Governo disponível para transferir gestão de 477 imóveis para as autarquias
O Governo está pronto para transferir a gestão de 477 imóveis para as autarquias, que poderão servir para habitação acessível e fins culturais e sociais.
PSD e CDS avançam com cobrança coerciva por vandalismo em património nacional
PSD e o CDS vão propor em sede de especialidade do Orçamento a possibilidade de cobrança coerciva por danos relacionados com atos de vandalismo em património nacional, caso não exista pagamento atempado no final de 30 dias.
PR deixa recado aos partidos: "Quando há vontade há resultados"
Questionado sobre as reuniões dos partidos com o Governo sobre a crise da habitação, António José Seguro disse que "quando há vontade há resultados" e "os portugueses exigem resultados”.
Reunião sobre Habitação. AD quer que PS assuma responsabilidade pela crise
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, acusa o primeiro-ministro de "intransigência" e lamenta a "indisponibilidade" de Luís Montenegro para começar do zero a negociação da lei das rendas.
O presidente da República pediu a todos para se sentarem e ouvirem as propostas uns dos outros. Mas, no final, ficou claro que as conversas também serviram para marcar ainda mais as distâncias entre cada um.
BE avança com 30 propostas para habitação e regresso do 'autovoucher' nos combustíveis
IL com 24 medidas para facilitar construção e criar "choque na oferta"
A presidente da Iniciativa Liberal (IL) acusou os três maiores partidos de bloquearem o país por falta de entendimento na habitação e apresentou 24 medidas para criar um "choque na oferta" no país.
Habitação. Santos Silva pede Belém "mais enérgico"
Augusto Santos Silva criticou o Governo por insistir na Lei das Rendas, afirmando que a legislação desequilibra a relação entre inquilinos e senhorios.
Acampada de Lisboa reafirma que não sai do Rossio
A Acampada de Lisboa aprovou hoje um texto de resposta às propostas da Câmara Municipal de Lisboa em que reafirma que "não sai do Rossio", assim como os temas a discutir numa reunião com o Presidente da República.
O texto, aprovado pelo grupo de trabalho dedicado à Câmara Municipal de Lisboa (CML), que foi lido na assembleia popular e aplaudido pela generalidade das centenas de participantes, será divulgado como comunicado de imprensa, mas corresponde, genericamente, à resposta que Renata Cambra já tinha dado à autarquia depois da proposta que lhe foi endereçada pelo gabinete de Carlos Moedas.
A Câmara de Lisboa propôs hoje a Renata Cambra que mantenha apenas uma tenda no Rossio aquando do mercado de Natal e que os protestos pela habitação sejam deslocalizados para o Largo de São Domingos, Martim Moniz ou Restauradores.
"Desde quando é que reduzir uma manifestação coletiva a uma única tenda simbólica constitui uma solução de compromisso?", questiona a Acampada de Lisboa no texto que acusa a autarquia liderada por Carlos Moedas de procurar "construir a narrativa de que tentou dialogar, apresentou alternativas e fez todas as concessões possíveis para garantir o direito à manifestação".
A acampada de Lisboa acusa a CML de "começar pelo fim", ao propor a saída para outras praças em vez de tentar compatibilizar o protesto no Rossio com o Mercado de Natal e de "projetar uma imagem de tolerância e respeito pela democracia, apresentando contactos individuais e propostas de deslocação como se fossem resultado de um diálogo com a Acampada".
"Preocupa-nos que esta narrativa de uma Câmara que `tudo tentou` possa preparar o terreno político e mediático para justificar uma eventual nova intervenção policial, apresentando-a como inevitável e responsabilizando quem se manifesta. Não aceitaremos que a responsabilidade pela repressão seja transferida para quem exerce o direito à manifestação", afirma-se no texto.
Adriana Lima, umas das porta-vozes da Acampada de Lisboa, disse ainda aos jornalistas no final da assembleia popular que "este protesto é extremamente válido e extremamente importante" e que a crise na habitação "deve superar qualquer tipo de festival de Natal, quando há tanto espaço na cidade para o poder fazer".
