Gouveia e Melo considera estranhos investimentos em cima de acontecimentos trágicos na saúde
O candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo considerou hoje estranhos investimentos anunciados em cima de acontecimentos trágicos e remeteu para o chefe do Governo a avaliação sobre as condições políticas para a ministra da Saúde continuar em funções.
Gouveia e Melo falava antes de visitar o Hospital Misericórdia de Valpaços, no distrito de Vila Real, depois de confrontado pelos jornalistas com os investimentos anunciados pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, no parlamento, para o setor da saúde.
No parlamento, logo no início do debate quinzenal, Luís Montenegro lamentou as mortes de pessoas que não obtiveram socorro atempado e revelou que o Governo aprovou na quarta-feira a aquisição de 275 novas viaturas para o INEM, num investimento de 16,8 milhões de euros.
Interrogado sobre o conjunto de investimentos anunciado pelo executivo PSD/CDS-PP, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada reagiu: "Anúncios destes, feitos em cima de acontecimentos que são trágicos - e mais uma vez quero dar os meus pêsames às pessoas e às famílias que sofreram a perda de entes queridos -- são sempre estranhos".
"Até podem ser feitos com a melhor das intenções e sendo a melhor das propostas, mas parece sempre uma medida que tem a ver com a parte comunicacional, ou com a gestão comunicacional de crises, e não uma verdadeira resolução de um problema. Um problema que nos afeta há muito tempo", respondeu o almirante.
Interrogado sobre as condições políticas para a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, manter as suas funções, Gouveia e Melo remeteu essa resposta para o chefe do executivo.
"A única pessoa que pode avaliar o desempenho dos seus ministros, até porque é a pessoa mais afetada pelo desempenho dos seus ministros, é o senhor primeiro-ministro. E isso está na consciência dele e na liberdade política que tem enquanto ator político, enquanto primeiro-ministro", sustentou.