uma declaração do primeiro-ministro. Tal como a conferência de imprensa, esta declaração também não tem hora prevista.
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Impactos da guerra. Montenegro critica "caminho estúpido" do ponto de vista social e económico

O primeiro-ministro afirmou esta quinta-feira que o conflito no Médio Oriente está a "penalizar muito" Portugal e a Europa. Considera que está a ser seguido "um caminho, do ponto de vista económico e social, estúpido". Internamente, disse que Portugal está "a caminho do quarto superavit consecutivo".

Rodrigo Antunes - Lusa

Na abertura da conferência europeia da economia alemã, promovida pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã, em Lisboa, Luís Montenegro referiu-se ao "aparentemente interminável conflito no Médio Oriente".

"É, sob o ponto de vista económico, verdadeiramente uma situação insustentável, chega mesmo a ser absurdo, para não usar uma expressão mais forte, que estejamos todos a ser penalizados e não consigamos dar a volta", disse.

O chefe do Governo que diz que tem insistido junto dos parceiros europeus e nas instâncias internacionais" para que se ponha cobro a este caminho".

"Eu vou mesmo dizê-lo: é um caminho do ponto de vista económico e social estúpido, não beneficia ninguém, prejudica-nos a todos, não tem um racional, não tem um sentido", afirmou.

Jornal da Tarde | 17 de setembro de 2026

Montenegro acrescentou: "Nós podemos e devemos proteger o mundo das ameaças terroristas, das ameaças nucleares, nós não podemos nem devemos pôr as pessoas a sofrer de forma injustificada por fatores que não conseguimos dominar", afirmou.Quarto superávite


"Vamos a caminho do nosso quarto superávite consecutivo",
afirmou o primeiro-ministro, uma semana depois de o ministro das Finanças ter assegurado que o objetivo será ter no final do ano, pelo menos, um saldo orçamental nulo.

Montenegro destacou que, logo a seguir a esta conferência, irá presidir ao Conselho de Ministros que vai aprovar "a quinta descida do IRS", já anunciada na semana passada.

"É a quinta vez em 2,5 anos que nós baixamos os impostos sobre rendimento do trabalho, em particular da classe média", afirmou.

Na sua intervenção, assegurou que o Governo está consciente "das dificuldades, do sofrimento das famílias e das empresas" com o aumento dos combustíveis, "e por via deles em toda a cadeia produtiva".

"Apesar de tudo isso, estamos fortes", assegurou, destacando, que apesar das circunstâncias "deste ano atípico", Portugal cresceu no segundo trimestre 2,5, "mais do dobro da média da União Europeia e da área do euro".

O primeiro-ministro acrescentou que os trabalhadores portugueses tiveram, em média, "uma valorização de cerca de 15% do seu rendimento líquido nos anos de 2024 a 2025".

"15% não é um número qualquer. É mais ou menos o equivalente a dois ordenados mensais, a dois vencimentos mensais (ao fim de um ano). Às vezes nós, com determinados números, não conseguimos transformá-los de maneira a que as pessoas em casa nos percebam", referiu.

Montenegro defendeu que as contas públicas equilibradas não são apenas "um objetivo ou um número", significam que o Estado se pode financiar a um custo mais baixo.


c/ Lusa

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