Família Espírito Santo fez o maior donativo à campanha de Cavaco em 2006

| Política

Em janeiro de 2004, Cavaco Silva foi convidado de um jantar em casa de Ricardo Salgado, onde o banqueiro terá pressionado o atual PR candidatar-se a Belém em 2006.
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Os donativos confiados por Ricardo Salgado e vários administradores do Banco Espírito Santo à campanha de Cavaco Silva para as presidenciais ultrapassaram os 152 mil euros, o que representa sete por cento do financiamento total obtido. Segundo a edição desta quinta-feira do Diário de Notícias , que consultou no Tribunal Constitucional as contas da campanha de 2006, o antigo número um do BES doou a quantia máxima então permitida por lei: 22.482 euros.

Além de Ricardo Salgado, outros quatro administradores do Grupo Espírito Santo, entre os quais António Ricciardi (ex-presidente do BES), José Manuel (ex-administrador) e Manuel Espírito Santo (ex-presidente da Rioforte), optaram pelo donativo máximo na campanha que levou Cavaco Silva a Belém pela primeira vez. Já José Maria Ricciardi (presidente do BESI) doou 15 mil euros.

A estes valores juntam-se os donativos máximos doados por Rui Duarte Silveira (ex-presidente da Assembleia-Geral da ESAF), José Manuel Ferreira Neto (ex-presidente do Banco Internacional de Crédito SA, participada a 100 por cento pelo BES) e do já falecido acionista histórico do GES, Mário Mosqueira. “Além de serem homens-fortes do universo BES, os cheques deste três destacados membros chegaram à campanha no mesmo dia dos de Ricciardi e Ricardo Salgado, 21 de novembro de 2005”, sublinha o Diário de Notícias.

Recorde-se que em janeiro de 2004 o jornal Expresso noticiava que Cavaco Silva tinha sido o convidado de um jantar em casa de Ricardo Salgado - no qual estiveram também presentes Durão Barroso e Marcelo Rebelo de Sousa -, onde o banqueiro terá pressionado o atual Presidente da República a candidatar-se a Belém nas eleições que decorreriam em 2006.

No entanto, o BES não foi a única instituição bancária a doar verbas à campanha eleitoral de Cavaco Silva. João Rendeiro (então líder do BPP) também doou o valor máximo permitido por lei (22.482 euros), Horácio Roque (à data líder do BANIF) ofereceu 20 mil euros à campanha de Cavaco Silva e Paulo Teixeira Pinto (então presidente do BCP) doou cinco mil euros.
Soares não recebeu donativos dos Espírito Santo
Cavaco Silva não foi o único candidato a receber apoios à sua candidatura por parte da banca e outros banqueiros optaram por dividir os seus donativos por dois candidatos, apoiando Cavaco Silva e Mário Soares.

Um deles foi Jardim Gonçalves (antigo homem-forte do BCP), que dividiu o valor de 20 mil euros pelos dois candidatos. José Oliveira e Costa (ex-presidente do BPN) doou 15 mil euros para a campanha de Cavaco Silva e 2.500 euros para a campanha de Mário Soares. Já Abdul Vakil (ex-presidente do BPN) doou 5.000 euros a Cavaco Silva e 2.500 à campanha de Mário Soares.

As campanhas de Manuel Alegre, Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa e Garcia Pereira não receberam qualquer donativo da banca.
Empresários também apoiaram campanhas
Além do apoio da banca, os candidatos às presidenciais também contaram com o apoio de grandes empresários do país. Segundo o Diário de Notícias, “nas contas presidenciais de 2006 – as de 2011 ainda aguardam publicação do acórdão – é ainda de registar os donativos feitos por José Guilherme (cuja prenda de 14 milhões de euros a Ricardo Salgado levou à detenção do antigo presidente do BES no processo Monte Branco). O construtor da Amadora e a família fizeram donativos a Cavaco Silva de 55 mil euros na campanha de 2006”.

“Em 2006, José Guilherme doou 20 mil euros para a campanha de Cavaco Silva, nem cheque que chegou à campanha no dia 9 de janeiro de 2006, o mesmo em que sua mulher (Beatriz Conceição Veríssimo) doou igualmente 20 mil euros. Passados 11 dias foi a vez do filho de José Guilherme, Paulo Guilherme, doar 15 mil euros”, acrescenta o jornal.

Recorde-se que Paulo Guilherme é um dos acionistas de referência da Caixa Económica Montepio Geral que tem estado a ser alvo de uma auditoria forense a pedido do Banco de Portugal para apurar o nível de exposição que o banco tem ao Grupo Espírito Santo.

Além de José Guilherme, outros empresários de vários ramos apoiaram a corrida de Cavaco Silva a Belém em 2006, a mais financiada por empresários, entre os quais: Américo Amorim (Grupo Amorim), João Pereira Coutinho (SAG), Dionísio Pestana (Grupo Pestana), António Mota (Mota-Engil), Manuel Fino (SDC Investimentos), Manuel Violas (Solverde) e Nuno Vasconcelos (Ongoiong).
Soares angariou 693 mil euros
A campanha de Mário Soares, que conseguiu angariar 693 mil euros em donativos pecuniários, contou com o apoio dos empresários: Francisco Murteira Nabo (presidente não executivo da Galp), que doou dez mil euros, Jorge Armido (presidente do Grupo Amorim Turismo), que ofereceu dez mil euros, e do empresário macaense Stanley Ho, que doou 20 mil euros (o mesmo valor que ofereceu à campanha de Cavaco Silva), entre outros.

De salientar que dois empresários doaram à campanha de Mário Soares o valor máximo permitido por lei (22.482 euros), Rui Nabeiro (administrador da Delta) e o empresário Ilídio Pinho.

Os outros candidatos a Belém na campanha eleitoral de 2006 também receberam o apoio de empresários portugueses. Manuel Alegre, que se apresentou como candidato independente, recebeu 236 mil euros em donativos. Jerónimo de Sousa, apoiado pelo PCP, conseguiu angariar 18.575 euros.

Já o candidato apoiado pelo Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, recebeu 9.979 euros em donativos e Garcia Pereira, apoiado pelo MRPP, chegou a um valor angariado de 22.489 euros.

“O donativo de Salgado a Cavaco Silva ultrapassa o total angariado por Louçã e Jerónimo de Sousa”, remata o Diário de Notícias.

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BES, Cavaco Silva, Eleições, GES, Mário Soares, Presidenciais, donativos, Espírito Santo,

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