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Governo português preocupado com glorificação de genocida sérvio-bósnio Ratko Mladic

Governo português preocupado com glorificação de genocida sérvio-bósnio Ratko Mladic

O Governo português expressou hoje "profunda preocupação" com as manifestações de glorificação do criminoso de guerra sérvio-bósnio Ratko Mladic, por ocasião das suas cerimónias fúnebres na Sérvia.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"O Governo português vê com profunda preocupação as manifestações de glorificação de Ratko Mladic, condenado por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade" cometidos durante a Guerra da Bósnia (1992-1995), declarou o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português, num comunicado divulgado na rede social X.

O executivo português refere-se aos sinais de apoio oficial das autoridades sérvias a um criminoso de guerra condenado, cuja urna foi acolhida na Sérvia como se de um herói nacional se tratasse.

"A glorificação de um criminoso de guerra, bem como o negacionismo dos crimes pelos quais foi condenado, é incompatível com a memória das vítimas e com o dever de preservar a verdade histórica sobre os crimes cometidos na ex-Jugoslávia", sublinhou o MNE no comunicado.

"Portugal reafirma a sua solidariedade para com todas as vítimas e famílias afetadas por esses crimes e sublinha a importância de enfrentar este passado com verdade, memória e respeito pelos princípios fundamentais da ordem europeia", vincou ainda o MNE português.

A Sérvia, que desde março de 2012 é um país candidato à adesão à União Europeia (UE), utilizou a 03 de setembro um avião do Estado para transportar dos Países Baixos para Belgrado o corpo de Mladic, que morreu a 27 de agosto, aos 84 anos, enquanto cumpria uma pena de prisão perpétua num centro de detenção da ONU em Haia.

À chegada ao aeroporto de Belgrado, a urna com os seus restos mortais foi recebida com honras militares: coberta com uma bandeira sérvia, foi transportada por seis militares de um avião governamental para uma viatura, antes de seguir em cortejo, sob escolta policial, para um hospital militar em Belgrado, após ter sido acompanhada durante o voo não só pelo filho, Darko Mladic, como pelo ministro da Justiça sérvio, Nenad Vujic.

Durante o percurso do aeroporto até à capital, havia grupos de pessoas nas passagens sobre a autoestrada segurando faixas onde se liam frases como "Os heróis nunca morrem", "Bem-vindo a casa, General" e "Obrigado, General".

Na segunda-feira, dia das exéquias do antigo general sérvio-bósnio, milhares de pessoas concentraram-se em Belgrado para lhe prestar uma última homenagem, e a cerimónia religiosa, oficiada pelo chefe da Igreja Ortodoxa, assumiu contornos de funeral de Estado, com a presença de altos responsáveis sérvios, embora tenha sido oficialmente divulgado que tudo foi organizado pelo filho, Darko.

Muitas pessoas envergavam t-shirts glorificando Mladic, apelidado de "Carniceiro dos Balcãs" pelos meios de comunicação social internacionais, e muitas beijaram o seu caixão fechado, num velório que durou várias horas antes da cerimónia religiosa.

Apesar da sua condenação, muitos nacionalistas sérvios continuam a ver Ratko Mladic como um herói e protetor, particularmente na República Sérvia (Srpska), onde o anúncio da morte levou a manifestações em sua memória.

O antigo militar, que dirigiu as forças sérvias-bósnias e foi capturado em 2011 na Sérvia, após 16 anos em fuga, foi em 2017 condenado a prisão perpétua pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade durante a Guerra da Bósnia, que fez quase 100.000 mortos, um veredicto confirmado em recurso em 2021.

Entre os seus crimes, figuram o massacre de cerca de 8.000 homens e rapazes bósnios, cometido em julho de 1995 na região de Srebrenica (leste). O massacre de Srebrenica foi o primeiro genocídio reconhecido na Europa depois da Segunda Guerra Mundial.

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