Jorge Pinto percebe quem faz voto útil e diz que não concorre a pensar na liderança do Livre
O candidato presidencial Jorge Pinto disse hoje que percebe os anseios e os medos de quem, simpatizando com a sua candidatura, optará por fazer voto útil e garantiu que não concorre a Belém com a ambição de liderar o Livre.
No penúltimo dia de campanha eleitoral, Jorge Pinto, em declarações aos jornalistas na estação de metro de Santo Ovídio, em Vila Nova de Gaia, fez um balanço da sua candidatura e disse que assumirá como uma derrota pessoal se tiver menos votos do que o Livre nas últimas legislativas, frisando que o seu partido assegurou todas as condições e apoio nesta campanha.
Depois de, na quarta-feira, ter sublinhado que os eleitores saberão interpretar o atual cenário político quando forem votar, Jorge Pinto explicou que quis dizer que "respeita e percebe" as reflexões, anseios e medos dos eleitores nestas eleições, dando como exemplo interações com pessoas que lhe dizem que simpatizam consigo, mas que terão de votar noutro candidato com mais hipótese de ganhar.
"Eu respeito isso, percebo. O que compete a esta candidatura é mostrar que há uma visão para o país assente naquilo que tem marcado esta campanha e esta candidatura e que com esses dados em cima da mesa, havendo quem queira defender a Constituição, quem queira defender a República - certamente há várias candidaturas nesse âmbito - então que as pessoas decidam livremente em quem querem votar", disse, reiterando que é legítimo que haja quem esteja assustado.
O candidato apoiado pelo Livre disse que não seria ele a "julgar quem quer que seja pelo seu sentido de voto" e que lhe importa mais que as pessoas votem em consciência e que as "candidaturas sejam transparentes em relação àquilo que representam e em relação àquilo que irão fazer para defender a Constituição e a República", garantindo que para si o resultado de domingo é "quase acessório".
Questionado sobre se teme que este apelo à responsabilidade acabe por prejudicá-lo, Jorge Pinto afirmou que não quer que "nenhum posicionamento de nenhum candidato acabe por se virar contra o país", sublinhando que não concorre por vaidade nem para concorrer à liderança do Livre, numa crítica a João Cotrim Figueiredo.
Sobre se tem a ambição de liderar o partido que o apoia, Jorge Pinto respondeu negativamente, enaltecendo o trabalho dos atuais líderes Rui Tavares e Isabel Mendes Lopes.
"Eu não poderia estar em melhores mãos do que nas mãos dos co-porta-vozes atuais do Livre, Isabel Mendes Lopes e Rui Tavares, que, para além de serem políticos das novas gerações do país e que mostram que há mesmo quem venha para mudar a política, são grandes amigos".
O candidato foi também questionado sobre se pretende voltar a concorrer em 2031, disse que esse é um assunto para depois e gracejou que, se o fizer, voltará provavelmente a ser o concorrente mais novo.
Salientando que não desistirá de lutar pelo país, seja na Presidência, no parlamento ou numa junta de freguesia, Jorge Pinto disse que estão "todos os cenários em aberto" e que está orgulhoso da sua nova forma de fazer política.
"Às vezes, se calhar até é transparente demais, mas não sei estar na política sem dizer sempre exatamente aquilo que penso e aquilo que me vai na alma", concluiu.