A Acampada aprovou ainda que quer discutir na reunião com o Presidente da República a reversão da lei do arrendamento, o teto às rendas, o fim da especulação e a perseguição política aos imigrantes que participam nos protestos.
Ainda sem data marcada, foi hoje aprovado, depois de um longo e confuso processo de discussão e votação, que nessa reunião apenas será tratado o tema da habitação.
De fora fica a exigência, proposta por alguns participantes da assembleia popular desta noite, entre os quais Renata Cambra, de que fosse pedido ao Presidente da República, António José Seguro, que exigisse a demissão do Governo, ou apenas do ministro da Administração Interna, Luís Neves, o que, lembraram alguns presentes, o chefe de Estado não tem poder para fazer.
A Acampada de Lisboa acabou por aprovar a exigência de demissão de Luís Neves, tal como já havia feito a Acampada do Porto, deixando essa tomada de posição para uma comunicação em nome próprio e fora da agenda da reunião com Seguro.
No final de cerca de duas horas de votações, a assembleia popular decidiu ainda escrever aos grupos parlamentares a pedir propostas para habitação pública e ao Governo para pedir que desista da revisão da lei do arrendamento.
Sobre as previsões de chuva para os próximos dias, Adriana Lima disse que há conversas diárias sobre logística e que é ainda "muito cedo para dar uma resposta final" sobre a permanência na praça caso a meteorologia se agrave.
Um dos responsáveis da logística tinha referido anteriormente que estão a ser pensadas soluções para a permanência no local das tendas e da restante infraestrutura do protesto, que passam pela colocação de lonas como proteção, por exemplo.
Alguns manifestantes revelaram a intenção de passar a noite no Rossio, havendo dezenas de tendas montadas, em filas ordenadas e com corredores de passagem entre elas, num espaço organizado e limpo frente à estátua de D. Pedro IV.
Governo, PS e Chega. Encontros com acusações e sem entendimento sobre habitação
O Governo reuniu-se ontem com PS e Chega com o intuito de dialogar sobre os problemas da habitação. Os encontros terminaram sem entendimentos, mas com troca de acusações.
Hoje o governo prossegue as reuniões com os outros partidos da oposição, mas já só com os ministros e sem Luís Montenegro.
Intransigência, diz o PS
"Temos uma visão muito diferente sobre a forma como devemos responder às necessidades de habitação (...) Não poderemos dar o nosso consentimento a uma autorização legislativa com vontade de constituir uma lei ao arrepio dos nossos valores fundamentais", justificou José Luís Carneiro no final de uma reunião de uma hora e 45 minutos, esta quinta-feira, com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, na qual estiveram também presentes os ministros das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento e da Habitação, Miguel Pinto Luz.
Do lado do PS, estiveram em São Bento o líder parlamentar, Eurico Brilhante Dias, o `vice` da bancada António Mendonça Mendes e a dirigente e autarca Luísa Salgueiro.
"Lamento que não tenha sido possível chegar a um acordo naquilo que era o essencial para responder às questões fundamentais dos jovens, das famílias e também da segurança que se estabelece para o futuro em relação à visão sobre habitação. Lamento, aliás, a intransigência do próprio primeiro-ministro e do Governo quanto à possibilidade de começarmos a construir um processo novo, um processo a partir do zero", afirmou José Luís Carneiro.
O líder do PS referia-se às alterações em curso ao regime do arrendamento urbano, feitas através de uma proposta de autorização legislativa por parte do Governo, já aprovadas na generalidade em 30 de setembro com votos a favor da maioria PSD/CDS-PP, da IL e a abstenção do Chega, após a assinatura de um acordo entre PSD e Chega para alterações na especialidade (fase que ainda não arrancou).
Carneiro explicou que, uma vez que foi rejeitada a proposta do PS de constituir uma equipa conjunta para construir uma nova lei das rendas e houve discordância nas duas matérias consideradas essenciais para os socialistas, não ficaram marcadas novas reuniões.
"Houve também uma manifestação de indisponibilidade para deixar cair a chamada renda moderada dos 2.300 euros. Era outra condição que tínhamos colocado desde a primeira hora, com toda a transparência", afirmou.
