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Indigitar a coligação para formar governo seria "perda de tempo", defende BE

Indigitar a coligação para formar governo seria "perda de tempo", defende BE

Catarina Martins considera que “não há condições” para PSD e CDS formarem governo e aprovarem um Orçamento do Estado. No final da audiência com o Presidente da República, a porta-voz do Bloco de Esquerda confirmou que transmitiu a Cavaco Silva que vai apresentar uma moção de rejeição a um eventual governo da coligação Portugal à Frente. E reiterou aquilo que António Costa afirmou: há condições para um apoio maioritário de esquerda a um governo liderado pelo PS.

RTP /
Manuel de Almeida - Lusa

A líder bloquista disse “estar empenhada na viabilização de um outro governo”. Afirmou que, no que diz respeito ao Bloco de Esquerda, “estão criadas as condições para um governo que não tenha Passos Coelho nem Paulo Portas, um governo que vire a página da direita” e que ofereça uma "alternativa estável".

Catarina Martins assegurou que as divergências com o PS foram ultrapassadas, mas a formalização do acordo com os socialistas só deverá acontecer nos próximos dias.

Sobre as condições desse acordo, a porta-voz do BE disse apenas que estão asseguradas as condições políticas e de estabilidade e “está assegurada a proteção de salários, emprego e pensões”, garantindo que o PS respondeu afirmativamente ao repto lançado pelos bloquistas antes das eleições.

Catarina Martins concretizou as condições impostas pelo BE: proteção das pensões, poder de compra dos pensionistas atualizado, não haver qualquer medida que descapitalizasse a Segurança Social, não haver qualquer medida que facilitasse os despedimentos.

“O PS aceitou todas estas medidas”, o que permitiu que as negociações avançassem para outros aspetos, que têm a ver com os rendimentos de quem trabalha e com o Estado social.

Sobre a data prevista para o firmar de um acordo com os socialistas, Catarina Martins considerou que “mais vale esperar um dia ou dois do que não fazer o trabalho bem feito”.

O Presidente da República ouve na tarde desta terça-feira os partidos políticos com representação parlamentar, na sequência das eleições legislativas de 4 de outubro. Antes de Catarina Martins, Cavaco Silva tinha já recebido Pedro Passos Coelho (PSD) e António Costa (PS). O último no primeiro dia de audiências é Paulo Portas (CDS).

A ronda termina na quarta-feira com os encontros com as delegações do PCP (10h30), Partido Ecologista "Os Verdes" (11h30) e PAN - Pessoas-Animais-Natureza (12h30).

Nas eleições de 4 de outubro, a coligação Portugal à Frente (PSD/CDS-PP) perdeu a maioria absoluta e obteve 107 mandatos (89 do PSD e 18 do CDS-PP). O PS elegeu 86 deputados, o BE 19, a CDU 17 (dois do PEV e 15 do PCP) e o PAN elegeu um deputado.
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