Jorge Pinto diz-se triste mas não surpreendido por Cotrim não excluir apoio a Ventura
O candidato presidencial Jorge Pinto disse hoje que o entristece, mas não surpreende, ver João Cotrim Figueiredo a não excluir o apoio a Ventura numa segunda volta, acusando o liberal de abdicar dos seus princípios por calculismo.
"Se há alguém que tem falado contra a nossa democracia é André Ventura. Que João Cotrim Figueiredo esteja confortável com isso e que assuma que poderia votar nele, a mim entristece-me, mas na verdade não me surpreende, porque os pontos de contacto entre João Cotrim Figueiredo e a Iniciativa Liberal e o Chega e André Ventura, são vários", afirmou.
Jorge Pinto falava aos jornalistas após uma reunião com representantes da associação Casa Qui, em Lisboa, sobre o candidato presidencial Cotrim Figueiredo ter revelado que, numa eventual segunda volta das eleições em que não esteja, não exclui o apoio a qualquer candidato, mesmo após ser questionado sobre se apoiaria André Ventura.
O candidato a Belém apoiado pelo Livre, que disse não ter visto, em concreto, o que foi dito pelo candidato apoiado pela IL, defendeu que a sua posição demonstra o conforto de Cotrim com os ataque que André Ventura pretende pôr em marcha contra a Constituição.
Jorge Pinto reiterou ainda que apoiará qualquer nome que concorrer contra o líder do Chega numa eventual segunda volta, inclusive Cotrim Figueiredo, considerando que o liberal se mantém no "arco republicano", mas acusou o candidato de calculismo político para chegar à segunda volta.
"Esta tentativa de João Cotrim Figueiredo e de outros candidatos de querer agradar a gregos e a troianos, de querer alargar o seu leque de eleitorado clássico para tentar passar à segunda volta, é perigoso. É perigoso porque quando nós abdicamos dos nossos princípios, quando nós abdicamos de ser aquilo que somos e aquilo que pensamos por um mero calculismo político, então estamos dispostos a tudo por mera vontade de poder", criticou.
Para Jorge Pinto, essa é uma postura "perigosa no momento em que o país atravessa" em que é necessária uma "consciência política firme e corajosa e não uma ideologia pudim flan" a "tremer para um lado e para o outro" para agradar a todos.
"Eu quero agradar àqueles que querem um país onde todos cabem. Quero agradar àqueles que querem defender a nossa democracia, porque eu sou por uma democracia que se defende. E isso implica tomar decisões corajosas e implica ser firme, desde logo, na defesa da própria Constituição e do nosso regime", acrescentou.