Última Hora
BCE sobe juros em 25 pontos base pela segunda vez este ano

Iniciativa Liberal de Leiria rejeita afastamento da alta velocidade da região

Iniciativa Liberal de Leiria rejeita afastamento da alta velocidade da região

O Núcleo Territorial de Leiria da Iniciativa Liberal (IL) rejeitou hoje qualquer tentativa de afastar a linha ferroviária de alta velocidade (LAV) da região, após serem conhecidas posições de autarcas sobre uma proposta alternativa ao traçado.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Num comunicado, a IL considerou a proposta, que desvia o traçado e retira a estação prevista para a zona da Barosa, em Leiria, e próxima da Marinha Grande, "um erro grave que compromete o futuro do Centro do país".

"O traçado atualmente aprovado já foi sujeito a estudos técnicos rigorosos, avaliações ambientais exigentes e decisões de planeamento democraticamente validadas", salientou a IL, argumentando que "alterar agora esse percurso seria desperdiçar anos de trabalho, fragilizar a credibilidade do projeto e atrasar novamente a modernização ferroviária em Portugal".

Um estudo desenvolvido pela GV Consultores de Engenharia em parceria com a ADFERSIT -- Associação para o Desenvolvimento dos Transportes em Portugal e a Confederação Empresarial de Portugal (CIP), para um novo traçado entre o Porto e Lisboa, correspondente à ligação entre Soure e Carregado, defende a passagem da linha pela margem esquerda do Tejo, beneficiando diretamente localidades como Santarém, Almeirim, Ourém e Fátima, bem como várias cidades do Médio Tejo, entre as quais Entroncamento, Tomar e Abrantes, estendendo a ligação a Castelo Branco, Covilhã e Guarda.

A proposta prevê subestações intermédias de Leiria/Fátima e Santarém que respondem a dinâmicas regionais e turísticas, como o turismo religioso em Fátima, estimando captar parte dos cinco milhões de visitantes anuais, e o desenvolvimento industrial em áreas como Marinha Grande e Leiria.

O documento foi apresentado na quarta-feira aos autarcas da do Médio Tejo, tendo a respetiva Comunidade Intermunicipal (CIM) manifestado satisfação, destacando os benefícios para a coesão territorial.

No dia seguinte, o presidente da Câmara de Santarém, João Teixeira Leite (candidato nas eleições autárquicas pela coligação PSD/CDS-PP), defendeu a inclusão de Santarém no traçado da futura LAV pela "oportunidade de transformação" para o concelho e para as sub-regiões do Médio Tejo e da Lezíria.

O Núcleo Territorial de Leiria da IL destacou ainda que a Região de Leiria "é um dos motores da economia nacional", pelo que afastar a LAV desta região "é penalizar a competitividade de Portugal e enfraquecer a sua coesão territorial".

"É importante recordar que quem defende este desvio já está hoje servido por uma infraestrutura ferroviária moderna --- a Linha do Norte --- que garante ligações rápidas e frequentes a Lisboa e ao Porto", enquanto Leiria "continua sem uma verdadeira solução ferroviária", pois a Linha do Oeste não responde "às necessidades de mobilidade da população nem da economia regional".

Para a IL, "o Governo deve cumprir o traçado aprovado e garantir que Leiria está no centro da mobilidade do futuro".

A CIM da Região de Leiria manifestou "perplexidade e total oposição" àquela proposta "desenvolvida por interesses económicos privados e com o patrocínio da CIP", que "não acrescenta qualquer valor ao processo em curso, antes introduzindo confusão e aleatoriedade num projeto nacional já sujeito a sucessivos atrasos".

Também a Associação Empresarial da Região de Leiria/Câmara de Comércio e Indústria (NERLEI CCI) expressou total oposição à eventual alteração do traçado da alta velocidade e demarcou-se da CIP, da qual é associada.

Já o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes (PS), recandidato ao cargo nas autárquicas, disse estar certo de que o Governo cumprirá os compromissos assumidos com a região nesta matéria, defendendo que o executivo e entidades responsáveis "têm de rejeitar, de forma inequívoca, qualquer tentativa de reabrir" este processo.

Por seu turno, a candidatura Avançar Leiria (BE, Livre e PAN) manifestou a "mais profunda preocupação" com a proposta que, a concretizar-se, "configuraria um erro de proporções históricas".

Tópicos
PUB