Jerónimo evita "futurologia" sobre acordo de legislatura com Costa

“Fortemente empenhado” em retirar o poder à direita, para o entregar ao PS, mas, por agora, sem um compromisso para quatro anos. Jerónimo de Sousa sintetizou assim, na última noite, em entrevista à TVI, a posição do PCP nas negociações com o partido de António Costa. Sem avançar com detalhes, tal como o Bloco de Esquerda, o secretário-geral comunista afiança estar “de boa-fé” à mesa com os socialistas.

Carlos Santos Neves - RTP /
“Existe a possibilidade real de o PS formar governo e o PCP está fortemente empenhado nessa solução”, resumiu o secretário-geral comunista na entrevista da última noite à TVI André Kosters - Lusa

Catarina Martins dissera na véspera que havia já “um caminho feito” que emprestaria “solidez” à perspetiva de um entendimento de governo com o PS. Jerónimo de Sousa falou em sentido semelhante na estação televisiva de Queluz de Baixo. O acordo, afirmou, está “bem encaminhado”.

“Afastar PSD e CDS-PP do poder” é, segundo Jerónimo, o desígnio comum às forças da esquerda parlamentar. O que “já não será coisa pequena”. “Não estão todos os pontos fechados, mas temos um caminho feito que dá solidez a esta possibilidade de acordo”, afirmara na noite de sexta-feira Catarina Martins.


Quanto aos pormenores das negociações, reina o silêncio. É um pacto de blindagem que o secretário-geral do PCP partilha com o líder do PS e a porta-voz nacional do BE.

“Existe a possibilidade real de o PS formar governo e o PCP está fortemente empenhado nessa solução, mas não vou avançar com conteúdos porque estaria a ser desleal”, acentuou o dirigente comunista, para acrescentar que o seu partido encara as conversações com o Rato e o Bloco “de boa-fé, com honestidade e seriedade”.

Questionado sobre notícias que apenas dão por garantido um acordo para um ano da legislatura, Jerónimo de Sousa quis garantir que o PCP mantém a “disponibilidade” para um entendimento que acautele quatro anos de governação sem sobressaltos na Assembleia da República. Mas não foi ao ponto de se comprometer, escusando-se a fazer “futurologia”.
“Não abdicamos da nossa identidade”

Outro dos pontos em comum com o discurso do Bloco é o da composição de um eventual executivo liderado por António Costa. À semelhança do partido de Catarina Martins, o PCP, afiança Jerónimo de Sousa, não está à procura de pastas.

“Para nós, estar no governo não é determinante neste processo. Não andamos à procura de lugares de poder nem de favores de ninguém. Não abdicamos da nossa identidade, do nosso projeto, em troca de qualquer parcela de poder”, frisou na TVI o secretário-geral do PCP.

Jerónimo confirmou, na mesma entrevista, a inexistência de contactos pré-legislativas com a cúpula socialista: a primeira investida aconteceu a 7 de outubro e foi protagonizada pelo PS.

O dirigente comunista renovou, por outro lado, as críticas a Cavaco Silva, acusando o Presidente da República de abrir ao país a perspetiva de “meses a fio” de um governo de gestão. O que poderia ser evitado com um executivo apoiado à esquerda.

Jerónimo de Sousa ainda conserva, de resto, a expectativa de que Belém acabe por indigitar António Costa, uma vez consumado o derrube do governo minoritário de Passos Coelho por iniciativa de PS, Bloco de Esquerda e Partido Comunista.
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