Governo diz que raiva e violência não têm lugar na sociedade portuguesa

Governo diz que raiva e violência não têm lugar na sociedade portuguesa

O Governo sublinhou hoje, a propósito das detenções ligadas ao grupo neonazi 1143, que "não há lugar na sociedade portuguesa a raiva, violência e conspiração para tomar a justiça pelas próprias mãos".

Lusa /

"Um crime é um crime e a justiça é cega à cor da pele, à religião, à raça, ao partido político. Todas as vítimas têm de ser protegidas", disse o ministro da Presidência durante a conferência de imprensa do Conselho de Ministros.

António Leitão Amaro acrescentou ainda que o Governo condena todos os exercícios de violência e de ataques: "Nós condenamos tudo e damos toda a solidariedade às forças de segurança".

Na terça-feira, 37 pessoas com "vastos antecedentes criminais" e "ligações a grupos de ódio internacionais" foram detidas em todo o país na operação "Irmandade", no âmbito da qual foram ainda constituídos outros 15 arguidos e realizadas 65 buscas, anunciou então a PJ em comunicado.

Os detidos, com idades entre os 30 e os 54 anos, "adotavam e difundiam ideologia nazi, inerente à cultura nacional-socialista e extrema-direita radical e violenta, agindo por motivos racistas e xenófobos, com o objetivo de intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, designadamente imigrantes".

Entre os detidos, estão um elemento da PSP e um militar da Força Aérea e a organização, com estrutura hierárquica e distribuição de funções, é "responsável pela prática de crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensa à integridade física qualificada e detenção de arma proibida", referiu, na nota, a PJ.

Em conferência de imprensa realizada na terça-feira, a diretora da Unidade Nacional de Contraterrorismo da PJ admitiu que o grupo neonazi não tinha nenhuma ação preparada, mas frisou que existia a intenção de realizar um ato criminoso.

Patrícia Silveira revelou ainda que foram apreendidos "elementos relevantes para a investigação" nas buscas à cela de Mário Machado, que daria indicações à organização a partir da prisão, onde cumpre desde o ano passado pena no âmbito de outro processo por incitamento ao ódio.

"Nós atuámos aqui de forma preventiva, porque não queremos voltar a ter nem gente que fique como inválida, nem gente que veja casas incendiadas, nem gente que seja morta", salientou, na conferência de imprensa, o diretor nacional da PJ, Luís Neves, depois de recordar, entre outros casos, o homicídio do cabo-verdiano Alcindo Monteiro por `skinheads`, no Bairro Alto, em Lisboa, em junho de 1995.

Ainda não há previsão de quando serão conhecidas as medidas de coação aplicadas pelo Tribunal Central de Instrução Criminal aos 37 detidos na terça-feira.

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