Jorge Pinto concorda com previsão de Marcelo e diz que "os tempos são sombrios"

O candidato presidencial Jorge Pinto disse hoje concordar com a leitura do presidente da República sobre o futuro da Europa e do mundo, e frisou que se aproximam "tempos sombrios" e que é preciso alertar para isso.

Lusa /

"Eu acho que Marcelo Rebelo de Sousa tem razão e digo isto preocupado. Quem me dera a mim poder ter um Presidente da República demissionário que diz que o próximo vai ter o caminho facilitado porque os tempos são melhores, há menos riscos. Não há, os tempos são sombrios, é preciso dizê-lo", sublinhou, em declarações aos jornalistas na estação de Santa Apolónia, em Lisboa.

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou hoje que quem lhe suceder terá tarefa mais difícil devido à situação da Europa e do resto do mundo, que descreveu como mais complicada e imprevisível.

O candidato a Belém apoiado pelo Livre defendeu que se vivem tempos "perigosos a nível interno e a nível externo" e o chefe de Estado "vai ter nas suas mãos responsabilidades muito drásticas".

Jorge Pinto argumentou que as responsabilidades do futuro presidente da República foram discutidas na sua campanha, uma vez que se foi além do debate da "espuma dos dias".

"O que é que o presidente da República pode e deve fazer para dar resposta a esses desafios. E eu acho que os eleitores ouviram isso, muito sinceramente. Os eleitores são inteligentes, os eleitores percebem o que está a acontecer e estão também eles assustados", salientou.

O candidato disse ainda ver um país a "resvalar para o ódio", lamentou os casos recentemente conhecidos de tortura à mão de forças policiais e apelou ao papel de todos para inverter o cenário.

"Nós só vamos dar a volta à situação dramática que temos pela frente com todas as pessoas. Não vai ser uma pessoa sozinha, não vai ser um partido político sozinho, vamos ser todos nós, sociedade civil, organizações da sociedade civil, sindicatos, partidos políticos, vamos ter de ser todos nós a começar a dar a volta a isto".

Jorge Pinto considerou "inaceitável, vergonhoso e perigoso" os factos recentemente noticiados sobre violência policial e afirmou que "algo está profundamente errado e deve ser corrigido".

Frisando que estes acontecimentos não "representam a maioria das forças policiais", o candidato disse que "não ficaria de bem com a sua consciência se não condenasse" estas ações.

O candidato garantiu que, se fosse presidente da República, chamaria as os representantes das forças de segurança a Belém para se explicarem sobre isto e fazerem um "retrato mais completo possível destes casos".

"A teoria da maçã podre é real, mas quando maçã após maçã começam a sair muitas maçãs podres, então se calhar é mesmo preciso limpar a taça da fruta para que isso não aconteça", defendeu.

O Ministério Público (MP) acusou dois agentes da Polícia de Segurança Pública, que exerciam funções na esquadra do Rato, em Lisboa, e que se encontram em prisão preventiva, de tortura e violação, visando sobretudo toxicodependentes, sem-abrigo e estrangeiros.

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