Humberto Correia é candidato presidencial por conhecer "o sofrimento do povo" português

O candidato presidencial Humberto Correia afirma distinguir-se por vir "da pobreza" e conhecer o sofrimento do povo português, cujos problemas, nomeadamente o "desastre" no setor da habitação, o preocupam "dia e noite".

Lusa /
RTP

"[A minha candidatura] é diferente, porque eu venho da pobreza, eu sei o que é sofrer, eu sei o que é que o povo português sofre. É aí a diferença. A maioria dos candidatos não sabem o que é isso, eles vivem fora da realidade", comparou o candidato às eleições presidenciais.

Pintor há "mais de 20 anos" na baixa de Faro, Humberto Correia decidiu concorrer ao Palácio de Belém por ver cada vez "mais pobreza e miséria" em Portugal, uma opção que tomou depois de ter sido candidato à Câmara Municipal daquela cidade algarvia em 2017.

"Eu fiz 1,8%, [o] que é um excelente resultado para o início. Estava muito perto do BE, do PAN. Depois dessa data, eu disse `as próximas [eleições] são as presidenciais`. E, então, primeiro tive que relaxar, dando quatro anos para me preparar psicologicamente, e, depois, comecei a recolher assinaturas no dia 07 de maio de 2021", contou, em entrevista à agência Lusa.

Nascido em 1961 no concelho de Olhão, distrito de Faro, o pintor e autor passou 51 meses a recolher assinaturas, alcançando as 10.136, e, posteriormente, mais quatro meses a obter as certidões de eleitor de cada proponente.

"Consegui 9.490 certidões, todas agrafadas com a propositura, que entreguei no Tribunal Constitucional. E agora, ultimamente, um mês a percorrer o país inteiro com o meu traje de Afonso Henriques", descreveu.

Para Humberto Correia, que esteve emigrado em França, onde trabalhou em fábricas e na construção civil, não foi desafiante recolher tantas assinaturas em solitário, porque já fez "muita coisa na vida muito mais difícil".

"E mais: a minha aquisição de conhecimento passa por aí, o relacionamento com as pessoas. Eu abordei, durante esta maratona de 56 meses, para cima de 200 mil pessoas", revelou, indicando que tentou manter o ritmo de 150 assinaturas por mês.

O candidato lamentou que a campanha presidencial esteja a decorrer com "muita roupa suja à mistura", defendendo que falta o essencial, a atenção aos problemas dos portugueses.

"A minha proposta principal é impor o cumprimento do artigo 65 da Constituição, que é sobre a habitação. A habitação é o maior problema do povo português. As pessoas, mesmo a trabalhar, não conseguem pagar uma renda de casa. Aliás, não é um problema, é um desastre", alertou.

Se for eleito em 18 de janeiro, Humberto Correia vai exigir ao Governo, "seja qual for a sua cor política", que construa 100 mil habitações sociais por ano.

Entre as principais preocupações do candidato está também a educação. "Estive em França 27 anos. Tenho dois filhos. De cepa portuguesa, mãe e pai, mas são franceses. A França funciona assim: a partir dos três anos de idade, escola obrigatória, de qualidade e gratuita. Quando se fala de integração dos imigrantes em Portugal, temos que passar por aí", advogou.

O algarvio considera "normal" que a imigração se tenha tornado um dos principais temas da campanha, porque "o povo português tem medo", mas garante não se rever no discurso contra a entrada de estrangeiros.

"A França tirou milhões de portugueses da miséria. E eu faço parte dessa gente. E Portugal não pode viver sem imigração. Não é possível. Mas, ao mesmo tempo, o povo português não pode ser absorvido pela imigração. Tem que haver um equilíbrio, e mais controlo nas fronteiras", defendeu.

Caso suceda a Marcelo Rebelo de Sousa, Correia promete ser "o presidente de todos os portugueses e o garante da Constituição" e não dissolver o Parlamento antes das eleições legislativas de 2029.

"Isso são jogadas - aceitam o orçamento ou não aceitam - entre partidos políticos. É só rasteiras entre eles. Têm que se entender. Têm que aprovar. Se não aprovarem o orçamento, duodécimos, mas não haverá novas eleições", declarou.

Por fim, o pintor algarvio rejeitou terminantemente a possibilidade de desistir em favor de um dos outros 10 candidatos.

"Com o trabalho que eu tive, nem pense. Isso seria desiludir 10 mil pessoas. Nem pensar. Nem que eu vá de rastos", afirmou, dizendo não estar preocupado com o número de votos que terá nas eleições de 18 de janeiro.

"Não é os votos que me preocupam. São os problemas do povo português. Isso é que me preocupa. É nisso que eu penso noite e dia", concluiu.

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