O secretário-geral do PS admitiu ter havido aproximações em propostas fiscais na área da habitação, que serão levadas à fase da especialidade do Orçamento do Estado, e deixou uma garantia ao Governo.
"Não está em causa o nosso contributo para a estabilidade política no país, mas é evidente que aqui temos uma visão muito diferente sobre a forma como se deve responder às necessidades da habitação", disse.Ventura apela a intervenção de Seguro e entrega 50 propostas
O primeiro-ministro recebeu também o líder do Chega em São Bento, após semanas de protestos nas ruas contra o custo da habitação, e das denominadas acampadas em Lisboa e no Porto, que já originaram várias cargas policiais.
André Ventura considerou que o PS tem de participar na construção de soluções para a habitação, por ser um dos responsáveis pela crise, e apelou à intervenção do Presidente da República.
"Parece-me francamente inaceitável que um dos grandes responsáveis da crise de habitação em Portugal chegado o momento de ir a resolver, diga que não tem nada a ver com isso e espera que o Chega resolva, entre aspas, o problema", disse Ventura aos jornalistas no final da reunião.
"Não sei se o Presidente da República também quererá ter aqui alguma palavra, no sentido em que estas reuniões decorrem uns dias depois de um Conselho de Estado, e penso que a ideia para o país é que os três maiores partidos assumam a sua responsabilidade", afirmou.
André Ventura garantiu que "o Chega não vai deixar que os causadores da crise da habitação não se responsabilizem por soluções na habitação".
"É preciso muita lata e muita falta de vergonha ter estado no Governo enquanto todo o cenário da habitação piorou e agora sair de uma reunião e dizer que não querem ter nada a ver com isto", criticou.
O líder do Chega disse ter trazido 50 propostas para a reunião com o primeiro-ministro e insistiu em medidas já no Orçamento do Estado para o próximo ano.
AD acusa PS de negar realidade
Por sua vez, os líderes parlamentares da AD devolveram ao PS as acusações de intransigência em matéria de habitação, com o social-democrata Hugo Soares a acusar os socialistas de tentarem negar a realidade.
"É mais fácil dizer não do que trabalhar numa solução", afirmou o presidente da bancada do PSD, no final da reunião em São Bento.
"O que me parece é que um partido que coloca como condição de negociação retirar tudo o que foi feito até agora, demonstra esse sim, não diria uma intransigência, mas uma absoluta negação da realidade", respondeu Hugo Soares a José Luís Carneiro.
O dirigente do PSD defendeu que "o país não está à espera que se entre numa lógica de passa-culpas, que gera uma infantilidade na política que não é boa para ninguém".
Hugo Soares questionou se o PS, que foi Governo durante oito anos, "acha que está tudo bem e que nada deve ser mudado", voltando a salientar que o atual regime do arrendamento é da responsabilidade de executivos socialistas.
"Se o preço das rendas é demasiado alto com a atual lei, é necessário mudar a lei. O Governo leva ao parlamento uma proposta de lei que tem como objetivo diminuir as rendas e o Governo e os partidos que suportam essa maioria no parlamento disponibilizam-se para negociar", disse. E acrescentou: "Não somos nós que estamos a dizer que não há negociação. Ora, se não somos nós que estamos a dizer que não há negociação, não somos nós, julgo eu, que estamos a ser intransigentes", disse.
Antes, também o líder parlamentar do CDS-PP, Paulo Núncio, tinha devolvido as acusações ao PS.
"O PS não obstante ter vindo à reunião, não obstante ter discutido as propostas, mostrou no final uma enorme intransigência no sentido de criar obstáculos quase intransponíveis para se poder chegar a um acordo abrangente em matéria de habitação", criticou.
Os dois líderes parlamentares da AD reiteraram "abertura total" para continuar a discutir no parlamento o regime jurídico do arrendamento na fase da especialidade com todos os partidos, a partir da proposta contida no pedido de autorização legislativa do Governo.
Na sexta-feira, seguem-se reuniões no parlamento com os restantes partidos (à exceção do JPP que será recebido na terça-feira) e os ministros das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, da Presidência, António Leitão Amaro, e dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim.